quarta-feira, 4 de maio de 2016

O melhor filme de super-heróis

Esse povo não se entende
Dia 1º de março é um dia especial. Eu sei que ainda estamos longe, mas não podemos esquecer desta data. Isso porque neste dia será o aniversário de Zack Snyder. Quando a data chegar, em 2017, todos nós devíamos enviar um DVD de presente para Zack. O DVD de "Capitão América: Guerra Civil" para que ele reaprenda a fazer filmes de super-heróis bem feitos, com bons atores, bons roteiros e, vejam só, até bem editados! Pois "Guerra Civil" não é nada parecido com aquela aberração chamada "Batman vs Superman". Zack, a Corneta não esquecerá de você.

O que dizer sobre Guerra Civil? Para resumir é um filme simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO. Tem ação, tem drama, tem bom humor (a participação do Homem-Aranha é impagável), tem um novo personagem maneiro (desde já estou ansioso pelo filme do Pantera Negra), tem um excelente vilão (O que Daniel Brühl fez pelo Barão Zemo deve ter feito o Jesse Eisenberg sentar no meio fio e chorar lágrimas de esguicho pelo seu patético Lex Luthor) e tem uma história, amigos, pois sem uma história não há efeito especial e piadinhas que deem jeito.

Embora tenha o nome do Oh Captain, My Captain América no título, "Guerra Civil" nada mais é do que um novo filme dos Vingadores. Nele, os novos Vingadores - Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Falcão (Anthony Mackie), Viúva Negra (Scarlett Maravilhosa Casa Comigo Johansson) e o Capitão América (Chris Evans) - estão numa ação perto do reino de Wakanda, na África, para impedir um camarada qualquer de fazer besteira e explodir o mundo. Só que a missão dá muito errada e o planeta começa a questionar a independência dos Vingadores de agir por aí sem um chefe, um comando de alguma organização como a ONU, por exemplo.

Afinal, lembremos que ao salvar o mundo os Vingadores destruíram Nova York, Washington e Segóvia. Ou seja, a moral deles com muitos líderes do planeta não está alta.

Eis que surge o Tratado de Segóvia, um documento assinado por 117 países afirmando que os Vingadores só podem agir sob ordem das Nações Unidas. Como o mundo tem 200 nações, eu fiquei curioso para saber quem não assinou e qual a posição do Brasil nessa disputa. Mas continuemos.

O tratado deve ser assinado por todos os heróis. É aí que surge o problema. O Homem de Ferro (Robert Downey Jr) acha que esse IMPEACHMENT do poder dos Vingadores é a melhor opção para todos. Assina o contrato, trabalha com o futuro governo, negocia cargos, indica futuros ministros, adianta que o Henrique Meirelles vai cuidar da Fazenda...

Por trás disso tudo, ele sente uma culpa pela morte de inocentes. Principalmente um garoto brilhante que a gente nem viu morrer em "Vingadores 2".

Só que o Capitão América não concorda com isso não. Ele vira para as nações do mundo e diz: "Isso é GOLPE! Eu não vou assinar nada!". E argumenta que os Vingadores não podem ficar à mercê dos políticos, pois eles poderiam fazê-los trabalhar em missões nada republicanas se colocarem os heróis nas rédeas curtas, mas bem maleáveis da lei.

Capitão América é aquariano, gente, ele precisa de liberdade. Afinal, ele é o Sentinela da Liberdade. Por isso, o Capitão se recusa a assinar e vai lutar até o fim pela verdade e pelo que é certo. Sim, às vezes é irritante como o Capitão América é perfeito e um exemplo para o mundo. Mas eu queria ser como ele.

Por trás disso tudo, porém, tem um debate ético sobre os limites do poder e quem deve controlá-los, que leis devem regê-los e qual a melhor forma de usar estes "poderes" para o bem da coletividade. Afinal, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Quem está pronto para assumi-las?

Chega de chatice filosófico-sociológica. Voltemos ao foco. No meio disso tudo, o rei de Wakanda morre num atentado em Viena e todos acham que é culpa do Soldado Invernal (Sebastian Stan). Afinal, ele sempre fica desequilibrado quando ouve aquela combinação de palavras do tipo "Saudade", "Tapioca", "Meu benzinho", "contra filé com palmito".

Está tudo confuso, está tudo uma zona. O Pantera Negra (Chadwick Boseman) e sua armadura de vibranium (que máximo!), quer vingança, o Capitão quer a verdade (sempre um escoteiro), o Homem de Ferro quer que a lei seja seguida e estatizar os Vingadores, e o Visão (Paul Bettany), bem o Visão não está conseguindo raciocinar direito porque começa a sentir uma coisa que androides supostamente não conseguem: amor. Eu percebi, meu caro. Esse negócio de fazer a comida favorita da garota é mais velho que andar pra frente. Mas acho que a Feiticeira não se tocou ainda.

