sábado, 16 de agosto de 2025

“Elskling” e o preço da falta de terapia

Helga Guren é o grande destaque do filme
Primeiro longa-metragem da diretora Lilja Ingolfadottir, “Elskling” é uma pedrada que em alguns momentos lembra um outro excelente filme norueguês: “A pior pessoa do mundo” (2021). Talvez “Elskling” seja até um pouco mais amargo, mas na essência eles guardam alguma semelhança. Especialmente na busca de suas protagonistas em investigar seus problemas, dramas e dilemas internos.

Aqui, vemos Maria (a espetacular Helga Guren), lidando com um segundo casamento que entra num ponto de desgaste após sete anos. Com quatro filhos para criar e um marido que embora a ame está muito ausente pela natureza do seu trabalho, ela se vê sufocada a ponto de explodir de raiva constantemente.

Por um momento, o filme parece que vai fazer o inventário de um relacionamento que começou tão lindamente como o início do filme mostra, mas que vai acabar terrivelmente como em muitos divórcios. Algo como “História de um casamento” (2019).

No entanto, Ingolfsdottir está mais interessada em ir mais a fundo do que o filme americano e expor a gênese dos nossos problemas. E a solução (spoiler: é terapia).

“Elsklimg” levanta a ideia de que se não cuidamos de nossos traumas de infância, eles serão monstros que baterão na nossa porta em nossos relacionamentos futuros. E isso fica muito claro nas atitudes, medos e inseguranças de sua protagonista.

E se não conseguimos perceber as sutilezas que Guren consegue entregar tão bem, o filme desenha para nós ao mostrar a relação de Maria com a sua filha mais velha e com mãe, num dos pontos de virada do filme que nos faz compreender tão bem como aquela alma está quebrada e precisando de ajuda.

“Elskling” mostra como os traumas ajudam a impor barreiras mas nossas relações e criam dificuldades para que as pessoas consigam se conectar. Nem Maria, nem Sigmund (Oddgeir Thune) são culpados por serem quem são. Foi o ambiente que os fez assim. A dificuldade está em romper as barreiras para que eles possam se reconectar.

De certa forma, “Elskling” é um filme anti-Disney. Se o estúdio americano gosta de vender a ideia mitológica de alguém que é feito para uma outra pessoa e vai cuidar de você e o casal será feliz para sempre, “Elskling” prefere mostrar a vida como ela é: somos almas quebradas, com criações imperfeitas, e precisamos lidar com nossos traumas para fazer esta relação dar certo. Ou seguimos em frente até encontrarmos alguém que esteja disposto a travar esta árdua batalha conosco.

“On Falling” e a solidão de ser imigrante

Joana Santos soube interpretar as dores do imigrante
Assistir a “On Falling” na condição de imigrante é saber identificar todos os signos retratados pela diretora Laura Carreira.

Da vida em comunidade dividindo casas com estranhos à sensação de não pertencimento a lugar nenhum, passando pelo olhar solitário de sua protagonista, Carreira conseguiu resumir muito bem a sensação que muitos imigrantes passam.

Seu filme é uma jornada dura de uma imigrante portuguesa que vive na Escócia em busca de uma vida melhor, mas se vê trabalhando em subempregos, com uma tremenda dificuldade financeira e até passando fome e frio.

É curioso que o nome da protagonista seja Aurora, cujo significado é o amanhecer, o raiar do dia, quando a Aurora de “On Falling” parece estar sempre eclipsada pela vida medíocre de casa-trabalho-casa a que somos forçados a nos impor especialmente pelas dificuldades financeiras.

E como a atriz Joana Santos consegue com poucas palavras e alguns gestos nos contar tanto sobre esta Aurora, uma personagem que está no limite do desmoronamento físico e psicológico. A cena da entrevista de emprego de Aurora é de partir a alma, por revelar os sonhos em contraste com a realidade desumana.

“On Falling” nos mostra como estamos caminhando muito mal como sociedade. Os sinais estão muito claros. Na Escócia ou em Portugal. No Brasil ou na Irlanda. Onde quer que se vá, o cenário do mercado de trabalho é desanimador. Os imigrantes são a mão de obra frágil e barata que podem ser aproveitadas por qualquer empresa sem muitos escrúpulos. E as soluções estão longe de ver o raiar do dia.

Book Review: "O Padrinho", de Mário Puzo

“A transformação que Michael sofreu foi tão extraordinária que os sorrisos desapareceram dos rostos de Clemenza e Tessio. Michael não era alto nem de constituição robusta, mas a sua presença parecia irradiar perigo. Nesse momento, ele era a reencarnação do próprio Don Corleone. Os seus olhos adquiriram um tom castanho pálido e o rosto estava completamente branco. Parecia estar disposto a atirar-se a qualquer momento sobre o irmão mais velho e mais forte. Não havia dúvida de que se ele tivesse uma arma na mão Sonny estaria em perigo. Sonny parou de rir e Michael perguntou-lhe numa voz extremamente fria:

- Pensas que não sou capaz de fazê-lo, meu sacana?” (Pág. 119)

Se “O Poderoso Chefão” é um grande filme, um dos maiores da história do cinema, é também porque teve como base um grande livro escrito por Mário Puzo.

