sábado, 29 de abril de 2017

Poesia no ônibus

Driver no busão, mas escrevendo poesia
Todo tirano mau feito pica-pau tem seu lado sensível. Quando não está querendo matar o próprio pai (isso não é mais spoiler, né) em "Star Wars", Kylo Ren leva uma vida pacata e feliz numa pequena cidade de New Jersey escrevendo poesias. Ok, eu misturei tudo. Mas permitam-me a licença poética para falar desse novo trabalho de Adam Driver em parceria com o cineasta Jim Jarmush. 

"Paterson" é um filme sobre poesia. E desde já amamos só por isso. Ele fala sobre um motorista de ônibus que tem duas qualidades singulares. Escreve poemas e acorda diariamente na hora para trabalhar sem precisar de um despertador.  Qual é o seu segredo Paterson (Adam Driver)? Se você vendesse ele ganharia mais dinheiro do que escrevendo poesias no seu caderninho secreto. 

Todo dia Paterson faz tudo sempre igual. Desperta às 6h da manhã, beija a namorada Laura (Golshifteh Farahani), faz o café da manhã, sai para trabalhar e pega o ônibus 23 de Paterson (sim, ele tem o mesmo nome da cidade), faz as suas oito horas de trabalho, com uma hora de pausa para o almoço, e volta para casa. Mas o seu trabalho não para por aí. Ele ainda tem que levar o cachorro para passear. Neste meio tempo, aproveita para dar uma parada no bar de Doc (Barry Shabaka Henley) para beber sua sagrada e singular caneca de cerveja. 

É assim de segunda a sexta, com pequenas variações. Surpresas que a vida lhe apresenta. Um ônibus quebrado, um maluco ameaçando se matar por amor com uma arma de brinquedo. Coisas pequenas. Afinal, dirigir em Paterson não tem a mesma emoção do que o Hell de Janeiro selvagem. Nem de longe o 23 de Paterson se assemelha à riqueza de histórias e bizarrices de um 410.

Mas é justamente da observação da vida comum que Paterson, o motorista fã de Williams Carlos Williams, extrai a sua poesia. Há poesia em tudo. No amor pela namorada que o compreende mesmo ele sendo um analógico que não sabe mexer em aplicativos e nem tem um celular, à caixa de fósforos com letras que parecem megafones. Há poesia na vida banal. Só é preciso observá-la atentamente. E lapidar a poesia por entre as pedras que são banhadas pela cachoeira. 

O motorista de Driver é justamente esse cara quieto que tenta ouvir a pequena música que flui das observações cotidianas. É monossilábico, pois prefere observar. Sua arte é secreta e voltada para si. Ao contrário de Laura, a namorada que faz da própria casa dos dois um ateliê concretista/modernista com suas pinturas com círculos e faixas em preto e branco. Até os cupcakes dela tem essa assinatura. 

Paterson, porém, sofre da modéstia e melancolia e não observa a poesia que existe na sua própria vida. Um motorista de ônibus de Paterson, a terra se William Carlos Williams e onde Allen Ginsberg passou uma temporada. É de uma conversa com um turista japonês que ele acaba ganhando novo fôlego para recomeçar após uma tragédia pessoal. 

Cabe ao mesmo turista também dar uma grande lição sobre a poesia neste bonito filme de Jim Jarmusch: "Poesia traduzida é como tomar banho com capa de chuva". Uma grande verdade. E talvez por isso o diretor tenha adotado a ideia de escrever os poemas na tela enquanto Paterson os recita. Ficou bonito. 

Cotação da Corneta: nota 8

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os bons tempos nostálgicos de Bryan Adams

Bryan Adams e seu show de hits na Barra da Tijuca/Marcelo Alves
Eu estava na estrada pelo mundo paralelo da Barra da Tijuca e resolvi parar para pedir informação num lugar que fazia artesanatos e miçangas.
- Amigo, onde tem show do Bryan Adams?
- Lá no Posto Ipiranga - respondeu ele.

