Quando foi lançado, o primeiro filme do “Homem-Formiga” tinha uma mistura de ação com
elementos lúdicos que o tornavam um filme divertido como outros tantos do universo Marvel. Algumas cenas eram
realmente muito engraçadas como a batalha final no trenzinho de brinquedo. Era
natural, portanto, que crescesse a expectativa por um segundo filme que
trouxesse também a Vespa com um certo protagonismo.
Mas “Homem-Formiga
e Vespa” é um tanto decepcionante. Basicamente é um filme que só serviu para
responder à pergunta que estava na cabeça de todo mundo que acompanha os filmes
do universo Marvel: “Onde diabos estava o Homem-Formiga quando Thanos invadiu o planeta e estalou os seus dedos”? Agora sabemos a resposta. E podemos dizer que
ele se meteu numa roubada e tanto.
Embora lançado
depois, o filme se passa antes - ou melhor dizendo, paralelamente - aos
acontecimentos de “Guerra Infinita”. Scott Lang (Paul Rudd) está finalizando
os seus dois anos de prisão domiciliar enquanto o doutor Hank Pym (Michael
Douglas) descobre uma maneira de trazer de volta do, digamos, universo
quântico, sua mulher Janet (Michelle Pfeiffer), perdida lá há 30 anos. Para
isso, ele ainda contará com a ajuda da sua filha Hope (Evangeline Lilly), agora a nova
Vespa.
E aqui começam os
problemas do filme. Enquanto trabalham em lições de física pesadas cuja
capacidade eu não tenho para entender, surge no caminho deles um traficante
caricato, a polícia sempre no encalço de Scott e esperando ele fazer alguma
besteira e Ava (Hanna John-Kamen), também conhecida como Fantasma e pálida caricatura de antagonista. Ava é uma mulher que sofreu um acidente quântico na infância e
vive com suas moléculas morrendo e renascendo o tempo inteiro.
Nenhum deles
estabelece de fato o antagonismo necessário para dar relevo ao filme. Apenas
cada grupo segue solitário em busca dos seus interesses. Sejam eles nobres ou
não. E aí o filme cansa um pouco porque fica a sensação de que se cada
um (em especial Ava, que é quem tem superpoderes) se sentasse para conversar
tudo se resolve em dois minutos. Menos com os bandidos, é claro. Mas eles não
têm estofo para enfrentar os heróis. São bandidos comuns com armas comuns que
ali estão para oferecerem situações que nos farão rir. Do cara que desmaia
porque bateu no saleiro gigante ao que tomba da moto por causa de um pacote de
bala infantil.
Mesmo a busca por
Janet é enfadonha. Tudo porque não é dada a dimensão do quão desafiador é
atingir o nível molecular e trazer de volta uma pessoa que lá está presa há 30
anos. Tudo acontece sem muito desafio, tudo como se fosse uma viagem de fim de semana para rever os amigos.
De resto, o filme
oferece um par de boas cenas. A perseguição de carros é divertida com seus
truques aumentando e diminuindo o veículo e a participação da Vespa deu um
frescor à franquia em um filme que ficará apenas como uma doce aventura de
comédia para a família. E nada mais.
Ethan Hawke gosta
de falar, questionar e que seus personagens façam reflexões. Estão aí seus filmes feitos em parceria com Richard Linklater que não nos deixam mentir. Mas em “No coração
da escuridão”, eu não sei onde ele quis chegar. De fato, eu não compreendi onde
o diretor e roteirista Paul Schrader quis chegar com a história do reverendo Ernst
Toller.
“No coração da escuridão”
passa por uma série de situações. Temos um padre em conflito com um passado
doloroso, temos um foco na questão ambiental e no aquecimento global, chegamos
ao extremismo/terrorismo das ações e não encontramos respostas para nada.
Talvez até não fosse o caso mesmo de encontrá-las, mas nem mesmo questões que provoquem uma reflexão profunda ao surgimento dos créditos no final do filme são levantadas.
O planeta está se
deteriorando pela ação humana que não cuida do ambiente? Ok, é verdade. Há
empresários sem escrúpulos poluindo ainda mais o ambiente? Sim, é verdade. A política
obriga a igreja até a fazer acordos com os demônios do mercado? É assim há mais
de dois mil anos. O caminho do protesto é pela violência, pelo autoflagelo ou
pelo amor? É isso que se quer fazer?
É difícil compreender
onde Schrader quer chegar. Ele tenta incutir uma “crítica social foda” ao
contar a história do padre de uma congregação que precisa organizar o
festejo dos 250 anos de uma igreja histórica nos Estados Unidos. No meio do
caminho, ele precisa aconselhar um homem a não fazer besteira em sua luta em
defesa do meio ambiente ao mesmo tempo em que a mulher deste homem, Mary
(Amanda Seyfried) surge para buscar ajuda, mas também traz o conforto para a
vida desse religioso ex-militar amargurado pela morte do filho na guerra do
Iraque.
Longas conversas
sobre o papel da Igreja e da Bíblia surgem. A saúde do reverendo se deteriora na
medida em que um provável câncer no estômago se manifesta cada vez mais
forte.
E para onde o
padre de Hawke vai? Que caminhos o filme quer tomar? Parece que “No coração da escuridão” é uma salada de situações que não provoca de fato uma reflexão
profunda. Da mesma forma que não traz muito entretenimento ao espectador. E
ainda tem um final bizarro que pareceu jogar o filme num limbo em que nada faz
sentido.
Talvez a única
coisa coesa e relevante do filme seja a segura atuação de Hawke. Ainda mais
reforçada pela palidez do restante do elenco.
“No coração da escuridão”
abraçou muitos temas, mas não se aprofundou de fato em nada. Com isso, o filme
ficou devendo.
Toda franquia tem
seus altos e baixos. Uns filmes muito bons, outros ruins, outros mais ou menos.
Mas Tom Cruise tem nos brindado com uma sequência de missões impossíveis cada
vez melhor que a outra.