Pode-se dizer que “O Padrinho” (a versão que eu li foi em português europeu, daí o nome diferente do livro cujo nome original é “The Godfather”) é a pedra fundamental da literatura de máfia, ainda que o primeiro texto a tratar do tema seja a peça de teatro “Os mafiosos de Vicaria”, de Giuseppe Rizzotto e Gaetano Mosca, de 1863. Se o termo “máfia” nunca foi usado nesta peça, foi nela que pela primeira vez se falou numa gangue que tem um chefe, um ritual de iniciação e conceitos como a da omertá, o código de silêncio dos mafiosos.

Embora o livro de Puzo não tenha sido o primeiro a tratar do tema, foi no seu texto publicado em 1969 que se popularizou o termo máfia e se tratou de forma mais direta e detalhada de toda a capilaridade de uma organização criminosa como a máfia siciliana, com influência em todas as esferas de poder de um país.

Seu livro é delicioso e extremamente rico em detalhes ao contar a saga da família Corleone, seus conflitos e disputas de poder com as outras famílias mafiosas de Nova York, ao mesmo tempo em que retrata a ascensão e construção de poder de Don Vito Corleone, um imigrante italiano que chega aos Estados Unidos e enxerga o país como a verdadeira terra das oportunidades para construir o seu império.

Corleone tem três filhos, o impulsivo Sonny, seu sucessor natural, Freddo, o jovem que não foi feito para trabalhar nos negócios da família, e Michael, o mais inteligente de todos. O que rejeitou seguir a vida na sombra do pai, virou um oficial do Exército que lutou na Segunda Guerra Mundial e quer construir uma história com a sua namorada Kay e longe do mundo da máfia, mas que se vê cada vez mais dentro daquele mundo conforme os acontecimentos do livro vão se sucedendo.

O livro mostra com ainda mais riqueza como Don Corleone e Michael são personagens muito complexos e mais parecidos do que se pode imaginar. Vito tem uma calma, uma frieza e parece estar pensando muito a frente dos demais. Por isso é tão respeitado e temido. Michael é frio e calculista, e também tem um certo dom de enxergar o cenário futuro, ainda que não com a mesma habilidade do pai.

Os dois são homens contidos, mas que fazem o que é necessário pela família. Seus ritos de passagem foram semelhantes e mudaram completamente as suas histórias. Pai e filho estão extremamente ligados, por mais que Michael seja o mais distante dos três filhos de Don Corleone.

Ler o livro anos depois de ter visto a trilogia de Francis Ford Coppola enriquece ainda mais estes dois personagens, que de forma muito certeira foram interpretados por Marlon Brando (primeiro filme), Robert De Niro (segundo filme) e Al Pacino, o Michael Corleone em toda a trilogia. A escolha de Pacino então foi certeira na época. Ele ainda não era um ator conhecido, mas não conseguiria imaginar outro ator melhor para este papel.

Fugi um pouco do livro, pois não tem como não associar o texto de Puzo ao filme “O Poderoso Chefão”, que também contou com Puzo como roteirista.

Mais de 50 anos depois do seu lançamento, “O Padrinho” pode ser visto como um clássico inabalável da literatura de máfia. Através da ficção com um fortíssimo fundo de verdade (e a máfia interferiu nas filmagens do filme, como é bem retratado na série “The Offer”), o livro de Puzo abriu caminho para a exploração de um gênero e para livros-reportagens absolutamente fundamentais para entender estas organizações criminosas como os trabalhos de Roberto Saviano em “Gomorra” (2006) e “Zero Zero Zero” (2013).

domingo, 3 de agosto de 2025

“Sirât” e a fragilidade do ser humano

Logo na início de “Sirât”, o diretor Oliver Laxe exibe uma mensagem que explica o título do filme. Sirât vem a ser uma expressão que vem da tradição islâmica e significa uma ponte. Ponte esta descrita como fina como um fio de cabelo e mais afiada do que uma espada.

Basicamente, ela seria uma metáfora para a dificuldade em seguir o caminho certo e o nível de precisão necessária para alcançar o seu destino.

Eu devia ter prestado mais atenção a este detalhe no início, pois ele me deixaria mais preparado para tudo o que veria nas duas horas seguintes.

Filme que conta a história de um pai e um filho que saem por raves que acontecem no deserto do Marrocos em busca da filha/irmã desaparecida, “Sirât” é um filme que nos leva a refletir sobre a fragilidade do ser humano e como determinadas escolhas nos direcionam para os mais diferentes destinos.

É também um filme que questiona e coloca em perspectiva a sensação de segurança que eventualmente podemos ter.

