quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pizza da Máfia do Apito vai para o forno

Um dos maiores escândalos da história do futebol mundial, a Máfia do Apito está muito perto de terminar em pizza. Nesta quinta-feira três desembargadores se reuniram no Tribunal de Justiça de São Paulo para definir o futuro do caso. Dos três, dois votaram pelo arquivamento do processo: Fernando Miranda e Francisco Menin. Christiano Kuntz, o terceiro desembargador, pediu o adiamento da audiência para a próxima terça-feira, quando definirá o seu voto.

Mesmo que Kuntz vote pelo prosseguimento do processo, ele será arquivado a menos que Miranda ou Menin mudem os seus votos. O Ministério Público ainda poderia recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), instância imediatamente superior ao TJ de São Paulo.

A pizza da Máfia do Apito começou a ser preparada quando o advogado de Nagib Fayad, o Gibão, entrou com um habeas corpus pedindo a paralisação do caso. A defesa alegava que não foi caracterizado o crime de estelionato no esquema. Gibão, um dos sete denunciados pelo Ministério Público por estelionato e formação de quadrilha, é mostrado nos áudios negociando com Edílson o resultado das partidas.

Na semana passada, Fernando Miranda, o desembargador-relator votou a favor do habeas corpus alegando que havia falhas técnicas na ação e que ela não caracteriza estelionato. Nesta quinta, ele confirmou o seu voto, que foi acompanhado por Francisco Menin.

De acordo com o Código Penal brasileiro, o estelionato é definido como “obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício ardil ou qualquer outro meio fraudulento”. Ora, se isso não define o que aconteceu no Campeonato Brasileiro de 2005, que crimes ocorreram então durante aquela competição? Ou não houve crime nenhum e foi instituído o vale tudo no esporte brasileiro?

Para quem não lembra, a Máfia do Apito foi denunciada em 2005 pela revista “Veja”, que revelou que o ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho recebia entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para participar de jogos arranjados durante o Campeonato Brasileiro daquele ano. As partidas arranjadas eram arquitetadas por empresários que faturavam alto apostando em sites especializados. Estima-se que a quadrilha tenha faturado mais de R$ 1 milhão.

Depois que o escândalo estourou, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luís Zveiter, anulou 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho que foram considerados “contaminados”, o que mudou radicalmente o Brasileiro que culminou com o título do Corinthians. Se os 11 jogos não tivessem sido anulados, porém, a taça teria sido conquistada pelo Internacional.

A decisão de Zveiter foi polêmica. Este blog, por exemplo, sempre defendeu que fosse tomada uma medida drástica como o que aconteceu na Itália, que simplesmente anulou o campeonato quando foi descoberto o escândalo conhecido como Calciopoli, envolvendo Juventus, Milan, Lazio, Fiorentina e Reggina. Na ocasião, os títulos de 2005 e 2006 da Juventus, a principal beneficiada pelo esquema, foram cassados e a Velha Senhora foi rebaixada para a segunda divisão. Anular o campeonato era o mínimo que deveria ter sido feito no Brasil, afinal, não há esquema de um homem só, como a Máfia do Apito aparentou ser.

Em entrevista à ESPN, aliás, o delegado Protógenes Queiroz, o mesmo da polêmica Operação Satiagraha, declarou que mais gente poderia ter sido pega se a operação não tivesse vazado para a imprensa.

O escândalo de partidas arranjadas é um câncer no futebol mundial. No ano passado, o jornalista canadense Declan Hill lançou um livro chamado “The Fix – soccer and organized crime”, em que denuncia que houve partidas arranjadas na última Copa do Mundo, entre elas Brasil 3 x 0 Gana, pelas oitavas-de-final da competição. Além disso, o livro mostra que a máfia das apostas esteve presente em todas as principais competições do planeta como as Olimpíadas e a Liga dos Campeões da Europa. Hill também afirma que os mesmos apostadores que vêm atuando no futebol estariam na Copa do Mundo da África do Sul no ano que vem. Um problema sério e que preocupa a Fifa e a Uefa.

Enquanto isso, um processo importante como o da Máfia do Apito, que mostrou provas cabais de jogos arranjados no Campeonato Brasileiro, vai tendo a sua pizza assada no forno. Lamentável.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Contos da viagem II – A Obra

Diz a lenda que ela a tudo observa, não deixando escapar nada, nem os mínimos detalhes num raio de 180 graus. Há quem diga que poderia ser 360 graus se ela não estivesse fadada a viver encostada numa parede. Tamanha atenção gera a dúvida: quem estaria contemplando quem? Quem é a obra que observa e a obra que é observada?

Muitos olhares tentaram desvendá-la. Muitas teorias sobre ela foram escritas. Teses conspiratórias, histórias mirabolantes. É a feia mais bela e admirada do mundo. A admiração por seus traços de genialidade é a vingança sobre uma era em que prevalecem as modelos secas e longilíneas.

Seus fundos opacos e totalmente assexuados – nada me tira da cabeça que são paisagens diferentes à esquerda e à direita e completamente distantes uma da outra – não dão margem para qualquer sensualidade.

Com um vestido escuro absolutamente comportado ela nada revela a não ser um rosto redondo de traços finos. De malícia apenas o singelo sorriso e aquele olhar que te persegue onde você estiver. São os seus pontos fortes, sem dúvida nenhuma. O que lhe dá uma deliciosa aura de mistério e dúvida.

Quando se entra no salão, ela sabe que você chegou. Quando você se aproxima, ela sabe que você está lá. Não importa de onde você venha, sua nacionalidade ou sua profissão. Ela a tudo observa igualmente, seja você um pedreiro ou um agente da CIA. Ela tudo sabe porque tudo vê. É quase um oráculo renascentista.