De fato, não
existe mistério para criar os filmes da série. É uma receita de bolo matadora que
mistura cenas absurdas, reviravoltas no roteiro, traições, uma história
simples explicada logo de cara (quase sempre o mocinho tem que impedir o vilão
em sua tentativa de dominar ou destruir o mundo), algumas surpresas e Tom
Cruise desafiando a morte.
E a cada filme seu
Ethan Hunt parece passar do limite. É assim que queremos. É assim que
gostamos.
O grande mistério
mesmo de “Missão Impossível” é como o ator de 56 anos têm fôlego e disposição
para fazer tanto exercício! Em “Efeito Fallout”, Tom Cruise corre
DESEMBESTADAMENTE por Londres com direito a saltos entre telhados, protagoniza uma impressionante cena de perseguição nas ruas de Paris, pilota um
helicóptero e sofre um acidente que mataria qualquer um na Caxemira. E ainda
briga com o Superman! Tudo isso tendo que escalar uma montanha no final para
salvar um terço do planeta. China, Índia e Paquistão agradecem a
dedicação.
Não é à toa que o
Luther (Ving Rhames) diz: “esse é o meu cara!”. Se tivesse conhecido Ethan
antes do Lula seria para ele que Obama diria: “Você é o cara”.
“Efeito Fallout” é
aquela história de espião clássica Hunt style. Tem um traíra na agência, tem
que achar um terrorista, tem que impedir que bombas de plutônio dizimem a
humanidade. No meio disso tudo, tem o Sindicato, um grupo de terroristas que
anda desmobilizado desde a prisão de Solomon Lane (Sean Harris).
A situação em
Washington também não está muito boa. O IMF é questionado depois que Ethan
deixa escapar as ogivas de plutônio para salvar seus amigos Luther e Benji
(Simon Pegg). Por conta disso, a CIA resolve botar o pau na mesa e dizer que
“agora é do meu jeito”. Assim, eles recrutam o agente bigodudo August Walker
(Henry Cavill) para ser a sombra de Hunt e agir de uma forma mais assertiva na
missão.
A partir daí a
trama se desenvolve naquele clima de todo mundo desconfia de todo mundo. Ainda
mais depois que a Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) surge cheia de mistérios
dizendo que não pode contar nada, não pode dizer nada. “Mas confia em mim.”
Ilsa, esse é um mundo de espiões. Não se confia nem na sombra.
“Missão
Impossível: efeito Fallout” é diversão garantida e mantém bem viva a franquia
de Ethan Hunt. Resta saber até quando Tom Cruise vai aguentar se arriscar em
cenas cada vez mais surreais. Ainda mais porque a cada filme parece ser preciso
estabelecer novos limites. Ou manter os anteriores.
Mas enquanto o
sétimo filme não vem (é não tenho dúvidas de que ele virá), aguardarei o que
Tom Cruise pretende aprovar para o retorno de “Top Gun”, projeto com previsão
de lançamento em 2019, 33 anos depois do filme que o ajudou a se tornar uma
estrela.
A Corneta sai do exílio do mestrado apenas para falar verdades. E cá
estou, tal qual o TRIBUNAL VIVO (entendedores entenderão), para o julgamento
final de “Vingadores: Guerra Infinita”. E o veredito, amigos, é que o filme é
excelente! Com uma história bem diferente da dos quadrinhos, porém, totalmente
excelente.
Parabéns a todos os
envolvidos neste processo tortuoso de fazer uma verdadeira orgia de
super-heróis dar certo. Os diretores, os roteiristas, os produtores, todos
conseguiram misturar doce de leite, chocolate, cocada, leite condensado e
brownie e deixar maravilhoso. E pensar que ainda faltou gente no filme!
Eu sempre vou achar
muito difícil juntar um monte de personagens de realidades e planetas
completamente diferentes e colocar junto e misturado numa história com um nível
mínimo de coerência. E nisso o filme é brilhante ao fazer tudo girar em torno
de Thanos (e Josh Brolin está ótimo no papel do titã), o grande protagonista de
“Guerra Infinita” (como sempre foi). Thanos conduz uma história simples que dá
para explicar num tweet dos velhos tempos enquanto todos têm espaço para os
seus truques e piruetas sem ficar over.
E a partir de
agora, embora não seja bem spoiler uma história que foi publicado há 30 anos,
cuidado! Seguem uma penca de SUPOSTOS SPOILERS.
Eu tenho uma
professora de cinema que tem um vício de linguagem. Para casa coisa difícil que
eu nunca ouvi falar ela usa a expressão: “Como toda a gente sabe”. Vou imitar
ela é dizer: Como toda a gente sabe, “Vingadores: Guerra Infinita” é baseada nas
trilogias “Desafio Infinito” e “Guerra Infinita”. Este primeiro filme, por
sinal, é LEVEMENTE baseado no prelúdio da história publicado para contar os
acontecimentos antes da primeira trilogia e no próprio “Desafio Infinito”.
Levemente porque
tirando a linha mestra da história, todo o resto foi alterado. Ou seja,
permaneceu apenas que Thanos está reunindo as seis joias do infinito para
tornar-se onipotente, onipresente, onisciente e dono de tudo o que respira e
dizimar metade do universo para reestabelecer através de um super genocídio o
que ele chama de equilíbrio.
E as alterações não
foram necessariamente ruins. Por que? Vamos a alguns motivos e outros
comentários gerais:
1- As motivações de
Thanos são muito mais interessantes. Nos quadrinhos ele faz tudo por amor a
Senhora Morte, que o despreza até o fim. E os diálogos são bem bregas. Esse
lado amorzinho ia ser meio patético no cinema, ainda mais com ele só levando
toco e ficando maluco com isso. No filme, Thanos age por ele próprio por
acreditar que só o extermínio de metade da vida do universo trará prosperidade
e fartura para os sobreviventes. Thanos é um déspota que não teme tomar todas
as medidas necessárias para fazer o seu plano acontecer. Para ele, os fins
justificam os meios. O que me assusta é que muita gente na rua concordaria com
ele.