Estou pisando um pouco em ovos para escrever aqui, pois este é um raro filme em que falar sobre eventos que acontecem na tela podem prejudicar a experiência.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes neste ano, “Sirât” nos faz pensar. Demorei um pouco a compreender a sua vibe, embora tenha gostado de cara das cenas tão cruas e cheias de textura das raves e também das imagens bem bonitas do deserto. Um deserto que evoca beleza e horror, em que perigo está sempre à espreita aguardando uma decisão equivocada. O deserto é como a morte com quem os homens jogam xadrez, se eu puder evocar uma imagem de “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman (1957).

O uso do som também é uma das ferramentas mais relevantes no filme. E quase um personagem na história.

Ainda estou digerindo o filme, mas quanto mais penso, mais gosto do filme.

Nota 7,5/10.

O relacionamento como equação matemática em “Amores Materialistas”

Pedro Pascal é o destaque do filme
Se “Amores Materialistas” fosse escrito e dirigido por qualquer outro diretor, corria um grande risco de virar uma comédia romântica medíocre igual a muitas que vemos por aí no cinema. Mas Celine Song filma com tanta beleza e elegância, que eleva este filme a um outro patamar cinematográfico.

Segundo filme da diretora sul-coreana e sucessor do excelente “Vidas Passadas”, “Amores Materialistas” conta a história de Lucy (Dakota Johnson), uma matchmaker que trabalha para uma empresa que organiza encontros entre pessoas para formarem casais baseados nos gostos e, especialmente, nas exigências de cada um.

Enquanto atravessa entre a crise e o sucesso no seu trabalho, Lucy se vê entre dois homens, o ricaço Harry (Pedro Pascal) e o garçom e ator amador, e também seu ex-namorado John (Chris Evans).

Lendo esse enredo, o filme soa tão pobre quanto o personagem de Evans, mas Song aproveita os clichês das filmes românticos para refletir sobre uma série de situações bem comuns no dia de hoje.

“Amores Materialistas” fala sobre como o ser humano virou um número descartável, como o amor está sendo visto mais como uma equação matemática que envolve mais uma performance a partir de um conjunto de posses do que como encontrar alguém que melhor combine com você.

O filme também fala sobre como o ser humano não passa de mercadoria no jogo do amor determinado pelos algoritmos (ou boxes) da empresa de Lucy, que não deixa de ser como os aplicativos de encontros de hoje em dia.

O filme emana uma frieza matemática que parece se encaixar perfeitamente com o jeito como Dakota Johnson atua. No entanto, quando ela precisa ter uma virada emocional, “Amores Materialistas” não se sustenta, pois ela não convence quando precisa ter um tom diferente da mulher fria que (supostamente) sabe fazer perfeitamente a matemática do amor. Chris Evans também não vai muito além com o seu galã romântico pobre apaixonado por uma mulher que é out of his league.

Do trio principal, o melhor é Pascal. Ator que está aparecendo em muitas produções populares recentemente, Pascal parece não ter medo de ficar com a imagem saturada. E acaba sendo difícil se cansar dele, uma vez que o ator sabe fazer seus personagens crescerem sempre com interpretações no tom certo. O seu Harry nos engana no início até mostrar que têm mais em comum com Lucy do que imaginávamos.

“Amores Materialistas” só não consegue fugir do desfecho padrão das romances. E da lição no final de que o amor nem sempre é uma equação exata.

Nota 7,5/10.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Os filmes e as séries de julho

Os filmes e as séries mais interessantes que vi em julho:

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps — ING, EUA, CAN, NZL — 2025) — Diretor de “WandaVision”, Matt Shakman usou está experiência para fazer um “Quarteto Fantástico” num cenário futurista como estática dos anos 1960 e inspiração nos “Jetsons”. A química dos quatro protagonistas é a força de um filme que tem coração. Finalmente o Quarteto ganhou uma boa adaptação no cinema.

Superman (Superman — EUA, CAN, AUS, NZL — 2025) — A trama do imigrante que faz a vida nos Estados Unidos e é odiado e invejado por um bilionário é um dos pontos altos desta nova versão do Superman. James Gunn acertou em cheio, embora tenha feito um filme que tem muita informação e muita subtrama para apenas pouco mais de duas horas. Mas o Superman de Gunn é o herói necessário para a era Donald Trump.

Amores Materialistas (Materialists — EUA, FIN — 2025) — Celine Song filma tão bem e com tanta elegância que eleva a qualidade deste filme que nas mãos de outro diretor poderia ser apenas uma comédia romântica vazia. Gosto como ela reflete sobre o frio mercado do amor, mas só gosto mesmo do trabalho de Pedro Pascal.

