sábado, 23 de setembro de 2017

Crítica do show do Aerosmith

Aerosmith/Divulgação
Crítica originalmente publicada no site Rock On Board - http://www.rockonboard.com.br/2017/09/rock-in-rio-2017-mesmo-sem-ser.html

Tem que ser muito cri-cri para reclamar do Aerosmith. Mas de uma banda que construiu seus 47 anos de estrada com shows quase sempre de um nível impecável não se espera menos do que a excelência. E o espetáculo que encerrou a noite do dia 21 do Rock in Rio esteve justamente abaixo desta excelência. Abaixo do que o Rio de Janeiro viu em outubro de 2013, quando o Aerosmith fez um show arrebatador na Praça da Apoteose. 

Não que isso atrapalhasse os milhares de fãs que foram até a Cidade do Rock. A maioria esmagadora deles do Aerosmith. Eles foram para ver Steven Tyler fazer suas costumeiras e adoráveis presepadas. Os rebolados no palco, o característico microfone cheio de lenços sendo balançado de um lado para o outro, o jeito lânguido do vocalista se mexer e os olhares fixos na câmera que enchia o seu rosto no telão. Tudo ali estava presente. Só a conhecida voz de Tyler pareceu não bater ponto na Cidade do Rock. O vocalista pareceu falhar algumas vezes e sofreu nas canções que exigiam mais dele, aquelas com as notas mais altas quando ele costuma se soltar mais. Basta rever "Love in an Elevator", "Cryin" e "Falling in Love", só para ficar em três exemplos do set list, para ver que havia algo de diferente. Será que quatro anos fizeram tanta diferença? O peso dos 69 anos, muitos deles vivendo no limite, como diz um dos seus sucessos, "Livin' on the Edge", chegou? 

O hard rock do Aerosmith é calcado nas levadas de guitarra características de Joe Perry e na voz de Tyler. Quando os outrora gêmeos tóxicos, como a dupla era chamada nos anos 70, quando abusavam de todas as substâncias possíveis, funciona, o Aerosmith é monstruoso. Quando alguma coisa falha, a banda de Boston não apresenta a tal excelência. De qualquer forma, Tyler compensou as eventuais falhas na voz com o costumeiro protagonismo no palco, interagindo com o público e se entregando de corpo e alma ao espetáculo. 


Mas veja bem, o show do Aerosmith esteve longe de ser ruim. Só não foi perfeito. Embora arrisque-me a dizer que para muitos presentes foi inesquecível. Pelo menos para aqueles que cantaram "I Don't Wanna Miss a Thing", a trilha sonora chiclete do filme "Armageddon" (1998), como se não houvesse amanhã. E Tyler não se fez de rogado em deixar o público ter o seu karaokê vip no maior momento Feira de São Cristóvão vivido pela Cidade do Rock nesta quinta-feira. 

Além desta canção, "Cryin" e "Crazy", a dupla de músicas do álbum 'Get a Grip', de 1993, que gerou os famosos videoclipes com Alicia Silverstone, foram os outros pontos altos da noite, a julgar pela reação do público. 

No total, o set list teve 16 canções. Perpassou todos os pontos altos da longeva carreira da banda que quase sempre permaneceu junta como na formação que surgiu em 71 com o baixista Tom Hamilton, o baterista Joey Kramer e o guitarrista Brad Whitford. Foi do primeiro grande sucesso, a excelente "Dream on", uma grande canção da história do rock, passou por "Walk This Way", outro clássico que também representou um resgate da banda do ostracismo quando eles a regravaram com o Run-DMC em 1986, e foi até o "Falling in love", do álbum 'Nine Lives' (1997), o último grande disco do Aerosmith. 

Foi um set list e um show que justificou a escalação do Aerosmith como headliner do Rock in Rio. Mas se a "Aerovederci Tour" for mesmo a última da banda, como chegou a ser divulgado pelos seus integrantes, que agora desconversam sobre o tema, prefiro deixar como última impressão o épico espetáculo de 2013. Aquele foi o Aerosmith numa excelente forma, mesmo que na época estivessem desfalcados do baixista Tom Hamilton.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Rock in Hell - primeiro dia

O show do Aerosmith/Marcelo Alves
Vocês acharem que a Corneta não vinha, mas lá estava ela em sua primeira incursão no Rock in Hell 2017. E o que é que podemos dizer do que vimos?
Tyler Bryant & The Shakedown - Esse amálgama de Steven Tyler com Kobe Bryant é a típica banda de rock com quatro caras cabeludos. Poderiam até fazer merchan do shampoo MONANGE. Eles são de Nashville, Tennessee. Então, por isso, de vez em quando, eles se sentem na obrigação de fazer um blues rock que os conecta com a cidade natal. São reis da onomatopeia. Em uma hora, pelo menos três músicas tinham um ô ô ô ô ô ôoooo. No fim, foi um aquecimento aceitável para o que viria nas horas vindouras. Mas não empolgou muito o povo.
The Kills - Me matou de tédio. Esse canto quase sussurrado, essa batida de trilha sonora de filme que se passa nas estepes do Canadá, esse jeitão indie de quem não tira todo o potencial das guitarras.... quase dormi. Quase pedi um "Volta Tyler Bryant".
Scalene - Eu não conhecia uma canção do Scalene até à noite desta quinta-feira (eu não vejo reality shows). Mas, movido pelos fogos de réveillon, fui de coração aberto assistir ao grupo que abriu os trabalhos no palco mundo. Bom, foi melhor que o The Kills, mas vou dar ao grupo o prêmio Kiara Rocks de escalação precipitada no Palco Mundo.
Alice Cooper convida Arthur Brown - Melhor show do dia! Estava tudo meio brochante, até o Alice Cooper chegar e injetar Viagra no Rock in Rio. Teve clássicos, teve participação de Joe Perry, teve guilhotina, teve boneco Frankenstein, teve presepada, teve o Arthur Brown com a cabeça em chamas e teve um solo da guitarrista dele que foi melhor que todo o show do The Kills. Só não precisava ter solo de bateria. Estamos em 2017 e ainda usam solo de bateria para o vocalista velhinho ir pegar um balão de oxigênio.
Fall out Boy - Um sub-Matchbox 20 com dois tons acima na guitarra, um Maroon 5 emo, ou como bem definiu um amigo meu, tipo Detonautas.
Def Leppard - Um show surpreendentemente divertido. Sabe aquela farofa sem compromisso que você respeita? A banda entrou no palco com o guitarrista sem camisa para mostrar que está em forma. E foi alternando o set list entre canções com cara de trilha sonora de novela da Globo dos anos 80 e 90 e músicas com cara de filmes de jovens garotos dos anos 80 e 90. Ainda mandou alguns hard rocks românticos. Se o Def Leppard fosse brasileiro claramente seria uma versão mais pesada do Roupa Nova.
Aerosmith - Steven Tyler, meu amigo, o que houve com a sua voz? Estava falhando mais que carro a álcool em dia frio. Esqueceu de fazer aquele gargarejo com limão? Ainda bem que não falta carisma para Tyler e a banda. E clássicos e hits. Muitos para compensar um show que até foi legal. Só não foi perfeito como esperávamos. Agora, precisava ter "I don't wanna miss a thing"? Nunca entenderei o hype dessa canção, espécie de "Anna Júlia" do Aerosmith. Chata demais.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