2- Os heróis
obviamente têm muito mais protagonismo no filme. Nos quadrinhos eles são meros
joguetes e buchas de canhão para distrair Thanos enquanto entidades celestiais
travam a batalha nos bastidores para derrotá-lo. Os únicos heróis que têm algum
protagonismo são o Doutor Estranho (no filme, Benedict Cumberbatch) e o
Surfista Prateado, grande ausência do filme e figura que, na história original
cai na casa de Estranho para avisar da chegada de Thanos. No filme, o Hulk
(Mark Ruffalo) fica com esse papel. E não é a mesma coisa. Infelizmente.
3- Mas seria mesmo
complicado tirar da batalha toda essa galera de salário baixo e que vem ralando
aí desde “Homem de Ferro” (2008). Afinal, o duelo com Thanos era o grande filé
que aguardávamos há dez anos.
4- Portanto, parece
improvável que os editores e colunistas do universo, Eternidade, Amor, Ódio,
Lorde Caos, Ordem e o Tribunal Vivo dêem as caras. Além de Galactus, o
devorador de mundos. Ou seja, o confronto com Thanos será menos metafísico e
mais físico. O máximo que pode acontecer é o Vigia surgir para testemunhar a
batalha, afinal, o Vigia é uma Suíça. Não se mete em nada. Só testemunha a
história.
5- Outra mudança
importante é que Thanos consegue as joias de pessoas comuns espalhadas pelo
universo. E não dos chamados anciões, seres cósmicos e etc...
6- Por falar no
nosso vilão protagonista, deram uma baixada de bola. No filme, os heróis até
conseguem fazer cosquinha em Thanos. E que cena maravilhosa a do Capitão
América (Chris Evans) usando todas as suas forças para segurar a mão do titã. É
um retrato do homem comum que faz de tudo para superar as barreiras do
impossível e desafiar aquilo que ele não tem a menor possibilidade de vencer.
Aquilo é a humanidade falando: “Não desista!”. Praticamente uma cena de
auto-ajuda.
7- O Homem de Ferro
(Robert Downey Jr.) também tem seus belos momentos contra Thanos na batalha em
Titã. Assim como é reservado ao Thor (Chris Hemsworth) algumas das melhores
cenas. A chegada dele na batalha de Wakanda é de levantar da cadeira do cinema
e gritar “Yes!”.
8- Diante disso, e
das inúmeras mortes que aconteceram no passaralho celestial, fica bem claro
quem são os protagonistas da parada: o arco destes dez anos foi desenhado para
o retorno aos Vingadores originais, aqueles que aparecem no primeiro filme, de
2012: Thor, Capitão América, Homem de Ferro e Hulk. E talvez a Viúva Negra
entre na parada. Depois que a relação ficou meio azeda com a briga de gangues
em “Guerra Civil” (2016) e a saída de cena de Thor para cuidar de seus
problemas particulares em Asgard, pensei até que os Vingadores iam mudar a
formação. O que é algo absolutamente comum nos quadrinhos. Porém, ainda não.
Esse quinteto ainda tem uma missão importante a cumprir.
9- Além do Surfista
Prateado, senti falta de pelo menos da presença dos X-Men e do Quarteto
Fantástico em “Guerra Infinita”. Queiram ou não, esta é uma guerra de todos que
não devia ser medida por contratos de Hollywood.
10- Também não
contava com a morte do Doutor Estranho. Afinal, ele é uma das peças importantes
da história. Como antes de desaparecer no estalar de dedos de Thanos ele
vislumbrou 14,6 milhões de possibilidades de futuro e sabia o que estava
fazendo ao entregar a joia do Tempo, presumo que ele já sabe o que irá
acontecer e outro cara com super-poderes vai vir para cuidar da situação.
11- Donde vem a
grande pergunta de “Guerra Infinita”. Onde está Adam Warlock? Ele não dá as
caras um segundo sequer no filme. E só ele pode acabar com a guerra. Só ele,
esse Churchill intergaláctico, pode inspirar corações e mentes em busca da
vitória. Só ele e...
12- ...uma mulher
foda podem salvar o universo. Vem, Capitã Marvel. Vem Brie Larson. Vem tirar
Thanos de seu trono celestial.
13- Como Warlock
não aparece no filme, minha expectativa é que ele surja em algum momento no
filme solo da Capitã Marvel previsto apenas para o março de 2019. Ou de repente
nas cenas extras de “Homem Formiga e Vespa”, o próximo lançamento da Marvel. Se
não, bom, em algum momento ele tem que aparecer. Afinal, não existe “Guerra
Infinita” sem Adam Warlock.
E agora vamos aos
comentários absolutamente aleatórios:
1- Eu vou para o
inferno, mas eu ri vendo o Peter Dinklage fazendo um anão gigante.
2- Incrível com a
ditadora da barba atingiu até o Capitão América. Logo ele que rivalizava com o
Superman como herói de propaganda da Gillette.
3- Achei meio
patético o filme anunciar em dois momentos que Thanos acabará com o universo
num estalar de dedos usando duas cenas no meio da história de personagens estalando
dedos e anunciando que ele literalmente fará isso.
4- Mas realmente a
cena que vale mesmo é de arrepiar. E você vendo todo mundo desaparecendo feito
pó é um final DAQUELES.
5- Wakanda é
sensacional. Eu quero morar em Wakanda.
6- Menos piada é
mais história. Continue neste bom ritmo, Marvel. Chega de gracinhas.
7- Aliás, quando
pensamos em criticar a Marvel ele nos entrega dois filmes do nível de “Pantera
Negra” e “Guerra Infinita” num intervalo de três meses. A Marvel joga o sarrafo
lá em cima e deixa a DC comendo poeira, mesmo quando a DC esboça uma
microreação.
8- Tem uma cena do
trailer que mostra o Hulk lutando em Wakanda. Só que o Hulk não dá as caras
desde a briga com Thanos no início do filme. Não sei quem errou nisso. Ou se a
Marvel soltou um trecho da parte dois do filme. Bom, como nos quadrinhos há uma
volta ao passado (vocês não achavam que iam matar todo mundo assim, não é?)
pode ser que ainda role.
