sexta-feira, 5 de julho de 2019

Os novos desafios do Homem-Aranha

Parker passeando por prédios europeus
Grandes poderes trazem grandes responsabilidades. O lema que acompanha o Homem-Aranha desde a sua origem foi ampliado como nunca antes nesta segunda aventura do herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel. E “Homem-Aranha: longe de casa” (Spider-man: Far from home, no original), que encerra a fase 3 e dá pistas sobre os próximos rumos da Marvel em seus futuros lançamentos, mostra um Peter Parker (Tom Holland, ainda mais à vontade no papel e comprovando sua escolha certeira após a controversa fase Andrew Garfield) sendo obrigado a lidar com todo um turbilhão de emoções nas duas vidas que leva enquanto se depara com novos desafios após os eventos vistos em “Vingadores: Ultimato” (2019). 

O filme de Jon Watts gira em torno de três ideias: ilusão, luto e amadurecimento. Ideias estas que são desenvolvidas numa aventura leve, divertida e que tem a cara do Homem-Aranha praticamente desde a sua criação nos quadrinhos. 

O luto era uma condição natural, uma vez que ainda estaria naturalmente muito presente neste filme a morte do Homem de Ferro. Tony Stark era uma figura paterna para Peter Parker - ideia esta que eu nunca engoli muito bem, mas foi a forma que a Marvel encontrou para inserir o herói no seu universo e acabou funcionando - e era natural que Parker tivesse que lidar com esse buraco, essa ausência daquela figura que sempre apostou muito nele e teve uma presença muito forte em sua vida. 

Com o luto veio ainda a responsabilidade. A Marvel deixa claro no filme que, pelo menos neste momento, Parker e o Homem-Aranha são o novo Homem de Ferro. Se não na liderança, que acredito que venha a ser tomada por nomes como Pantera Negra e Capitã Marvel, ao menos no carisma e na obsessão pelo conhecimento científico-tecnológico Parker está ali para ocupar o vazio deixado por Tony Stark. E são muitas as cenas em que ele demonstra desenvoltura e encanto ao lidar com as tecnologias e o orçamento generoso deixado por Tony para Peter como herança. Pelo visto, dificilmente veremos aquele Parker dos quadrinhos pobre e contando moedinhas de dólar vendendo as próprias fotos para o Clarín Diário para se manter. 

Mas lidar com essa responsabilidade e o luto ainda é muito doloroso para o personagem, que não se vê preparado para o desafio. Nem o quer. Mas acaba sendo cobrado por isso num mundo onde não existem mais os Vingadores. 

É onde entra o segundo tema do filme, o amadurecimento. Se desde o princípio, quando se vê diante dos seus poderes, Parker quer mostrar que é capaz de grandes feitos, a ressaca pós-batalha contra Thanos mostra um garoto que, neste momento, quer apenas ser um... garoto normal. Parker quer viajar pela Europa com seus amigos, tentar conquistar a garota que ele ama e viver as experiências que ele não teve a chance de viver por causa de suas habilidades. 

O problema é que ser o Homem-Aranha é um trabalho full time e nunca se sabe quando os problemas podem surgir. Ainda mais quando se tem o Nick Fury (Samuel L. Jackson) no seu pé o tempo todo. 

Parker sabe que tem um dom e descobre da pior forma que nunca poderá ser um garoto normal. De certa forma, o lema do Tio Ben está implicitamente presente neste amadurecimento do herói. Ele tem um grande poder, proporcional à sua responsabilidade. 

Entender isso, corrigir os erros e aprender com eles é tudo o que Parker faz ao longo do filme. E assim ele cresce, amadurece e o personagem vai moldando o seu caráter enquanto busca viver as experiências de um garoto que tem um crush pela Mary Jane (Zendaya). Parênteses: não vou mais implicar com a Zendaya porque ela não se parece com a Mary Jane porque ela se mostrou ótima neste filme e entendo que ela ainda passará por muitas transformações. 

Parker deu muita trela para o Mysterio
E onde entra a ilusão nisso tudo? A ilusão é o elemento de ação do filme. É onde há o entretenimento mais explícito, afinal não podemos esquecer que é um filme de super-heróis e um blockbuster. 

Um dos desafios do filme era inserir o Mysterio (Jake Gyllenhall), conhecidíssimo personagem dos fãs dos quadrinhos, de uma forma que pudesse surpreender também quem sabe de suas origens e poderes. Para evitar spoilers, podemos dizer que os truques usados foram perfeitos. E de quebra a Marvel fez todo um jogo de ilusões que perpassam o filme que vão para além da presença do Myaterio e culminam com uma cena extra absolutamente surpreendente. 

Mysterio, aliás, é uma das questões sobre as quais Peter tem de lidar. Com o personagem, Peter aprende que nem todos são como Tony Stark. Nem todos os adultos poderosos lhe serão uma figura paterna e ele precisa entender que tem que deixar a inocência de lado para sobreviver e cuidar da segurança dos seus amigos. 

Donde vem a questão sobre o futuro do MCU. O filme dá pistas sobre os próximos passos, embora elas não pareçam ser muito conclusivas. A tão comentada teoria do multiverso é falada, mas ainda não sabemos se ela é ou não verdadeira. Ok, nos quadrinhos o multiverso existe, mas isso não esta claro ainda no cinema. Se o multiverso está finalmente inserido e se o estalo de Thanos provocou estragos provavelmente são coisas que ficarão para outros filmes do universo. 