Apocalipse nos Trópicos (Apocalypse in the Tropics — EUA, BRA, ING — 2024) — Filme que investiga a influência da igreja evangélica na política e sociedade brasileira, isto não é um documentário, mas um filme de terror. Infelizmente o filme não traz muitas respostas para as causas de o Brasil ter virado refém de um fundamentalismo religioso. Ele apenas documenta o horror, o que também é importante.

Bird (Bird — ING, EUA, FRA, ALE — 2024) — Por uns momentos pensei que o filme resvalaria num certo pornô da miséria, mas no fim ele se revelou um coming of age áspero, difícil de digerir, mas que tem alguma sensibilidade.

Três amigas (Trois Amies — FRA — 2024) — Francês adora refletir sobre relacionamentos e adultério. Este é um filme bem legal sobre as desventuras amorosas e como o dito amor é um trabalho árduo de construção cheio de contratempos, reviravoltas e uma boa dose de sorte.

“O Estúdio” (The Studio — EUA — Apple TV) — Eu queria agradecer a Sal Saperstein por esta série existir. “O Estúdio” é fenomenal. Agrada a quem gosta da indústria do cinema, mas também a quem gosta de uma boa comédia com um roteiro muito bom e muita criatividade. Seth Rogen deve ser um cara muito querido por seus pares para fazer com que eles tenham participado desta série em situações potencialmente constrangedoras. Aguardo a segunda temporada, pois nós gostamos de “MOVIES! Movies! Movies!”

“Terra da Máfia” (Mobland — ING, EUA — Paramoumt/MTV) — Série de gângsters ingleses absolutamente fantástica. Uma das melhores atuações da carreira do Pierce Brosnan, com uma Helen Mirren maravilhosamente perturbada. E ainda tem Tom Hardy se virando nos 30 com cara de desgosto pela vida para proteger a família em meio à guerra de gangues.

“Poker Face” (Poker Face — EUA — Peacock) — Charlie Cale (Natasha Lyonne) parece ainda mais enrascada na segunda temporada do que na primeira. A série criada por Rian Johnson foi uma das boas surpresas de 2023 e manteve um bom nível na segunda temporada com novos desafios para Charlie e histórias mirabolantes enquanto ela viaja pelos Estados Unidos.

domingo, 27 de julho de 2025

“Quarteto Fantástico” não é perfeito, mas tem coração

Finalmente um filme bom do Quarteto
Depois de tantas décadas sendo maltratado por diferentes versões de gosto duvidoso no cinema, pôde-se dizer que finalmente o Quarteto Fantástico ganhou uma adaptação digna do grupo no cinema.

São muitos os acertos do filme. A começar pela estética anos 1960 futurista que emula demais os quadrinhos e tem uma clara inspiração no desenho animado dos Jetsons.

Outro ponto positivo está no elenco. A química do quarteto Pedro Pascal (Reed Richards), Vanessa Kirby (Sue Storm), Ebon Moss-Bachrach (Ben Grimm) e Joseph Quinn (Johnny Storm) funciona muito bem. Especialmente os três primeiros, que conseguem dar nuances em suas atuações onde o roteiro por vezes soa pueril e básico.

Pascal sabe transmitir uma insegurança e falhas ao mesmo tempo em que demonstra ser o cientista mais brilhante daquele universo. Kirby foi muito feliz ao aproveitar muito bem o quanto o roteiro valoriza e faz justiça a Sue Storm como líder, ponto de equilíbrio, força mental e uma heroína extremamente poderosa do Universo Marvel.

Já Moss-Bachrach, que ainda tem o desafio de muitas vezes ser apenas a voz do Coisa, consegue transmitir perfeitamente as inseguranças de Ben e seus medos com a sua aparência e sua dificuldade de se encaixar num mundo cheio de pessoas de aparência normal enquanto ele é todo feito de pedra. Isso parece que será algo ainda mais explorado no futuro, principalmente pelo que vemos de sua relação com Rachel Rozman, personagem de Natasha Lyonne.

O elo mais fraco dos quatro é o Tocha Humana de Quinn, ainda que ele também tenha muitos bons momentos, especialmente nas cenas de ação. No entanto, é o personagem que mostra menos complexidade do quarteto.

Outro ponto positivo está na história. A melhor coisa que a Marvel podia fazer neste momento era o simples. Uma história com começo, meio e fim e uma linha bem básica: o Quarteto é o super grupo de heróis da Terra que precisa fazer o possível para impedir que o vilão Galactus (Ralph Ineson) destrua o seu mundo e roube o filho de Richards e Storm, que aparentemente é muito poderoso.

É um roteiro direto, sem grandes conexões com toda a história do Universo Marvel em um filme que pode ser visto como uma aventura única, sem precisar olhar para outras produções da Marvel.

É claro que não é a história mais criativa do mundo e as diálogos por vezes são até bem simples e pouco criativos, mas é um feijão com arroz bem gostoso.