9- A Feiticeira
Escarlate (Elizabeth Olsen) está sensacional no filme. O Visão (Paul Bettany)
está um bundão. O Doutor Estranho também está maravilhoso. Cumberbatch é um
ótimo Stephen Strange. Não podia ter morrido. Se bem que como ele é um mestre
das artes místicas talvez consiga reverter a própria morte.
10- Capitão América,
Homem de Ferro, Pantera Negra (Chadwick Boseman) e Thor também foram destaques
da partida. Homem-Aranha (Tom Holland) teve uma atuação irregular, mas fez bem
o seu papel como um volante de contenção. O Hulk brilha no início, depois cai
de produção até à escala da irrelevância.
11- A Viúva Negra
está apagadíssima e merecia mais espaço, mas só porque amamos Scarlett
Johansson, pois na história ela é mera figurante e nem viaja para enfrentar
Thanos. E queremos a Viúva ruiva como sempre foi!
12- Por outro lado,
Okoye (Danai Gurira) tem que seguir nesta guerra aí. Adoro a líder do exército
de Wakanda.
13- Que pena que o
os guardiões da galáxia morreram. Especialmente a Gamora (Zoe Saldana). Mas
infelizmente precisava abrir espaço para novos heróis entrarem sem estourar o
orçamento.
14- Os demais
heróis (Falcão, Soldado Invernal, etc...) cumpriram o seu papel de fazer volume
nas mortes para impressionar quem nunca tinha lido os quadrinhos.
15- E o Gavião
Arqueiro, hein? E o Homem-Formiga, hein? Não deram nem um oi em “Guerra
Infinita”. Quando mais se precisa dos amigos...
16- Olho na
Nebulosa (Karen Gillan), pois nos quadrinhos ela tem um protagonismo. É
possível que venha a ter na sequência do filme.
Steven Spielberg quase conseguiu. Não fosse pelas
lições de moral, por um vilão ruim, uma cena no final meio nada a ver e o
clichê do nerd genial e solitário, “Jogador nº 1” seria um filme top da
filmografia do diretor americano. Mas alguns pequenos percalços fizeram o seu
novo trabalho perder alguns pontos. No entanto, podemos dizer que “Jogador nº
1” é o seu melhor filmes desde “Lincoln” (2012). E podemos dizer também que é
uma excelente diversão para todas as idades.
“Jogador nº 1” é uma viagem nostálgica pela cultura
pop do século XX. São incontáveis os “Easter eggs” que Spielberg espalha por
todo o filme baseado no livro de Ernest Cline. Tem King Kong, Godzilla, heróis
dos quadrinhos - incluindo uma rápida aparição do carro do Batman da série de
tv dos anos 60 - citações a “De volta para o futuro” (1985-90), “O Iluminado” (1980), “Brinquedo
Assassino” (1988), “Nos embalos de sábado à noite” (1975), filmes do diretor John Hughes e aos seriados japoneses como
“Jaspion” e “Changeman” (aquela batalha no final do robô com o monstro gigantes
é de escorrer uma lágrima de emoção de quem foi criança entre os anos 80 e 90)
e, claro, aparições dos mais diferentes videogames possíveis. De “Mortal
Kombat” aos clássicos jogos de Atari. Para não falar na trilha sonora com
clássicos de Van Halen, Depeche Mode, Twisted Sister e tantos outros.
Tudo isso e muito mais faz com que “Jogador nº 1”
seja um dos filmes mais pops que você vai ver nos últimos tempos. É um
olhar diferente de Spielberg para o passado. Para um diretor que acostumou-se a
falar sobre um passado duro - e podemos citar só como exemplos “Munique”
(2005), “O resgate do soldado Ryan” (1998), “Amistad” (1997) e “A lista de
Schindler” (1993) - seu novo filme é como olhar para o passado com o sorriso terno de
quem revê “E.T. - O Extraterrestre” (1982) acompanhado de uma aventura moderna,
mas que na essência é nos moldes das clássicas aventuras de Indiana Jones com
uma linguagem pop de “Prenda-me se for capaz”. (2002). Ou seja, é um Spielberg
em boa forma. O que é ótimo depois da decepção de “The Post” (2017).
“Jogador nº 1” é de certa forma um um Indiana Jones
moderno com toque vintage. No futuro sombrio e pós-apocalíptico de sempre
(ninguém imagina um futuro legal. Ninguém na arte acredita mesmo na
humanidade), Tye Sheridan vive Wade Watts, um garoto que tem uma vida na Columbia pobre,
feia e devastada, mas, como todos os seres humanos, tem uma vida paralela no
mundo virtual e paradisíaco do OASIS, onde você pode ser o que e quem você quiser e viver as mais incríveis aventuras.
Parsifal e Art3mis em seus trajes de gala
Nesse lugar teoricamente paradisíaco, ele vive sob
um avatar de nome Parsifal. E não é por acaso que ele têm esse
nome. Personagem de um antigo poema alemão, Parsifal é o protagonista da ópera de Richard Wagner de mesmo nome. O significado
do seu nome é “inocente casto”. Parsifal é o que atravessa o jardim mágico de
Klingsor, destrói o castelo, cura as feridas do rei Amfortas e assume a
condição de rei do Graal. A jornada do nosso Parsifal do filme de Spielberg é
extremamente semelhante ao da ópera wagneriana.
Ao seu lado, Parsifal tem a companhia de Art3mis
(Samantha, no mundo real), personagem vivida por Olívia Cook. Também não é por
acaso que ela tem o nome da deusa da caça, da lua e da magia e que na mitologia
grega é descrita como a melhor caçadora entre os deuses e homens. É exatamente
isso que Art3mis é no OASIS. E por essa característica ela é admirada por
Parsifal.