Foi assim que eu me dirigi para o inenarrável KM DE VANTAGENS HALL (minha estreia no novo nome!) para conferir o show do cantor de 57 anos, espécie de cruzamento de Roberto Carlos com Erasmo Carlos canadense. E o resultado dele está nos seguintes tópicos malemolentes.
1- Todo mundo sabe que o Bryan Adams está a frente do Ryan Adams nos mais diferentes aspectos da vida. Da lista de chamada na escola ao número de hits que embalam os corações do mundo.
2- Tanto que o show estava cheio de tiozões e tiazonas saudosos daquele maravilhoso verão de 69, quando os brotos iam azarar na praia de Copacabana, combinavam encontros na praça Van Halen, na Tijuca, e não tinham preocupações, pois não precisavam trabalhar 40 anos para se aposentar e estavam sorrindo sob o guarda-chuva da CLT. Afinal, those were the best days of my life.
3- Mas também havia representantes das gerações mais jovens, prontos para seguirem cantando os hits do TREMENDÃO canadense.
4- Bryan Adams é um cara extremamente simpático e que entende a gente. Tanto que tira fotos, faz lives durante o show, stories no Instagram... e manda fotos para a mamãe. E no fim ainda se despede gritando para a gente um "muitos beijinhos!!!".
5- Bryan Adams é uma usina de hits. Uma hidrelétrica de clássicos. Tanto que praticamente não tivemos aquela música que nos permite dar a pausa para ir ao banheiro. Afinal, você quer cantar junto quase todo o set list.
6- E tem as músicas do disco novo, "Get up". Mas aí você tem que prestigiar. Sair nestes momentos seria como um pai que sai da sala quando a filha vai apresentar o namorado novo. Deselegante.
7- A banda merece um título de uma das mais elegantes do rock. Eu que estou acostumado com uma coisa mais bagaceira ou circense então, senti-me num evento chique. Se eu tivesse intimidade com o Bryan Adams até pedia a roupa de um dos integrantes da banda emprestada para um casamento que preciso ir semana que vem.
8- Gente, "Summer of 69". "SUMMER OF 69". Como eu sonhei em um dia cantar essa música com o Bryan Adams. Ela levanta o moral de qualquer tropa e dá esperança de viver.
9- Bryan Adams nos presenteou com diversos hits. E o que recebeu em troca? Aprendeu a falar "Mexe a bunda". Foi essa a tradução que arrumaram para o "move your ass" dele. Acho justo e ele curtiu.
10- O cantor canadense tem vários rocks de tons nostálgicos que fazem as pessoas requebrarem o esqueleto à moda anos 50. É uma marca que ele faz questão de manter até hoje, como em "Brand New day", do novo álbum.
11- Mas a gente vai mesmo para ouvir as old songs. E num set de quase 30 músicas não faltaram momentos especiais. Teve "Can't stop this thing we started", "Cloud #9", "It's only love" (mas faltou a Tina Turner aqui), "Kids wanna rock", "Back to you" e "Somebody".
12- Nenhum momento teve mais celulares ligados espontaneamente do que em "Heaven". Todos ali cantando bregamente a plenos pulmões em nome do amor num momento bonito e fofo.
13- Mas não pense que foi a única balada. Bryan Adams é o rei do camarote das baladas. Olha só o que mais teve: "Let's make a night to remember", "(Everything I do) I do it for you", "Have you ever really loved a woman?", "Straight from the heart" e "All for love". Vocês têm noção da quantidade de açúcar liberado nisso tudo?
14- Além de elegante, a banda merece receber um destaque pela presença do guitarrista Keith Scott. Presepeiro quando deve ser (do jeito que gostamos, girando a guitarra e colocando-a entre os dentes) e meloso quando precisa com aquelas notas que se esticam eternamente enquanto ele faz caras e bocas. O rapaz tem carisma.
15- O show foi surpreendentemente ótimo (não esperava que fosse tão legal a ponto de eu querer ver de novo). A decepção ficou mesmo pela casa ainda exibir a decoração antiga. Eu crente que veria um posto Ipiranga lá dentro e todos os serviços possíveis juntos. De compra de balas juquinha a jatos supersônicos.
16- E vamos aprender a falar o nome dele para não rolar gafe da próxima vez. É Bryan Adams e não Bryanadams, como sempre falamos. Ele reclamou, gente. Brincando, mas falou.
17- Cotação da Corneta: nota 8.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ilha Grande facts