Mas a cena extra do final revela uma expansão ambiciosa da Marvel e ainda nos deixa com aquela cara de quem foi pego de surpresa por um truque do Mysterio. 

Como ponto positivo extra gostei muito da presença de J.K.Simmons mantido como J.J. Jameson, personagem que ele faz desde o primeiro “Homem-Aranha” (2002). Me pareceu uma boa medida para conectar está nova fase do herói aos filmes do Sam Raimi. Filmes estes - e falo apenas dos dois primeiros, pois o terceiro é muito ruim - que se aliam a “Longe de Casa” e à animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” (2017) como os melhores filmes do Homem-Aranha. 

RANKING: 

Se eu tivesse que fazer hoje o meu spider-ranking, ele assim ficaria: 

1.      “Homem-Aranha no Aranhaverso” (2018)
2.      “Homem-Aranha: Longe de casa” (2019)
3.      “Homem-Aranha 2” (2004)
4.      “Homem-Aranha” (2002)
5.      “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” (2014)
6.      “O espetacular Homem-Aranha” (2012)
7.      “Homem-Aranha: de volta ao lar” (2017)
8.      “Homem-Aranha 3” (2007)


Cotação da Corneta: nota 8.

domingo, 30 de junho de 2019

É preciso ser livre para criar

Nureyev, um artista que queria ser livre
Rudolf Nureyev era como um pássaro. E como todo pássaro, jamais poderia viver numa gaiola. Pelo menos essa parece ser a ideia central do filme “O corvo branco” (The White Crown, no original). Dirigido por Ralph Fiennes, o filme opta por abordar o momento que foi o turning point da vida daquele que é considerado um dos maiores bailarinos de todos os tempos: a viagem do balé Kirov - hoje chamado de Mariinsky - para uma turnê por Paris e Londres como uma forma de demonstrar a força da cultura soviética perante o ocidente. 

A viagem tinha um claro componente político, mas Nureyev nunca demonstrou interesse em tratar destas questões ou da Guerra Fria em pleno vigor naquele ano de 1961. “Eu quero ser livre”, afirma ao pé do ouvido da amiga Clara Saint (Adèle Exarchopoulos) no clímax do filme, quando Nureyev se vê preso por oficiais soviéticos no aeroporto de Paris e contempla a iminência de ser levado de volta para Moscou para ser mantido preso e impedido de dançar. 

O trabalho de Fiennnes, que faz um papel de coadjuvante como o professor e mentor de Nureyev, Pushkin, é bastante feliz em alguns pontos. Primeiro por optar por abordar uma trama central alternando-se com outra paralela. O filme acompanha a viagem a Paris do Kirov enquanto vemos flashes da infância e adolescência de Nureyev a partir do seu nascimento em um trem em plena transiberiana a caminho de Vladivostok. 

O passado dá contexto. O presente mostra este animal enjaulado ansiando por sair. Nureyev exclama por ser livre desde o primeiro segundo em Paris. Alterna a disciplina severa que todo bailarino precisa ter com a rebeldia e o inconformismo que só os grandes artistas ostentam. 

Diante de colegas franceses constrói pontes, enquanto o regime soviético quer controlar tudo. Tem sede de ver obras de arte, de conhecer mais e mais sobre a arte, pois para a sua dança um quadro, uma escultura, são fontes de inspiração. E aos poucos o corvo sente a necessidade de voar com a liberdade e a leveza que exibe nos palcos, encantando todos os que têm a chance de ver Nureyev ao vivo. 

É a partir da ideia deste animal com sede de conhecimento que precisa se libertar que “O corvo branco” se vende. Sequer é relatado como foi a vida de Nureyev após o pedido de asilo político. Ou mesmo é abordada a sua morte em consequência de complicações causadas pela AIDS, doença que ele contraiu em 1984. Isso ficam para os livros de história. A força de Nureyev estava nos seus movimentos no palco e na sua irascível busca por liberdade e pela arte em vida. 

Talvez o filme peque por um excesso de cenas de um Nureyev contemplativo diante das obras e da arquitetura de Paris. Talvez, para alguns ele se encontra num formato mais do que batido de cinebiografias. Mas “O corvo branco” tem o seu valor ao nos oferecer um retrato de um artista único que é conduzido com competência pelo ator Oleg Ivenko. 

“O corvo branco” pode não ser fascinante como o bailarino Nureyev, mas como se comparar diante de alguém que ajudou a construir a história da sua arte? É uma missão difícil. Mas o trabalho de Fiennes é satisfatório. 

Cotação da Corneta: nota 7. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

X-Men em clima de fim de feira

Sophie até está ok no papel
É uma pena que uma das histórias mais importantes dos X-Men, a da Fênix Negra tenha acontecido num clima tão fim de feira para a saga que até o filme estrelado por Sophie Turner foi comandada pela Fox. É claro que quando o trailer de “Dark Phoenix” foi lançado, a maquiagem da Mística (Jennifer Lawrence) já evidenciava a falta de cuidado que o filme teria para entregar básico antes de os heróis mutantes entrarem em definitivo para o Universo Cinematográfico da Marvel com a compra da Fox pela Disney. 