E o filme d Lava-Jato, hein?

Que nome a gente dá para essa operação?
Fui ver o filme da "Lava Jato". Que experiência diletante, amigos. E o que eu posso dizer de "Polícia Federal - a lei é para todos" (mas a sombra da barraca é minha)?
1- Para começo de conversa, uma dica. Fiquem até o fim. Eu sei que isso pode ser desafiador, torturante até. Mas fiquem até o fim, pois "Polícia Federal" é tipo um filme da Marvel. Tem cena extra e a promessa de que os policiais voltarão no futuro igual ao Capitão América.
2- Inclusive, as cenas do Antônio Calloni recrutando pelo país a sua equipe de agentes incorruptíveis para defender o Brasil se assemelha muito ao Batman arregimento seus amiguinhos para formar a Liga da Justiça.
3- O filme é um pouco frustrante, pois desmistifica como é a gestação dos nomes maneiros das operações da PF. Eu sempre achei que tinha uma equipe especializada em piadas e trocadilhos por trás daquilo tudo. Mas é quase tudo na informalidade. Só faltou o chopinho.
4- A gente sabe que a Lava Jato já tem mais rodadas que o Campeonato Brasileiro. O filme não podia contar tudo. Mas como eu já disse, tem a promessa de continuação. Sendo assim, o filme acaba no episódio da condução coercitiva do Lula (esse dia foi louco!).
5- Por falar em Lula, pobre Ary Fontoura. Ainda bem que o Framboesa de Ouro não premia estrangeiros. Sua versão do ex-presidente é sofrível. Era melhor ter chamado o Rui Ricardo Diaz para reviver o Lula nestes momentos complicados da vida, entre pedalinhos e triplex.
6- "Eles pensam que a gente é otário" é meio que o bordão da polícia no filme. Ficou meio com cara de um recado no roteiro do Brasil para os políticos.
7- De fato, o discurso ideológico é um problema sério em "Polícia Federal". Independentemente de você ser coxinha ou mortadela, soa muito fake aquelas pausas, aquele olhar para a câmera, e os discursos no gênero "precisamos mudar o Brasil", "estamos mudando um pouquinho do Brasil", "estamos agindo para melhorar o Brasil", "vem com a gente", "invente, tente, faça um Brasil diferente". Se o roteiro tivesse permanecido apenas nos fatos, seria mais enxuto e mais interessante. E daria menos margem para interpretações políticas. Para não falar na construção bastante maniqueísta da história.
8- Eu não lembrava que o Alberto Yousseff era tão fanfarrão.
9- O filme diz que a Lava Jato começou com a interceptação de um caminhão cheio de palmito e cocaína (duas drogas pesadas, principalmente o palmito) em Araraquara. Só porque o caminhoneiro não tinha a expertise dia filmes americanos. Pois rola um bloqueio na estrada que se fosse em Hollywood o caminhão passaria por cima e continuaria seguindo caminho, deixando os policiais para trás com seus carros destruídos.
10- O filme não é muito favorável ao Lula. Mas o Sérgio Moro também tem do que reclamar. Ele está mais apagado e desnecessário que vela usada. Nem acho que seja culpa do Marcelo Serrado, mas o filme claramente coloca o protagonismo na polícia. Será que isso gerou ciúmes na República de Coritiba?
11- E o japonês da federal, hein? Resumiu-se a uma ponta discreta e cômica.
12- Tem uma jornalista no filme que é muito vergonha alheia. Fica lá berrando que a polícia está perseguindo o PT, que é uma injustiça com o presidente Lula, blá-blá-blá, ao invés de fazer perguntas consistentes. Mais uma obra cinematográfica em que jornalistas são detratados como zé ruelas ou garotos de recados. Não que muitos não sejam, mas só pode ser vingança contra os críticos.
13- "Polícia Federal" é ainda um manifesto contra a caneta. Da Mont Blanc a Bic, a culpa de todos os males do Brasil é a caneta. Será que melhora se a gente voltar aos tempos do sinal de fumaça?
14- Vocês não vão acreditar nisso, mas os cinco primeiros minutos do filme são bem bons. Tem ação, suspense, tensão, carros andando em alta velocidade pelas ruas de São Luiz. Se tivesse mais orçamento era quase um filme do Jason Statham.
15- O problema é que depois vem um monólogo sobre como a corrupção chegou no Brasil com os portugueses e atravessou séculos e séculos de impunidade zzzzzzzzzzzzz. Aí o narrador Calloni vai enumerando os diferentes casos de corrupção e CPIs do Brasil (foi muita pizza, galera). O que é uma estratégia que me pareceu um apelo escrito em luz de neon de motel: "Este filme é apartidário. Estamos apenas relatando a maior operação anti-corrupção do Brasil".
16- Além do roteiro ruim, "Polícia Federal - a lei é para todos" tem o problema de não se decidir sobre o que quer da vida. Se era para ser um filme de ação como talvez tentasse enfatizar com aquela trilha sonora feito um batidão que parece uma bateria do Sepultura, falta ação. Até porque as fases da Lava Jato foram muito desprovidas de emoção. É só a PF batendo na sua porta às 6h da manhã e te levando para a cadeia depois de ouvir o famoso "Teje preso". Não tem perseguição, tiro, morte, cenas de kung fu... Se era para ser um filme do gênero investigação-siga o dinheiro, poderia ter trabalhado melhor isso e criado uma tensão maior na investigação da roubalheira, mas tudo se resumiu a três esquetes do tio-professor explicando no quadro negro para os alunos como funcionava todo o esquema de corrupção.
17- De um modo geral, no entanto, faltou ao filme aquele distanciamento histórico que ajuda a avaliar melhor os acontecimentos de um fato e a escolher melhor seus protagonistas e antagonistas. Um distanciamento que ajudaria também a fazer com que o filme não tivesse somente a leitura política. Ou que ajudasse a evitar que a leitura política suplantasse em importância a leitura estética. Resumindo, podiam ter esperado uns 20 anos para fazer esse filme.
18- E num ano com tantos filmes brasileiros bons, como "Polícia Federal" entrou no grupo que vai concorrer à vaga do Brasil no Oscar? Está faltando critério nestas pré-seleções, hein.
19- O filme pode não ser grande coisa, mas pelo menos gerou a ação de marketing em shoppings como a que você vê numa das fotos deste post para que cada um de nós possamos ter o nosso momento Geddel. Vai dizer que você nunca sonhou em tirar fotos com várias malas de dinheiro?
20- Cotação da Corneta: nota 3,5.
PS: Já estou ansioso para ver "Polícia Federal 2 - O inimigo agora é outro".