Os dois têm a companhia de Aech (Lena Waithe),
Dalto (Win Morizaki) e Sho (Philip Zhao na jornada que tem aquele jeitão de
RPG. Após a morte de Halliday (Mark Rylance), o criador do OASIS, um desafio é
lançado. Quem conseguir encontrar as três chaves que Halliday deixou espalhadas
no mundo virtual consegue ter o controle do OASIS.
É claro que isso desperta a ambição da empresa de
Sorrento (Ben Mendelsohn), que deseja obter o controle do jogo para controlar o
mundo. E aqui temos o calcanhar de Aquiles do filme. Sorrento é um vilão
extremamente caricato e idiota. É um filhinho de papai que quer de qualquer
maneira obter o brinquedo mais legal do momento.
Uma pena, pois um vilão ruim que não se pode odiar
ou ao menos admirar por suas vilanias até a forma como ele cai pode estragar um filme. Parsifal merecia um
antagonista melhor.
Da mesma forma que os espectadores mereciam um
final mais interessante. Era de se esperar que “Jogador nº 1” tivesse um
desfecho feliz bem ao gênero dos filmes tradicionais. Porém, a cena do Sorrento
conseguindo abrir caminho no meio de mais de cem pessoas só porque tem uma
pistola não dá. Que rebelião é essa que não resiste a um revólver?
E quando ele finalmente chega até Wade/Parsifal não
dá um tiro porque fica maravilhado com a vitória dele e com o ovo dourado nas
mãos do rival. Por favor, né. É o tipo de lição de moral que Spielberg deveria
evitar. Ok, o bem precisa vencer o mal. Mas não vem dar recado por meio de
indiretas. Ou diretas, como a mensagem no fim de que é preciso viver mais no
mundo real.
Ainda assim, “Jogador nº 1” é uma agradável
diversão. As cenas dentro do OASIS são incríveis e muito bem feitas. Parece um
videogame em que você está jogando ali. E mal ou bem, a história te prende
ainda que o roteiro tenha a estrutura clássica dos três desafios do herói em
sua jornada. As etapas sendo vencidas aos poucos etc... É o de sempre, mas
quando bem feito não é ruim.
Adaptações de videogames para o cinema são quase
sempre ruins, pois é quase sempre complicado transpor um jogo que é
absolutamente linear e sem uma grande quantidade de camadas para a dramaturgia,
justamente uma arte que necessita de um pouco mais de particularidades para
fazer acontecer o mais raso dos filmes. Ainda mais quando estamos falando de
jogos antigos e que não possuem o nível de complexidade e enredo dos criados
neste século XXI.
Em sua primeira versão com Angelina Jolie, Lara
Croft ganhou dois filmes que nada mais eram que um videogame filmado com uma
história capenga e vilões esquecíveis. O importante era criar situações para os
fãs da aventureira saltar, lutar e resolver enigmas complexos com
suas habilidades.
Os filmes de 2001 e 2003 são esquecíveis. Mas
Hollywood resolveu dar nova chance a Lara colocando a atriz Alicia Vikander no
modelito camiseta e calça (e não mais shortinho) de Lara.
O resultado do trabalho dó diretor Roar Uthaug é bem mais
interessante que a grande maioria de adaptações do cinema. “Tomb Raider - a
origem” está longe de ser um filme brilhante. Mas deu uma nova guinada para a
história de Lara Croft ao impor uma nova mitologia, construir um passado mais
sólido para a personagem a partir da relação dela com o pai, Richard
Croft (Dominic West), e abrir caminho, é claro, para a formação de uma nova
franquia que pode vir a ser lucrativa se for mais bem apurada a combinação de
aventura, enigmas, um certo misticismo e cenas de ação de tirar o fôlego.
Pois é disso que se trata a história de Lara Croft.
Mas não mais apenas disso. Além de uma caçadora de tesouros, quase uma Indiana
Jones em versão feminina, ela agora parece que primeiro precisa arrumar a casa
enquanto vive as suas aventuras. Seguir o legado do pai ao mesmo tempo em que
tem que limpar as empresas do mesmo de um provável envolvimento com roubos e
corrupção. Nos próximos filmes ainda saberemos mais sobre a Trinity e qual o
papel de Anna Miller (Kristin Scott Thomas) nisso tudo.
Enquanto isso, podemos nos deliciar com cenas de
ação maravilhosamente absurdas e engenhosas como só o videogame consegue fazer.
De fato, este parece ser o único vestígio do legado dos games nesta nova e
promissora série de filmes de Lara Croft.
Todo o resto é novo. E esse novo começo parece ser
minimamente interessante para seguir acompanhando um pouco mais esta
saga.
Vamos precisar refazer o ranking de
melhores filmes de super-herói porque a África chegou chegando para abalar as
estruturas e, principalmente, as certezas, da Marvel. “Pantera Negra” tem tudo
o que um bom filme de super-herói deve ter e não tem tudo o que não
aguentávamos mais ver nos filmes da Marvel.
São tantos acertos que vamos enumerar
alguns deles no textão a partir de agora:
1- Foi de chorar de emoção toda a
caracterização de Wakanda, o mítico país africano de onde vem o rei T’Challa
(Chadwick Boseman). Eu não poderia imaginar algo mais perfeito do que o
trabalho feito na criação do país rico em vibranium, o tal metal mais poderoso
da terra, e altamente desenvolvido.
2- Eu li uma entrevista do Ryan
Coogler, diretor do filme e do ótimo “Creed” (2015), diga-se de passagem, dizendo que
ao trabalhar nessa produção, queria mergulhar nas raízes e tradições africanas,
entender e refletir sobre o que é ser africano e pensar no que a África poderia
ser se suas riquezas não tivessem sido saqueadas por impérios coloniais. Não
tenho todo o conhecimento necessário para dizer se ele acertou em cheio, mas a
Wakanda que ele nos presenteia é uma nação rica, de alto desenvolvimento
tecnológico e vasto conhecimento científico partilhado por todos, com homens e
mulheres vivendo em condições iguais e que ao mesmo tempo não foge das suas
tradições tribais, das suas cores, dos seus cantos e que exibe uma exuberância
da natureza só encontrada num continente como a África. Tudo sem aquela cara de
“olha que coisa exótica” para o homem branco olhar encantado como diante de uma
experiência antropológica. É apenas e tão somente cultura.