Há quem diga que vê melhor do que muitos que foram visitá-la. Eu diria que a maioria que atravessa mundos ou esquinas para vê-la na realidade não liga muito para ela. Apenas para o ícone que ela representa. Um ícone de beleza estética, de inteligência, de genialidade. Ela é um dos pontos mais altos de uma carreira. É uma estrela eternamente fincada no panteão da grande arte.

É também um ícone pop e como tal é admirada, reproduzida, parodiada e...fotografada. São muitos os flashes sobre o qual ela é exposta diariamente. Há as pessoas que lhe dão as costas para sorrir para uma objetiva pouco criativa. Há aquelas que apontam para ela e outras que tentam imita-la.

Outros tantos se acotovelam para chegar o mais perto possível sem ultrapassar a linha que a separa da população muito bem vigiada pelos seguranças que a protegem. Afinal, ela é um ídolo e como tal precisa ser observada, ter sua integridade física protegida. E para isso a sua segurança é impecável. Está de olho nos mínimos movimentos, que variam da fanfarronice do italiano à esquerda a concupiscência da alemã à direita.

Tanta admiração e ela não pode ser tocada. Pelo menos não por todos que a amam e a desejam. Para quase todos, ela é uma musa numa redoma de vidro. Apenas pouquíssimos tiveram a chance de tê-la em seus braços. Entre elas seu amante inesquecível que praticamente a moldou, mas cujo tempo se encarregou de afastar. Mas ele sabia que ela era a única fadada à eternidade enquanto o tempo lhe corroeria cruelmente o corpo. Não deve ter sentido remorso ou inveja. Talvez nem suspeitasse que sua musa fosse se tornar o que se tornou. Se pensou em celebrar, não teve tempo para isso.

Minha maior curiosidade é saber o que uma mulher como ela sente quando as luzes se apagam. Uma mulher tão acostumada aos holofotes, que passa pelo menos 15 horas absolutamente vigiada por um batalhão de pessoas de todo o mundo vive durante parte do dia completamente sozinha. Nem tanto, se lembrarmos que câmeras estão ali para vigiar todos os movimentos de outrem, pois elas não captam o sibilar dos seus olhos. Misteriosos olhos que a tudo observam em quase completo silêncio.

Mas há um período do dia em que as luzes se apagam e a ela resta apenas a companhia dos vizinhos tão diferentes dela, com tão menos brilho, e do insuportável barulho do ar condicionado que a mantém com a mesma temperatura desde que se mudou para aquela mansão.

Uma mansão que ela só conhece um cômodo, o que lhe pertence, ali, naquela região central para ser descoberta aos poucos. Ninguém, mesmo desejando, nunca chega diretamente a ela. É preciso passar, no mínimo, por algumas etapas em que é impossível passar despercebido. E o grande admirador nem deseja desperceber a imensidão daquele lugar. Porque aquela mulher é só o prêmio máximo de uma dádiva de estar ali presente conhecendo a mansão.

E quando ele chega finalmente até ela, ali, em meio a confusão que a cerca de flashes, sorrisos e todo o consumismo barato de sua era, ele sente uma maldita lágrima furtiva escorrer pelo seu olho. É naquela conexão direta defletindo o caos em volta que o observador para e suspira:

- Então essa é a sensação que se tem quando se está diante de uma obra-prima?

sábado, 1 de agosto de 2009

Contos da viagem I - A aeromoça

O saguão amplo abafa qualquer som pela sua magnitude. Tudo é gigantesco quando se trata de um aeroporto. A começar pelas máquinas que verdadeiramente te aproximam do mundo globalizado. O computador pode te levar virtualmente para todos os lugares. Mas só estando nestes lugares você sente o sabor, enxerga melhor as cores, respira o ar, entra em contato com o clima e a atmosfera do lugar.

Para Camille, nada disso é novidade. É até uma doce rotina. Será mesmo que ela é doce? Certo é que sua vida é ir e vir com destino certo e incerteza de quando terá a chance de parar. Foi isso que ela escolheu para viver. Sabia das agruras tanto quanto dos prazeres. Não tem, portanto, direito a reclamar.

Mas não é em nada disso que ela pensa quando a porta por trás da fila do check-in se abre e ela cruza o saguão junto com outros companheiros de viagem. No rosto comportadamente maquiado que se destaca com o cabelo preso, um leve sorriso a acompanha. O sorriso de quem aproveitará os poucos momentos de folga naquele país ensolarado como suas madeixas para tomar um café.

O café brasileiro não é como o francês, ela pensa. E nessa comparação há vantagens e desvantagens naturais de um leve choque cultural. Aqui se coloca mais pó ou menos pó do que lá? Quantas colheres de açúcar cabem para que o modelo que ela veste continue sendo prático e confortável.

Ela tergiversa sobre o nada ao mesmo tempo em que o ponteiro do relógio teima em andar, em fazer passar este maldito tempo. O voo é questão de minutos. As bagagens já foram despachadas, mas ainda há tempo para ela se permitir um último prazer: o cigarro.

Enquanto a fumaça serpenteia do cigarro levemente levantando em sua mão esquerda, Camille relaxa. Permite-se até retirar rapidamente os sapatos um tanto apertados. Na mão direita, observa fixamente o anel dourado, presente de quem lhe prometeu o mundo que a companhia que a emprega praticamente já fez o favor de fazê-la conhecer. Resta pouco a ver. E de tanto viajar, sinceramente, ela só pensa em ficar em casa. Se é que depois de cinco anos de trabalho, ela ainda possa considerar algum lugar como casa.

O tempo é realmente cruel com os prazeres da vida. Mesmo os pequenos. O relógio de Camille avisa que é hora de embarcar para mais um dia de trabalho, rumo a mais um destino.