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Harry Potter

Harry Potter e seus amigos
Há quase dois anos, duas amigas impuseram-me um desafio. Ler todos os livros e ver todos os filmes de Harry Potter. Finalmente, eu li e vi tudo. E agora é chegado o momento do malemolente, enorme e ICONOCLASTA balanço final.
Para começo de conversa, uma pergunta: como vocês ficaram fãs de um livro que incentiva a evasão escolar (pelo menos seis personagens abandonam a escola sem concluir o ensino médio), a falta de estudo (em sete anos, Harry nunca leu "História da Magia", um livro básico) e o alcoolismo entre jovens, pois desde a infância eles bebem cerveja amanteigada, que os livros dão claros sinais de que é alcoólica, e uísque de fogo? Para não falar na obsessão pelo suco de abóbora, um troço que é impossível de ser gostoso.
Em resposta ao famoso crítico literário Harold Bloom, que disse que Harry Potter era muito mal escrito, eu tenho a dizer que ele estava parcialmente certo (ou parcialmente errado, depende de como você vê o copo). Afinal, J.K. Rowling segue aquela receita de bolo de fubá da vovó do interior de Minas em quase todos os livros. Para piorar, ela perde tempo com bobagens, desvia o foco da história em momentos importantes e realmente tem passagens do livro muito mal escritas (ou talvez mal traduzidas, mas aposto na primeira opção). O maior exemplo disso está em "Harry Potter e as Relíquias da Morte", cuja história em si é boa, mas muitas vezes mal executada em um livro cheio de passagens inúteis e desnecessárias. Talvez por isso o filme seja muito, mas MUITO melhor. Pois ele corta todos estes momentos pífios.
De um modo geral, a saga melhora quando Rowling resolve acrescentar novos ingredientes nas receitas do "Cálice de Fogo" e da "Ordem de Fênix". Sua escrita começa a atingir um fiapo de maturidade e até uma "certa inventividade" no "Enigma do Príncipe". O problema é que este livro perde muitos pontos porque boa parte dele parece um grande episódio de "Barrados no Baile". De bom mesmo, só quando ele resolve contar o passado de Voldemort e o seu final. Um final até certo ponto previsível, mas que não deixa de ser interessante.
Em geral, "A ordem de Fênix", "O enigma do príncipe" e "As relíquias da morte" sofrem do mesmo mal: excesso de gordura. Dava para contar umas 250 páginas de um, umas 200 de outro e umas 150 do último livro. J.K. Rowling gasta muita tinta com chorumelas ao invés de desenvolver melhor suas histórias. Um mal que ela conserva até no roteiro de "Animais fantásticos e onde habitam", diga-se de passagem. Se ela não tinha o que dizer, devia ter feito um livro mais enxuto como "O prisioneiro de Azkaban".
Diante dos acontecimentos do final do "Enigma do príncipe", o mínimo que eu esperava em "As relíquias da morte" era um roteiro do Tarantino, quase um "Bastardos Inglórios" teen. E realmente temos várias mortes no último livro. Mas o duelo final entre Harry e Voldemort é tão bunda mole que o livro revela-se um tantinho decepcionante. E mais uma vez o filme mostra-se muito superior neste momento do duelo final.
Precisamos também falar da absoluta falta de criatividade de J.K. Rowling nas "Relíquias da morte". Em três momentos do livro ela usa o MESMO artifício de colocar os personagens bebendo poção polissuco para entrar num lugar. É uma indelével pobreza de ideias que prejudica um livro que tinha tudo para ser muito bom, pois tinha uma história interessante, objetivos definidos, um vilão em vantagem e um herói um busca da afirmação, ao mesmo tempo em que reavalia a vida e o seu passado e é obrigado a fazer escolhas. Mas Rowling estraga tudo com questões menores, muito nariz de cera, pouco ritmo e um sem número de situações inúteis e diálogos pueris.
Outro problema na história como um todo é que Harry é um personagem medíocre. Um mala extremamente carente, cheio de mimimi e que não amadurece quase nada em sete anos. Ao invés de celebrar o fato de ter o maior bruxo do seu universo como mentor e protetor, e, ao invés de pensar em como esses momentos foram incríveis, ele só consegue reclamar que Dumbledore não compartilhou a vida com ele, que a vida é injusta, o mundo é um 7 a 1 desde que nasci, blá-blá-blá. Porra, ele queria um professor ou uma esposa?
Se o Harry é medíocre, o Rony, seu melhor amigo, é um dos piores personagens da história da literatura mundial. Rony é burro, tapado, limitado, só tem péssimas ideias, não evolui, erra constantemente, não amadurece e não é útil em praticamente nada relevante na história. Seus feitos são, em geral, periféricos e esquecíveis. O auge da sua bundamolice acontece no sétimo livro, quando o VOLDEMORT'S REICH está estabelecido, todas as instituições estão ocupadas, os jornais estão alinhados com o governo golpista, sobreviver é preciso e o mané só quer saber de comida. Coitada da Hermione, que teve que aturar esses dois por anos. Haja terapia para resolver isso.
Melhores personagens:
1- Snape - o que tinha o melhor arco dramático, o de histórias mais interessantes, o mais ambíguo e profundo. Não é a toa que no cinema teve que ser vivido por um ator do calibre do Alan Rickman. Urge um spin-off do Snape!
2- Hermione - Ela é tipo o Ptolomeu da "Escolinha do professor Raimundo", aquele que o Chico Anysio sempre falava: "Queria ter um filho assim". Mas lhe falta um pouco de malemolência para não ficar apenas presa ao que dizem os livros. Eu lamento apenas que no sexto livro ela tenha virado uma babona pelo Rony, o que não combina com a sua personalidade forte, decidida e independente. Principalmente, porque era pelo Rony, um desperdício de ser humano.
3- Luna - Se tem alguém de quem eu queria muito ser amigo é a Luna. O seu jeito emaconhado e diferenciado de ver a vida me conquistou. Merecia mais espaço.
4- Gina - No início, eu detestava a irmãzinha Weasley, mas conforme ela foi crescendo e aparecendo, ganhou a minha simpatia.
5- Neville - Sempre nutri alguma simpatia por esse nerd esquisito e aparentemente o único que gostava de estudar herbologia. É um bom coadjuvante e que ganha um protagonismo no último livro.
O racismo élfico - pega muito mal nos filmes a exclusão do Dobby, cujos feitos caem no colo do Neville nos filmes 4 e 5. Mas ao menos o elfo mala brilha no último filme.
Maior erro de J.K. Rowling - não ter juntado o verdadeiro e único casal possível: Hermione Granger e Harry Potter. E não venham de mimimi porque a própria escritora já admitiu que isso foi um erro.
Prêmio cisne dourado - Gina era uma mala sem alça quando surgiu, mas como o passar do tempo ela evoluiu, amadureceu e ninguém pegou mais gente na escola que ela. Passou o rodo em geral enquanto Harry ainda era BV. E mesmo depois que Harry deu o primeiro beijo (que no cinema gerou uma das piores cenas de beijo da história), Gina continuou sem tomar conhecimento das rivais. Ela realmente é a metáfora do patinho feio que virou cisne.
Ranking dos livros:
1- Harry Potter e o Cálice de Fogo
2- Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban
3- Harry Potter e as relíquias da morte 
4- Harry Potter e o enigma do príncipe
5- Harry Potter e a ordem de Fênix
6- Harry Potter e a câmara secreta 
7- Harry Potter e a pedra filosofal