3- Wakanda é uma sociedade idílica?
Talvez. Mas essa é uma obra dos quadrinhos. Contudo, por que seus ideais não
seriam possíveis?
4- Outro acerto maravilhoso está no
elenco recheado de bons atores negros que estão se destacando no momento.
Chadwick Boseman é um excelente Pantera Negra. Daniel Kaluuya, protagonista de
“Corra!” (2017), também está bem como o líder tribal W’Kabi. E ainda tem a Lupita Nyong’o
como a Nakia, namorada de T’Challa, e Michael B. Jordan no papel clássico do
vilão que quer espalhar o caos pelo mundo (eles sempre querem dominar ou levar
caos ao mundo).
5- Mas de todos, a minha personagem
favorita é a general Okoye (Danai Gurira). Ela faz o braço-direito do Pantera
Negra, é a líder do Exército de Wakanda, e maneja uma lança de fazer inveja aos
melhores guerreiros. Torci muito para Okoye não morrer no filme. Principalmente
quando achei que isso estava perto de acontecer.
6- “Pantera Negra” também é bom por
dialogar com uma série de questões da atualidade. Tem menções ao Boko Haram,
fala de refugiados, fala sobre o papel e que tipo de protagonismo uma nação
rica e próspera deve ter no mundo. Fala sobre o roubo de riquezas e apropriação
da cultura e sobre igualdade (ou a busca de uma igualdade de gênero, de raça).
Tudo dentro do entretenimento porque isso aqui não é caridade. É para fazer
dinheiro.
6- Com o filme, e um filme tão bem
feito, a Marvel também paga uma dívida de ter um personagem negro como
protagonista de algo. Convenhamos, a série do Luke Cage é um pouco caída.
Faltava um personagem bom num filme bom. Nisso, eles saíram na frente da DC. O
“Raio Negro” tinha potencial, mas está começando a cair na mesma esparrela ruim das
outras séries da DC.
7- “Pantera Negra” também tem o
mérito de nós apresentar a verdadeira face do Andy Serkis! Nos últimos anos ele
foi o Gollum do “Senhor dos anéis”, o Caesar do “Planeta dos Macacos”, o Snoke
de “Star Wars”... tudo entidade sobrenatural ou indivíduo pós-darwinista. Um
dos dois atores brancos do filme (o outro é o Martin “doutor Watson de
“Sherlock” Freeman), ele vive o traficante malucão Ulysses Klaus. Uma pena que
não dura muito.
8- Fora tudo isso, o que eu mais
queria de Wakanda era tomar aquela ayahuasca púrpura só para ir para a outra
dimensão e ver a aurora boreal violeta de lá. Deve ser muita onda.
9- E no fim eu espero que a Marvel
tenha aprendido a lição e finalmente se liberte de sua cansativa fórmula. É
possível fazer um filme bom e divertido, que seja entretenimento e que trate de
questões relevantes sem usar piadinhas dos Três Patetas ou expressões de tio do
pavê.
Hoje é o grande dia, amigos. Foi para isso e só por isso que trabalhamos o ano todo cornetando filmes. Hoje é o dia de falar mal do Oscar! E dessa vez eu não sei como vou ver porque a minha diferença de horário para La La Land está em oito fucking hours!
Mas enquanto a festinha não chega, vamos aos comentários malemolentes para animar este domingo. Afinal, Corneta é vida.
1- O candidato a papa-carecas dourados da vez é “A forma da água”, aquela fábula lírica sobre zoofilia. São 13 indicações. Logo, é improvável que o filme de Guillermo del Toro não saia pelo menos com um prêmio de consolação do tipo “melhor edição de som” para poderem colocar no cartaz no futuro a frase: “vencedor de xx Oscar”.
2- “A forma da água”, inclusive, tem chance de ganhar o maior prêmio da night. Seria um 7 a 1 para a Casa Branca de Trump ver um gordinho barbudo de Guadalajara levar o maior prêmio do cinema americano. Logo, seria divertido.
3- Porém, se me dessem o poder do voto (e eu não sei porque ainda não fizeram isso), o melhor filme iria para “Dunkirk”. É o filme mais interessante, mais inventivo e o que me deixou mais EMBASBACADO quando vi.
4- Contudo, acho improvável que “Dunkirk” vença. É um filme absolutamente branco, um filme Omo dupla ação, e que foi criticado por ter excluído os soldados indianos que participaram da guerra e também estiveram naquela batalha. E todos sabemos que a política e mandar recados são dois elementos importantes da festinha. Hollywood já apanhou por ter um Oscar branco, está apanhando com as denúncias de assédio e eles precisam mandar o recado da diversidade para a gente fingir que acredita.
5- Todavia, o prêmio estará muito bem dado se for para “Três anúncios para um crime”, o meu segundo favorito na categoria principal, ou “Trama Fantasma”. Se der “A forma da água”, “Me chame pelo seu nome” e “Lady Bird” será fofo. Se der “Corra!” será uma bela surpresa. Qualquer outro resultado, podemos dizer categoricamente que será um ERRO.
6- Principalmente se der “The Post”. Um filme muito abaixo da média neste grupo dos nove indicados. E, aliás, fica aqui o recado dado há dois anos, antes da aberração de “Spotlight”. Se “The Post” vencer eu não quero ouvir falar em vitória do jornalismo, bicampeonato do jornalismo, viva a imprensa, vamos trazer o Pasquim de volta, e frases como “a prova que o mundo não vive sem bons repórteres e sem a nobre função do jornalista” e coisas do gênero. Se “The Post” vencer não será uma vitória do jornalismo. Será uma derrota do cinema.
7- Inclusive, dois vacilos dessa premiação foi não ter incluído “Eu, Tonya” e “Blade Runner 2049” entre os indicados a melhor filme. Os outros vacilos foram a ausência de Dennis Villeneuve entre os indicados para diretor, a de Armie Hammer (“Me chame pelo seu nome”) entre os indicados a ator coadjuvante, e, eu diria até que o Tom Hanks (“The Post”) merecia uma indicação como ator.