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Quando a aeronave alça voo, Camille já está pronta para servir os passageiros. O que será que passa pela sua cabeça? Será que ela reza para não pegar um mala na sua fileira? Não ter que lidar com nenhum engraçadinho? Ou apenas agradece a Deus por uma decolagem perfeita e reza para que a viagem e a aterrissagem sejam igualmente abençoadas?

Enfim, não deve haver muito tempo para maiores reflexões. As próximas 10 horas serão de movimentos cirúrgicos, compassados e, se tudo der certo, cercados de “mercy” para os íntimos, e “thank you” para os menos letrados.

O ritmo é constante. O trabalho é preciso. Camille entrega as refeições previamente esquentadas para cada fileira. Quando termina a primeira parte, retorna ao início para perguntar o que cada passageiro gostaria de beber. Com todos devidamente atendidos, vai para a fileira seguinte onde repete o processo. Não há falhas. Nem uma gota de bebida escapa das suas mãos. Ela sabe que é boa no que faz. Só não sabe até onde isso é bom para ela.

No ar é preciso esbanjar simpatia. Ser prestativa. Ter soluções práticas e rápidas para a demanda de cada cliente atendido por ela. Neste momento, Camille é a aeromoça precisa e impecável de uma das mais tradicionais companhias aéreas do mundo.
É mais tarde, quando os passageiros já estão alimentados e as luzes se apagam para atender aos que desejam dormir, que ela mostra as marcas do cansaço.

No fundo da aeronave, a única luz que a ajuda a ajeitar o cabelo é a mesma que revela as suas dores e o olhar distante. Quantas noites mal dormidas ela deve acumular em aviões desconfortáveis? Quantas vezes dormiu sentada em cadeiras duras com colchas transparentes e travesseiros do tamanho da sua mão? E o cigarro nem pode acompanhá-la aqui.

Única figura iluminada naquele deserto gelado do céu, no meio de absolutamente nada a não ser o mar ali embaixo a milhares de quilômetros, Camille respira fundo. Joga a parte de cima da sua roupa da esquerda para a direita e tenta alisa-la com as mãos com um único movimento dos seios a cintura. Amarrotara o uniforme, mas o cansaço fora maior do que os cuidados. Ninguém vai reparar, pensa ela.

Outra aeromoça passa e troca algumas palavras amenas com Camille, que esboça um sorriso antes de ser tragada pela luz da cabine.

Em questão de minutos, a cabine deixa de ser o único ponto de luz no avião. É dia. É noite, mas é dia na lógica de uma viagem de 10 horas na prática que vale 15 no relógio, que agora teima em ser mais rápido que o tempo.

Enquanto muitos passageiros ainda estão acordando, se ajeitando em suas poltronas, Camille está pronta com seu carrinho tomado de bandejas de café da manhã. Ela ajeita o sorriso e segue o seu destino.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Uma experiência inédita

Inspirado em Chris McCandless herói trágico e real de “Na Natureza Selvagem” (2007), nos próximos 30 dias em que o signatário deste blog estará de férias de seus afazeres oficiais, estarei explorando novas fronteiras. Meu mergulho na selvagem natureza humana pode ter um quê de aventura burguesa, como já me disseram, mas é uma experiência absolutamente inédita em toda a minha existência.

De onde estiver, se possível for, estarei aqui registrando sob um olhar diferente tudo o que vier a ver e sentir. Sempre (tentando fazer) com um olhar literário como ensinaram meus mestres do new journalism.

Um grande amigo já me perguntou. Vai postar de lá? Inicialmente minha ideia era não. Argumentei que queria me desligar completamente de todas as ferramentas que fizeram parte dos meus trabalhos nos últimos tempos. Ele respondeu: “Você não vai conseguir”. Ele, de certa forma, estava certo.

É por isso que de certa forma já estou me rendendo à minha ideia original. A discussão interna agora é como eu vou registrar. Seja de onde eu estiver.

Enfim, são férias, pero no mucho. Portanto, meus cinco leitores podem esperar novidades. Esteja eu onde estiver.

Despeço-me com a trilha sonora das minhas férias. Steppenwolf com “Born to be wild”.


Atualização do dia 25 de julho:

Sim, como vocês perceberam eu não consegui postar dos lugares em que eu estava. Ainda não sei o que vou fazer com o material escrito, mas prometo novidades ou justificativas para breve.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Pelé do tênis

Quem gosta de futebol e já viu o filme “Pelé Eterno” sabe que dá uma dor no coração e uma ponta de inveja dos mais velhos constatar que a gente nunca pôde ver o Pelé jogando ao vivo. Mas os apaixonados por esporte da minha geração não têm do que reclamar. Eles viram jogar o Pelé do basquete (Michael Jordan), viram pilotar o Pelé da Fórmula 1 (Michael Schumacher. Ou seria Ayrton Senna?), viram no mar o Pelé do surf (Kelly Slater) e viram nas quadras o Pelé do tênis.

Diante da nata do esporte no All England Tênis Club – gente do naipe de Pete Sampras, Bjorn Borg, Rod Laver, Jimmy Connors e John McEnroe - Roger Federer chega aos 27 anos, 11 de carreira, ao topo do Olimpo do tênis. Ao bater em Wimbledon seu velho freguês (em 21 jogos ele venceu 19), o americano Andy Roddick numa final épica de cinco sets, mais de quatro horas de jogo e um quinto set que terminou em 16 a 14, o suíço atingiu a marca de 15 Grand Slams, como são chamados os quatro principais torneios do circuito.

Dono de um tênis clássico já muito elogiado aqui neste blog, Federer se consagrou na quadra em que ele faturou o seu maior número de Grand Slams. Contando com o deste ano foram seis ao todo (2003-04-05-06-07-09). O suíço, agora de volta ao posto de número 1 do mundo, tem ainda um pentacampeonato do US Open (2004-05-06-07-08), um tri do Australian Open (2004-06-07) e um título no saibro de Roland Garros, sonho realizado neste ano.