A partir de agora caberá a Kevin Feige reintroduzir os mutantes nascidos com um gene X a mais no universo dos heróis Marvel. E já há boas ideias surgindo na internet envolvendo a Feiticeira Escarlate, além de outras pistas sobre um potencial multiverso causado pelo estalar de dedos de Thanos. Fato é que os X-Men vão ganhar um reboot, que eu espero que recupere um pouco da aura dos dois primeiros filmes da saga. Aqueles tinham tudo o que era a essência dos X-Men: heróis que protegem a humanidade “que os teme e odeia”, o embate de ideias entre Charles Xavier e Magneto e o combate ao preconceito contra o que é diferente que sempre esteve na linguagem subliminar dos X-Men. 

Aqueles foram pontos altos da saga que, com “Dark Phoenix” atinge um fim melancólico. O filme de de Simon Kinberg, tem diálogos fracos e uma história preguiçosa que parte de uma suposta evolução da humanidade após anos de trabalho de Xavier e seus mutantes para serem amados até a volta à estaca zero com as atitudes tomadas por Jean Grey (Sophie Turner) ao ser consumida por um poder cósmico. 

É triste que heróis como Ciclope e Tempestade, tão importantes para o grupo, tenham sido interpretados por atores que não conseguiram dar o seu melhor para os personagens. Culpa, também dos diálogos ruins que perpassam todo “Dark Phoenix”. 

Para piorar temos uma vilã vivida por Jessica Chastain, cuja origem e nome sequer sabemos direito e cujas motivações são apenas a velha postura “quero destruir o mundo”. Por que? Não sabemos muito bem. O talento de Jessica foi completamente desperdiçado. 

Mas há pontos positivos em “Dark Phoenix”? Claro que sim. A começar pela trilha sonora brilhante de Hans Zimmer. Ele soube muito bem pontuar o filme e as transformações de Jean ao longo do percurso. A música principal é excelente e daquelas que marcam um personagem. 

Outro ponto positivo é a participação de Sophie Turner. Muito se falou que não há uma Jean Grey como Famke Janssen e que Sophie não seria capaz de assumir esse papel. Seu trabalho só prova que devíamos ser mais paciente e acompanhar o desenvolvimento que os atores dão aos personagens antes de fazer qualquer crítica. Fica a dica para os que gritaram tanto quando Robert Pattinson foi anunciado como novo Batman. 

É claro que por vezes Sophie lembrou muito Sansa Stark, sua personagem em “Game of Thrones”, mas era inevitável ter essa lembrança visto que a personagem ainda está muito viva na nossa memória. Assim como a série. Mas na medida do possível e do que o roteiro permitiu, Sophie soube impingir a sua marca para esta Jean Grey vivendo um conflito enorme com um poder que a consome e transforma até a sua personalidade. Se era relevante ou não inserir a história dos pais, eu não sei, mas não foi isso que fez “Dark Phoenix” ser abaixo do que poderia ser. 

E, se eu pudesse escolher, gostaria de ver a atriz dentro do UCM continuando a desempenhar o papel de Jean. Embora reconheça que a tendência da Marvel seja mudar todos os atores para um verdadeiro reboot. 

Um pouco abaixo de Sophie, eu também destacaria o trabalho de Michael Fassbender. Seu Magneto isolado, depois em busca de vingança e, por fim, querendo ajudar os heróis, trouxe os melhores momentos de ação do filme. Fassbender é outro que eu gostaria de ver um pouco mais de no papel. 

E a cena final dele começando a jogar xadrez com Xavier em Paris, que remete ao filme em que ambos jogam xadrez quando Magneto está na prisão é uma ótima citação. 

No balanço final, porém, “Dark Phoenix” ficou devendo muito. Mas, lamentavelmente para a produção, tornou-se um filme irrelevante assim que foi anunciada a compra da Fox pela Disney. E sua execução só fez o sentimento sobre isso piorar ainda mais. 

Fato é que os fãs de quadrinhos querem mais é saber como os mutantes vão entrar no Universo da Marvel. A “Dark Phoenix” restou o papel de ser apenas um passatempo enquanto o melhor (espera-se) está por vir.

Cotação da Corneta: nota 6.

domingo, 2 de junho de 2019

No cinema, Elton é maior que o Queen

Taron incorpora Elton John em um de seus shows
Sir Elton John está se despedindo dos palcos. A "Farewell Tour" vai até dezembro de 2020, com o último show previsto para Londres. Aos 72 anos, o cantor dono de dezenas de sucessos, quase todos compostos ao lado de Bernie Taupin, parceiro de mais de 50 anos de amizade, quer se dedicar mais aos filhos que adotou junto com o companheiro David Furnish. Com a proximidade do fim de uma carreira brilhante, torna-se quase inevitável as homenagens e os registros biográficos. Além de uma biografia, já se pode ver no cinema a versão de David Fletcher para a vida de Elton. E, por que não pensar nisso?, do próprio Elton John. 

“Rocketman” tem a cara do cantor inglês. É uma viagem lírica sobre uma jornada de dificuldades, dor, solidão, vícios, mas também da sua beleza artística de quem costuma-se chamar ou não de inigualável. E, goste-se ou não de Elton John, ele é inigualável. 

O filme tem muitos acertos. Por trás da já mais do que batida fórmula da jornada de um artista composta por infância-adolescência-sucesso-decadência-redenção, Fletcher trouxe um pouco de frescor ao adotar duas medidas que foram certeiras para que seu filme disse bem sucedido. 