8- O prêmio Corneta de diretor, obviamente, vai para Christopher Nolan (“Dunkirk”).
9- Entre os atores, o meu voto vai para Daniel Day-Lewis (“Trama Fantasma”). No desempate, considerei muito mais desafiador criar do nada uma figura irascível e intragável, mas com uma série de camadas interessantes como o estilista Reynolds Woodcock do que imitar uma celebridade como Winston Churchill, já vivida por tantos atores com muita competência. Ainda que o trabalho de Gary Oldman seja brilhante e não será uma aberração se ele vencer. Porém, o que ele mostrou de verdadeiramente novo?
10- Sally Hawkins fez o que talvez seja o trabalho da vida dela. Seria legal se ela vencesse o prêmio de atriz. Mas o meu voto vai mesmo para Frances McDormand que é uma verdadeira TITÃ em “Três anúncios para um crime”.
11- Ator coadjuvante? Sam Rockwell, o policial Dixon em “Três anúncios para um crime”. Mas não seria de todo ruim ver o Christopher Plummer vencer, pois ele é a única coisa realmente interessante em “Todo o dinheiro do mundo”. Willem Defoe? Não sei o que está fazendo entre os indicados.
12- Atriz coadjuvante? Allison Janey, a mãe de Tonya Harding em “Eu, Tonya”. Mas Octavia Spencer tem a minha medalha de prata.
13- Roteiro original? Gosto da história de “A forma da água”, dos diálogos, dos personagens. Mas dos cinco, a ideia mais legal é a de “Corra!”, que ganha o meu voto. Roteiro adaptado? É muito picareta da minha parte votar nisso porque eu só conheço os quadrinhos do Wolverine. Mas como eu duvido que todos os que votam tenham lido as obras originais, votarei em “Me chame pelo seu nome”. Mas se “Logan” vencer eu ficarei pessoalmente bem feliz.
14- Filme estrangeiro, minha categoria favorita. Não vi “O insulto”. Então como esse DVD não chegou na minha mesa, meu voto vai para o russo “Sem amor”.
15- Design de produção? Eu não entendo nada de design de produção. Desde que não ganhe o medíocre “A bela e a fera” está tudo bem. Figurino? Desde que não ganhe o medíocre... enfim, vocês sabem. Tudo porque é inaceitável que “A bela e a fera” ganhe o direito de ter um futuro cartaz escrito “vencedor de xx Oscar”.
16- “Mystery of love”, de Sufjan Stevens, do filme “Me chame pelo seu nome”, é tão absurdamente linda que todas as outras canções deviam se retirar da disputa. Principalmente “Remember me” (“Viva - a vida é uma festa”), que nem devia estar lá. Já a trilha sonora eu vou me abster porque nenhum dos indicados me pareceu verdadeiramente marcante.
17- Animação? “Com amor, Van Gogh”, que tem o meu voto, e “The Breadwinner” são tão superiores aos demais que eu não consigo imaginar outro vencendo. Pior que pode realmente acontecer. Afinal, “Viva” ganhou o Globo de Ouro. Aí como eu vou levar animação a sério?
18- Edição? “Em ritmo de fuga”, por favor. Edição de som e mixagem de som? “Dunkirk”, por favor. Fotografia? “Blade Runner 2049”. Efeitos visuais? “Blade Runner 2049”. Maquiagem e cabelo? Não acredito que essa categoria ainda existe.
19- Queria muito que a cerimônia hoje durasse duas horas. Dá para fazer. Basta ter vontade política.
20- Mas espero que pelo menos dessa vez acertem todos os envelopes da premiação.
Mais um ano de maratona do Oscar. Mais um ano fazendo um grande esforço de reportagem e, quando necessário, mergulhando na INTERNET PROFUNDA para tentar completar o álbum de figurinhas. Mas desta vez, tal qual o álbum da Copa de 90, quando me ficou faltando uma figurinha dupla dos Emirados Árabes Unidos, não pude manter o 100% de aproveitamento. Fiquei devendo o libanês “O insulto”.
“O insulto” preferiu se esconder para não ser cornetado, mas todos os outros 38 filmes deram a cara a tapa. Agora, o que resta à Corneta é divulgar o SUPER RANKING anual dos filmes que concorrem a alguma coisa no careca dourado-2018.
E neste ano viemos com uma novidade. Pela primeira vez trabalhamos com animações, tendência que manter-se-á nas próximas edições do ranking Corneta. Mas continuamos não trabalhando com documentários.
Sem mais delongas, vamos ao ranking final:
1°- “Dunkirk” - nota 9,5
2°- “Blade Runner 2049” - 9
3°- “Logan” - 8,5
4°- “Três anúncios para um crime” - 8
(Os filmes acima estão classificados para a Libertadores)
5°- “Com amor, Van Gogh” - 8
6°- “Trama Fantasma” - 8
7°- “Eu, Tonya” - 8
8°- “Mudbound - Lágrimas sobre o Mississipi” - 8
9°- “The Breadwinner” - 8
10°- “A forma da água” - 7,5
11°- “Me Chame pelo seu nome” - 7,5
12°- “A grande jogada” - 7,5
(Os filmes acima estão classificados para a Copa Sul-Americana)
13°- “Sem amor” - 7,5
14°- “Corra!” - 7,5
15°- “Lady Bird” - 7
16°- “Em ritmo de fuga” - 7
17°- “Marshall” - 7
18°- “Corpo e alma” - 7
19°- “O destino de uma nação” - 7
20°- Guardiões da galáxia vol. 2” - 7
21°- “Uma mulher fantástica” - 6,5
22°- “Roman J. Israel, Esq.” - 6,5
23°- “Star Wars: os últimos Jedi” - 6,5
24°- “O rei do show” - 6,5
25°- “Doentes de amor” - 6,5
26°- “Planeta dos macacos: a guerra” - 6,5
27°- “Victoria e Abdul” - 6,5
28°- “O artista do desastre” - 6,5
29°- “The Square - a arte da discórdia” - 6
30°- “The Post” - 6
31°- “Todo o dinheiro do mundo” - 5,5
32°- “O poderoso chefinho” - 5
33°- “Kong: a ilha da caveira” - 5
34°- “Extraordinário” - 5
(Os filmes abaixo foram rebaixados para a segunda divisão)
Estar diante de “Eu, Tonya” é fazer a pergunta inevitável: patinação
artística é esporte, educação física ou balé com patins? O filme de Craig
Gillespie só ajuda aos que defendem a tese de que não é esporte. Afinal, por
mais incrível que Tonya Harding (Margot Robbie, que está muito bem no filme)
pudesse ser, a primeira parte do filme mostra que ela era sempre julgado pela
sua aparência, digamos, menos clássica, e suas escolhas musicais pouco ortodoxas
nas performances (meu Deus, o que esses caras tinham contra ZZ Top?). Ou seja,
na patinação, não basta ser a melhor no que faz porque tem sempre um jurado de
ALEGORIAS E ADEREÇOS para baixar a sua nota.