As Ilhas Botinas, uma das belezas de Ilha Grande/Marcelo Alves
A Corneta Travel and Adventures, divisão de viagens e aventuras da Corneta Enterprises, aproveitou o desemprego que insiste em marcar presença para IMISCUIR-SE em mais um lugar deste Brasil em busca de observações malemolentes e verdades irrelevantes. A vítima da vez é Ilha Grande, está ilha que faria fronteira com Angra dos Reis se não fosse uma ilha, é claro. E aqui está o que só eu vi.
1- Ilha Grande é conhecida por alguns de seus moradores como o PENICO de São Pedro. Diz a lenda que é pelo seu tempo peculiar. Chove quando dá na telha, faz sol quando dá na telha. Fica nublado quando dá na telha. É uma ilha de personalidade própria e com alma de adolescente, que acha que só faz o que está a fim de fazer. Logo, não segue a lógica climática do continente. Seja ele Angra dos Reis e o Rio de Janeiro ou São Paulo, que fica ali pertinho.
2- Portanto, antes da previsão do tempo do IPhone, seus moradores confiam numa coisa mais rústica para saber como será o dia. Trata-se do BURACO DA VELHA. Vem a ser uma cavidade no alto de uma montanha, à esquerda do BICO DO PAPAGAIO, de onde sopram os ventos do mar aberto, que eu chamarei de sopro de Poseidon. Se ali, o céu estiver azul, será um dia de sol. Se vierem de lá nuvens ameaçadoras, esquece. Fica no seu quarto e pega o Banco Imobiliário para jogar porque vai chover e você não terá mais nada o que fazer por lá.
3- Vila do Abraão é a, digamos, capital de Ilha Grande. Tem 5 mil habitantes, pouquíssimas ruas asfaltadas e tantos restaurantes quanto firmas que organizam passeios de barco. Esse, aliás, é o grande negócio da ilha, a sua locomotiva econômica. Mas tome cuidado com picaretas.
4- A Vila do Abraão, aliás, não tem esse nome por uma questão bíblica. Diz o Novo Testamento, leia-se a Wikipédia, que seu nome tem origem no português arcaico em que a expressão "abra" significava "enseada". Logo o nome faria referência à grande enseada que nos recebe quando chegamos de barco.
A bela Lagoa Azul de Ilha Grande/Marcelo Alves
5- Eu não vi um único banco durante a caminhada por Abraão. Como os ilha-grandenses fazem seus negócios? Só cartão de crédito? Guardam dinheiro embaixo do colchão? Viajam até Angra só para fazer um saque no caixa eletrônico? Não perguntei. Às vezes, a dúvida no ar é mais interessante para a narrativa do que a resposta precisa.
6- Também não vi McDonald's e Lojas Americanas, o que prova que a ilha conserva suas características singulares e não cai na mesmice sócio-econômica.
7- Ilha Grande é ecológica. Lá, carros não são permitidos. Os meios de transporte são a caminhada e os táxi boats.
8- Que preços surreais, amigos. Qualquer almocinho despretensioso na ilha, qualquer café da manhã um pouco mais elaborado fazem-no ser obrigado a vender um rim para comer.
9- São muitas praias. Logo, é impossível conhecer tudo assim em tão pouco tempo. Mas destaquemos as Ilhas Cataguases, as Ilhas Botinas, a Lagoa Verde e a Praia do Iguaçu, que realmente foi uma das mais agradáveis desta curta viagem e onde eu tenho muita vontade de voltar.
10- Já a Praia do Dentista foi um tratamento de canal na alma. É bem bonita, mas muito depressiva com a grande quantidade de iates e lanchas de ricaços. Tipo, eu não tenho sunga para frequentar essa praia. Claramente foi a área de maior PIB dessa jornada.
11- Todo lugar do mundo parece ter uma Lagoa Azul. Só eu já nadei numas três, o que já é mais do que a Brooke Shields. Ilha Grande também tem a sua. Mas o azul só deve aparecer com uma luminosidade bem específica. Eu vi é muito verde. Bom, mas naquela antiga polêmica do vestido eu só via branco e dourado. Vai ver o problema é meu.
A linda Praia do Iguaçu e seu pôr do sol/Marcelo Alves
12- Toda viagem que se preza precisa de uma descoberta ou um aprendizado ou uma experiência diferente. Nesta jornada por Ilha Grande eu descobri uma coisa circense, malabaristica e extremamente plástica chamada ACROYOGA. Fui até convidado a experimentar uma pose e, após hesitar, senti-me encorajado pelo espírito aquariano da transposição de barreiras para aceitar o desafio. Resultado? Sobrevivi para contar essa história e dizer que estou fascinado por esse cirque du soleil meditativo.
13- Tanto que fui pesquisar mais sobre o assunto e descobri que alguns recomendam a pratica da yoga na sua versão acro depois de seis meses de pratica da yoga tradicional, a, digamos, yoga papai-mamãe. Só que ao viver a minha primeira experiência empírica eu parti logo para essa yoga subversiva e desbravadora. Isso deve configurar algum tipo de genialidade. Eu só não sei qual.
14- Um feito dessa viagem foi ter circulado por Angra dos Reis e Ilha Grande sem ter visto nenhum ricaço famoso. Nada de Luciano Huck, nada de Sérgio Cabral (por motivos óbvios), nada de Neymar (por motivos ainda mais óbvios). Mas eu vi o casarão e o enorme terreno de um famoso e histórico empresário do ramo de jogos de azar que era coisa do outro mundo. Dinheiro não compra felicidade, mas deixa a vida bem jeitosinha.
15- Eu posso não ter visto celebridades, mas vi muitas daquelas mulheres que figuram na área laranja de um famoso site brasileiro. Eu achava que elas não existiam. Mas elas existem, são de carne e osso e fazem mesmo aquelas fotos com o bumbum empinadinho em primeiro plano na paisagem paradisíaca. Consigo até imaginar as postagens com a hashtag #gratidão.
16- Em menor escala, mas também com seu destaque, avistamos também os espécimes machos da área laranja de um famoso site brasileiro. São os tipos fisiculturista que adoram fazer pose quase beijando os próprios músculos. Estudar a humanidade realmente é fascinante.
17- E já que estamos falando de biologia, outra grande descoberta dessa viagem foi que o mar é lindo, mas é um grande plagiador. Não tem nenhuma originalidade. Pois nele há crustáceos que são chamados de baratas e peixes que são chamados de cães. Sendo que estes nomes já foram dados para insetos e mamíferos, respectivamente. Enfim, cadê o batismo-arte? O batismo-moleque? O mar fica só nesse batismo de resultados.
A beleza do mar nas Ilhas Cataguazes/Marcelo Alves
18- O meu fim de semana foi bom, mas acho que nada supera o fim de semana da festa de arromba "Antônia faz 8.0 e Keite faz 2.7" que agitou algum ponto da ilha. Eu só vi a grande massa, tipo um quinto da torcida do Flamengo, embarcando para Ilha Grande usando abadás e provavelmente carregando muita carne de churrasco, coxinhas, quibes e empolgação para este evento épico ao qual infelizmente não fui convidado. Tenho certeza que a festa foi maravilhosa.
19- O que combina com sol, praia e mar? Música, é claro. E a noite nos brindou com uma moça carismática cantando descalça feito uma Joss Stone ilha-grandense acompanhada pelo violão de um músico que tinha um quê de Richard Gere. Foi uma night de muitos covers e agradável. Até que surgiu um cara que é uma celebridade na ilha cantando um reggae que repetia a frase "Qual é o preço da liberdade?" com uma série de onomatopeias. Por que, Brasil? Por que o reggae não parou no Bob Marley?

20- Cotação da Corneta: 
Voltaria para Ilha Grande? Com certeza. Eu tenho tara por Ilhas e a ilha é... grande. Ainda há muito a explorar entre praias e trilhas que gerariam até uma Corneta 2.
Moraria em Ilha Grande? Não. A menos que eu tenha um salário nababesco para me sustentar por lá.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Verdades e mentiras velozes e furiosas

Correndo de uma furada
A Corneta não resiste a uma corrente e a uma modinha. Então lá vai. Quinze verdades e uma mentira sobre "Velozes e Furiosos 8"