Além do mais, por mais que possa ter algumas falhas, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” é um filme bonito e que tem coração. O diretor Matt Shakman, o mesmo de “WandaVision” (2021), uma das melhores produções da Marvel pós-“Vingadores: Ultimato” (2019). Shakman parece ser um diretor que consegue ler bem os personagens da Marvel e transformar em produções que se não são brilhantes, são bastante satisfatórias e prazerosas de assistir.

Em “Quarteto Fantástico”, Shakman meio que repete o exercício que fez em “WandaVision”, especialmente nos episódios que falavam das séries de TV do passado. E dá muito certo. Ainda mais aliado à ótima direção de arte do filme e o CGI, que parece muito bem feito. Pelo menos aos olhos de um leigo no assunto como eu.

Em resumo, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” é um ótimo filme da Marvel como não se vê há algum tempo. Se será o primeiro passo para a retomada do estúdio, só o futuro dirá.

Nota 8,5/10.

domingo, 20 de julho de 2025

Book Review: “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, George R. R. Martin

“Egg servia Dunk havia um ano e meio, embora às vezes parecesse vinte. Haviam escalado o Passo do Príncipe juntos e cruzado as areias profundas de Dorne, vermelhas e brancas. Um veleiro os levara de Sangueverde à Vila Tabueira, onde compraram passagem para Vilavelha na galé Senhora Branca. Tinham dormido em estábulos, estalagens e valas, dividido o pão com irmãos santos, putas e pantomimeiros, e seguido uma centena de espetáculos de títeres, Egg mantinha o cavalo de Dunk bem cuidado, sua espada longa afiada, sua cota de malha livre de ferrugem. Era tão boa companhia quanto qualquer homem poderia desejar, e o cavaleiro andante começara a pensar nele quase como em um irmão menor.” (pág. 170)

Somos extremamente necessitados do fim numa relação quase tóxica com a ideia de completude. Uma espécie de colecionismo virtual que, por vezes, nos cega para a beleza da jornada e do fato de que histórias são pequenos extratos de uma vida — fictícia é claro — sobre a qual nunca saberemos tudo. Nem das nossas próprias vidas sabemos tudo.

Depois de ler “Fogo e Sangue” (2018) e agora “O cavaleiro dos sete reinos” eu me sinto em paz com o mundo de Westeros criado por George R.R. Martin. Talvez o escritor nunca entregue os dois livros finais da saga de Gelo e Fogo. Mas está tudo bem. Quão rico e fascinante é o mundo criado por Martin. Quão bem escritas são suas histórias. Eu fico satisfeito em ler extratos de Westeros. Das tramas palacianas as aventuras mais comezinhas, há sempre algo de muito interessante a ler.

“O cavaleiro dos sete reinos” aposta exatamente neste último ponto. O livro narra histórias menores vivida por um cavaleiro andante sui generis e de um passado invulgar e seu jovem escudeiro que tem um segredo importante a guardar. A relação e a dinâmica de poder e aprendizado deles é muito interessante ao mesmo tempo em que os diferentes backgrounds também tornam seus diálogos um deleite a parte. Até pelo que não é dita.

Enquanto eles evoluem vagando pelos Sete Reinos, vamos acompanhando pequenos extratos do que está acontecendo naquele momento em Westeros e do que aconteceu nos últimos 90 anos. É quase como montar um quebra-cabeças de Gelo e Fogo.

“O cavaleiro dos sete reinos” reúne três histórias. Todas elas de construções inortodoxas o que só torna o livro mais interessante. Além da escrita deliciosa, a força do livro também está na ausência de heroísmo e na aleatoriedade da vida do homem comum.

Book Review: “A glória e seu cortejo de horrores”, Fernanda Torres

“Fui feliz no começo, aos vinte, e também aos trinta, quando larguei o teatro e emendei uma sequência de sucessos na televisão. Famoso, vivi o apogeu da minha arrogância. Comi muita gente, gastei mais do que devia, humilhei subalternos, acreditei em destino. Não mais. O contrato polpudo me transformou num ator preguiçoso.” (Pág. 29)

A história de ascensão e queda de Mário Cardoso é a de muitos artistas que conhecem a fama e se perdem no meio do caminho de suas vidas profissionais. Narrada com elegância, tons de sarcasmo e um molho tipicamente carioca, “A glória e seu cortejo de horrores” é uma deliciosa tragicomédia brasileira. Ou melhor, carioca.

No livro, Fernanda Torres navega por um oceano que lhe é bem conhecido. A vida de um ator no Brasil e suas diferentes fases no teatro, na TV, no cinema. Seus altos e baixos, suas glórias, seus fracassos. Torres conhece cada pedaço dessa realidade. Seja pelo que viveu, seja por colegas de profissão com quem conviveu. E este trunfo faz com que “A glória e seu cortejo de horrores” soe tao verdadeiro, tão autêntico, mas ao mesmo tempo com um toque saltimbanco que tire o livro suficientemente fora da ficção documental.