É um prazer ver Federer jogando. O suíço hoje é um ídolo mundial do esporte. Todos torcem por ele, alguém que sabe ganhar, e quando perde tem o cavalheirismo de reconhecer a derrota, mas sente a dor dela como quando ele perdeu certa vez (ou melhor, pela enésima vez) para o espanhol Rafael Nadal (outro esportista de primeira linha, diga-se de passagem) num Australian Open, se não me engano, e desabafou dizendo que Deus o estava matando, não conseguindo sequer, em meio aos prantos, cumprir o discurso protocolar das decisões.

Ao superar o americano Pete Sampras como o maior vencedor de Grand Slams da história, o que ainda falta ao suíço? O que ainda pode motivá-lo? Além do desejo de ver o seu filho que está para nascer vê-lo jogar, Federer tem ainda alguns desafios nos talvez quatro ou cinco anos de carreira que ainda lhe restam. Vamos a eles.

Recordista em número de semanas consecutivas no primeiro lugar do ranking com 237, Federer ainda precisa superar Sampras no número de semanas como número 1. O americano encerrou a carreira com 286.

Com 60 títulos na carreira, Federer ainda pode sonhar, embora seja muito difícil superar, com o recorde de títulos de Jimmy Connors que é de 107.

Mas a grande motivação do suíço é fazer o Grand Slam, quando um tenista conquista os quatro principais torneios no mesmo ano. Ele esteve muito perto em três oportunidades: 2004, 2006 e 2007. Mas faltou-lhe vencer Roland Garros, a grande pedra no sapato. No primeiro ano, perdeu para Guga na quarta rodada. Nos outros, foi detonado por Nadal na decisão. Nesse ano, Federer pode conquistar três títulos de novo se vencer o US Open, mas dessa vez lhe faltou o Australian Open, uma vez que foi derrotado por Nadal no início do ano.

Outro desafio é fazer o Golden Grand Slam, quando um tenista além de conquistar os quatro principais torneios fatura a medalha de ouro olímpica. Neste caso, a última chance de Federer será em Londres-2012, justamente em Wimbledon, quando Federer estará com 30 anos. O suíço sempre fracassou nos Jogos e tem apenas um ouro olímpico nas duplas em Pequim no ano passado.

Em Grand Slams, ele não deve superar o recorde de seis troféus de Borg na França, mas estão na sua mira os recordes de Wimbledon e do US Open. Hexa em Wimbledon, ele precisa de mais um título para se igualar aos sete de Sampras. Penta nos Estados Unidos, ele precisa de mais dois troféus para se igualar a Richard D. Sears, campeão entre 1881 e 1887. Além de mais três para se igualar a Roy Emerson no Australian Open.

Trabalhos hercúleos mesmo para um gênio do esporte. Mas é exatamente por isso que os próximos anos do tênis serão muito interessantes de acompanhar. Será a história sendo construída ao vivo.

sábado, 27 de junho de 2009

O Rei se vai

Uma das maneiras de conhecer a força de um artista é perceber que ele atravessa gerações mesmo quando passa por um longo período de hibernação. Como explicar que uma criança de apenas oito anos consiga lembrar, ou melhor, saber quem é Michael Jackson a ponto de falar de seu jeito inconfundível de dançar mesmo jamais o tendo visto cantar ao vivo, no auge, ou mesmo numa turnê caça-níquel?

Sim, porque quando essa criança nasceu, Michael lançava o dispensável “Invincible” (2001) e estava mais preocupado em se defender das acusações de pedofilia do que em fazer música. Se lembrarmos que o artista prolífico “morreu” há 16 anos então, fica difícil acreditar nessa história. Mas ela me foi contado nesta semana, um dia depois da morte daquele que outrora foi chamado de o Rei do Pop. É uma prova da força de sua música.

Indo para uma geração mais antiga, que acompanhou o auge do cantor em sua carreira solo – leia-se os discos “Thriller” (1982) e “Bad” (1987) – dizem que não havia festa que não tocasse Michael Jackson e saber fazer o moonwalking, o passo de dança mundialmente conhecido em que você anda para trás sem deixar que os pés não fiquem em contato com o solo um único momento, poderia ser o diferencial entre conquistar a garota da festa e ficar sozinho na pista.

Eu nasci dez meses antes do lançamento de “Thriller”, mas, criança, também gostava de imitar Jacko, de assistir aos seus revolucionários videoclipes, e, já adolescente, comprava seus discos antigos como qualquer fã. Uma das 100 milhões de cópias vendidas de “Thriller”, um recorde que jamais será batido porque a indústria fonográfica morreu antes de Michael, ocupa lugar de destaque na minha “CDteca” particular.

Revolução é uma palavra que acompanhou toda a carreira de Michael Jackson. Muitos o comparam a um Elvis negro e com muita razão. Se o Rei do Rock aproximou o ritmo que antes era dos negros as conservadoras famílias americanas e é considerado um dos precursores de tudo o que viria em seguida, Michael também fez sua pequena revolução ao misturar ritmos que iam da black music e do soul ao rock num liquidificador pop vitaminadíssimo com um balanço cada vez mais aperfeiçoado por ele e que ganhou elogios até do mestre dos mestres Fred Astaire.

O moonwalking era apenas o seu cartão de visitas numa série de coreografias criadas por sua mente genial que não se resumiam apenas as suas letras. Michael Jackson cantava com o corpo. Daí a importância dos clipes.

Antes de Jackson, salvo algumas exceções, os clipes musicais mostravam trechos de shows, artistas cantando ou simulando cantar com uma banda num palco. O máximo de ousadia eram trechos de filmes dos Beatles condensados em improvisados videoclipes.