E quando a voz da razão está pifando, a única coisa que se pode fazer é lutar. Tal qual um Axl Rose, o Capitão América ainda chega para o Homem de Ferro e diz: "I don't need your civil war". Mas não tem jeito.

É quando os heróis se dividem em dois grupos. No canto direito, pesando 150kg e vestindo uma armadura maneira está o Homem de Ferro e seus amigos Viúva Negra, Máquina de Combate (Don Cheadle), Homem-Aranha (Tom Holland), Pantera Negra e Visão. No canto esquerdo, pesando 100kg e o escudo que todos nós queríamos ter está o Capitão América, o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Homem-Formiga (Paul Rudd), Falcão, Soldado Invernal e Feiticeira Escarlate.

O ringue é um aeroporto em Berlim e nele temos várias sequências de ação excelentes. Aliás, "Guerra Civil" tem várias cenas de briga muito bem feitas e divertidas. Obrigado, Anthony e Joe Russo. Vocês já tinham feito um excelente trabalho em "Capitão América 2: o soldado invernal" (2014) e fico feliz em saber que vocês tomaram as rédeas dos próximos filmes dos Vingadores, "Guerra Infinita". Vocês são os irmãos Coen dos quadrinhos.

O comitê da corneta não tem o que criticar em "Guerra Civil". Não sem ser um chato, pedante e cri-cri. Por isso, cometerá um crime pela segunda vez em sua história. "Capitão América: Guerra Civil" vai ganhar uma nota 10. Chora, Zack Snyder.


terça-feira, 19 de abril de 2016

O analista econômico

Não estava fácil a vida naquele fim de tarde no Hell de Janeiro. Algo dera um enorme nó no trânsito e os ânimos ficaram exaltados com a imobilidade na velha cidade supostamente maravilhosa.

Rumores diziam que um acidente no bairro do Coisa-Ruim era o responsável pelo caos na South Zone. Ninguém confirmava. Nem negava.

Em meio ao caos estático, o intrépido Troncal 10, NOTA 10, singrava as ruas do bairro de PutFire. Ali, em um ponto qualquer, entrou um passageiro bufando como uma panela de pressão velha.

- Hoje está tudo PA-RA-DO - afirmava o cidadão fazendo pausas dramáticas e enfáticas, tal qual um Gil Gomes contemporâneo, aquele antigo repórter do "Aqui Agora".

Trajando uma camisa polo cinza, óculos escuros, o suor escorrendo pelo rosto e a pança saliente revelando o gosto pela sagrada cervejinha de cada dia, o homem bufava e seguia a sua sociologia particular versada em frases que caberiam num tweet.

- DE-MEN-TE. É a causa do engarrafamento. O DE-MEN-TE da fila DU-PLAAAAA - repetia o nosso Gil Gomes.

O homem era monossilábico e autossuficiente. Não precisava de ninguém para debater. Falava alto para o Brasil ouvir. Mas nunca em nome de Deus ou da família.

- Bairro-chave do EN-GAR-RA-FA-MEN-TOOOO. Bairro-chave do EN-GAR-RA-FA-MEN-TOOOO. O DE-MEN-TE da fila DU-PLAAA.

Os brados começaram a chamar a atenção dos passageiros do ônibus. A jovem de olhos verdes logo o fitou e trocou olhares com o rapaz ao lado. "Que louco", ela deve ter pensado.

Mas o homem não ligava para nada. Nem as impressões olfativas escapavam do seu julgamento.

- Que fedor. Lixo e PA-LÁ-CI-OOOOO. Qual o valor... da MAIS VALIAAAA?

O intrépido Troncal 10, NOTA 10, era um dos ônibus mais xexelentos do Hell de Janeiro. Dentro dele, humanos e baratas conviviam em harmonia involuntária. Sujo, desconfortável e caindo aos pedaços, o Troncal 10, NOTA 10, poderia desmontar a qualquer momento. Enquanto isso não acontecia, ele recebia todo tipo de passageiro.

Era o caso do homem com pinta de policial aposentado que não parava de fazer julgamentos aleatórios.

- TE-LE-FÉ-RI-COOOO. Mais vale do que mil casas - dizia, patinando no S. - TE-LE-FÉ-RI-COOOO. Qual o valor... do voto? Qual o valor... da MAIS VALIAAAA?

O show, porém, estava acabando. Pfff, pffff, bufava o homem quando levantou sob olhares curiosos. Deu o sinal e saltou quase em frente a Lady Martha Community.

- Hospedagem na FA-VE-LAAAAA.

Foi o seu último pronunciamento antes de seguir o seu destino.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Existe filme ruim com Darín?

Cámara e Darín, um show à parte
Está previsto na Convenção de Genebra. Todo filme com Ricardo Darín nos créditos deve ser visto. Afinal, você conhece algum filme com o ator argentino que seja ruim? Ok, tem "Amorosa Soledad" (2008), mas nesse filme a participação dele dura 15 segundos. Se você é daqueles que tiram cochilo em algum ponto da película pode até perder sua única cena. 