Ranking dos filmes:
1- Harry Potter e as relíquias da morte - o diretor David Yates e o roteirista Steve Kloves conseguiram uma façanha: tirar toda a mediocridade do livro e o transformar num filme até bom. Não tem o mimimi do Harry, são cortadas todas as partes insignificantes, é retirada a trama desnecessária do Dumbledore e as cenas de ação são melhores - nota 7.
2- Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban - O Alfonso Cuarón devia ter feito todos os filmes. Ele tirou toda a gordura do livro e focou no essencial. E algumas passagens ficaram melhor no filme do que no livro - nota 7
3- Harry Potter e a ordem de Fênix - Um filme que dá algumas soluções interessantes para o calhamaço escrito por Rowling na primeira metade, mas a coisa desanda um pouco na segunda metade e o David Yates toma algumas decisões que eu considerei equivocadas. - nota 5,5.
4- Harry Potter e o enigma do príncipe - Corta muito bem boa parte dos momentos "Malhação" e dá uma boa opção pela sua pegada sombria, que condiz com o momento da história, mas falha dramaticamente em incluir cenas que não existem no livro, optar por saídas ruins para algumas tramas e por ter um final picolé de chuchu, omitindo toda a cena de combate - nota 4,5.
5- Harry Potter e a câmara secreta - Acelerado, superficial, não explora os bons momentos do livro e as cenas capitais ainda são ruins - nota 4.
6- Harry Potter e a pedra filosofal - Um filme com problemas de edição e ritmo que consegue ser inferior a um livro que nem é grande coisa - nota 3,5.
(Abismo enorme)
(Grand Canyon)
7- Harry Potter e o cálice de fogo - É uma das piores coisas já feitas na história do cinema mundial. Só comparável a "Titanic" e "Tropas Estelares" - nota 1.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Game of Thrones, capítulo 7

Rei da Night com seu dragãozinho
Vocês deram "Game of Thrones" como morta por um episódio ruim. E aí o que a série faz? Encerra a sétima temporada com um belo episódio e aquela sensação de "Eu não acredito que terei que esperar até 2019 para ver como essa saga acabar!".
Mas.... BEWARE! THE CORNETA IS DARK AND FULL OF SPOILERS!
1- Que tensa essa reunião do G-20 em King's Landing! Não víamos algo com tamanho potencial de dar merda desde a Crise dos Mísseis durante a Guerra Fria.

2- E quase deu mesmo, pois foi a pior hora para Jon Snow decidir se ajoelhar para Daenerys Targaryen. Mas, diante da recompensa que ele recebeu depois, deve ter valido a pena.
3- Se alguém ainda tinha dúvida de que Jon Snow é o escolhido, acho que agora não tem mais. Só lhe falta caminhar sobre o mar e transformar a água em vinho.
4- Daenerys: "Eu não posso ter filhos".
 Jon: "Tem certeza? Posso tentar?"
Daenerys: "Vou dar um jeito da gente pegar o mesmo barco".
5- Quantos milhões de Imaculados existem no mundo? Parece que o "exército dos sem pinto" não diminui nunca. Assim como o dos Dothraki.
6- Daenerys exibida. Chegou na reunião do G-20 atrasada e montada no dragão. Ainda mandou um "Desculpe o atraso. O trânsito estava ruim".
7- Cersei sentiu a pressão quando viu o zumbi. Mas foi por... dois segundos. Imediatamente depois, ela estava calculando como tirar vantagem disso tudo passando a perna em todo mundo. Que mulher maravilhosamente má. Vai deixar as "aberrações" se matarem e conquistar o que sobrou. Pelo menos essa é a ideia.
8- Inclusive, ela me enganou quando eu já estava pensando que todo Greyjoy é pipoqueiro.
9- Passei a temporada toda chamando Sansa de otária e achando que o Mindinho estava fazendo a caveira das irmãs. Otário fui eu. Mas continuo não confiando em Sansa. Já Arya "Kill'Em All" Mil Faces Stark é sempre maravilhosa.
10- Aliás, que fim patético, Lorde Baelish. Terminou se ajoelhando, chorando e implorando para viver.
11- É ótimo ter um corvo de três olhos numa conversa. Se você não lembra de algo, ele diz. Se você não viu algo, ele viaja no tempo e confirma uma história. É melhor que o Google. Mas o sucesso está subindo a cabeça de Brann Stark. Foi meio arrogante ele mandar um "Eu me lembro de tudo" para o Samwell Tarly.
12- Westeros inteira sabe que Theon é desprovido de saco (e que é um pé no saco). Menos o único carinha que lutou com ele.
13- Por um momento eu pensei que Jaime ia receber o beijo da morte da Montanha. O que fez Cersei amarelar duas vezes com os irmãos e não ordenar as suas mortes? Será que a família ainda é importante, apesar de tudo?
14- E Jaime? Abandonou Cersei?
15- A temporada acabou e ficamos sem saber que fim levou Ellaria Sand. Morreu nas masmorras? Está apodrecendo como prisioneira? Dorne ainda terá sua chance de brilhar nesta guerra?
16- Por onde anda Fantasma, o lobo de Jon Snow? Até Nymeria apareceu para dar um oi, mas ninguém viu o Fantasma.
17- R.I.P. Muralha. Você serviu bem, mas é impossível resistir ao Rei da Night e seu dragão cuspidor de fogo azul ao ritmo de "Ice, Ice, Baby".
18- Aliás, todo aquele jato azul daria uma bela propaganda de alguma pasta de dente. "Colgate Dragon Fresh. Protege contra cáries e deixa seus dentes mais refrescantes".
19- Só nos resta esperar para obtermos as respostas para as perguntas que ficaram nesta temporada. Que os deuses antigos e novos nos confortem nesta longa jornada até a oitava e derradeira temporada.
PS: Termina logo esse livro, Martin!