A primeira está na aposta da um Elton John contando a sua história numa sessão de terapia. O filme começa justamente no seu momento mais dramático, quando Elton se interna para cuidar dos vícios em álcool e drogas. Mas só percebemos de fato isso mais para frente. 

A aposta na terapia acaba sendo como um acerto de contas de Elton com seu próprio passado. Não que o artista em sua vida real pareça ter qualquer ressentimento com isso. Se havia uma questão a resolver, a imagem que ele passa é a de paz hoje em dia. Mas ali, no fundo do poço, Elton tinha muito a resolver com os amigos que afastou, a sensação de solidão causada por um pai ausente que lhe negava o mais básico dos carinhos, e até com a mãe, cuja relação foi de altos e baixos, ainda que ela tivesse lhe dado apoio para a sua carreira. Era um apoio tímido, mas ela o incentivava. 

E nesse ponto a entrada triunfal de Taron Egerton vestido de diabo (fantasia perfeita para a ocasião), é o cartão de visitas do filme. Sua atuação é um parênteses que faço na argumentação para contar que Taron é o terceiro mérito do filme. Ele também é a prova de que para interpretar um artista não é preciso meramente copiar o mesmo. Taron não chega a ser fisicamente parecido com Elton. Mas soube incorporar o espírito do personagem aliado apenas ao detalhe dos dentes da frente separamos e do corte de cabelo. Ninguém nega que parecia o próprio Elton na tela. 

Mas faiávamos da sessão de terapia. Ali, Elton enfrenta seus fantasmas das três fases da vida. A infância em negação do pai, a juventude lutando para se firmar, a idade adulta lidando com o sucesso e os vícios. Cada fase um problema que vai se acumulando até chegar ao fundo do poço. Foi uma boa aposta de Fletcher. 

Outro ponto positivo de “Rocketman” está no uso das musicas. Em qualquer cinebiografia de um músico, as musicas naturalmente aparecem para contar a história daquele momento cronológico do artista. Os lançamentos, os sucessos etc... Em “Rocketman”, optou-se por usar uma linguagem de musical com números para uma série de sucessos de Elton que não guardam muita relação com as fases da vida do cantor. “Saturday Nights Alright”, por exemplo, é cantada num número da infância dele e ilustra também a passagem para a juventude, quando o cantor ainda não era uma estrela. 

Essa estratégia trouxe um ganho é um aproveitamento real das canções de Elton que vão para além da mera jukebox rolando na tela (ouviu, “Bohemian Rhapsody”?). As canções têm vida e ilustram passagens e sentimentos da vida de Elton John, trazendo um ganho para o filme. 

E elas não são meramente reproduzidas. Temos aqui outra vantagem do filme. Elas ganham novos arranjos e nova alma pela voz de Taron, que canta em todos os momentos do filme. 

Foi um desafio brutal ao qual ele se impôs e, acredito, teve sucesso em sua empreitada. Taron dá personalidade ao filme ao encarnar todas as fases de Elton, suas inúmeras vestimentas espalhafatosas e seus excêntricos óculos coloridos, duas de suas marcas registradas do ponto de vista estético. 

Principalmente dado ao fato de ter sido feito recentemente e por sua premiação injusta no Oscar, é inevitável comparar “Rocketman” com “Bohemian Rhapsody”. Ainda mais porque Fletcher assumiu as duas semanas finais de filmagem do filme sobre o Queen que até então era comandado por Bryan Singer. O problema é que não há sequer modelo de comparação dentro ou fora da tela. 

Dentro da tela, “Rocketman” é muito superior em todos os aspectos. Da montagem à interpretação dos atores. Do roteiro à escolha de como contar a história. Fora dela, claramente a postura de Elton John sobre o filme que contaria a sua vida foi muito mais liberal e honesta que a de Bryan May e os demais integrantes do Queen. Elton queria mostrar a vida dele como foi. É isso inclui as doses cavalares de drogas, álcool e sexo as quais ele nunca negou que tomou.  Já o Queen tolheu e manipulou a história de Freddie Mercury para contar uma narrativa doce e chapa branca na tela. 

Ao ver “Rocketman”, o que fica, na verdade, é a sensação de como “Bohemian Rhapsody” poderia ter sido muito melhor e mais honesto com a história de outro grande artista que foi Freddie Mercury. 

Para os fãs de Elton John e até os que não são tão fãs da sua música, “Rocketman” é uma boa viagem sobre a complexidade e a rica visão artística de um cantor como Elton, exímio pianista, compositor de sucessos que ficaram para a história é que certamente deixará um legado quando as luzes do seu último show se apagarem. 

Cotação da Corneta: nota 7,5. 