Como eu dizia neste exercício de lógica cinematográfica, todo filme com Ricardo Darín é bom. Logo, "Truman" é bom. 

Dirigido por Cesc Gay, a película conta a história de um ator argentino famoso na Espanha que desiste de continuar o tratamento contra um câncer no pulmão porque a sua morte é inevitável. Logo, ela pretende terminar a vida com alguma dignidade. 

Antes disso, porém, Julián precisa cuidar de alguns trâmites legais. Preparar o enterro e como ele será (enterro tradicional ou cremação?), se despedir do filho que estuda na Holanda e, a sua grande preocupação, arrumar um novo dono para Truman, o seu cachorro. 

Enquanto tudo isso se desenrola, ele recebe a visita de Tomás (Javier Cámara, excelente também), um amigo do peito, irmão camarada a quem ele explora financeiramente durante todo o filme. Pobre Tomás, bancou quatro dias de "Curtindo a vida adoidado" para Julián e pagando em euro. Ele deve ganhar bem no Canadá. 

Pensando bem, que indivíduo não faria isso para o seu melhor amigo? Não olhem para mim, eu sou jornalista e nem ganho em euro ou dólar. 

"Truman" poderia ser bem melancólico, afinal trata-se de um filme que fala sobre a morte e de um homem que decide abertamente por uma espécie de eutanásia quando está totalmente consciente e até bastante saudável na medida do possível. Mas o que o roteiro de Tomas Aragay e Cesc Gay nos exibe é uma série de sequências de bom humor, algumas cenas de humor negro, e um equilíbrio entre o difícil momento de lidar com a morte, as inevitáveis reminiscências do passado e um trabalho de aceitar o que virá pela frente. 

Se Julián está resignado com seu destino e tenta lidar bem com isso, seus amigos Tomás e Paula (Dolores Fonzi), precisam aceitar o desejo dele. Não é fácil, nunca é, mas Gay consegue construir a trama com delicadeza e refinamento para uma história difícil de entreter. 

As risadas no cinema mesmo diante de situações duras, as excelentes tiradas de um Darín com aquela cara de cachorro morto no fim da linha e cercadas de ironia e o próprio olhar cúmplice do amigo que sofre por dentro, mas aceita o destino traçado por Julián, são o ponto alto de um filme que mesmo quando se coloca em situações difíceis na história, consegue se sair bem. 

Gay apresenta em "Truman" um humor refinado e sarcástico digno de um bom Woody Allen. E não deixa espaço para o dragão Piegas agir. Seu trabalho diverte, entretém e, por isso, ganhará uma nota 7,5.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Não é 'A grande beleza'

Que visão!
O grande perigo de você fazer um filme incrivelmente belo nos mais diferentes pontos de vista estéticos, é desejar repetir essa fórmula de sucesso que, por vezes, ou eu diria muito provavelmente, soará pálida em comparação com a obra que tangencia a perfeição.

"A grande beleza", o lindo filme de Paolo Sorrentino, mostrava Roma em seus melhores ângulos - e você pode imaginar o quanto isso pode ser deslumbrante - enquanto fazia uma reflexão ensaística sobre o que é belo e o quão fútil ou não uma vida pode ser. 

O resultado foi um estrondoso acerto de roteiro, direção e trabalho dos atores premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014. 

"A Juventude", o novo trabalho do diretor italiano, tenta ir no mesmo caminho de "A grande beleza", mas escorrega na tentativa de mimetizar um filme que alia competência a uma confluência cósmica de acertos que só encontra paralelos em explicações divinas. Para um diretor napolitano, oriundo de um país que é a sede da Igreja Católica, não soa como heresia esta evocação divina. 

É uma pena que nem sempre estes acertos se repetem. "A Juventude" pende para a caricatura na comparação com "A grande beleza" e não satisfaz plenamente mesmo quando descolamos o trabalho de qualquer passado de Sorrentino. 

Sim, o filme é belo. O cenário agora é um hotel-spa na Suíça que é a definição do conforto. Conforto inclusive para os olhos de quem vê a película com as paisagens típicas de um verão naquele país europeu. Campos verdes e cheios de flores, vaquinhas leiteiras, os Alpes ao fundo com neve eterna nos picos, a sensação eterna de tranquilidade e paz. O lugar ideal para o descanso de dois artistas ou para o desenvolvimento de um trabalho que exige a reflexão. 

É lá que se encontram o maestro Fred Ballinger (Michael Cane, tocante), e o diretor de cinema Mick Boyle (Harvey Keytel). Dois veteranos amigos que vivem momentos distintos de suas vidas. Um praticamente desistiu dela desde a morte da esposa e enfrenta problemas de relacionamento com a filha, Lena (Rachel Weisz). O outro está numa efervescência criativa e empolgado em trabalhar com jovens roteiristas para finalizar aquele que seria o seu filme-testamento. 