domingo, 27 de agosto de 2017

Um acerto chamado Defensores

Essa turminha é da pesada
Estou emocionado. "Defensores" é uma série muito legal e muito bem feita. Tanto que eu vi tudo em dois dias (o que é muito raro e quase impossível eu fazer). Mais um acerto da Marvel após as bolas fora do Punho de Ferro e do filme do Homem-Aranha. 

E a partir daqui, CUIDADO! Surgirão mais spoilers do que ninjas do Tentáculo nas linhas abaixo. 

A maior dificuldade de reunir os quatro heróis numa série era fazer as histórias deles terem uma interseção. E nisso "Defensores" foi brilhante. Conseguiram construir uma narrativa em que não apenas a série avançava nas histórias pessoais de cada um, como também chegaria a um ponto de confluência que forçaria o quarteto a se reunir em nome de um bem comum: salvar Nova York de mais um bandido querendo destruí-la. 

2- Por isso que, embora não seja fundamental, vale ver os "Defensores" depois de ver as temporadas solo de Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Torna tudo mais interessante. Eu sei que é um desafio ver o Punho de Ferro, mas se esforça, vai. 

3- A secretaria de obras de Nova York deve ser o cargo mais difícil de exercer. Ao mesmo tempo deve ser o mais cobiçado, por ter a maior verba. Só o que essa cidade já teve que ser reconstruída nos últimos anos por conta de brigas entre vilões e heróis...

4- Como a Claire não enlouquece lidando com tanto super-herói problemático, cheio das carências e dúvidas? Até porque ninguém ali é bem resolvido e cheio das verdades feito um Superman. 

5- Foi bem legal também como criaram uma história por trás da história do Tentáculo. Uma origem ainda mais milenar da organização criminosa. Tudo para ficar como dantes. Ou seja, Madame Gao dominando a porra tudo. 

6- Aliás, Madame Gao é uma excelente vilã. Confunde todo mundo (até o espectador), joga para a galera e só está a serviço de si mesmo. Além disso, ela tem um hadouken mais poderoso do que os do Ryu do "Street Fighter". 

7- O Tentáculo tem atividades em São Paulo. Se eu fosse vocês, tomava cuidado. Até imagino em que lugares e postos ele atua. Mas vamos evitar processos. 

8- Punho de Ferro e Luke Cage funcionam muito melhor nos "Defensores" do que em suas séries solo. O que só reforça a minha tese do que talvez fosse um pouco demais uma série de cada um. Ou então, seria interessante uma temporada dos dois juntos. 

9- Jessica Jones também brilha mais junto com o quarteto, mas ao contrário dos dois coleguinhas anteriores, a série dela é legal. Então, merece uma nova temporada. 

10- Aliás, amo esse jeito debochado/blasé/What the fuck de Jessica questionando desde quando Nova York inteira começou a lutar karatê e dizendo para a Elektra: "Desde que você entrou no meu prédio, minha vida virou uma festa de kung fu". Ela claramente é uma homenagem ao senhor Myagi, que ridicularizava as poses dos caratecas-nutella em "Karatê Kid". 

11- Punho de Ferro, meu filho, soa muito patético você sair por aí dizendo: "Eu sou o Punho de Ferro, defensor de K'un Lun, único e legítimo herdeiro de não sei o que, e tenho um chi poderoso". Eu dava gargalhadas a cada vez que você parava diante da câmera para falar seriamente sobre esse yoga místico. 

12- Aliás, o poder do Punho de Ferro seria bem mais útil se não durasse menos que uma bateria do IPhone. 

13- R.I.P. Stick. Um dos meus personagens favoritos. Tomara que ressuscite. 

14- Precisamos falar sobre a classicofobia. Por que 80% dos vilões no cinema são amantes de música clássica? Muitos deles, inclusive, com cenas em que eles invariavelmente estão ouvindo músicas e admirando um Brahms, um Wagner, um Beethoven... Vocês ainda não tinham problematizado isso aqui no Facebook. 

15- Eu nunca estou correndo o nível de perigo que esses heróis correm (afinal, o Rio é muito selvagem, mas não tem o Tentáculo). Mas sempre deixo o meu celular no vibrador. Por que diabos estes personagens não fazem o mesmo se querem se esconder de algo?

16- Elektra/Black Sky, você não vale nada, mas eu gosto de você. Super entendo o Demolidor querendo te recuperar. Não se encontram mulheres como você em cada esquina. Lindas, inteligentes, ótimas usando espadas e adagas e assassinas de primeira linha. 

17- Porém, Demolidor, está na hora de largar de ser otário e parar de acreditar que todas as pessoas têm bondade no coração. Isso ainda vai te matar. 