segunda-feira, 27 de maio de 2019

"Game of Thrones": a última vigília

Reação dos atores na leitura do roteiro
Dentre as coisas mais legais do documentário “The last watch”, sobre a última temporada de “Game of Thrones”, está a leitura do roteiro. A reação do elenco e, principalmente da Maisie Williams, ao ver que a Arya mataria o Night King é impagável. Assim como o choque e a emoção do Kit Harington ao saber que o personagem dele mataria a Daenerys.
No doc, eles explicam que, embora o elenco tivesse recebido o roteiro três dias antes da leitura, o Kit não tinha lido. Aparentemente, ele gostava que a sua primeira leitura fosse nesta primeira reunião do elenco.
Opinião maldosa: o Kit foi melhor sendo Kit no documentário do que em toda a temporada sendo Jon Snow.
Também foi ótimo conhecer a história do Night King. Ele é um tcheco chamado Vlad que, na verdade, trabalha como dublê. Fiquei triste por ele e por um figurante que trabalhou desde a quinta temporada como soldado do exército do Jon Snow que, ao fim de suas participações no documentário, disseram, coincidentemente e com uma ponta de tristeza, a mesma frase: “De volta à vida normal”.
De resto, deve ser muito, mas muito legal trabalhar com cinema. Principalmente numa super produção destas onde tem gente para todas as funções possíveis para fazer a máquina girar. Tem até um chefe para cuidar só da neve! Claro que deve ser cansativo e quase desesperador. Muitos ali já davam sinais de não aguentarem mais, embora amassem a série. Mas ao mesmo tempo apaixonante.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O final de "Game of Thrones"

Daenerys foi para o lado negro da força
Acabou! O que faremos agora? Nossos domingos nunca mais serão os mesmo. Tudo bem. Os mais velhos que viram “Sopranos” devem ter postado a mesma coisa no Orkut. E os futuros fãs da série XXXX vão falar a mesma coisa daqui a dez anos na rede social Disneybook sobre os domingos da HBO-Disney que nunca mais serão os mesmos (não se iludam, amigos, a Disney está virando a Skynet). O fato é que “Game of Thrones” acabou. Já podemos viver a tristeza do luto.
Quem imaginaria lá atrás que o trono acabaria com quem acabou, hein? Eu achei o final surpreendente. Você pode dizer: “Foi muito óbvio! Tava na cara”. Estava nada! Podia estar para você agora, há duas semanas, mas pensa se você imaginava isso lá em 2017, quando terminou a sétima temporada? Se disser que sim, é mentira sua. A pessoa que ficou lá não ocupava sequer o meu é o seu top-10 do trono.
Fato é que “The Iron Throne”, o episódio derradeiro da série, e que foi dirigido por David Benioff e D.B. Weiss, foi um fim digno para esta série que é daqueles fenômenos da cultura pop qua transcendem barreiras e atingem proporções raras vezes vistas na história da dramaturgia. “Game of Thrones” ganhou uma proporção de “Star Wars” ou do Universo Cinematográfico da Marvel e foi, em seus erros, cobrada por isso. Mas em seus acertos saudada como um show que aliou o entretenimento ao debate de questões sobre o poder, a política, guerras, filosofia e poderíamos aqui escrever uma tese de mestrado sobre tudo isso. 😬
(E A PARTIR DE AGORA, MUITO CUIDADO! ESSE POST TEM MAIS SPOILERS QUE SOLDADOS NO EXÉRCITO DOS IMACULADOS)
  1. 1. Comecemos pelo início. Uma das melhores cenas desta temporada é justamente a que abre o episódio. Tyrion caminhando numa cidade ainda queimando, as cinzas espalhadas pelo vento e o silêncio sepulcral após o ataque de Daenerys Targaryen. Quase dá para sentir o odor da morte e dos corpos queimados em toda a caminhada de Tyrion até encontrar os corpos soterrados dos irmãos. Tudo isso depois com as cinzas se misturando a neve. É uma cena belíssima.
  2. 2. Enquanto isso, vemos Dany implantando a ditadura Targaryen e afirmando e reafirmando que ela é a única saída para um mundo cor de rosa. Desde que o tom de rosa seja escolhido por ela, pois só ela sabe o que é bom. É assustador o discurso de Dany, é pesado o brasão Targaryen estirado sobre as ruínas de King’s Landing enquanto o dragão pousa do outro lado. E tudo muito tragicamente bonito.
  3. 3. Eis que vem o grande momento. A morte de Dany. Seca, crua, e sem dramas. Um beijo na boca, uma facada no coração. E RIP Daenerys. Podia ao menos ter sentado no trono para sentir o gostinho.
  4. 4. E as três profecias para a rainha Targaryen acabaram se cumprindo. Faltava apenas ser traída pelo amor.
  5. 5. A questão que fica aqui é: Você namoraria o Jon Snow sabendo que ele matou as duas últimas namoradas?
  6. 6. Porém, não entendi o Drogon queimando o trono de ferro. Consciência política de réptil é complicado, hein. Queima o trono, porque “se mamãe não senta ali, ninguém mais vai sentar”, mas o assassino da mãe foi poupado. Foi um baita statement para alguém que é só um bicho.