Com o cantor, o videoclipe vira negócio, entretenimento, diversão, lucro e linguagem. Envolve produção de cinema em microfilmes que fizeram história como os 13 minutos de “Thriller”, que consumiu dezenas de milhares de dólares. Suas coreografias foram repetidas centenas de milhares de vezes. Copiadas, parodiadas. Michael Jackson atingia o Olimpo da música para nunca mais sair por mais que se esforçasse em tragédias como o já citado “Invincible” e resquícios encontrados em coletâneas e remixes como “History” (1995) e “Blood on the dance floor” (1997).

Ao lado de Madonna, Michael Jackson foi um dos pilares da música pop numa era completamente diferente da de hoje, quando o sucesso se media mais facilmente através da venda de discos.

Bem antes dele, os Beatles do amigo e depois desafeto Paul McCartney dominavam o planeta. Quando a banda acabou, uma série de outras ótimas bandas puderam se declarar as melhores do mundo, mas talvez nenhuma delas tivesse o nível de idolatria que tiveram Elvis ou que teve Jackson.

Junto com Madonna já nos anos 80, quando se consolidava com sua carreira solo após a saída dos Jackson 5, eles eram o Rei e a Rainha do Pop, dando as cartas na indústria fonográfica. Chegaram a ensaiar uma parceria para o disco “Dangerous” (1991), último sopro de vida do artista, mas, diz a lenda, Madonna queria primeiro que Jackson assumisse uma homossexualidade que nunca se soube se ele tinha. A idéia morreu. Mas seria retomada na série de shows que o cantor já tinha marcado na O2 Arena, em Londres, para 2010, num adiamento de um ano em relação ao prazo inicial que deixou todos desconfiados sobre as reais condições físicas do astro.

Sua imagem junto ao mundo da música jamais foi arranhada em 50 anos de vida e mais de 30 de carreira. Mas seus hábitos estranhos e as constantes mudanças de aparência fizeram com que Jackson figurasse com destaque numa galeria de freaks do show business.

Sua obsessão por gostar de dormir com crianças (o que gerou não apenas críticas como processos milionários, embora ele em seguida tivesse sido inocentado de todas as acusações), a construção de um rancho chamado “Neverland”, a Terra do Nunca criada pelo escritor J.M.Barrie para as histórias de Peter Pan, um lugar onde não se crescia, e seus hábitos infantilizados e presenças constantes em lojas de brinquedos que ele comprava para si conotavam sérios problemas psicológicos. A exploração que seu pai fazia dele e de seus irmãos cobrava seu preço. Jackson foi uma criança que não teve uma vida normal, uma vez que desde a tenra infância já era um artista famoso.

Trabalhava arduamente como um adulto enquanto outros de sua idade tinham uma vida mais prosaica. Pode-se argumentar que se não fosse assim, ele não teria sido o gênio que foi. Talvez. A genialidade cobra um preço muito alto das pessoas que a desenvolvem em todos os ramos da arte. Mas Jackson foi levado, controlado, meio sem saber se realmente queria tudo aquilo. Pelo menos essa é a impressão de quem viu de fora os acontecimentos.

Ao mesmo tempo em que agia como criança, o cantor era cobrado a ter uma postura de homem, o que gerou constrangedores e meteóricos casamentos com Lisa Marie Presley, filha de Elvis, e com a enfermeira Debby Rowe, que na verdade serviu apenas de barriga de aluguel para seus dois primeiros filhos, Paris, e Prince Michael, hoje com 11 e 12 anos, respectivamente. Prince Michael II, terceiro filho do cantor e hoje com sete anos, nunca teve a mãe identificada. Além disso, houve uma pergunta na lata feita numa entrevista pela apresentadora Oprah Winfrey se ele era gay. O que gerou uma resposta ainda pior após uma risadinha infantil: “Eu sou um cavalheiro”.

Com suas virtudes e defeitos, Jackson apesar de tudo foi um verdadeiro gênio da música pop. Ajudou crianças, pediu com sua música mudanças e que cuidassem melhor do planeta ("Earth Song") e dos mais pobres na África ("We are the world").
Foi um artista daqueles que merecem ter ao lado do seu nome o termo “divisor de águas”. E um artista que morreu depois do seu tempo, que era o da venda exorbitante de discos. Bem diferente de faixas compradas e baixadas, que não exigem mais toda aquela produção de hoje em dia. Com sua morte, a música perde a sua majestade.

Haverá outro rei no futuro? Jamais. Da mesma forma que a indústria mudou, os artistas de hoje andam cada vez mais efêmeros. O herói de hoje é o decadente e desaparecido de amanhã. A música virou fast food e isso é ainda mais frenético no pop, sua versão mais comercial. Em diferentes momentos, bandas como Babyshambles e Luxúria, por exemplo, brilharam e desapareceram na poeira da estrada. Os grandes de outrora, portanto, são insubstituíveis e ficarão apenas na lembrança de quem gostava de vê-los e ouvi-los.

Discografia de Michael Jackson: “Got to be there” (1972), “Ben” (1972), “Music and Me” (1973), “Forever, Michael” (1975), “Off The Wall” (1979), “Thriller” (1982), “Bad” (1987), “Dangerous” (1991), “History” (1995), “Blood on the dance floor” (1997) e “Invincible” (2001).


Abaixo, alguns clássicos de Michael Jackson numa homenagem do blog a este grande artista:

"Beat it"

"Smooth Criminal"

"Thriller"

"Bad"

"Dirty Diana"

"The way you make me feel"

"Man in the Mirror"

"Billie Jean"

domingo, 21 de junho de 2009

Uma inspiração e uma utopia

“Intrigas de Estado” é uma inspiração para um jovem repórter. O filme mostra a história de uma grande reportagem feita por um experiente jornalista, Cal McAffrey, vivido pelo quase sempre ótimo Russel Crowe, envolvendo conspirações no alto escalão do governo, muito dinheiro e interesses em jogo.