Música e cinema se aliam numa reflexão sobre a passagem do tempo, as fraturas acusadas por ele e o tempo que foi aproveitado ou desperdiçado numa existência que é única mesmo para os que acreditam em uma eventual volta. 

Enquanto Bellinger e Boyle vivem a amizade em que se eximem de contar frustrações um para o outro, o hotel paradoxalmente exibe uma coleção de hóspedes que passam, de certa forma, recados sobre a passagem do tempo. Isso vai do casal que não se fala, mas se entende, passa pelo personagem caricatural de Maradona, um ex-jogador genial que hoje se encontra obeso e decadente, e chega até ao monge budista que controla o tempo e espaço dentro de sua meditação. É senhor do seu tempo. 

Nas duas horas de filme, Ballinger e Boyle vão revelando desejos e frustrações. E nisso ganham a companhia de um ator que fez muito sucesso em um filme de ação e agora luta para ser reconhecido como artista pleno num filme de arte em que ele viverá Hitler. Trata-se de Jimmy Tree (Paul Dano). 

Não faltam reflexões também sobre o próprio cinema e a sua importância atual em comparação com a produção televisiva. Discussão bastante atual, pois há mais de uma década as séries de TV têm ocupado o lugar da arte e da vanguarda que já foi do cinema, hoje mais afeito a blockbusters e franquias que garantam um bom faturamento. Por mais que o circuito de arte sempre vá ter o seu espaço. 

"A Juventude", porém, não atinge plenamente o seu objetivo. Michael Caine e Keytel estão bem, mas o filme careceu de um roteiro que desenvolvesse melhor as questões abordadas. Paralelo a isso, há um excesso de cenas desnecessárias, que desviam do foco proposto. E pareceu um equívoco a tentativa de dar leveza ao filme (com o perdão do paradoxo) ao colocar um Maradona fake apenas pela piada (ou um capricho do diretor que, como eu disse acima, é de Nápoles, onde Maradona é rei). 


Entre o idílico das paisagens suíças e dos belos corpos de mulheres igualmente filmadas como presentes divinos, Sorrentino fica no meio do caminho no objetivo de buscar um novo "A grande beleza". Faltou a "A Juventude" estofo, camadas e melhor desenvolvimento de ideias. Sobrou beleza e um final impactante. Por isso, o filme receberá um 6,5 da corneta.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Batman vs Superman: um 7 a 1 do cinema

Onde é a festinha à fantasia?
Poucas pessoas ficam até os créditos finais de um filme. Até aquele momento em que aparece que Pascoal Gumercindo foi o assistente de maquiagem do senhor Cavill e Josefina Andrews foi a cabeleireira para cenas de ação da senhorita Gadot. A corneta fica em ocasiões especiais. E foi lá que ela viu uma situação que soou como uma anedota. Nos agradecimentos especiais de "Batman vs Superman: a origem da Justiça" estava o nome de Frank Miller.

Miller é um gênio responsável por histórias clássicas do Demolidor e do Wolverine e por um cânone dos quadrinhos chamado "Batman: o cavaleiro das trevas" (1986), justamente a HQ que tem a tão comentada batalha entre o Batman envelhecido e o Superman em um futuro distópico. Eu não posso falar por Miller, mas se fosse ele ficaria envergonhado diante do trabalho equivocado (eu quis ser educado) de Zack Snyder no cinema.

Confesso que a última vez que fiquei tão constrangido em uma sala de cinema foi quando vi "Cinquenta tons de cinza". A diferença é que não fiquei anos esperando para ver esse Sabrina gourmetizado.

E ATENÇÃO: A PARTIR DE AGORA É METRALHADORA DE SPOILERS EM TEXTÃO.

"Batman vs Superman" não é um filme baseado em "O cavaleiro das trevas". E Snyder já havia deixado isso claro. A questão é que o que ele nos apresenta como solução para este filme que seria o embrião da Liga da Justiça é um nada. Uma junção de erros, atuações sofríveis, roteiro sem pé nem cabeça e mal escrito e um filme que é sem ritmo e até mal editado.

Passamos mais de uma hora e meia indo de uma cena a outra sem que uma coisa tenha qualquer contato com a cena seguinte e a anterior. O que Zack queria? Nunca saberemos. Só o que sabemos é que ele pegou duas ótimas histórias (além do "Cavaleiro das Trevas" há ecos de "A morte do Superman" ali) e transformou num papelão digno de filme do "Quarteto Fantástico".

Os problemas de "Batman vs Superman" são tantos que vou fazer em lista para facilitar o trabalho:

1- Ben Affleck não pode fazer filme de super-herói. Ele destruiu o Demolidor, que ficou mais de uma década no limbo até ganhar uma segunda chance. Obrigado, Netflix, te amo. Seu Bruce Wayne é aquela coisa inexpressiva, olhar de estou zangadinho com o mundo, com um grisalhinho próximo às orelhas dignos de quem esqueceu de passar Grecin. ‪#‎voltaChristianBale

2- Henry Cavill, amigos, não funciona quando não está brigando. Eu disse isso em "O homem de aço" (2013) e mantenho a crítica.