  7. 7. Precisamos render aqui também homenagens a Emília Clarke, que nos dois episódios finais brilhou. Foi um belo trabalho na reta final. Ainda mais porque no início ela vinha sendo engolida pela Lena Headey e pela Sophie Turner.
  8. 8. Donde vamos para a grande questão: quem ficou com o trono? Como não imaginar que Bran, O QUEBRADO, já sabia que ia ser o cara? Afinal, ele tudo vê! Espertinho hein? E ainda mandou a deixa para o Tyrion: estou aqui para isso! Como não imaginar que naquele dia que os dois conversaram antes da batalha de Winterfell Bran não tenha dito: “Quando a hora chegar, chame pelo meu nome”.
  9. 9. Convenhamos, a escolha do Bran foi absolutamente surpreendente. Porém, olhando para o desfecho da série, quem mais reuniria condições de unir todos os reinos em torno de uma liderança? Somente o cara que é o grande ACM de Westeros! Numa piscada de olhos, ele faz dossiê de todo mundo ali. E aí de quem ousar duvidar dele.
  10. 10. Teve algo mais ridículo que o Edmure Tully ousando se candidatar ao trono e ainda argumentando ser herói de guerra? Amigo, tu foi uma farsa nessa história.
  11. 11. Também não entendi a Yara Greyjoy jurando lealdade a Dany sabendo que ela fez o que fez.
  12. 12. E Dorne, que reapareceu com um líder qualquer depois de ser apagada da série?
  13. 13. E o Sor Davos, hein? Maior Highlander de “Game of Thrones”. Sobreviveu a todas as guerras, reis, tiranias, religiões, zumbi, viagens, dragões… não pegou uma gripe sequer. E no fim ainda ganhou um cargo no governo.
  14. 14. Gostei muito de Sansa botando o pau na mesa. Acabou a brincadeira, o Norte agora é independente e eu sou a rainha. Catalunha e País Basco invejaram.
  15. 15. Eu estou agora muito curioso sobre como ficará a história na literatura. Não sei se este será o desfecho, mas parece ser a cara do Martin um final assim. Amargo. No fundo, o que vemos é um continente que após tantas guerras e disputas pelo poder acabou dividido, com famílias quase extintas, tendo que reorganizar a forma de governar, casas enfraquecidas com líderes sem carisma ou politicamente fracos, povos enfraquecidos e com fome e os ânimos ainda nada serenos. No fim, a história acabou com o mundo pior do que estava antes e precisando se reconstruir no que o Tyrion propôs ser algo entre um governo de transição e uma nova forma de administrar. No fim, as guerras são sobre isso, não é? Ninguém sai vencedor quando tanto sangue é derramado.
  16. 16. Tudo isso com a semente da república plantado pelo Sam. Vocês riram, mas ele deixou a semente.
  17. 17. Tyrion, aliás, se despediu vivendo alguns dos seus melhores momentos. Sentirei saudades deste personagem.
  18. 18. O mesmo Tyrion que fez questão de jogar na nossa cara o quanto nós estávamos errados ao sonhar com Daenerys, a libertadora, fazendo um inventário de todas os assassinatos dela em nome da liberdade. Afinal, não é porque eram “homens maus” que eles tinham que ter sido cruelmente assassinados. Fomos ludibriados por uma narrativa. E aplaudimos. Pensem bem nisso quando forem votar na próxima eleição.
  19. 19. E aqui temos um ponto importante. No fim, como o governo de Cersei foi totalmente esquecido na série, nunca saberemos o quão tirana ela também poderia ter sido. Daenerys garante ter libertado a capital de uma ditadora, mas nunca soubemos exatamente como foi esse governo. É um dos buracos que ficam na série.
  20. 20. Achei curioso como de certa forma os Starks ficaram divididos para sempre. O final do Jon foi extremamente amargo, por mais que tenha reencontrado Tormund e Ghost. E a gente pensando que ele seria o prometido.
  21. 21. Diga-se de passagem, o final intercalando os Starks foi lindo. Arya, a exploradora; Sansa, a rainha; e Jon, o exilado.
  22. 22. E URGE um spin-off das aventuras de Arya no mundo desconhecido. Tenho certeza que será melhor que “Marco Polo”. Deixaram em aberto não apenas a história dela como também a do próprio governo Bran. “Me procure daqui a dez anos”, disse Tyrion. Olha que eu não duvido que essa série volte daqui a dez anos.
  23. 23. E os Targaryen? Com a morte de Dany, e Jon na Patrulha da Noite, a família morre de vez. Se bem que Jon partiu com os selvagens para além da muralha. Pode ser que a família que é “fogo e sangue” continue sua dinastia.
  24. 24. Brienne atualizando a Wikipédia do Jaime foi fofo.
  25. 25. Não entendi o Bronn naquele conselho e dono de tudo. O Bronn!! Ok, o Tyrion tinha prometido High Garden, mas daí a ser conselheiro do rei é um pouco demais.
  26. 26. O que fazer agora? Falta tanto tempo para os spin-offs da série. É triste quando as coisas têm de acabar.
  27. 27. Cotação da Corneta: nota 8,5.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

