
Clara Averbuck é uma blogueira que começou a fazer sucesso muito antes da febre dos blogs e do próprio termo “blogueiro” existir. Bem antes da internet rápida também. Com sua conexão discada – com direito aquele barulhinho enjoado que todos que têm mais de 18 anos conhecem muito bem – Clara começou a escrever. Na sua escrita versava sobre suas dores, seus prazeres e se expunha da maneira que achava melhor e sem qualquer censura interna, como você pode mesmo pode conferir nos blogs “Brazileira!Preta”, já extinto, e “Adios Lounge”, sua, digamos, atual casa.
Uma exposição crua, direta, sem delongas ou rodeios. A cada post lançava a sua filosofia de vida rascante que acalentava o sonho secreto de viver de escrever. Neste ponto, porém, entra a ficção, pois a própria Clara já postou em seu blog que escrever “aconteceu” e não foi uma busca obsessiva.
Já adentrando, portanto, no roteiro escrito por Murilo Salles, Melanie Dimantas e Elena Soarez, o blog fundamentou a escrita de Camila e foi o ponto básico para que Clara lançasse dois livros: “Máquina de Pinball” e “Das coisas esquecidas na estante”. Dos livros e do blog, o diretor Murilo Salles cria uma história levemente adaptada em sua vida e a chamou de “Nome Próprio”.
Para o desafio de viver algo próximo do que foi e é Clara, pois a própria já disse que o filme é uma adaptação livre de sua vida, Murilo escalou a atriz Leandra Leal, também uma blogueira que escreve “Alice me persegue”. É sob a inspiração de Clara e a pele de Camila que Leandra vive o que talvez seja o seu mais importante papel no cinema.
Sem medo de se expor e abraçando de corpo e alma essa mulher que faz da intensidade a mola mestra da sua vida, Leandra é, com o perdão do trocadilho, o nome de “Nome Próprio”.
No filme ela é Camila, mulher sem endereço ou amores fixos, de vida cigana e disposta a se arriscar para fazer cada página de sua vida única. Cada marca, cada cicatriz, é valorizada. Cada post do seu blog tem a alegria intensa ou a dor lancinante. Enfadonho é uma palavra que inexiste no seu dicionário.
Mas essa opção por estar sempre no limite gera marcas, feridas profundas, cicatrizes no corpo (algumas) e na alma (milhares). Somando isso à bebida, ao cigarro e às pílulas que ela toma, Camila é uma mulher deliciosamente perigosa.
Como não se apaixonar por esse espírito intenso e livre? Ela certamente não é a nora que toda mãe pede a Deus, mas é um furacão às vezes necessário para bagunçar existências mais pacatas.
Camila reconhece que vive no caos. Pensa em organizar tudo, dar um jeito em si, machucar menos as pessoas. E quando isso aparentemente vai acontecer, quando ela tenta deixar a vida do blog (sem deixar de escrever no blog) para se reescrever, é novamente jogada nas profundezas da dor. Afinal, não há um homem certo para domar essa fera.
Uma exposição crua, direta, sem delongas ou rodeios. A cada post lançava a sua filosofia de vida rascante que acalentava o sonho secreto de viver de escrever. Neste ponto, porém, entra a ficção, pois a própria Clara já postou em seu blog que escrever “aconteceu” e não foi uma busca obsessiva.
Já adentrando, portanto, no roteiro escrito por Murilo Salles, Melanie Dimantas e Elena Soarez, o blog fundamentou a escrita de Camila e foi o ponto básico para que Clara lançasse dois livros: “Máquina de Pinball” e “Das coisas esquecidas na estante”. Dos livros e do blog, o diretor Murilo Salles cria uma história levemente adaptada em sua vida e a chamou de “Nome Próprio”.
Para o desafio de viver algo próximo do que foi e é Clara, pois a própria já disse que o filme é uma adaptação livre de sua vida, Murilo escalou a atriz Leandra Leal, também uma blogueira que escreve “Alice me persegue”. É sob a inspiração de Clara e a pele de Camila que Leandra vive o que talvez seja o seu mais importante papel no cinema.
Sem medo de se expor e abraçando de corpo e alma essa mulher que faz da intensidade a mola mestra da sua vida, Leandra é, com o perdão do trocadilho, o nome de “Nome Próprio”.
No filme ela é Camila, mulher sem endereço ou amores fixos, de vida cigana e disposta a se arriscar para fazer cada página de sua vida única. Cada marca, cada cicatriz, é valorizada. Cada post do seu blog tem a alegria intensa ou a dor lancinante. Enfadonho é uma palavra que inexiste no seu dicionário.
Mas essa opção por estar sempre no limite gera marcas, feridas profundas, cicatrizes no corpo (algumas) e na alma (milhares). Somando isso à bebida, ao cigarro e às pílulas que ela toma, Camila é uma mulher deliciosamente perigosa.
Como não se apaixonar por esse espírito intenso e livre? Ela certamente não é a nora que toda mãe pede a Deus, mas é um furacão às vezes necessário para bagunçar existências mais pacatas.
Camila reconhece que vive no caos. Pensa em organizar tudo, dar um jeito em si, machucar menos as pessoas. E quando isso aparentemente vai acontecer, quando ela tenta deixar a vida do blog (sem deixar de escrever no blog) para se reescrever, é novamente jogada nas profundezas da dor. Afinal, não há um homem certo para domar essa fera.
Mas há uma mulher para entendê-la a ponto de interpretá-la. “Nome Próprio” nunca será o maior filme da sua vida nem é algo fácil de digerir como um blockbuster, mas a atuação de Leandra Leal vale o ingresso e encobre os erros históricos que só os chatos percebem como a falha no roteiro quando ela diz “garota BBB” ou quando paga uma garrafa de bebida com uma nota de R$ 20. Duas coisas que não existiam no tempo da internet discada.