Eu sou mais bonito que você
3- O Batman não tem superpoderes, mas tem dinheiro, que é praticamente um superpoder. Como é que ele resolve achar que o Superman é responsável pelas mazelas do mundo sem apurar direito com todas as suas fontes? Cara, a desculpa de que é supostamente a primeira aparição do Superman não cola. Até porque ele fica dois anos remoendo uma raivinha de quem perdeu a Mulher-gato para o melhor amigo sem ter apurado direito os benefícios que o Homem de aço fazia ao planeta.

4- A obsessão patológica dele pelo Superman, com direito a recortes de jornal na parede também não cola. Afinal, cuidar de Gotham City dá trabalho. Tem Coringa, Pinguim, Espantalho, Duas-Caras, Bane, Hera Venenosa... Entre outros. Não dá para fazer clipping do noticiário da cidade do outro lado da ponte.

5- Jesse Eisenberg, pede para sair. Esse Lex Luthor misto de "sou descolado, como balinha de ursinho, uso tênis e trabalho no Google" com "tenho um parafuso a menos e devia estar no asilo Arkham" não combina com o Lex Luthor. Está caricato, está boboca e nada tem a ver com Lex Luthor. Deu saudade do Gene Hackman. E acho que até do Kevin Spacey.

6- Esse negócio de Lois Lane (Amy Adams) ser uma jornalista tão fodona a ponto de saber sem NENHUMA apuração onde encontrar o Superman para salvá-lo da morte ou saber tudo o que acontece apenas com dois pedaços de informação é uma piada.

7- O filme tenta levantar duas discussões atreladas aos dois heróis principais. Os limites do poder do Superman e os métodos pouco ortodoxos do Batman em lidar com o crime. Falha em ambos porque o roteiro é banal e tão profundo quanto piscina de bebê. No caso do Superman parecia um episódio de "Supergirl".

8 - Excesso de flashbacks sem sentido (todo mundo sabe como os pais do Bruce Wayne morreram), alucinações desnecessárias...

9- Zack Snyder tentou repetir uns truques de "Watchmen" e a coisa ficou tosca. Toda aquela câmera lenta, todos aqueles olhares perdidos ao infinito. Meu Deus, que triste.

10- E chegamos ao momento ÚNICO E FREUDIANO. O mais constrangedor de todos! Quando Batman e Superman estão brigando no recreio da escola como dois coleguinhas que se desentenderam, tudo fica bem quando o Batman descobre que, além de órfãos, ambos têm uma mãe de mesmo nome: Martha. Sim, é assim que acontece, com direito a uma sequência de diálogos dignos de novela mexicana.

Mas nem tudo é um horror no filme. Destaquemos quatro pontos positivos.

1- A trilha sonora épica. Eu gosto de trilhas sonoras épicas como se fosse a última guerra do planeta antes do Apocalipse.

2- Jeremy Irons manteve a dignidade do Alfred.

3- A participação da Mulher Maravilha (Gal Gadot) com seus cabelos esvoaçantes padrão Beyoncé, escudo, espada e chicotinho dourado. Ela bem que tentou salvar o filme, mas naquela altura do campeonato já tinha saído até o gol do Khedira e a tragédia estava consumada.

4- A luta entre Batman e Superman, quando o Morcego dá uma bela surra no Homem de Aço, o fazendo até perder o penteado perfeito cheio de gel. É uma pena que a motivação dela tenha sido pífia, e o desfecho patético. Aliás, nenhum personagem parece saber o que está fazendo no filme.

É lamentável que "Batman vs Superman" seja uma tragédia. No mundo atual, não cabe mais filme ruim de super-herói. São outros tempos. Mas Zack Snyder resolveu entrar em campo para levar um 7 a 1 cinematográfico. É com pesar que a corneta dará ao seu filme uma nota 2,5.

domingo, 20 de março de 2016

Muito fácil divergir

Será que do outro lado do muro é legal?
A série de filmes "Divergente" é tipo uma série B dos filmes de jovens garotas que vão à luta em busca de melhores salários, condições de vida e um namoradinho forte com olhar apaixonado de cachorro leal para chamar de seu. Enquanto "Jogos Vorazes" tinha algumas coisas interessantes, apesar daquele fim pífio padrão Manoel Carlos, os filmes de rima pobre "Divergente", "Insurgente" e "Convergente" (e ainda vem aí o "Ascendente", em escorpião) são um strike de ruindade e falta de malemolência. 

"Convergente", o filme, é o primeiro capitulo do final desta série de histórias baseadas nos livros de Verônica Roth. Seguindo uma tendência já apontada por "O Hobbit" e o próprio "Jogos Vorazes", a trilogia literária vira um quarteto de cordas cinematográfico quase sempre desafinados. 

Se os dois primeiros tomos da história da jovem Tris (Shailenne Woodley) já não eram grande coisa, parecia improvável que a parte I do final iria se redimir. 