18- De qualquer maneira, o Demolidor é sempre ótimo. Obrigado, Marvel, por recuperar o Demolidor, a Elektra e o Justiceiro, que ainda vem aí com mais uma série. Foram muitos filmes errados e ruins até surgir essa parceria mágica com a Netflix. 


19- Cotação da Corneta: nota 8. E que venha a segunda temporada.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Game of Thrones, capítulo 6

Ice, Ice, Baby
Que decepção esse episódio de "Game of Thrones". A gente esperando momentos inesquecíveis, mortes de causar aquela viuvez eterna nos nossos corações e uma narrativa épica. E o que recebemos? Uma overdose de Deus ex-machina, diálogos constrangedores de turminha de recreio na escola e uma narrativa romântica digna de um filme da Meg Ryan. O que está acontecendo? Ainda bem que sempre temos a Arya.
Mas ainda temos umas coisas a entender deste episódio 6. And.... BEWARE! THE CORNETA IS DARK AND FULL OF SPOILERS!
1- Desde o início, a ideia de ir numa missão suicida atrás de um zumbi "vivo" parecia ruim. O episódio só mostrou que ela foi péssima. Adeus, Thoros de Myr. Que o Lord of Light te receba bem em Valhalla.
2- Poderíamos resumir o lado bom desse episódio com uma palavra: Fudeu! Isso porque agora o Rei da Night tem um dragão para chamar de seu. E eu acredito que ele não vai cuspir floquinhos de neve.
3- Mas o que foram aqueles papinhos xexelentos na jornada para além da muralha? "Eu estou querendo pegar a fulana". "Ah, conheço ela. Mó gostosa". Você já comeu a cebola do Outback?", "Conheço um bar em Bravos que é excelente", "Adoro um friozinho. Sempre que posso vou para Penedo". "Pega na minha espada, fica com a espada. Não, fica você". Meu Deus, que comportamentos são esses?
4- "Game of Thrones" - "A morte é o inimigo. O primeiro e o último". 
"Harry Potter" - "O último inimigo que deve ser derrotado é a morte".
Hummm  🤔 🤔

5- Quer dizer então que o Cão de Caça não estava de zoeira? Ele se descobriu um Chico Xavier das chamas. Que ironia para quem tem medinho do fogo. Pena que isso não lhe trouxe nenhuma sabedoria.
6- Não foi só você, Tyrion. O Brasil e o mundo já perceberam que o clima está esquisito entre Jon e Daenerys. Ela só consegue pensar nele, ela já stalkeou ele nas redes sociais. E já comentou com as amigas. Esse papo de que ele "é baixo demais" nunca colou.
7- E menino Jon também só pensa naquilo. Ele não sentia o coração aquecer desse jeito desde Ygritte. Mas agora ele sabe das coisas e mostrou qual era o preço para ajoelhar. Me dá um dragão e salva a minha vida uma vez.
8- Mas daí a chamá-la de Dany é AÇÚCAR DEMAIS. Agora só falta Daenerys chamar o Jon de "meu Bubu". E esse negócio de choro e mãozinha dada? Blergh! Transformaram a guerra numa comédia romântica.
9- E o Mindinho, hein? Conseguiu o que queria. Semear a discórdia entre as irmãs. E ainda conseguiu afastar a Brienne de Tarth (embora eu ache que ela não vai embora). Tudo só sussurrando.
10- Mas eu gostei muito da Arya aterrorizando a Sansa, porque não confiamos um fio de cabelo em Sansa.
11- Rei da Night >>>>>>>>>> Bronn. Medalha de ouro para ele no lançamento de dardo, categoria "acertar dragões a distâncias superiores a cinco quilômetros".
12- Eu queria muito ter uma espada de fogo feito a do Beric Dondarrion. Ela seria muito útil não apenas para matar os inimigos, mas também para fazer uns espetinhos.
13- Ah, como eu queria que os Correios funcionassem com a eficiência dos corvos de Atalaialeste.
14- O santo do Jon é forte demais, amigos. Sempre surge alguém para salvá-lo, ele nunca tem hipotermia, ele é forte, é audacioso e ainda tem uma espada maneira. Não é por acaso que ele é o prometido, o personagem principal das profecias, o homem que vai resolver todos os problemas da nação, acabar com o desemprego, aquecer a economia e baixar o preço da gasolina.
15- Quem é o estilista de Daenerys? Ela está sempre elegante nas batalhas. Tem roupa para o verão, roupa de frio, roupa para todas as ocasiões.
16- O armistício prossegue e continua o placar: Team Daenerys 2 x 2 Team Cersei. 
Mas temos outro jogo rolando onde pintaram algumas bolinhas: Rei da Night 2 x 1 Rainha do Dia.

17- Esperamos que o último capítulo seja, no mínimo, muito bom, para compensar esse episódio decepcionante, óbvio e tomado pela falta de ousadia.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Game of Thrones, capítulo 5