Comparativamente com seu romance anterior, “Fim”, Torres manteve o cenário, este Rio de Janeiro purgatório da beleza e do caos, mas olhando um pouco mais para a Zona Norte, o subúrbio, e todas as suas idiossincrasias. De certa forma, ela expandiu o Rio em “A glória e seu cortejo de horrores”. E as diferenças sociais, demográficas e de classe entre os bairros viram pano de fundo para o estado de espírito e financeiro do seu Mário Cardoso.

Além de uma atriz de primeira grandeza do Brasil, Torres reafirma em seu segundo livro o quanto é uma escritora fascinante. Demorei a ler seus livros apenas para agora desejar que ela crie ainda mais histórias. Torres é uma cronista do Rio de Janeiro moderno e ler as suas histórias é como vivenciar a vida pulsante e as contradições de uma cidade tão única como o Rio de Janeiro.

Por mais paradoxal que possa parecer, o livro é uma bonita tragédia carioca.

sábado, 12 de julho de 2025

Superman é o herói necessário para a era Trump

O Superman que salva muitas pessoas
Primeiro super-herói criado pela DC Comics, o Superman sempre foi um dos personagens mais queridos dos amantes dos quadrinhos. No entanto, a ascensão do Batman através de filmes mais populares e mais bem feitos para o vigilante de Gotham nas últimas quatro décadas e um certo cinismo do mundo neste mesmo período deixaram o Superman um pouco de lado. De uma certa forma, o ideal de bondade e esperança que o filho de Krypton transmite parecia não caber no ambiente dark/soturno criado por Zack Snyder, ainda que eu não desgoste do trabalho de Henry Cavill como Clark Kent.

Quando foi contratado em 2022 para assumir como novo chefão da DC, James Gunn tinha entre os seus desafios resgatar o velho Superman. Um Superman mais inspirado no herói dos quadrinhos e que foi tão bem retratado por Christopher Reeve em quatro filmes entre 1978 e 1987.

Três anos depois, “Superman” inaugura nos cinemas a nova era da DC Studios. Agora estrelado por David Corenswet, “Superman” é bem sucedido em muitos pontos e falha em alguns outros. Mas acima de tudo, o Superman de James Gunn é o herói necessário para a era Donald Trump e um mundo em que bilionários estão brincando de serem deuses enquanto transformam o planeta num tecnofeudalismo sob a anuência de uma enorme massa influenciada e emburrecida por algoritmos de redes sociais.

Ver o “Superman” chegar aos cinemas neste momento em que Trump voltou a ser o presidente dos Estados Unidos intensificando o discurso de ódio, a divisão, a perseguição a imigrantes e criando discursos falsos para atingir os seus interesses é para nos fazer refletir sobre que mundo temos hoje e que mundo queremos para o futuro. É triste observar as guerras que ocorrem neste momento entre Rússia e Ucrânia, na faixa de Gaza, entre Israel e Irã e não poder apelar para um herói que mantenha a paz diante de políticos que disseminam o ódio. Ainda que isso possa causar incidentes diplomáticos, questão que é relativamente arranhada pelo filme. O Superman não existe, mas o seu ideário de bondade, de ajudar ao próximo e buscar o melhor das pessoas devia ser um norte diante de um mundo que exibe muita raiva não apenas vindas dos Estados Unidos, mas também de todos os políticos de extrema direita e seus seguidores pela Europa e no Brasil, que acirram a divisão disseminando ódio contra imigrantes e minorias.

A mensagem de Gunn é muito clara. Superman é um imigrante que construiu a sua vida nos Estados Unidos. Um imigrante que tenta dar o seu melhor no seu ofício, mas é alvo de ódio nas ruas e nas redes sociais. Especialmente a partir das ações de seu arqui-inimigo, o bilionário Lex Luthor. Vivido por Nicholas Hoult, Luthor aqui é um cruzamento de Trump com Elon Munsk. Tem ódio pelo que vem de fora a ponto de afirmar que o Superman não é um homem (man), mas uma coisa (it). Tem inveja pelo herói monopolizar as atenções do mundo e usa todo o seu arsenal financeiro e tecnológico para o difamar, destruir a sua imagem antes de destruí-lo literalmente. O Luthor de Hoult é o arquétipo do bilionário de extrema direita que tem uma esposa troféu e financia o que de pior o ser humano pode produzir para atingir seus próprios interesses. Mais atual, impossível.

Gunn é muito feliz em se afastar da história de origem e estabelecer em cinco minutos de filme em que ponto estamos neste mundo. Há 30 anos, a nave de Kal-El atingiu a Terra e o jovem foi criado por fazendeiros do Kansas. Há três anos, ele se revelou a um mundo que já conta com uma série de meta-humanos como o Superman. Há três minutos, este ainda jovem Superman sofreu a sua primeira derrota dias depois de impedir um conflito armado entre dois países fictícios, a Boravia e Jarhaunpur, salvando milhares de vidas, mas criando um incidente diplomático com a Boravia, uma ditadura aliada dos Estados Unidos.