Estamos num mundo pós-Kate Winslet, o que é sempre um mundo pior. Jeanine foi para a vala no filme passado e agora a Chicago distópica pós-apocalíptica  é comandada por Evelyn (Naomi Watts), a mamãe superprotetora de Quatro (Theo James) e sogrinha de Tris. 

Como vocês sabem, esposas e sogras nunca se dão bem na relação envolvendo o mesmo homem, então logo vai rolar um conflito e Quatro será macho o suficiente para romper o cordão umbilical. Afinal, ele é jovem, ela é jovem, e os dois querem sair da barra da saia da mãe de Quatro e descobrir o que tem do outro lado do muro. 

Mas o paraíso está longe de estar do outro lado do muro. Como Dorothy nos ensinou em "O mágico de Oz" (1939), "não há lugar como o nosso lar". 

Garoto malandro das docas destruídas de Chicago, Quatro logo percebe que tem caroço no angu higienizado de David (Jeff Daniels), o chefão de um mundinho-paraíso protegido por um campo holográfico. O difícil é convencer Tris disso, pois a menina está completamente EMBEVECIDA pelo seu novo status de roupas brancas da Chanel e bolsa Louis Vitton. A menina perdeu o foco, o EYE OF THE TIGER. O namoro balança. Mas sabemos que nestes filmes previsíveis o amor sempre vence (argh!). 

Nesse grande Big Brother distópico, só Quatro pode nos salvar. Enquanto a inocente Tris trará a pureza da sua liderança na esperança de dias melhores. 

"Convergente" ainda vai acabar no "Ascendente" (em touro) em 2017. Mas podemos dizer que este filme escorrega na qualidade estética. Shailene não tem o carisma de Jennifer Lawrence e nem chega perto dela como atriz. James, coitado, está ali só para mostrar a bundinha sombreada no banho de chuveiro desintoxicante para a diversão das meninas. E Naomi certamente não vai querer se lembrar deste filme como um dos trabalhos que mais se orgulhou na carreira. 

As discussões que o filme tenta propor (sociedade hiper vigiada, fragmentação, guetos, diferenças, imigração) não vão além da página 2. E a capa de entretenimento não satisfaz. 

Tudo acontece em banho-maria. Dos tiros às emoções. A única cena realmente legal é a de quando eles escalam o muro para descobrirem uma nova Chicago. É pouco e acontece logo no início. Esperemos que "Ascendente" (em aquário) traga alguma dignidade à série (agora que eu cheguei aqui, vou até o fim né). Para "Convergente" a corneta só poderá dar uma nota 3. Mas eu aceito subir para 4 se ganhar de presente uma coleção daqueles drones inteligentes. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Iron Maiden: parte VI

Iron e seu novo cenário/Marcelo Alves
Não existe noite de show do Iron Maiden completo sem que ele termine com os devidos comentários malemolentes.

1- A expectativa era grande pelo primeiro show no Hell de Janeiro desde que Bruce Dickinson se recuperou de um câncer na garganta. Quando aconteceram umas falhas no som logo no início com "If Eternity should fail" e "Speed of light" rolou na minha alma um sentimento de Lula em telefone grampeado: "puta que pariu, fodeu, ele não está conseguindo cantar". Mas aparentemente era só o microfone mais baixo em meio à explosão de guitarras.

2- Isso porque quando veio a terceira música do show, uma canção daquelas que para atingir todas as notas é preciso usar cueca apertada... aí amigo a história foi diferente. Quando Bruce soltou aquele "Children of the daaaaaaaaaaaaaammmmmned", o HSBC Arena sofreu abalos sísmicos. Estávamos em mais um show épico do Iron.

3- Não tem jeito, Bruce Dickinson é o maior Bruce que existe. Um pouco à frente do Springsteen e do Wayne, muito à frente do Banner, que é muito esquentadinho.

4- O Iron é uma religião. E qualquer detalhe significa fãs possuídos. É o caso do cara perto de mim que teve um orgasmo simplesmente quando tiraram os panos pretos do palco durante "Doctor Doctor", pouco antes da banda entrar no palco. Ele gritou: "Olha o CENÁRIO!!!!". Sim, amigos, o Iron tem sommelier de direção de arte.

The trooper, um clássico/Marcelo Alves
5- Todo show do Iron é diferente. Mas com algumas canções em comum. Clássicos eternos que estiveram presentes nas minhas seis vezes diante da banda: "Fear of the dark" (com direito a risadinha maléfica), "The Trooper" (com direito a bandeiras britânicas sacudidas), "Iron Maiden" (momento Eddie gigante) e "The number of the beast" (com direito a um maravilhoso capeta surgindo no fundo do palco).

6- Faltou "Two minutes to midnight". Talvez não rolou porque não tinha clima. O show acabou 23h10min depois de duas horas de espetáculo.