1- O filme é absolutamente fucking divertido.
2- Cuba não é mais a mesma. Tem até pega de carrão.
3- É a franquia do cinema com as cenas mais absurdas da atualidade. Deve ser ótima a reunião para decidir o que será feito dessa vez: chuva de carros em Nova York? Boa! Um submarino perseguindo carros numa geleira russa? Excelente!
4- A cena do Jason Statham ninando um bebê enquanto mata uns 15 bandidos é maravilhosa. E o bebê parece estar amarradão. 
5- É a maior concentração de atores ruins num único filme. O Vin Diesel, especialmente, não passaria em teste para ser figurante de "Malhação". Mas ele tem carisma. 
6- Diante disso, a Charlize Theron salta aos olhos brilhando quase absoluta. Afinal, ela é uma atriz de verdade. 
7- A participação da Helen Mirren é impagável. 
8- O filme é tipo um "Chaves" para adultos e reúne todos os elementos para agradarem o macho alfa judaico cristão ocidental (carros maneiros, gostosonas, piadinhas, viagens por lugares ainda mais maneiros sem limite de crédito e machos se digladiando em pancadarias surreais que na vida real resultariam em estado de coma no hospital). Mas outras castas, etnias, credos, orientações sexuais e níveis elevados de inteligência podem até curtir se não levarem aquilo tudo a sério. 
9- Seu roteiro poderia ser escrito num guardanapo de uma mesa de bar. 
10- O filme é a alegria dos ferro-velhos. Mas por causa de uma cena de Nova York ficou impossível contar quantos carros foram inutilizados na produção. 
11- Apesar das explosões e mortes, "Velozes e Furiosos 8" divulga uma mensagem de amor, união, fraternidade e de que é preciso cuidar da família. É praticamente uma obra da Disney com doping.
12- Charlize Theron fica gata até de dread louro. 
13- Pegaram o filho do Clint Eastwood para ser o novo Paul Walker. Rei morto, rei posto, amigos. 
14- Tem Dwayne Johnson dançando haka com um time de futebol de meninas. Haka é sempre legal e devia ter em todos os lugares. Um dia aprendo a dançar isso falando aquelas línguas aborígenes estranhas. 
15- Faltam apenas quatro filmes para "Velozes e Furiosos" atingir a marca da franquia "Sexta-Feira 13". Se Vin Diesel e Dwayne Johnson se acertarem do lado de fora do set, chegam fácil. Inclusive, se faltarem ideias mais para frente, fica a minha sugestão de fazerem um "Velozes e Furiosos x Mad Max".
16- "Velozes e Furiosos" ainda vai ganhar um Oscar de melhor filme. 

Cotação da Corneta: nota 6 (afinal, ser divertido não significa ser uma obra-prima). 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Shyamalan is back

Quem sou eu? Da onde eu vim? Para onde vou?
Teve uma época em que a Corneta achava absolutamente incrível a Glória Pires fazendo a Rutinha boa e a Raquel má naquela novela cujo nome já esqueci e não vou perder meu tempo procurando no Google porque tenho certeza que vocês vão lembrar. E o que dizer de um ator que faz nada menos do que OITO personagens ao mesmo tempo em apenas duas horas de filme? Esse foi o enorme desafio muito bem cumprido por James "Professor Xavier jovem" McAvoy em "Fragmentado"

Agora é o momento em que vocês dizem: Esse não é o filme novo do M. Night Shyamalan? Fala sério. Ninguém acredita mais no Shyamalan. 

Sim, é verdade que ele andou jogando a reputação na lama em coisas como "Fim dos tempos" (2008), "O último mestre do ar" (2010) e "Depois da Terra" (2013), mas já ensaiava um retorno à boa forma em "A visita" (2015). E o Shyamalan de "Fragmentado" é o dos bons tempos de "O sexto sentido"(1999) e "A vila" (2004). 

Escrito e dirigido pelo cineasta nascido na Índia (e que tradicionalmente faz uma ponta nos seus filmes, pois ele se acha um easter egg vivo), "Fragmentado" conta a história de Kevin (McAvoy praticamente sendo brilhante), um paciente com um transtorno mental que o faz assumir 23 personalidades de tempos em tempos. O ator escocês assume oito delas no filme. Cada uma totalmente diferente da outra, com sotaques, jeitos de falar e de olhar absolutamente únicos, caso da criança Hedwig, do homem com mania de limpeza Dennis, da mulher Patricia e do estilista Barry. De tempos em tempos, uma dessas personalidades fica no comando enquanto Kevin é tratado pela psiquiatra Karen Fletcher (Betty Buckley). 

O problema é que uma 24ª personalidade está para surgir. Uma bestial chamada apenas de "A Fera" e que precisa ser alimentada e etcetera. 

Para executar o plano de alguém que está no comando da chamada "luz" dentro da cabeça de Kevin, Dennis sequestra três garotas após uma festa de aniversário e as mantêm refém. Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy) se veem diante do maluco e tentando lidar com as suas diferentes personas. Umas são mais cruéis, outras são mais dóceis, mas aparentemente só Casey sabe lidar com essa figura grotesca por motivos que o filme vai nos mostrando em flashbacks um tanto sonolentos.

E não é só isso. As consultas com a psiquiatra são a única pista que Shyamalan nos dá para tentar entender a personalidade complexa de Kevin. Ou as personalidades tão díspares, mas muito perigosas que ele exibe. 

O objetivo de Kevin é se fazer existir para o mundo. Mostrar que é possível que ele seja muitos. Mas o que para Karen é algo que deve ser tratado com a devida atenção e controle, para Kevin é algo que precisa ser gritado e exposto da forma mais chamativa pelo mundo. A sua Horda quer ser ouvida. Precisa ser ouvida. 

"Fragmentado" podia dar muito errado se não tivesse um ator tão habilidoso para transitar quase que imediatamente pelas diferentes personalidades do personagem. E é incrível como McAvoy consegue realmente fazer isso e até lidar com os conflitos internos das personalidades de Kevin, inclusive quando uma tenta se fazer passar por outra. 

Concebido como a segunda parte de uma trilogia iniciada em "Corpo Fechado" (2000), aquele filme do Shyamalan que dialoga com o mundo dos super-heróis, o filme nos apresenta um vilão psicótico de fazer inveja aos piores vilões dos quadrinhos. O diretor agora trabalha num roteiro que contará com o retorno dos personagens de Bruce Willis e Samuel L.Jackson. Seria o desfecho de sua trilogia prevista para 2019. 