O filme de Kevin McDonald, mesmo diretor de “O último rei da Escócia” (2006), acompanha a investigação de Cal, um repórter sagaz apresentado em cena como tudo o que o jornalismo tem de mais sedutor, perigoso e, por que não, clichê, numa história que pode custar a cabeça do seu melhor amigo, o congressista republicano Stephen Collins, vivido pelo quase sempre péssimo Ben Affleck.

Ao seu lado, uma jovem jornalista que escreve um blog sobre o Capitólio, Della Frye (Rachel McAdams), e vai aprender na marra a ser repórter. A mulher é tratada quase como uma desqualificada, mas aos pouco vai provando o seu valor numa, digamos, bela integração entre o papel e o online.

O filme de McDonald é uma inspiração, mas também é uma utopia. Que nos leva a uma triste constatação. Com ou sem diploma, provavelmente nunca mais existirão repórteres como Cal. Seja pela pressão de donos de jornal que vêem apenas o lucro na frente, bem mostrada no filme na interpretação da editora-chefe Cameron Lynne (Helen Mirren e seu belo sotaque britânico) “apertando as bolas” de Cal porque seus patrões estão com a faca no seu pescoço, seja pelo imediatismo, a concorrência nociva e a necessidade de tudo ser para ontem, muito mais até do que o jornalismo sempre foi, que gera apurações incompletas e histórias semi-escritas, ou melhor, semi-contadas.

Depois da excitação de uma reportagem que todo jovem jornalista sonha em escrever, a conclusão que fica é que hoje jamais alguém atrasaria a capa de um jornal por quatro horas por causa de uma matéria importante. Há prazos e custos a cumprir. Todos no fio da navalha. O mais fácil seria ir contando a história em fragmentos, de preferência com idas e vindas como uma novelinha que venda diariamente mais e mais jornais. O lance é produzir em massa para a massa.

O tom parece depressivo, mas "Intrigas de Estado" é um dos melhores filmes do ano. Escrito pelo craque Tony Gilroy – que escreveu, entre outros, “O Advogado do Diabo” (1997) e os três filmes do herói Jason Bourne e escreveu e dirigiu o recente “Duplicidade” (2009) e o excelente “Conduta de Risco” (2007) – o trabalho tem diálogos primorosos que casam perfeitamente com a câmera de McDonald e a interpretação de Crowe, outro craque na tela.

Acontece que o fictício Cal McAffrey ou os bem reais Bob Woodward, Carl Bernstein ou Gay Talese estão tão distantes da realidade atual que bate um desânimo. O romantismo e a liberdade ficaram apenas para o cinema.

domingo, 14 de junho de 2009

Faltou o Schwarzenegger

Não adianta repetir a frase “Il’l be back” nem tocar “You could be mine” do Guns’N’Roses se a principal estrela da companhia só aparece num quase holograma de 30 anos atrás. “O exterminador do futuro: a salvação” quarto filme da franquia que transformou o “governator” em estrela nos anos 80 e promessa para uma nova trilogia é honesto, tenta reconquistar velhos fãs ao mesmo tempo em que assedia uma nova platéia, mas não tem o principal: a presença da estrela da companhia.

Um filme sobre o exterminador sem a presença de Arnold Schwarzenegger é como tirar o ingrediente principal de uma receita de bolo. Dificilmente vai dar certo. E pode-se dizer que praticamente não deu. E olha que não faltou “esforço e dedicação” de seu ator principal, Christian Bale, que usando a mesma voz que usa para fazer o Batman foi incumbido de viver o escolhido John Connor, o líder da resistência, na sua fase adulta.

A “dedicação” de Bale foi tamanha que ele até perdeu a cabeça no set e durante as filmagens disse alguns zilhões de palavrões para um técnico em iluminação que acidentalmente deixou uma luz cair, provocando a necessidade de regravar uma cena que acredito que estivesse perfeita. Melhor do que qualquer uma que eu tenha visto no filme. O desabafo do valentão você pode ouvir no fim do post. É “fuck” para todos os gostos, tamanhos e bocas sujas.

Enfim, de volta ao filme, Bale se esforça, mas quem rouba a cena é Sam Worthington, que vive Marcus Wright, um humano condenado a pena de morte no final do século XX ou início do século XXI que aceita doar o seu corpo à ciência para novos experimentos e “salvar a humanidade”. Pelo menos é o que diz a doutora Serena Kogan (Helena Bonham-Carter).

Wright volta a vida em 2018, o ano em que se passa o novo filme do exterminador e será figura fundamental nos planos dos humanos para vencer a guerra contra as máquinas. Se eu disser mais do que isso, estrago o filme. Se é que você pretende vê-lo.

Além de inundar a minha cabeça com uma música chiclete como “You could be mine” (ao menos ela é boa), o novo filme causou uma certa confusão aqui na cachola. Se Connor, alguém ainda por nascer no primeiro filme de 84, um pré-adolescente no segundo filme de 91 e um “pré-adulto” problemático no terceiro de 2003, agora é finalmente o líder da resistência contra a Skynet, que vemos começar a guerra nuclear no final do terceiro filme, como ele agora ressurge para proteger não apenas a si mesmo como Kyle Reese, aquele que será o seu pai no futuro?

Durmam com um barulho desses John D. Brancato e Michael Ferris. Ainda mais porque em “O exterminador do futuro 3: a rebelião das máquinas”, o exterminador vivido por Schwarzenegger diz que o matará em 2032, apenas 14 anos depois dos eventos do quarto filme. Será que existiu mais de um John Connor? Olha eu tentando salvá-los da sinuca de bico.

Seja como for, não é a confusão histórica o principal problema do filme. É apenas um deles. O outro é McG. Autor do insípido “As Pantera” (2000) e que agora planeja filmar o clássico de Júlio Verne “20.000 léguas submarinas”, o diretor não imprime nada de fundamental neste novo filme, não dá uma cara, não traz uma idéia diferente. Seus filmes são sem cores. McG apenas se limita a repetir fórmulas que deram certo e vai reproduzindo.