7- Foram seis músicas do novo álbum, o muito bom "Book of Souls". Além das duas já citadas lá em cima teve ainda "Tears of a clown", composta em homenagem a Robin Williams, "The red and The black", "Death of Glory" e "Book of souls". E ao vivo elas são ainda melhores.

8- Bruce gritou 11 vezes "Scream for me Brazil" ou "Scream for me Rio". Só em "Powerslave" foram cinco vezes. E ele sempre foi atendido.

9- O vocalista também disse que não para de ver bandeiras do Brasil na CNN. Com a sabedoria de quem é o guia de uma nação, Bruce pediu que os bad guys fossem para a cadeia e todos se amassem.

10- Como as novas músicas têm muitos solos, arpejos e fru-frus em geral, não falta trabalho para os guitarristas Dave Murray (cada vez mais tiazona) Janick Gears (que continua sendo aquele simpático presepeiro) e Adrian Smith. Nós curtimos.

11- Steve Harris está sempre fazendo aquela cara de mal. Afinal, alguém tem que ser sério e tomar as rédeas desse negócio!

Capetinha extra/Marcelo Alves
12- Já o Nicko McBrain continua sendo tratado pelos fãs como o mascote do grupo. Ele é mais mascote que o Eddie, que poderíamos dizer que é um guia espiritual.

13- "Blood Brothers", do "Brave new World" (2000), foi uma boa decisão de incluir no set list. Bela canção. Mas é claro que sempre faltam muitas músicas. Afinal, o show tem apenas 2h e o Iron ainda gosta de exibir uma coletânea de faixas acima de oito minutos.

14- Foi tudo lindo. Podem falar para o Medina contratar o Iron para fechar um dos dias do metal no Rock in Rio de 2017. Até lá o show estará ainda mais azeitado.

Cotação da corneta: 9

segunda-feira, 14 de março de 2016

Dois refrescos e a conta com: a Coxinha

A coxinha: melhor salgado
"Coxinha é vida, é povo, é massa"

Salgado secular crítica o desvirtuamento de sua imagem por disputas políticas
A Coxinha está passada. Um dia depois das manifestações que tomaram o Brasil de assalto (sem duplo sentido), o salgado favorito de muitos brasileiros reclama que desde 2014 vem sendo alvo do que considera ser "uma injustiça" e uma "campanha difamatória" contra uma história construída há gerações por sua família. Nesta entrevista exclusiva para a Corneta, a Coxinha pede que o seu nome não seja mais atrelado a um conflito ideológico e político no qual ela não pediu para entrar.

- Meu único desejo é alimentar esse Brasil - diz.

Conte-nos algo que não sabemos?

- Eu nasci há 200 anos atrás. E não tem ninguém nesse mundo que não tenha me comido demais.

Hahaha, Coxinha você é uma gozadora. Gosta de Raul Seixas?

- Ele é que gostava de mim. Adorava me comer.

Mas conte-nos mais sobre suas origens.

- Eu nasci oficialmente durante a industrialização de São Paulo no século XIX. Passei a ser vendida na porta das fábricas como uma alternativa mais barata às coxas de galinha, portanto vim muito antes de PT, PSDB e essas crianças militantes que agora estão desvirtuando o meu nome e a minha função social. Desde a eleição de 2014 eu venho sendo alvo de uma grande injustiça e uma verdadeira campanha difamatória contra o meu nome e o da minha família.

Incomoda você ter o seu nome associado aos almofadinhas de hoje em dia em manifestações como a de domingo?

- Sim! É um completo desvirtuamento do discurso político. Ao lado do Kibe, eu sempre liderei a preferência nacional da Frente Libertadora Salgado + Refresco a R$ 1,50. Sou do povo. Aliás, coxinha é vida, é povo, é massa!

E nunca foi bem vista na Casa Grande...

- Eu sou muito senzala. Eu alimento o trabalhador brasileiro pobre há gerações. E sou mais nutritiva que um Big Mac. Aliás, eu queria dizer que minhas primeiras versões nasceram na cozinha da princesa Isabel e o filho dela com o conde D'Eu me amava... Aliás, os ricos sempre gostaram de mim, mas sempre me comeram escondida. No escuro dos seus quartos. Nas festas deles, quem sempre brilha é aquele meu primo sem graça, o caviar.

Então quando alguém supostamente de classes mais abastadas ou que apoia determinados partidos políticos é chamado de coxinha você se irrita?

- Não posso aceitar ver o nome da minha família jogado na lama assim. Por que não voltam a usar almofadinha, que é um nome muito mais apropriado? Ou playboy? Eu brilho em festas de pobre em todo o Brasil. Quando eu chego com a minha turma, o Kibe, o Risole e aquela fofa da Bolinha de Queijo, fazemos a alegria da criançada. Só perdemos mesmo em preferência para o Brigadeiro, mas esse rapaz é imbatível. O Brigadeiro são os Beatles das festinhas.

O que você pensa de manifestações políticas como a que vimos neste domingo?