Mas "Fragmentado" também pode ser visto isoladamente sem qualquer prejuízo do seu entendimento. E é um show de McAvoy e um dos melhores filmes de Shyamalan. Assim, "Fragmentado" ganhará da Corneta uma nota 8,5.

terça-feira, 28 de março de 2017

Ah, como era bom aquele tempo...

O importante é que emoções eu vivi
O que você faria se tivesse roubado muita grana dos seus amigos e fugido do país? Eu não voltaria para casa nunca mais. Mas Mark Renton (Ewan McGregor) achou que 20 anos era o suficiente para os velhos fellows esquecerem aquela pequena diferença e voltou para Edimburgo (Edimbrá no sotaque local). 

Renton é um grande filho da puta. Mas seus colegas Sick Boy Simon (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle) não ficam nem um pouco atrás. E karma é uma parada muito séria. Duas décadas depois do primeiro "Trainspotting" (1996), quando o quarteto de degenerados aprontava poucas e boas na capital escocesa e entornava heroína como se fosse água no deserto, a vida não se mostrou solidária com eles. 

"Trainspotting 2" mostra o grupo de mal a pior. Renton, que havia fugido para Amsterdã (e querem que eu acredite que ele se livrou das drogas logo em Amsterdã), ficou com uma mulher por 15 anos, tem um emprego ruim e voltou para a Escócia porque perdeu ambos. Sua única vitória foi sobre as drogas. Spud, coitado, está cada vez mais sequelado e afundando na heroína. Begbie está preso. Aliás, está na cadeia há 20 anos desde que quebrou tudo naquele quarto de hotel em Londres. Já o pobre Simon virou um golpista em uma relação sem sexo com uma prostituta búlgara chamada Verônika (Anjela Nedyalkova). Seu sonho? Abrir um bordel para ela. Ou seja, está claro que Verônika vai dar uma volta nele. 

É neste cenário nada amigável que Danny Boyle nos reapresenta os personagens que aparentemente andavam afastados desde a trairagem de Renton. E tanto Simon quando Begbie mostram que guardaram algum rancor daqueles tempos. Isso só faz mal às pessoas. Não repitam isso na vida, crianças. 

"Trainspotting 2" é um acerto de contas e uma viagem nostálgica aos acontecimentos do primeiro filme. Aquele sotaque esquisito da Escócia está lá, os cabelos são quase os mesmos, a trilha sonora mudou, mas continua ótima.... porém, a vida dessa galera... Quanta diferença!

São muitas as referências ao filme de 1996. Que vão das lembranças daqueles tempos selvagens ao retrato de uma melancolia dos personagens e uma saudade daquele passado. Mas lá dentro cada um tem ainda uma fagulha dos velhos tempos. 

"Trainspotting 2" é uma viagem que será melhor aproveitada se vista logo depois do primeiro filme para refrescar a memória. Como a memória dos quatro personagens é refrescada de tempos em tempos no filme. 

Boyle fez um trabalho que os fãs certamente vão gostar. Ele é esporrento, berrante, cheio de mágoa, mas também uma reconciliação de uns caras que fizeram muita coisa errada na vida, mas de um jeito até certo ponto torto tentam se perdoar pelo passado e seguir em frente à partir de um ponto em que todos juntos voltam a não ter nada. 

Numa era do cinema marcada pela nostalgia, reboots e retomada de velhas histórias, Boyle acerta em equilibrar o passado com o presente e apresentando um olhar para o futuro. "Trainspotting 2" é, acima de tudo, uma ótima viagem com uma trilha de primeira embalando tudo. E nunca é demais ouvir de novo, em nome dos velhos tempos, Iggy Pop e seu "Lust for life". O filme de Boyle, portanto, ganhará da Corneta uma nota 7,5.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Um engodo chamado 'A Bela e a Fera'

Aula de dança de salão no castelo da Fera
Todo mundo sabe que a Hermione Granger devia ter ficado com o Harry Potter. Até a J. K. Rowling sabe. Mas por um erro terrível da escritora, isso não aconteceu e ela ficou com o inútil do Rony. O lado bom dessa experiência é que ela deu o EXPERTISE necessário para a Emma Watson se meter em outra roubada: ser obrigada a se apaixonar por um cruzamento genético-mágico de um búfalo com um leão e um lobo que fala. 

Não fosse por seus minutos finais, "A Bela e a Fera" seria a maior história de zoofilia amorosa da humanidade (e do, digamos, mundo animal). Mas como o bicho se transforma em homem no final (fala sério né, não existe spoiler de uma história que já foi filmada pelo menos cinco vezes). Mas como eu dizia, como ele se transforma em homem no final, a história acaba sendo convencional e nenhum pastor famoso poderia implicar com ela. Então, esse famoso pastor resolveu implicar com um personagem gay. Se aquilo, aquelas cenas absolutamente normais o incomodam, imagina se ele estivesse vendo "24 horas: Legacy", onde o principal agente e um dos principais analistas de sistemas da CTU formam um casal em crise e discutindo a relação em meio a atentados terroristas. Ele ia pirar.

A mitologia de "A Bela e a Fera" remonta ao século XVIII, quando Gabrielle-Suzanne Barbot, também conhecida como a dama de Villeneuve, escreveu o conto original dessa historinha de amor. Nos anos 40, um filme francês estrelado por Josette Day (então a Bela) e Jean Marais (então a Fera), foi produzido, mas o cinema ainda era uma arte muito jovem e ninguém que você conhece viu essa versão. Foi quando a Disney pegou a história, modificou, adaptou, simplificou, pasteurizou e a tornou mais palatável em um meloso desenho animado dos anos 90 que "A Bela e a Fera" ganhou corações e mentes pelo mundo. 

