Há 25 anos o Brasil e o Rio de Janeiro entravam na rota dos grandes shows internacionais. Parece até brincadeira em se tratando do Rio que hoje sofre para conseguir grandes espetáculos (O AC/DC não veio no ano passado e o Metallica não virá neste mês, por exemplo), mas até 1985, o cenário era de uma aridez ainda maior. Foi aí que o empresário Roberto Medina resolveu fazer o nosso Woodstock e criar o primeiro grande festival de rock local então batizado de Rock in Rio.
Realizado entre os dias 11 e 20 de janeiro daquele ano, o festival reuniu pesos pesados da música mundial que tocavam aqui pela primeira vez como Queen, Iron Maiden, Rod Stewart, AC/DC, Scorpions, Yes e Ozzy Osbourne. Junto deles, algumas atrações do rock brasileiro que já davam as caras e mudaram a história da música nacional como o Paralamas do Sucesso e o Barão Vermelho ainda com Cazuza nos vocais.
Para realizar o evento, foi construído um palco de cinco mil metros quadrados de área, o maior já feito no mundo até então, num terreno entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá que ficaria conhecido como a Cidade do Rock. Por ali passou 1,5 milhão de pessoas, o equivalente a três Woodstocks. O maior público foi no primeiro dia. Duzentas mil pessoas acompanharam os shows de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, Erasmo Carlos, Ney Mato Grosso, Whitesnake, Iron Maiden e Queen. Foi a única apresentação do Iron. O Queen ainda voltaria no dia 18 ao lado de The Go-Go’s B-52’s, Lulu Santos, Eduardo Dusek e Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens.
Já o Whitesnake, convocado as pressas para substituir o Def Leppard após o acidente de carro que levou o baterista Rick Allen a ter que amputar um dos braços, retornaria no dia 19 para tocar com AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne e Baby Consuelo e Pepeu Gomes.
O mesmo Ozzy já havia tocado três dias antes junto com Rod Stewart, Rita Lee, Moraes Moreira e o Paralamas. Já o AC/DC, se apresentara no dia 15 com Scorpions, Barão Vermelho, Eduardo Dusek e Kid Abelha.
Também participaram do festival James Taylor, George Benson, Al Jarreau, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Ivan Lins, Nina Hagen, Blitz e Alceu Valença. Música para todos os gostos, portanto.
Depois daquele ano, o Rio ainda teve outras duas edições do Rock in Rio em 1991, no Maracanã, e em 2001, num festival inesquecível para este blogueiro que praticamente se mudou para a Cidade do Rock naquelas quase duas semanas de muita música. Em seguida a marca viajou para Portugal e Espanha e nunca mais voltou ao seu país de origem. Agora se fala em uma nova edição no segundo semestre de 2011. Tomara que ele volte e ganhe uma constância. O Rio precisava de um festival de rock que acontecesse com mais freqüência.
Abaixo algumas curiosidades da primeira edição do Rock in Rio colhidas no vasto mundo internético:
- Para tocar no festival, o AC/DC exigiu como condição usar um sino de meia tonelada que seria tocado pelo vocalista Brian Johnson durante “Hells Bells”. Como o bicho, que veio ao Brasil de navio, era muito pesado para a estrutura do palco, um dos cenógrafos do festival fez sem que a banda soubesse um sino de gesso para a ocasião.
- Foi nesta edição do Rock in Rio que o Iron Maiden tocou para o maior público de sua história: 200 mil pessoas. No Rock in Rio III, o Iron conseguiu o segundo maior público de sua história: 180 mil pessoas.

- Ao tocar no mesmo dia de AC/DC e Scorpions, o Barão Vermelho poderia ter sofrido com os fãs de metal, mas a banda fez uma apresentação memorável e foi a única que não foi vaiada pelos metaleiros. No mesmo dia, aliás, acontecia a eleição presidencial que escolheu Tancredo Neves como presidente do Brasil após um longo período de ditadura. Durante “Pro Dia Nascer Feliz”, Cazuza disse: “Que o dia nasça lindo para todo mundo amanhã. Um Brasil novo e com a rapaziada esperta!”.
- Antes do festival, James Taylor pensava em abandonar a carreira. Dependente químico e abalado com o divórcio da cantora Carly Simon, ele veio ao Rio apenas porque já tinha assinado contrato. Comovido, no entanto, com a recepção que teve do público, ganhou nova vida, resolveu retomar a carreira e em homenagem ao Rio compôs a música “Only a Dream in Rio”, que tinha um trecho que dizia “Eu estava lá naquele dia e meu coração voltou a vida”. Taylor ainda voltou ao país para participar do Rock in Rio III, pois considerava ser questão de honra.
- Depois do episódio em que Ozzy Osbourne mordeu um morcego num show três anos antes, os organizadores do Rock in Rio colocaram uma cláusula no contrato que o proibia de comer animais vivos no palco. E o Senhor das Trevas cumpriu tudo dentro do riscado, mesmo depois de uma galinha viva ter sido jogada no palco. Talvez ele preferisse mamíferos.
- “Love of my life” foi a canção do festival. É a mais lembrada até hoje quando alguém fala do primeiro Rock in Rio e o próprio Freddie Mercury havia considerado a execução da música como a melhor já feita pela banda. Quando voltou ao Rio em 2008 para tocar com Paul Rodgers, o guitarrista Brian May disse que até hoje escuta as vozes do público ecoando no seu ouvido.
Chega de escrever. Abaixo, alguns momentos marcantes do Rock in Rio I:
Queen - "Love of my life"
Queen - "Bohemian Rhapsody"
Scorpions - "Rock you like a hurricane"
Scorpions - "Still loving you"
Iron Maiden - "The trooper"
Iron Maiden - "The number of the beast"
Ozzy Osbourne - "Crazy Train"
AC/DC - "Hells Bells"
AC/DC - "For those about the rock"
Whitesnake - "Love ain't no stranger"
Barão Vermelho - "Por que a gente é assim"
Barão Vermelho - "Maior abandonado/Milagres/Subproduto do Rock"