Daí vale até repetir a trilha sonora do “Exterminador do futuro 2”, quando o Guns estava no auge da carreira. Hoje, a banda de Axl Rose não é mais a mesma, lançou um disco meia-boca depois de 14 anos de espera e ainda não conseguiu produzir algo perto sequer de “You could be mine”. Mas se serve de consolo para o velho Axl, ele continua sendo ouvido em 2018. Pelo menos na ficção.

Para piorar a situação, Bale, um bom ator, sem sombra de dúvida, não é nem um pouco carismático como o “governator” ou Worthington, que o engole quando os dois aparecem juntos em cena. Claro que ele é um Connor melhor do que Nick Stahl, que vive o herói no terceiro filme. Mas isto não configura nenhuma vantagem para um ator que atingiu o nível de Bale enquanto Stahl ainda tem muita estrada pela frente e que ainda não tem trabalhos de muito quilate para apresentar.

Tudo seria compensado, claro, se o novo filme tivesse a presença – mesma – de Schwarzenegger. O grandalhão austríaco que hoje está mais preocupado com o meio ambiente, em "exterminar livros" e em governar a Califórnia daria ao novo filme do exterminador o único ponto de nostalgia necessário para uma continuação da série. Bem, agora se fala num quinto filme do exterminador previsto para 2011. E McG, que estaria a frente do projeto, já deu entrevistas dizendo “quem sabe ele não volta”.

Tomara. No papel do exterminador ele é insubstituível e dá de mil a zero em todas as geringonças criadas para esta película de motos exterminadoras a rastreadores exterminadores.
Abaixo o áudio de Christian Bale perdendo a cabeça durante as gravações do filme e o videoclipe clássico de "You Could be Mine" do Guns.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Os roqueiros também amam – parte I

É Dia dos Namorados e “Memórias da Alcova” não poderia deixar de homenagear os casais apaixonados. Por isso, e para provar que os roqueiros, tal qual os brutos, também amam, preparei uma seleção com grandes canções do rock and roll para embalar este dia.

Tem de bandas de metal até o rock mais farofa. O importante é fazer aquela cara de sofrimento e de paixão, cantar com a voz vindo do fundo do coração (de preferência de olhos fechados) e dizer tudo o que sente. Há baladas para todos os gostos. Vamos a elas então.
Músicas para declarar o seu amor:
Kiss – “Forever”
Paul Stanley é responsável por uma das mais belas baladas da história do rock. Os fãs xiitas do Kiss a detestam. Dizem que é coisa de mulherzinha. Mas no íntimo eles viram para as mulheres e repetem as palavras de Paul: “I see my future/when I look in your eyes”. Isso amolece o mais gelado dos corações.


Cazuza – “É preciso dizer que te amo”

Música para casais inocentes: Oasis – “Live Forever”
Até o Liam Gallagher já dedicou uma vez num dos seus shows essa música para os mentirosos. Convenhamos, viver para sempre hoje, só na letra do Oasis. Mas é Dia dos Namorados, acreditemos, pelo menos por hoje, no refrão dos irmãos de Manchester.

Música para conquistar sem perder os princípios: Audioslave – “Be Yourself”

Conselho de Chris Cornell: “Be yourself is all that you can do”.

Música com o melhor assobio: Guns’n’Roses – “Patience”

A melhor de todas as baladas com assobio. Tudo bem que eu não consigo me lembrar de outras, mas este é um mero detalhe. Além do mais, no amor, é preciso ter paciência.

Música para os que não sabem de nada: Whitesnake – “Is this love”

David Coverdale ainda se pergunta se aquilo que ele está sentindo é realmente amor há mais de duas décadas. Será que ele não descobriu ainda?

Mas em seguida ele vai e canta: “Love ain’t no stranger”

Música para a eterna procura da mulher amada: Bon Jovi – “This ain’t a love song”.

O Bon Jovi é provavelmente a banda que mais faz baladas na história do rock. Não é a toa que é um dos representantes com duas canções aqui. Neste clipe, Jon Bon Jovi, com direito a paradinha no final da música, diz que isso não é uma canção de amor, mas ele grita que chorou demais e que houve noites que morreria por você, baby. E o clipe ainda mostra um veterano de guerra em busca da mulher amada décadas depois. Tocante.

Música para amores platônicos: Radiohead – “Creep”

Thom Yorke sofrendo pela garota que “ruuuuuuuuuunnnnnnnnn”, que é especial como ele gostaria de ser. O resto fica a cargo da guitarra de Jonny Greenwood. Linda canção.

Música para amores eternos: Guns’n’Roses – “November Rain”
Axl Rose e Slash se unem neste épico do Guns.

Músicas para loucos de amor: Aerosmith – “Crazy” e “Cryin”.

Música para amores possessivos: U2 – “All I want is you”
Essa é para aqueles que são humanos, mas não desistem. Mas poderia ser uma música para os amores impossíveis como o do anão do circo com a bela trapezista do clipe que você confere clicando aqui.

Música para abrir o olho com a melhor amiga: Bon Jovi – “Always”

Jon Bon Jovi mostra para as mulheres que é preciso ficar de olho nas suas melhores amigas. O clipe tem uma bela duma chifrada e uma vingança ainda pior. Sobrou para o cara que não tinha nada a ver com isso. É Dia dos Namorados, mas o velho Jon mostra que o perigo mora ao lado.

Música para amores de estrada: Roy Orbison – “I drove all night”

Mick Jagger já disse que aprendeu a cantar baladas com Roy Orbison. O cara era bom e essa música é espetacular. E, convenhamos, vale a pena realmente dirigir a noite toda para “fazer amor” com a Jennifer Connelly. Lamentavelmente, os vídeos do youtube dele não estão disponíveis para colocar aqui (bola fora total), mas é só clicar neste link que você será direcionado para o clipe.