"Game of Thrones" - a vingança de Daenerys

A coisa vai ficar feia
Vocês estão em choque? Eu estou em choque. Muito em choque. É tudo o que o episódio “The Bells”, penúltimo desta derradeira temporada de “Game of Thrones” me causou
Neste episódio vimos simplesmente que ACABOU O AMOR. Agora é só REVENGE AND PAIN. Não podemos dizer que não era uma pedra cantada há tempos. Mas ainda assim, estou em choque.
Novamente dirigido por Miguel Sapochnik, nosso especialista em batalhas em “Game of Thrones”, este episódio foi claramente inspirado em “Burn”, do Deep Purple. Todo o enredo está na letra de David Coverdale e seus parças:
“The sky is red, I don’t understand/ past midnight I still see the land/ People are sayin’ the woman is damned, / she makes you burn with a wave of her hand. / The city’s blaze, the town’s on fire/ the woman’s flames are reaching higher/ We were fools, we called her liar/ All I hear is – “Burn!”
“I didn’t believe she was devil’s sperm/ She said: “Curse you all, you’ll never learn! / When I leave there’s no return”/ the People laughed till she said: “Burn!”.
E assim se fez….
(E A PARTIR DE AGORA MUITO CUIDADO PARA NÃO SE QUEIMAR NAS LABAREDAS DE SPOILERS DESTE POST)
  1. 1. Sabíamos que o episódio de hoje seria o grande churrasco de King’s Landing. Mas…. Jesus and Mary Chain! Precisava ser com requintes de crueldade?
  2. 2. Resposta: precisava. Do contrário não seria “Game of Thrones”.
  3. 3. Ficamos em choque. E por que ficamos em choque se Daenerys fez exatamente o que anunciou que faria no início do episódio? Porque a gente finalmente confirmou as expectativas que vinham se desenhando há alguns anos. A mocinha não era tão mocinha assim na sua sede pelo poder. E mostrou NO MERCY. Foi cruel, fria, calculista. Disse que se não vai governar pelo amor, será pelo medo. E assim foi feito. E lembraremos para sempre de Daenerys Targaryen.
  4. 4. Impossível não ficar incomodado com a maneira cruel com que Daenerys incendiou a cidade. Vai demorar para Dubrovnik se reconstruir.
  5. 5. Quando eu via o dragão destruindo as muralhas eu só pensava: Ainda bem que eu andei e tirei foto ali em cima antes disso.
  6. A pergunta que fica é: ainda tem trono para sentar?
  7. 6. E pensar que tudo parecia correr bem em King’s Landing. A estratégia que cobramos foi feita por Dany. Pegou todo mundo por trás, detonou um por um todos os escorpiões e deixou os soldados da Golden Company mijando nas calças.
  8. 7. Tudo caminhava bem. Os soldados se renderam, os sinos tocaram. Mas Dany pensou que NOTHING ELSE MATTERS. Colocou o black álbum do Metallica para tocar, resolveu dar um basta e disse: “VOU QUEIMAR A PORRA TODA!”. E assim foi feita a sua vingança e iniciou o reinado pelo medo porque “ninguém me ama, ninguém me quer”.
  9. 8. Vocês repararam na cara do Jon Snow quando viu o que estava acontecendo? Foi exatamente a cara que nós fizemos diante da TV. Jon Snow representava a gente nessa batalha e a nossa sensação de choque diante do que víamos.
  10. 9. Espero que ao menos neste momento Jon tenha reconsiderado o seu mantra eterno: “Eu não quero! Eu não quero!” Não tem que querer, cara. O trono é uma obrigação. Sentar no trono é tipo criança comendo vegetais.
  11. 10. Rest in peace, Varys. Sabíamos que suas intenções eram nobres. Foi de cortar o coração a despedida com o Tyrion. Será que algumas das suas cartas chegaram nas Ilhas de Ferro ou Dorne? Porque agora tem que tirar a Daenerys do poder.
  12. 11. E o Clegane Bowl? Excelente! Como é difícil matar o Montanha! E tudo com as cenas da Arya. Um dos bons momentos deste episódio.
  13. 12. Também foi tocante o momento em que Sandor protege a Arya pela última vez. No fim, tendemos sempre a achar que o herói vai até o fim no seu objetivo, e ali Arya percebeu que era melhor viver a buscar uma vingança que não necessariamente saciaria a sua sede.
  14. 13. Mas essa foi uma reflexão feita friamente. Na hora eu fiquei é frustrado mesmo, pois queria ver a Cersei assassinada e não chorando.
  15. Aliás, rest in peace Cersei. Você foi uma verdadeira lenda.
  16. 14. O que não foi possível aturar foi aquela briga chinfrim entre Jaime e Euron. Todos nós perdemos com aquela cena.
  17. 15. Porém, rest in peace, Jaime. Você foi amado em sua morte.
  18. 16. Quantas vidas tem a Arya? Porque ela foi soterrada 75 vezes! Comeu cinza até de Pompeia e saiu lá linda e maravilhosa montada num cavalo branco.
  19. 17. Está cada vez mais claro que “Game of Thrones” devia ter parado na sexta temporada e continuado depois que o Martin terminasse os seus livros. A falta do material literário fez as duas últimas temporadas navegarem entre incertezas e pontas soltas que acabam por gerar muitas críticas. Problemas estes que ficarão para sempre. Paciência. Pelo menos ainda temos episódios bem filmados como este.
  20. 18. Aguardemos os livros. A verdadeira história – ou uma versão que tendemos a acreditar que seja mais bem delineada – ainda está para ser contada.
  21. 19. Só falta um episódio. Sentirei saudades.
  22. 20. Cotação da Corneta: nota 7,5.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