Mas um novo século nasceu. Era hora da Disney faturar um qualquer com uma nova versão dessa história. Dessa vez com atores. Dessa vez no chamado "live action". Mas o que dizer de "A Bela e a Fera" versão 2017? É melhor que o desenho? É. Pelo menos parece um pouquinho menos brega. É um bom filme? Hummmm, é adocicado demais. O filme tem mais açúcar que sorvete de doce de leite com beijinho de coco. Enfim, não é recomendado para diabéticos. Além disso, é bobinho né. Esse papo lúdico da Disney não se sustenta nesse mundo selvagem em que vivemos onde não se pode confiar mais nem na carne que comemos. 

"A Bela e a Fera" é um musical. Logo, cada ida à feira é um acontecimento cantado e dançado. Nunca vou me acostumar com isso. Mas é desse jeito que conhecemos a Bela (Emma Watson), jovem inteligente e ávida leitora de romances que vive no pacato vilarejo de Villeneuve onde, basicamente, nenhum homem presta. Naquela época, não havia Tinder, então ninguém podia se oferecer para um date sabendo previamente que o match estava garantido. Eram tempos de romance raiz. Não era como os encontros nutella de hoje. Então o que Gaston (Luke Evans) fez? Chegou junto da Bela cantando e dançando numa roupa cheia de babados e falando: "Bela, how you doing? Quer se casar comigo? Eu sou o melhor partido do vilarejo e só quero você. Só você que me fascina. Só você, que me alucina. Só você que me faz delirar, com o seu jeito de amar". 

Bela não se deixou seduzir pelo latin lover Gaston. O problema é que, além dele ser grosseiro, machista (mas que tem até um amigo gay) e sem noção, a Bela não se sentia atraída por aquilo. Sabe como é. Ela é demisexual. Ela precisa de um envolvimento emocional, conhecer antes a pessoa para gostar dela. 

O tempo vai passando, Bela fica somente com seus livros sem o menor medo de ficar para a titia (aunty em francês de Villeneuve) e virar uma mendiga. Ela quer mais é ganhar o mundo e sair viajando por aí (claramente uma aquariana). 

Mas um dia, seu pai fica preso num castelo mal assombrado onde só é inverno e tem lobos selvagens na floresta. E ainda é habitado por um monstro terrível de chifres enormes. Quase Winterfell. Bela não aceita e troca de lugar com o pai. Promete ficar lá presa para sempre pelo amor ao pai.

A partir daí o filme adota o seu lado "Fica comigo", com um relógio (Ian McKellen) e um candelabro (Ewan McGregor) fazendo as vezes de Fernanda Lima. A Fera (Dan Stevens) precisa conquistar a Bela para quebrar o feitiço de uma bruxa e todos voltarem a ser humanos como em tempos passados. Mas a Fera não tem muito tato né. Não vê uma mulher há tanto tempo. 

Mas com a ajuda de seus empregados acessórios e mobílias a coisa começa a fluir. E todas aquelas fases do amor no cinema (blergh!!) vão acontecendo. A rejeição, a briga, uma certa afeição... E quando a Fera resolve abrir a sua biblioteca enorme e emprestar seus livros para a Bela rola uma palpitação no coração da jovem. Lembremos que ela é uma leitora voraz. Apesar do péssimo gosto de achar que "Romeu e Julieta" é a melhor obra de Shakespeare. Miga, não é nem uma das dez melhores. 

Na tentativa de conquistar a Bela, a Fera faz até o que todo homem rico faria para conquistar uma mulher. Vai com ela para Paris, é claro. Já naquele tempo, a capital francesa encantava as moças de todos os vilarejos. Mesmo sendo mais suja e com mais ratos do que hoje em dia. Mas ele se esforçou. Vamos na Notre Dame, fazer compras na Champs-Èlysee, blá-blá-blá. 

Bela já estava caidinha pela Fera, pelo seu jeito doce e arredio, pela sua forma incomum de jantar sem talheres. O golpe final acontece no baile de duas pessoas, quando ela, em seu vestido amarelo La La Land, dança com ele e suas roupas cheias de babadinhos (era uma tendência naquela época). 

A essa altura do filme, eles já estão praticamente apaixonados e a gente já está cansado de tanta música e tanto açúcar e tomado por um profundo TÉDIO. Meu deus! Vai acontecer alguma coisa minimamente relevante? Cheio de trabalhador ali e ninguém vai subir na mesa e gritar contra a reforma da previdência? 

Não. Nada acontecerá além da mensagem da Disney de que o amor supera todas as barreiras e vence no final (argh!). 

"A Bela e a Fera" é até bem feitinho. A Emma Watson até canta satisfatoriamente e o Luke Evans está caricato como a sua versão desenho animado de 91. Mas, convenhamos, não merece tanto cartaz assim. Tem uns momentos que são absolutamente chatos, beirando o insuportável e outros cheios de fru-frus e guti-gutis e um jeitinho sonhador com os olhinhos virando que dá vontade de sair correndo da sala. E as músicas são chatas demais. Gente, as canções de "La La Land" ainda estão vivas na memória. Não dá para estrear outro musical assim tão perto. Mas até que a experiência foi melhor do que eu imaginava. O filme ganhará da Corneta uma nota 5.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Um Wolverine de primeira

Logan velho de guerra
Nunca achei ruins os filmes já feitos para o Wolverine. Tampouco eles eram espetaculares. Embora o Hugh Jackman desde sempre se mostrasse perfeito para o papel, os filmes não faziam completamente jus ao seu bom trabalho com o personagem. Pelo menos até "Logan" entrar em cartaz. 