- Desde que você não defenda posturas autoritárias, golpes e outras medidas de regimes de exceção, eu prefiro ler como um retrato da democracia vibrante. E não importa a sua vertente política, sempre pode passar na lanchonete para me comer quando estiver com fome.

Coxinha pode ter catupiry?

- Eu não gosto. Respeito essa vertente gourmetizada, mas coxinha de verdade é só com frango. De preferência com algo entre 70% e 75% de sua totalidade composta por frango.

Mas e as coxinhas vegan da Bela Gil?

- Aff, essa menina tem problema. Não foi ela que colocou a pobre da melancia numa grelha?

Foi.

- Isso não se faz, gente. A Melly ficou toda assada. Veja bem, coxinha roots de verdade só tem frango. No máximo, catupiry.

Coxinha combina com o que?

- Refresco, suco natural. Até refrigerante está valendo. E pode também ser usada harmonizando num prato de comida. Mas com moderação.

A sua irmã que eu acabei de comer durante essa entrevista estava muito gostosa.

- Obrigada, querido. Servir bem para servir sempre. Esse é o lema histórico da nossa família.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Os deuses estão loucos

DR entre mortal e deus
Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) está sempre perdendo alguma coisa em suas batalhas. É uma mão em "Game of Thrones", os olhos em "Deuses do Egito"... Pelo visto ele está jogando no nível "very hard" no videogame da vida. 

Mas perder partes do corpo é o menor dos seus problemas no filme de Alex Proyas. Um trabalho, aliás, que eu gostaria de ter feito a Glória Pires e dizer: "Não assisti", "Não sou capaz de opinar". Pior que eu nem posso dizer "gostei médio". 

Como eu dizia, o que mais me deixou intrigado nisso tudo é como Nikolaj, Gerard Butler e, principalmente, Geoffrey Rush aceitaram participar dessa produção que corre sério risco de ser uma das coisas mais kitsch e circenses de 2016. Até o momento rivaliza com "A quinta onda" pelo prêmio corneta "O que eu estou fazendo no cinema?". 

Vamos refletir. Embora seja um astro de "Game of Thrones", Nikolaj ainda não é ninguém no mundo da sétima arte. Logo, precisa pegar uns personagens, fazer uns freelas, se fazer conhecido. E como negar um protagonista de uma ~~~~superprodução~~~~? Butler, por sua vez, sempre teve uma queda por filmes épicos que se passam antes de Cristo. Não esqueçamos que ele foi o rei Leônidas em "300" (2006). Mas e Geoffrey Rush, esse lorde shakespeariano? Não tem explicação ele ficar de TRANCINHA vivendo o deus Rá e batendo no peito enquanto entra em combustão espontânea. 

"Deuses do Egito" não é um filme. É um enredo de escola de samba. Poderia ser o tema da Grande Rio em 2017: "Das pirâmides do Nilo, os deuses estão loucos e caem no samba sob o abraço da folia". De repente pega até um desfile das campeãs.

O filme começa quando Osiris (Bryan Brown), a Elizabeth II do Egito antigo, está cansado de se eternizar no poder e resolve colocar sangue novo no reino passando o trono ao filho Horus, o nosso Jaime Lannister de "Game of Thrones" (príncipe Charles ficou com invejinha). Até os deuses se cansam né? 

Só que o irmão de Osiris, Set (Butler) não curtiu e, cansado de literalmente pregar no deserto, resolve dar um golpe de estado celestial. Pronto, está armada a confusão. Sabemos o que acontece quando alguém busca o poder a todo custo e de forma desmedida. 

Horus e Set têm uma batalha épica com direito aos dois se transformando em bichinhos que renderiam bons bonecos no mercado infantil se o filme fosse minimamente razoável. É claro que Horus perde. A batalha e os olhos. É na derrota que começa a jornada do herói. 

Antes de buscar a sua vingança, Horus precisa passar por provações. Descobrir o valor do amor, da lealdade, da humildade e do companheirismo. Um guerreiro não está completo sem ser nobre de espírito. Thor nos ensinou isso. 

Para ter sucesso com a missão, ele contará com a ajuda de um mortal. Bek (Brenton Thwaites) é um ladrão habilidoso e ousado que faz de tudo para tirar a amada Zaya (Courtney Eaton) do "Nosso Lar" egípcio. 

Os dois vão passar por diversas missões que mais parecem os trabalhos de Hércules. Tudo para restabelecerem a paz e a ordem no Egito branco e louro de Hollywood. Um reino então mergulhado no caos e numa ditadura cercada de escravos e com uns poucos privilegiados. 

Para chegar lá serão muitos diálogos terríveis, muitos olhares 43, muito sangue dourado derramado (isso mesmo!) e alguns efeitos especiais legaizinhos. Sem contar a aposta na esperança e no amor, aquele sentimento que vence tudo. Argh! 

Não dá, amigos. "Deuses do Egito" abusa do direito de ser ruim. Salvo alguns poucos bons momentos, o filme deixou a corneta PASMA. Por isso, vai ganhar uma nota 3.