Música para transar por horas: The Doors – “Touch Me”

Jim Morrison era um poeta. E foi certeiro quando cantou: “I gonna love you/till the heaven stops the rain”. A partir daí é só usar camisinha e se divertir.

Música para transar na praia: Chris Isaak – “Wicked Game”.

Ora, se deu certo com o Chris Isaak que pegou essa modelo espetacular do clipe, porque não daria certo com você?

Música para todas as formas de amar: Van Halen – “Can’t stop loving you”

Um épico espetacular: Led Zeppelin - "Stairway to heaven"

Os roqueiros também amam - parte II

Música para reatar um romance: Scorpions – “Still Loving You”
Tá difícil para aquela cara metade te aceitar de volta? Ora convoque Klaus Meine e seu Scorpions e saia por aí cantarolando: “If we go again/all the way from the start/I would try to change/the things that killed our love”. E o ponto máximo da música: “You should give me a chance/this can’t be the end/I still loving yoooooooooooooooouuuuuuuuuuu/ I need your love/I still loving yooooooooooooooooouuuuuuuuuuuu”. Infalível.

Música para metaleiros românticos: Helloween – “Forever and one (Neverland)”

Andy Deris solta a voz numa de suas mais belas canções que eu nunca tive a oportunidade de ver ao vivo, mas que já foi cantada em shows no Brasil como bem lembra meu amigo Lionel. Eu dissera antes que ela nunca fora executada em Pindorama. Para os fãs do metal melódico.

Músicas para metaleiros menos românticos: Iron Maiden – “Wasting Love”, uma jóia do disco “Fear of the dark” (1992) e Metallica – “Nothing Else Matters” porque hoje nada mais importa.


Porque o grunge também ama: Pearl Jam – “Black”

Mas o amor também machuca: R.E.M. – “Everybody Hurts”

Música para sofrer por amor no bar: U2 – “One”
O amor é único como canta Bono Vox, mas já que é para sofrer, que seja num bar minimamente decente.

Músicas para amores despedaçados: Velvet Revolver – “Fall to pieces”

Música para dizer que sempre amou: Rolling Stones – “Angie”

Música que homenageia o amor: Eric Clapton – “Layla”

Essa foi uma mulher de sorte. Ex de George Harrison, acabou com Clapton que escreveu esta canção para ela.

Uma balada eterna: Queen – “Love of my life”
Rock in Rio de 1985 e aquelas vozes que ainda ecoam.

Música para fechar um post: Nat King Cole – “Unforgettable”

O que mais um grande amor pode ser além de inesquecível?

domingo, 7 de junho de 2009

Para tardes insones

Se você assistisse a muitos filmes e fosse instado a fazer uma relação, digamos, bastante substancial dos 200 melhores filmes que já viu, eu apostaria o seu salário que não colocaria “Anjos e Demônios” nela. Mas, com o perdão do trocadilho infame, ora diabos, não é que o trabalho de Ron Howard até satisfaz o freguês (até certo ponto e desde que ele não seja lá muito exigente).

Tudo bem que a referência anterior é a pior possível. “O Código Da Vinci” (2006) é um filme ruim de doer. Tem um Tom Hanks no piloto automático em uma historinha que não convence ninguém. Além de provavelmente ser um filme absolutamente chato para quem tinha lido o livro antes. Como eu tive a sorte de não ler, até deu para me divertir um pouco com uma ou outra reviravolta na película.

Também não li “Anjos e Demônios” (sinceramente, não perco meu tempo com Dan Brown ou qualquer outro autor de best-seller grudento que faz “o livro que todo mundo está lendo”), o que talvez tenha me causado a impressão de uma leve satisfação com o novo trabalho de Howard. Como se da ignorância viesse a inocente diversão de um filme que não faria feio numa tarde fria, sem trabalho, embaixo do edredom e assistindo à boa e velha "Sessão da Tarde".

Sobre Hanks? Tudo bem, no seu retorno ao papel do simbologista Robert Langdom, a primeira vez que ele repete um personagem, aliás, Hanks só melhorou um pouquinho, mas diante de um Ewan McGreggor (Carmelengo Patrick McKenna) numa das piores atuações de sua vida, ele parece exibir um trabalho digno de Oscar. Claro que eu estou nivelando por baixo.

Aqui cabe um parêntese na crítica. Os filmes baseados nos livros de Brown parecem malditos com os atores que participam deles. Como eles parecem esquecer essa tal de arte de atuar quando entram no set. McGreggor, e é triste dizer isso, é quase uma piada em “Anjos e Demônios”.

Anyway, pode-se dizer que “Anjos e Demônios” é um filme palatável. Tem um roteiro relativamente simples: basicamente um assassino é contratado para matar os quatro preferiti, os favoritos do conclave para ser o novo papa, que acaba de morrer, numa trama de vingança supostamente orquestrada pelos Iluminati, uma sociedade secreta infiltrada na Igreja que teve como expoente o pensador e matemático Galileu Galilei. Com isso, Langdom e Vittoria Vetra (Auelet Zurer), sua parceira neste filme, são chamados para ajudar a impedi-lo.

Sua estrutura ao estilo “24 horas”, com reloginho e tudo (É Jack Bauer fazendo escola), ajuda a manter o clima de suspense e ansiedade até um fim menos polêmico e iconoclástico que “O Código Da Vinci”. Talvez seja por isso que a Igreja dessa vez se manteve calada sobre a película.

Uma atitude correta. Até porque a melhor maneira de manter um filme apenas razoável longe da mídia é falando pouco dele. Em breve “Anjos e Demônios” estará nas locadoras e na TV a cabo. Sem muito destaque e como uma boa diversão para aquela tarde chuvosa debaixo do edredom.