"Game of Thrones": Agora é Dany x Cersei

Dany está com sangue nos olhos
Olhem bem para Daenerys Targaryen. Olhem fixamente nos olhos dela. E reflitam. Vocês também estão sentindo aquela vibe “minions arrependidos” por em algum momento no passado terem acreditado no discurso dela? Achávamos que ela ia ser a salvadora, resolveria todos os problemas e governaria sob a paz do senhor.
Eu um dia acreditei fortemente nela. Mas… por sorte deixei de comprar a ideia lá pela sexta temporada. O Tyrion demorou um pouco mais. Mas ele começa a perceber que a situação não está legal. Os boatos já correm. Precisamos de um novo rei para acreditar e manter a paz. Quem vai unir o mundo?
O episódio desta noite me deu um susto antes mesmo de começar. Ao ler o título “The Last of The Starks” eu pensei que seria um massacre na minha família favorita. Por sorte não passou de um blefe.
(E A PARTIR DE AGORA, MUITO CUIDADO!!!! HÁ SPOILERS VOANDO COMO FLECHAS DE BESTAS POR TODO LADO NESTE POST).
  1. 1. Comecemos falando de Dany. Bom, está na cara que ela perdeu o poder, está perdendo o comando do Congresso, não tem o apoio total dos militares, tem a desconfiança dos aliados, não tem o carinho do povo e está tomando decisões com base no coração e num suposto destino messiânico. Ou seja, tudo errado. Ou melhor, tal pai, tal filha. Dany está um cruzamento de Collor com Bolsonaro, não tem mais juízo e caminha para um fim horrível com esse papinho de que “estou aqui para libertar o mundo dos tiranos”. Não tenho nenhuma pena. Quase torço para Cersei acabar com ela.
  2. 2. Torço também porque Lena Headey e Sophie Turner têm engolido de tal forma a Emília Clarke nesta temporada que estou ficando com pena de Dany. Um dos grandes prazeres desta temporada, aliás, têm sido ver cada cena de Lena e Sophie.
  3. 3. E também porque não podemos esconder de ninguém esse sentimento. Amamos Cersei. Ela é uma grande vilã.
  4. 4. Dada a sua falta de confiança e governabilidade frágil, Dany demonstra fraquezas a cada episódio. Entre as maiores provas estão: começou a distribuir cargos a torto e a direito. Deu até a um bastardo um castelo para chamar de seu. E também fez aquela homenagem a Arya que não pareceu nem um pouco sincera. E ainda fez cara de paisagem quando Tormund chamou Jon de rei. Por fim, anda desconfiada de tudo e todos. Ela já solta lamúrias pelos cantos: “ninguém me ama, ninguém me quer”. Quero ver quando ela enlouquecer de vez.
  5. 5. Pobre Gendry. Essa trepada deve ter sido épica. Porque bastou isso para ele oferecer a casa, comida e roupa lavada que ele ainda nem tem para a Arya. Uma pena que Gendry não viu as primeiras temporadas e não entendeu que nossa heroína não gosta do luxo dos castelos. Ela é uma guerreira e tem uma missão: “fechar olhos verdes”.
  6. 6. E assim encontramo-nos mais uma vez no momento bolão: quem matará Cersei? Arya, que segue a cavalo com um dia de vantagem, ou Jaime, que parece estar incumbido de zerar a sua dívida com o karma, já que fez muito mal ao mundo em nome da irmã-amante.
  7. 7. Porém…. e se os olhos verdes que Arya está destinada a fechar não forem os de Cersei, mas os de…. Dany?
  8. 8. O grande ensinamento deste episódio é que se queremos guardar um segredo, não podemos contar a ninguém.
  9. 9. Principalmente para a Sansa, que não segurou dois minutos com a fofoca do universo e já foi contar para o Tyrion. Tyrion, que por sua vez foi falar com quem? O maior fofoqueiro de Westeros, Varys.
  10. 10. E sabemos que o que cai na boca de Varys ganha vida pelo mundo. O próprio já disse: se oito já sabem, “não é segredo. É informação”. Curiosa teoria, inclusive.
  11. 11. Que triste a despedida de Jon e Ghost. Mas sabemos que ele fez o melhor para o lobo. Não dava para ele viver entre os homens por muito mais tempo. Ghost lutou bem e merece a liberdade das florestas como todos os animais.
  12. 12. Jon, aliás, que fez um verdadeiro discurso de rei na mega cremação de Winterfell. Varys já sentiu que ele é o líder que o povo quer. O povo também está sentindo esse feeling. Estamos começando a comprar essa ideia.
  13. 13. Amei Varys neste episódio. Ele está sempre vendo a big picture do cenário político. É uma tática de sobrevivência, é claro, mas cada um luta como pode. Nem todo mundo tem pau para botar na mesa. E mal ou bem, Varys está ali fazendo seus jogos há dez anos numa tentativa de defender o menos pior para o povo.
  14. 14. Brann virou mesmo a enciclopédia do mundo. Deve ser uma pessoa interessante com quem conversar.
  15. 15. Sentiremos falta de Tormund. Great warrior, great friend para o Jon. É aquele amigo sensacional sóbrio e ainda mais sensacional bêbado. Uma pena que não tenha dado certo com seu crush, mas assim é a vida.
  16. 16. Vimos também neste episódio a versão pré-histórica do “verdade ou consequência”. O “verdade ou beba vinho”. Esse jogo deve dar uma imensa ressaca.
  17. 17. Mas Jaime e Brienne curtiram. How you doing? E o Tyrion sacana fazendo piada de anão? Ele não presta.
  18. 18. Louvável, embora demasiado inocente, o esforço de Tyrion de apelar a emoção de uma mulher que é gelo puro para evitar a guerra. Já era, meu caro. Esse trem já passou. Agora, as espadas precisam ser empunhadas.
  19. 19. Não é possível que não tenha passado pela cabeça do Euron Greyjoy a frase: “Como esse anão sabe da gravidez de Cersei?”. Não é possível que ele não vá desconfiar um pouco que o filho não é dele.
  20. 20. Será que vende leite de giganta no Starbucks de Westeros?
  21. 21. Rest in peace Missandei. Rest in peace Rhaegal.
  22. 22. DRACARYS!
  23. 23. Cotação da Corneta: nota 8.