Dirigido por James Mangold, mesmo diretor de "Wolverine imortal" (2013), "Logan" é melhor epitáfio para a triste saída de cena de Jackman para o personagem. Esperamos, torcemos DESESPERADAMENTE para que o ator reconsidere. Não deve existir ninguém mais perfeito e poucos captaram melhor a alma de um herói dos quadrinhos quanto Jackman fez com Wolverine. 

"Logan" se passa num futuro não tão distante. É logo ali em 2029. Os Estados Unidos estão um tanto perdidos, acabados, passando do prazo de validade. O que oito anos de governo Trump não fizeram com essa nação? 

Logan também não é mais o mesmo. Depois de 120 anos de vida, seu fator de cura já não age com a mesma velocidade de outrora e ele começa a demonstrar pequenos sinais de velhice como cabelos e barba grisalhos e dificuldades para ler. 

Nosso herói é um homem amargurado como sempre soubemos que ele se tornaria. Seus amigos se foram, vários deles mortos pelo professor Xavier (Patrick Stewart) num acidente de grandes proporções causados pelos seus primeiros sinais de demência. Enfim, é um futuro em que não há mais Jean Grey para ele dar em cima, nem Scott Summers para ele chamar de mauricinho babaca. É um mundo sem Mariko. Como não ser amargurado se não há mais Mariko?

Mas Logan é o melhor no que faz. E atualmente isso se resume a tirar uns bons trocados como motorista de limusine. É o que deu para arranjar em 2029. Mas a sua paz será encerrada quando Laura (Dafne Keen, atriz que rosna que é uma beleza e parece se divertir muito em cada cena de ação do filme) cruza o seu caminho. 

Laura é uma mutante "muito parecida" com Logan, como Charles faz questão de lembrar. E o próprio percebe em suas primeiras demonstrações de fúria. Sem falar nas garrinhas que saem de seus punhos angelicais. 

É claro que Logan vai se meter em roubada, mas o que ele deve fazer? Com mercenários liderados pelo tal de Pierce (Boyd Holbrook) sedentos por sangue no seu encalço depois que a Laura cruzou o seu caminho só o que lhe resta é correr para o Éden dos mutantes antes ele seja tarde demais. 

"Logan" é bem diferente dos filmes anteriores do Wolverine e dos X-Men. É mais violento, por exemplo. A carnificina do Wolverine é bem mais realista. O filme também reflete sobre um futuro sombrio para os mutantes e a humanidade. É a perfeita despedida e o filme que Jackman precisava para o seu talento em interpretar o personagem. Ainda que a Corneta espere que ele reconsidere a decisão. Enquanto isso, Wolverine levará uma nota 8,5

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Um Oscar bem maluco

O cartão com o verdadeiro vencedor/Reprodução
O que dizer sobre esse Oscar mais maluco dos últimos tempos? 

1- Ainda estamos todos PERPLEXOS com o mico épico de Warren Beatty e Faye Dunaway, mas não me surpreende. Afinal, eles foram Bonny e Clyde no cinema. Obviamente queriam ROUBAR o Oscar de "Moonlight". 

2- Mas como entregaram o envelope errado para eles? Como eles não perceberam que havia algo de errado, pois ali estava escrito EMMA STONE? Como eles não pararam e disseram: "Peraí, tem alguma coisa estranha aqui". Garotearam muito. 

3- Menos mal que pelo menos o prêmio verdadeiro foi para "Moonlight", mas deve ter sido horrível para o povo de "La La Land" ter que devolver os carecas dourados logo depois de colocar as mãos neles. Foi tipo fazer o gol do título, comemorar muito e logo depois marcarem impedimento no lance. 

4- Mas para quem canta e dança até em engarrafamento, acho que eles vão superar isso. 

5- Acho que eles superaram melhor, inclusive, do que o Denzel Washington, que estava com cara de poucos amigos ao ver que perdeu o careca dourado de ator. Também, se eu perco para o Casey Affleck, o máximo que faço é bater palmas no Nicole Kidman style.

6- Mas se investigarem direitinho, acho que descobrem que o envelope do Casey Affleck também estava errado. Será que ainda dá para ir ao STJD?

7- Como se não bastasse o King Kong no prêmio de Melhor Filme, o Oscar ainda prestou homenagem no bloco in memoriam a uma mulher que ESTÁ VIVA. Colocaram a foto da Jan Chapman junto com o nome da Janet Patterson (que realmente morreu). Mas veja o lado bom disso: quando morrer, Jan será a primeira da história a ser duas vezes homenageada no in memoriam. E quando ela vier a falecer, o Oscar poderá dizer: "Conforme antecipamos em fevereiro de 2017...".

8- Mas nem tudo foi gafe ou erro como o prêmio do Casey Affleck. O Oscar também teve coisas boas. 

9- Gostei da abertura animadinha com o Justin Timberlake colocando todo mundo para dançar logo de cara e se misturando com a galera para começar em alto astral. 

10- O Jimmy Kimmel também foi bem como apresentador. As piadas com o Trump eram previsíveis que iriam acontecer, mas foi ótimo ele ter tuitado para o cara ao vivo. Imagina o trabalho que o Trump terá para responder todas as provocações hoje?

11- Amamos a vitória de Viola Davis e seu discurso que fez todo mundo chorar e a vitória de Asghar Farhadi ("O apartamento" é bem bom) e seu discurso lido no palco pela sua representante. Ele não foi por causa da política do Trump. 

12- Adorei também os doces que voavam o tempo todo para a galera. Muita gente saiu da dieta na cerimônia. 

13- Também foi ótimo o povão entrando na festa sem saber e cumprimentando e tirando fotos dos ídolos. Se isso acontece comigo, eu vou direto na Scarlett Johansson e mando: "How you doing?". E se não dá certo com ela, eu tento com a Amy Adams. 