As ações do Superman têm causado controvérsia, provocando uma divisão em Metrópolis, ainda que sua popularidade seja maior do que se imagina e que o ódio seja menor do que aparenta ser (e o filme deixará isso claro numa cena em especial).

O Superman de David Corenswet não chega a emular a versão de Reeve, mas se afasta muito da versão de Cavill, O Superman de Cavill era quase uma versão de Jesus Cristo na forma sacralizada em que era filmado por Snyder e era um herói que estava ali para salvar a humanidade, mas sem pensar muito nas consequências dos seus atos. O Supermann de Gunn e Corenswet atua praticamente em jornada dupla e fazendo multitasking. Precisa cuidar dos vilões, mas tem sempre um olho em salvar as vidas. Todas as vidas: humana ou animal. E isto é repetido quase em exaustão. Acho que este Superman salvou mais vidas neste filme do que o de Cavill nos quatro filmes em que esteve presente entre 2013 e 2021.

Fala demais, mostra de menos

E aqui chegamos num ponto em que o filme apresenta seus problemas. A enorme quantidade de informação que o trailer exibia já dava indícios de que o filme de Gunn poderia não dar conta de contar tantas histórias. E fica exatamente esta impressão quando Gunn resolve romper com a clássica regra de roteiro “show, don´t tell”, que poderia ser traduzida como “mostre, não diga”. A ideia desta regra é que você revele informações por meio de ações, imagens e comportamento dos personagens, ao invés de simplesmente explicá-las por meio de diálogos ou narração expositiva. Gunn faz isso muito bem e, como disse, quase a exaustão com as ações do Superman, mas sobra pouco tempo para o restante dos personagens do filme e para os demais temas que o filme aborda.

Por isso, ele precisa reafirmar diversas vezes o estatuto de imigrante do Superman e até criar um paralelo com um imigrante comum, vendedor de comida na rua, ele precisa deixar claro que o Superman resolveu um problema sem causar a morte de nenhum indivíduo, ele precisa mostrar o que é o governo da Boravia, precisa explicar quem é a Gangue da Justiça e quem esta por trás do grupo formado por Lanterna Verde (Nathan Fillion maravilhoso como o bonachão Guy Gardner), Mulher Gavião (Isabela Merced) e Senhor Incrível (Edi Gathegi), ele precisa contar as origens e os desdobramentos de tudo o que Lex Luthor tem feito para destruir o Superman enquanto a ação corre solta… E para isso, Gunn usa muitas vezes o recurso dos jornalistas de TV dando notícias ou fazendo entrevistas. Nisso, sobra pouco tempo exatamente para o Planeta Diário, que é onde Clark Kent e Louis Lane (Rachel Brosnahan) trabalham. Pelo menos, ainda houve tempo para Lane fazer uma importante reportagem sobre Luthor. E ainda temos Krypto, o cachorro que pode ser muito fofo, mas toma muito tempo de tela e serve como constante alívio cômico do filme.

É compreensível que Gunn precisaria chegar na DC com o pé na porta e apresentando uma miríade de informações para mostrar que esta é a nova DC. Neste mundo, meta-humanos vivem entre nós, os heróis e os vilões estão estabelecidos, nós vamos ter discussões políticas e sociais e vamos trazer no meio disso muito entretenimento. Mas tudo isso pareceu ser muito para um filme de 2h09min, deixando-o por um lado excessivamente expositivo, por outro com pouca profundidade nas questões políticas importantes que o filme levanta, como os temas da imigração e da manipulação de informações. Este último então, se resolve num piscar de olhos, ou melhor, na velocidade das redes, mas ao mesmo tempo deixando uma ponta solta relativa ao pai biológico do Superman, que é algo que vai ter que ser resolvido no futuro. Afinal, duvido que tenham contratado o Bradley Cooper para fazer somente aquilo que é mostrado na tela.

Outro ponto que o filme peca um pouco é no CGI. As lutas do Superman em muitos casos parecem inorgânicas. É óbvio que é muito difícil fazer uma cena de luta com um super-herói que é praticamente um deus, e talvez tenham sido usados os melhores recursos possíveis para dar o peso, a velocidade e a emergência da situação, mas nem tudo ficou 100%, especialmente no confronto com o capanga mais poderoso de Luthor.

Entre virtudes e defeitos, porém, Gunn acerta em trazer de volta a essência do Superman. Mas ao mesmo tempo expõe as suas vulnerabilidades. Por ser um herói ainda jovem na função, o Superman tem uma inocência e ainda acredita em ver o melhor nas pessoas. E isso quase foi a sua ruína. O que mostra que para além da kryptonita, as suas virtudes também podem ser usadas contra ele para lhe fazerem mal. Algo que, aliás, é constantemente explorado por Luthor no filme. 