Gosto tanto de você, dragãozinho...
As coisas estão esquentando (ou seria ESFRIANDO?) em "Game of Thrones". E tal qual o enredo de "Tropa de Elite 2", "o inimigo agora é outro". Enquanto ele não chega, o que aprendemos deste quinto episódio?
BEWARE! THE CORNETA IS DARK AND FULL OF SPOILERS!!
1- Foi um episódio educativo. Entendemos, por exemplo, porque os White Walkers não chegaram ainda na guerra. Eles estão indo a pé, em peregrinação, e no passinho do zumbi. O Rei da Night está demorando tanto que o Jon Snow cansou de esperar. Vai encontrá-lo no habitat dele no próximo episódio.
2- Daí precisamos refletir sobre os DESLOCAMENTOS nesta temporada. Supostamente, "Game of Thrones" se passa numa Idade Média idílica cheia de magia e dragões. Mas eu acho que é meio que um futuro distópico e todo mundo tem aquela máquina de teletransporte de "Star Trek". Só isso para justificar você sair da Irlanda para a Croácia tão rapidamente. Ou da Irlanda para a Islândia mais rápido que o jato do Tom Cruise em "Top Gun".
3- Daenerys. Eu tenho mixed feelings sobre ela. Claramente eu tenho uma quedinha pela mãe dos dragões, destruidora de correntes (e outros 17 títulos), mas toda vez que Dany bota para fora as manguinhas de ditadora do Coreia do Norte eu tenho medo. Para ela virar a rainha louca exigindo que até os gatos de Westeros se ajoelhem não custa.
4- Dito isso, tivemos mais um belo churrasco. Até a próxima vida, Randyll e Dickon Tarly.
5- Tenho pena de Sor Jorah Mormont. Queria ser amigo dele para dar um conselho: Cara, esquece essa mulher. Ela não está a fim de você, está só te usando para ajudar a fazer os trabalhos dela da faculdade. Você não vê que não rola? Parte para outra. Tem tanta mulher solteira nos sete reinos.
6- Jon Snow devia ser presidente do mundo. Primeiro, ele não se ajoelha para ninguém e não obedece à rainha nem se ela pedir para ele comprar pão. Segundo, tem que ser muito macho para fazer as alianças que ele fez nessa série. Se Jon Snow fosse candidato em 2018, a chapa dele teria políticos de PT, PSDB, DEM e PSOL (O PMDB, vocês sabem, é Cersei).
7- Jon também foi muito macho de fazer carinho no dragão. Ou pelo menos aparentou isso. Dentro das calças, porém, acho que se borrou todo. Eu me borrei só vendo pela TV.
8- Aliás, imagina como deve ser fedido um bafo de dragão.
9- BRODAGEM é a palavra do momento na série. Esse amor entre os irmãos Tyrion e Jaime Lannister é muito legal.
10- E essa união entre Gendry, o bastardo de Robert Baratheon, e Jon? Os dois agora já podem formar a banda The Bastard Brothers.
11- Abre o olho, Jaime, que não vai ser porque a Cersei carrega outro filho teu na barriga que ela vai aliviar para você. Essa rainha é maluca.
12- Por falar em Cersei, ela sabia de todos os passos de Tyrion em King's Landing. Claramente tem um X-9 em Dragonstone e, para mim, parece cada vez mais claro que é Missandei.
13- E o Bronn, hein? Muito funcionário do mês. Merecia um aumento. Mas Cersei é uma chefe que não vê nada.
14- E o Sor Davos, hein? Sempre mostrando sabedoria nos atalhos da vida (deu uma desmascarada em Missandei, achou o Gendry...), mas nunca é levado a sério só porque é o Cavaleiro das Cebolas.
15- Porra, Arya. De que adianta ser uma X-Men multifaces, que anda nas sombras e com a delicadeza de uma bailarina se você leva volta do Mindinho?
16- Por falar no Mindinho, ele não perde essa mania de ser o Eduardo Cunha do mundo, atiçando o baixo clero, provocando a discórdia e enchendo de minhocas a cabecinha sedenta de poder da Sansa.
17- Sam, que isso fera! No momento que você vai descobrir a informação vital sobre o passado de Jon Snow, não dá ouvido aos livros! E ainda vai embora!
18- Curto muito essa vibe do Brann-detentor-do-conhecimento-do-mundo-e-aquele-que-tudo-vê.
19- Agora é isso, Jon. Sete homens e um destino: levar um White Walker semi-vivo numa jaula para provar que eles existem. Afinal, dragões e constantes ressurreições são super normais, mas White Walker é mito.

20- Como, aparentemente, rolou um armistício, segue o placar: Team Daenerys 2 x 2 Team Cersei. Faltam dois episódios. Quem ganha essa guerra, Brasil?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Outro filmaço de Nolan

Dunkirk é um filme excepcional do diretor
Quase sempre as histórias dia filmes de guerra envolvem o heroísmo. De uma tropa, de um homem. É uma história conhecida que vai da dor intensa à salvação de um homem, uma tropa ou um país. Christopher Nolan não foge disso na sua primeira incursão no que chamarei de "cinema de guerra". 

Mas a história de "Dunkirk" é também a de uma derrota. O filme conta um episódio da Segunda Guerra Mundial pouco representado no cinema, quando os soldados aliados (britânicos e franceses) ficaram encurralados pelos alemães na praia de Dunquerque, na França. Naquele momento, os alemães massacravam os aliados, avançavam com suas tropas e o governo britânico temia que o próximo alvo fosse a Inglaterra. 

Por isso, inicialmente poupou esforços para salvar os soldados isolados em Dunquerque. O então primeiro-ministro Winston Churchill, para dar alguma satisfação à nação, falava em resgatar os soldados (as previsões internas era de 30 a 40 mil dos 400 mil que estavam na França), mas poupava as tropas para a batalha seguinte. Dunquerque era a derrota certa. 

No mar do do Canal da Mancha, a algumas horas da Inglaterra, os soldados tinham o sentimento de estarem tão perto, mas absolutamente distantes de casa. No mar aberto, os destróieres ingleses eram alvos fáceis dos caças alemães. A morte estava sempre à espreita para um exército que estava cercado, sem defesas na praia e sem esperança. 

É quando Nolan resolve contar a história de heroísmo da batalha de Dunquerque. Centenas de barcos comuns, de civis da Inglaterra deixaram o país para resgatar os soldados. Graças a eles, mais de 330 mil soldados voltaram para casa. 

Para narrar essa história, Nolan evita o impacto hollywoodiano de Spielberg do bom "O resgate do soldado Ryan" (1998). É econômico nos diálogos. A música de Hans Zimmer (absolutamente incrível) casa perfeitamente com as imagens, mas são os sons da guerra que causam mais impacto. Os caças em alta velocidade, o peso dos tiros, o desespero da água engolindo dezenas de corpos que vão perdendo a vida no meio do caminho. O fogo que tudo consome em gritos e desespero. O instinto de sobrevivência que transforma os homens.

E tudo feito com uma beleza da qual Nolan é expert em filmar. As imagens são secas, mas é tudo de uma beleza e crueza excepcionais. 

O cineasta prefere contar sua história dividida em três partes que vão se encontrar no meio do filme. É a guerra na praia, no ar e no mar. Quando ocorre a interseção, o filme da uma derrapada na continuidade, mas nada que prejudique a beleza deste mais novo trabalho de um diretor que está entre os melhores da atualidade. 

"Dunkirk" é de uma beleza ímpar. É cinema grande como os que Nolan sabe fazer. 


Cotação da Corneta: nota 9,5. 

sábado, 5 de agosto de 2017

A nova do Malick

Gente bonita e de ar blasé sofrendo de tédio e depressão
Eu acho Terrence Malick brilhante. Mas também um cara difícil. Então, toda vez que eu vou ao cinema sempre me surpreendo quando vejo a sala cheia. Terrence Malick não é o tipo de diretor que enche uma sala. Infelizmente. 