14- Gente, "Esquadrão Suicida" tem um Oscar. Deixaram isso acontecer. Isso é a versão cinematográfica do Anderson Polga tem Copa do Mundo e o Zico não. 

15- Gente, a família Affleck agora tem três Oscar. Deixaram isso acontecer. Como deixaram isso acontecer????

16- Não deu para engolir "Manchester à beira-mar" ganhando em roteiro original. Muito menos a Emma Stone tirando o Oscar da Isabelle Huppert. 

17- No fim, "La La Land" acabou ficando com seis dos 14 prêmios que disputava, incluindo o do Damien Chazelle, o mais jovem diretor a faturar o Oscar. "Moonlight" ficou com três, incluindo os de Mahershala Ali como ator coadjuvante e o de roteiro adaptado. 

18- Agora o Remy Danton tem um Oscar, mas o Frank Underwood tem dois. 

19- E viva "Moonlight". Merece muito. Vejam, revejam e vejam de novo quando chegar na Netflix em maio. 

20- Que pena que acabou. Mas ano que vem a gente volta para cornetar mais. Mas a lição que fica é: leiam direito o conteúdo dos envelopes que vocês recebem.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Os pré-comentários do Oscar-2017

Hoje é o grande dia. O dia de falarmos mal do Oscar. Enquanto a festinha não chega, vamos aos pré-comentários malemolentes para animar este domingo. Afinal, corneta é vida.
1- A gente sabe que "La La Land" vai passar o rodo na festa como galã de novela dos anos 90. Afinal, o filme é bonito, fofinho, muito bem feito e fala bem de Hollywood. É difícil acreditar que uma propaganda chapa branca de Hollywood não vá colecionar vários carecas dourados na festa de... Hollywood.
2- Logo... chegar na festa com 14 indicações e não faturar nada seria tipo um 7 a 1 cinematográfico. Não acontecerá.
3- Mas, porém, contudo, todavia, se eu tivesse que dar o meu voto para melhor filme seria para "A chegada". Mas se "Moonlight" ou "A qualquer custo" vencerem também está muito bem dado e aplaudiremos de pé. Só espero que os candidatos "Spotlight" da vez não vençam neste ano. Vamos evitar o erro do ano passado, por favor.
4- Sei que "Toni Erdmann" é favoritaço na categoria de filme estrangeiro, mas o meu preferido da leva desse ano foi "Um homem chamado Ove".
5- Aliás, o grande vacilo número 1 desta categoria é deixarem "Elle" de fora. O vacilo número 2 veio do governo brasileiro, que não indicou "Aquarius". Talvez não entrasse, mas ESTETICAMENTE falando, ele tinha bola para jogar nesse time.
6- Vou deixar já protocolada uma reclamação prévia de que a cerimônia é longa demais e passou da hora de cortarem os números musicais.
7- Minha torcida entre os atores vai para Viggo Mortensen ("Capitão Fantástico"), mas se o Denzel Washington ("Um limite entre nós") ganhar tudo bem. Se der Casey Affleck ("Manchester à beira-mar"), Ryan Gosling ("La La Land") ou Andrew Garfield ("Até o último homem") vou bater panela na janela e chamar a Academia de golpista.
8- Aliás, para indicar o Andrew Garfield era melhor ter apostado no seu trabalho em "Silêncio", que era melhor do que o de "Até o último homem". Quiçá, a única coisa relativamente boa deste que é um dos piores filmes do Martin Scorsese.
9- Gente, Isabelle Huppert ("Elle") NÃO PODE perder o careca dourado de atriz. Mas, ao que tudo indica vai. E pior. Para a Emma Stone. A vida é muito injusta. A vida é um bloco de carnaval tocando Los Hermanos.
10- Por falar nessa categoria, Amy Adams ("A chegada") e Annette Bening ("Mulheres do século XX") mereciam entrar nessa disputa. Foi vacilo do Oscar deixá-las de fora.
11- Damien Chazelle ("La La Land") fez um trabalho muito bonito, mas a minha torcida entre os diretores ficará com Dennis Villeneuve ("A chegada") e Barry Jenkins ("Moonlight").
12- A cota vacilão dessa categoria é a ausência de David Mackenzie ("A qualquer custo") na disputa.
13- As reportagens do "Hollywood Reporter" com pessoas que votam no Oscar utilizando argumentos toscos para justificarem seus votos comprovam que qualquer um pode votar nisso e sair impune. Então eu também vou dar os meus votos para as demais categorias.
14- Eu daria meu Oscar de ator coadjuvante para Jeff Bridges ("A qualquer custo"). Já o de atriz coadjuvante iria para Viola Davis ("Um limite entre nós"). Mas ficaria satisfeito se a dupla de "Moonlight" (Mahershala Ali e Naomie Harris) vencesse, pois eles estão muito bem no filme.
15- Em roteiro original, não tenho dúvida de que o de "A qualquer custo" é o mais brilhante dos concorrentes. Não li as obras originais dos candidatos a roteiro adaptado. Mas e dai? Eu duvido que o povo da Academia tenha comparado também. Logo, meu voto vai para "A chegada".
16- Não sei quem vai ganhar em trilha sonora. Mentira, eu sei que só pode ser "La La Land". Eu sei também que "Passageiros" não merece ganhar nem eleição para síndico de prédio.
17- Por falar em música, "City of Stars" é tão bonita que eu nem precisava ouvir o resto para torcer pela música de "La La Land" em canção original.
18- Efeitos visuais? "Doutor Estranho", Fotografia? "Moonlight". Figurino? "Aliados". Maquiagem e cabelo? Não, peraí, aí já é um pouco demais.
19- Graças aos deuses, esse ano não tem nenhum filme sobre jornalismo. Ninguém vai falar em vitória do jornalismo em nenhum momento. Ufa!