Pior, se toda a
versão do diretor for correta - a reprodução dos momentos de competição, pelo
menos, é impecável -, Tonya ainda era julgada pelo seu comportamento explosivo
fora do ringue porque todos queriam um exemplo da família americana nas
Olimpíadas de Inverno. Ou seja, além do jurado de alegorias e adereços, ainda
há o jurado da MORAL E DOS BONS COSTUMES. E vocês ainda querem que eu considere
patinação esporte. É bonito, mas onde está a avaliação técnica das
performances? Onde está o nível Corneta de qualidade?
Mas “Eu, Tonya” não
é apenas um filme, e, aliás, um dos melhores deste Oscar, sobre verdades acerca
da patinação. É também sobre uma das maiores tretas dos esportes de inverno. É
ainda mais um filme sobre como o esporte é tão belo quanto sujo e também sobre
como escolher muito mal as suas amizades.
Falemos sobre o
caso. Tonya Harding era uma atleta talentosa que foi a primeira americana a
executar um triple axel numa competição. O triple axel é uma pirueta em que
você dá três giros e meio no corpo no ar e aterrissa lindamente como princesa
da Disney no gelo. É uma manobra muito difícil e raramente executado neste
“esporte”. Tonya fez isso e ganhou notoriedade. Mas seu talento nunca foi o
suficiente.
Vinda de uma
família pobre com uma mãe que a agredia constantemente (vivida maravilhosamente
bem por Allison Janney), Tonya tinha que se virar nos 30 para vencer na
patinação. Isso incluía costurar as próprias roupas. Roupas estas que não
agradavam aos jurados fancy.
No fim da
adolescência, ela foi viver com o marido Jeff (Sebastian Stan), o que significou
apenas uma nova mão para lhe bater. Esse casamento foi o maior erro da vida
dela e custou a sua carreira.
Isso porque, após o
quarto lugar nas Olimpíadas de Inverno de Albertville, na França, em 1992,
Tonya ganhou a sua segunda chance graças à decisão do COI de mudar a data das
Olimpíadas de Inverno para não coincidir com os Jogos de Verão. Ou seja, a
próxima edição seria em 1994, em Lillehammer, na Noruega.
Tonya treinou feito
um Rocky Balboa para entrar no time olímpico americano. Mas o seu marido e o
seu guarda-costas Shawn (Paul Walter Hauser) acharam que podiam dar uma
forcinha. Então, contrataram um cara para acabar com o joelho da grande rival
de Tonya, Nancy Kerrigan (Caitlin Carver), a queridinha e princesinha dos
americanos.
Por causa disso,
Tonya quase perdeu a vaga na equipe americana. Aliás, o filme dá a entender que
a atleta só foi mantida porque a CBS, que tinha os direitos de transmissão dos
Jogos, estava de olho na alta audiência que obteria com a rivalidade
Tonya-Nancy no ringue. Ah, o esporte. Por que eu não fico surpreso?
Tonya sempre negou
que soubesse dos planos do guarda-costas toupeira (meu deus, ele realmente é um
idiota que vive no mundo da lua) e do marido, mas no fim foi quem pagou o preço
mais alto. Divino e terrestre. Afinal, ter problema no equipamento no momento
da sua apresentação olímpica é coisa quase impossível e só causada pelos deuses
do esporte. E na Terra porque foi quem pagou o preço mais alto ao ser banida da
patinação.
No fim, ficou a
sensação de que se fosse menos cabeça quente e tivesse uma família mais
estruturada, Tonya Harding poderia ter ido bem mais longe na esporte. Suas
glórias se resumem ao triple axel e uma prata no mundial de Munique, em 1991. E
sua biografia acabou sendo manchada eternamente por esse episódio.
Nancy, por sua vez,
conquistou duas medalhas olímpicas (uma prata justamente em Lillihammer após o
ataque ao seu joelho), tem uma família fofa com dois filhos ginastas e diz que
nunca recebeu um pedido de desculpas de Tonya. Ela diz que não viu o filme e
não pretende ver. E afirma que a vítima disso tudo foi ela. Hoje, a
ex-patinadora participa da “Dança dos Famosos” nos EUA.
Nancy tem suas
razões. “Eu, Tonya”, de certa forma, pinta Tonya Harding como uma vítima. Do
sistema, da mãe e do marido abusivos, da Justiça e do Comitê Olímpico. Por mais
que também a mostre como uma figura irascível. Porém, não deixa de ser um belo
filme feito com jeitão de documentário com seus depoimentos fakes dos
personagens. Tudo para contar uma história para lá de surreal. Ainda não
consigo acreditar no quão idiota era aquele guarda-costas.
Cotação da Corneta:
nota 8.
Indicações ao careca dourado: melhor atriz (Margot Robbie), atriz
coadjuvante (Allison Janney) e edição.