Mas talvez por ser um cara recluso e que não aparece na mídia, não dá entrevista, enfim, se faz de gostoso. Talvez por isso, as pessoas se esqueçam dele e acabem voltando para ver novos filmes dele. 

Em "A árvore da vida" (2011), que eu considero um filme genial, vi pelo menos quatro pessoas irem embora antes do filme acabar. Em "Amor pleno" (2012), colhi comentários divertidos de espectadores incomodados. Ouvir as pessoas após um filme de Malick é sempre uma diversão. Eis alguns exemplos: 

1- "Que porra foi essa?"
2- "Não acredito que a gente viu isso"
3- "Que filme chato, arrastado"
4- "Era melhor a gente ter ido ver "Transformers"

Malick é um cara difícil. E "De canção em canção" é um filme que é fiel à sua filmografia e tem toda a sua assinatura. Narrativa fragmentada, sequências bem curtas, frases jogadas na tela, closes nas expressões dos atores e cenas idílicas. 

"De canção em canção" não é tão brilhante quanto "Amor pleno", muito menos genial como "A árvore da vida", mas que puta filme lindo. 

Tal como eu, Malick curte um pôr-do-sol. São muitas tomadas. Acho que 95% do filme é crepuscular. É a hora mais linda do dia. E cada cena ganha um tom idílico que parece uma pintura de Vermeer (Ou Van Gogh, ou Rembrandt). 

O crepúsculo também serve como metáfora do estremecimento das relações. O fim do dia é igualmente como a implosão de um triângulo amoroso que se forma entre o cantor BV (Ryan Gosling), o produtor Cook (Michael Fassbender) e a corretora, secretaria e aspirante à música Faye (Rooney Mara). 

BV e Faye formam um casal bonito, mas ela está infeliz na relação. Cook entra na jogada e a faz experimentar uma vida além dos limites, dando-a uma falsa sensação de liberdade. O empresário é um predador parasita que vive intensamente a superficialidade do show business. A relação íntima com Faye estremece por completo a amizade com BV, que também faz questionamentos profissionais. O cantor também deseja se libertar das grilhões do empresário e produtor para ter mais autonomia sob a sua música. 

A amizade implode, a infelicidade é um padrão de vida e cada um dos três encontrará uma forma de conforto em outras relações. Cook com a garçonete Rhonda (Natalie Portman), que totalmente alheia ao mundo do show business do empresário, não aguenta a pressão de viver aquela vida. Faye tenta buscar a delicadeza e a compreensão que não tinha com nenhum dos dois homens com Zoey (Bérénice Marlohe). BV vê em Amanda (Cate Blanchett), uma mulher mais velha, ao mesmo tempo em que é um protótipo mais jovem e idealizado de sua própria mãe, uma tentativa de escapatório. 

Nada dá certo. Relações vêm e vão apenas para compreendermos que a perfeição só é encontrada na beleza pictórica da câmera de Malick ao passear pelas mais belas paisagens com o sol como protagonista. 

"De canção em canção" é um filme bonito como só os do Malick são. É uma reflexão sobre as relações humanas e a busca de um mínimo de verdade num mundo efêmero como o do entretenimento. 

Enquanto por ele desfilam nomes como Red Hot Chilli Peppers, Iggy Pop e uma participação pra lá de especial de Patti Smith (além de um Val Kilmer quase irreconhecível fazendo um roqueiro velho decadente com um quê de Axl Rose), Faye procura algum equilíbrio. Entre a estabilidade e a aventura, o gozo e o tédio, ela só quer um pouco de paz. E a chance de não se arrepender das escolhas. 


Cotação da Corneta: nota 7,5. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Game of Thrones, capítulo 3

A galera negociando em Dragonstone
O terceiro episódio foi para o saco e Team Cersei continua dando as cartas. Será que Team Daenerys reage ou ficará vivendo dos títulos do passado glorioso? 

Temos mais quatro episódios de "Game of Thrones" para descobrir. Enquanto isso....

BEWARE! THE CORNETA IS DARK AND FULL OF SPOILERS! 

1- Ninguém disse que é fácil formar boas alianças. Você sempre tem que ceder aqui, puxar a sardinha para o seu lado ali, liberar um caixa 2 acolá, uma estatal mais à frente. Por isso que o primeiro encontro entre Daenerys Targaryen e Jon Snow foi um tal de cada um expondo o seu currículo, dizendo quem precisa mais do outro, um ajoelha e não ajoelha e uma exposição de filigranas que fazem parte das negociações. 

2- Mas no fim eu tenho fé que a chapa Targaryen-Stark será formada sob o lema "Make Westeros Great Again". 

3- Enquanto isso Cersei e Daenerys ficam brincando de War em que a única carta que elas tiraram foi: conquistar todos os continentes. 

4- Cersei, aliás, está muito Odete Roitman. 

5- E Jaime Lannister, hein? Não tem um episódio que passe em que ele não sofre bullying por ser maneta. Pegaram o Kingslayer para Cristo. 

6- Por falar em Jaime, quem está mais bolado com os acontecimentos: Jaime ao começar a perceber que realmente a irmã/amante está ensandecida pelo poder e pela vingança, ou Varys, que pela primeira vez na vida ficou calado diante da profecia de Melisandre?

7- A velha Tyrell é durona, hein? Até na hora de sair de cena. Que mulher foda. 

8- Sansa é quase um Rodrigo Maia. No início da campanha, não estava nem perto do poder. Agora, com Jon Snow passeando e formando uma chapa com Dany e Bran dizendo que tem um emprego melhor como "sabe-tudo-corvo-de-três-olhos-detentor-do-conhecimento-do-mundo", o poder de Winterfell está para cair no seu colo. Tudo sem ter um único voto. 

9- Ela só precisa se livrar das más influências. Mindinho é pilha errada e fica só urubuzando ela atrás de vantagens atraentes. 

10- Gordo sofre. Até quando faz algo genial e único na história da medicina, Sam Tarly tem que pagar penitência. 

11- Esse negócio do Tyrion narrando a tomada de Rochedo Casterly não ficou bom não. Foi um texto bem quinta série. Espero que no livro (um dia, quem sabe) esteja melhor. 

12- Muito orgulho de Jon Snow ter evoluído da fase "You know nothing" para a fase "única voz sensata nessa guerra".

13- Placar da partida até aqui: Team Cersei 2 x 1 Team Daenerys. Será que a Casa Taegaryen ainda vira esse jogo?