O Superman de Gunn é um herói que ainda não está pronto e está aprendendo o seu ofício, mas que tem bem clara a sua missão: ajudar o mundo a ser um lugar melhor. E não vão faltar políticos e bilionários de extrema direita para ele combater.

Nota 8/10

domingo, 6 de julho de 2025

Film review: A tentativa de recomeço de “Jurassic World”

Bailey e Johansson tentando não ser comidos
Eu já tinha abandonado a franquia “Jurassic Park” lá nos filmes do Chris Pratt. Embora tenha visto todos os filmes, não tinha qualquer motivação em ir ao cinema. No entanto, eu tenho um fraco: a minha admiração pela atriz Scarlet Johansson. E isso foi o suficiente para voltar a pagar um ingresso para ver “Jurassic World: Recomeço”. Qual não foi a minha surpresa ao ver que o filme é verdadeiramente divertido.

No título original, Jurassic World fala em “Renascimento”. E isto é o que a franquia está tentando fazer com movimentos dentro e fora da tela.

Do lado de fora, ao trazer de volta David Koepp, um dos roteiristas do filme original de 1993. Dentro da tela, ao conectar um mosaico de referências/homenagens que não só farão o fã pensar no filme original de Steven Spielberg, como também em outros clássicos da cultura pop. Tudo isso embalado num filme que tem cara, jeito e roteiro de aventura de filme americano dos anos 1990.

Ou seja, o recomeço, ou renascimento de “Jurassic Park” passa muito por um olhar para o passado. Se isso é bom ou ruim fica a critério do espectador e, consequentemente, da bilheteria que o filme fará.

A história de “Jurassic World: Recomeço” pode ser resumida em uma frase: um grupo de aventureiros se arrisca numa ilha onde vivem dinossauros para conseguir uma amostra de sangue de três espécies com o objetivo de construir um medicamento revolucionário para tratar doenças coronarianas.

No recheio deste bolo há uma coleção de clichês que em alguns casos seriam enfadonhos, mas nesta aventura despretensiosa dirigida por Gareth Edwards, diretor de “Godzilla” (2014) e “Rogue One” (2016), cabem deliciosamente bem. Temos os personagens-chave que são o cientista vivido por Jonathan Bailey e a mercenária vivida por Scarlet Johansson. Temos o vilão óbvio que representa a mão cruel e predatória do capitalismo vivido por Rupert Friend, temos uma família que representa a presença do homem comum sem grandes habilidades no meio daquela adversidade e temos os candidatos a virarem comida de dinossauro. Desde o início sabemos quem vai morrer e sabemos quem vai sobreviver. Havendo espaço para um ou dois numa zona mais cinzenta para criar uma expectativa mínima.

O roteiro também segue o padrão clássico dos três atos. São três as amostras que precisam ser recolhidas, três dinossauros diferentes, três elementos daquele mundo: água, terra e ar. Tudo para oferecer diferentes desafios para o grupo e mostrar a diversidade que a ilha dos dinossauros exibe.

Gosto muito também do momento histórico que o filme traça, criando uma sociedade em que dinossauros já não têm a mesma graça. Fazem parte da paisagem, perderam a popularidade. Mas também são temidos a ponto de haver uma zona do planeta próximo à linha do Equador em que os seres humanos são proibidos de viajar. Lá, só vivem dinossauros.

Este é um dos pontos que eu mais gosto do filme junto com algumas cenas bem legais dos dinossauros um tanto quanto assustadores e as referências. Toda a passagem no mar parece muito inspirado em “Tubarão” (1975), curiosamente um filme de Steven Spielberg.

Muitas cenas na floresta me remeteram ao início da franquia. Especialmente as que envolviam aquele andar mais sorrateiro de um dinossauro e os humanos tentando sobreviver em meio a uma tremenda adversidade.

A inclusão de um dinossauro mutante criado em experiências de laboratório por humanos também criou uma criatura extremamente parecida na cabeça pelo menos com o alienígena de “Alien — o 8° passageiro” (1979). Não sei se foi de propósito, mas me pareceu até uma correlação óbvia.

Acima de tudo, “Jurassic World” entretém. Mais do que os filmes recentes. Resta saber se o nosso mundo ainda gosta de dinossauros ou se eles também viraram para nós apenas paisagem.

Nota 7/10.

Jurrasic World: Recomeço (Jurrasic World: Rebirth — EUA, ING, Malta, IND — 2025)

Estrelado por: Scarlett Johansson (Zora Bennett), Mahershala Ali (Duncan Kincaid), Jonathan Bailey (Dr. Henry Loomis), Rupert Friend (Martin Krebs), Manuel Garcia-Rulfo (Reuben Delgado), Luna Blaise (Teresa Delgado), David Iacono (Xavier), Audrina Miranda (Isabella Delgado), Philippine Velge (Nina), Bechir Sylvain (LeClerc), Ed Skrein (Bobby Atwater).

Roteiro: David Koepp.

Direção: Gareth Edwards.