segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Best Of 2013 - Cinema

La vie D'Adèle, o melhor filme de 2013
Depois dos melhores shows do ano (que você pode ver no post abaixo), chegou a hora do grande momento da corneta de Memórias da Alcova: o de eleger os melhores e os piores filmes de 2013.

O top-10 é sempre um duro desafio para este blogueiro (deixa eu valorizar o meu trabalho com um chôrôrô, vai). Após muito tira daqui, coloca dali, pensa, reflete, cheguei a 17 títulos. Cortar sete foi outro duro desafio, mas tive que deixar de fora filmes muito bons como “Lincoln”, que rendeu um Oscar a Daniel Day-Lewis, “Capitão Phillips”, que pode render um Oscar a Tom Hanks no ano que vem, “As sessões”, “Hanna Arendt” e “Guerra Mundial Z”.

Mas só cabiam dez. É a tradição do Best Of. E cheguei à conclusão que os dez filmes abaixo foram os que mais me marcaram de alguma forma em 2013. Então, vamos ao ranking.

10º lugar – “O som ao redor” – Um bairro de classe média pernambucana é o grande personagem do filme dirigido por Kléber Mendonça Filho. O crítico de cinema, que resolveu virar vidraça e realizar o seu primeiro longa, conta uma história de preconceitos, pequenas contravenções, subornos e crimes em geral realizados em Recife. Da complexidade daquele microcosmo cheio de nuances, podemos refletir sobre toda uma realidade brasileira. O filme foi indicado para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro em 2013, mas não foi pré-selecionado. Azar do Oscar.

Cameron Diaz e Penélope Cruz no 'Conselheiro do Crime'
9º lugar – “O conselheiro do crime” – Muitos amam este filme. Outros odeiam. Eu me incluo no primeiro grupo. Primeiro roteiro do escritor Cormac Mccarthy, o trabalho de Ridley Scott é um filmaço sobre a máfia mexicana e as graves consequências que a ganância pode causar a uma pessoa que se envolve com tipos tão perigosos. O filme conta com ótimas atuações do elenco, em especial Michael Fassbender, que vem a ser o personagem principal da história.

8º lugar – “Django Livre” – Não é o melhor filme de Quentin Tarantino, mas é mais uma ótima história de vingança do diretor americano. Dessa vez, Tarantino aborda, ao seu estilo, o racismo e a escravidão americana, sempre ridicularizando os preconceituosos. O filme ainda conta com ótimas atuações de Christoph Waltz, Jamie Foxx e Leonardo di Caprio.

7º lugar – “Dentro de casa” – François Ozon teve dois filmes exibidos no Brasil neste ano. “Jovem e bela”, ainda em cartaz, é um bom trabalho sobre uma jovem que se sente vazia e começa a se prostituir. “Dentro de casa” é ainda melhor. Conta a história de um jovem aluno de uma escola francesa que mostra talento como escritor e envereda o seu melhor amigo, a família dele e o seu professor de literatura numa trama realista criada por ele com ecos na linguagem de reality show. Um trabalho que abre portas para uma série de discussões sobre abuso, invasão de privacidade e conceitos de arte.

6º lugar – “Indomável sonhadora” – Gosto de filmes meio filosóficos e com um pé em um realismo fantástico. É exatamente o que Bem Zeitlin nos dá na história de uma menina de nove anos vivida por Quvenzhané Wallis, que concorreu ao Oscar de melhor atriz. No filme, Hushpuppy vive com um pai alcoólatra em um lixão perto de uma represa. Apesar de uma vida miserável, ela consegue superar as dificuldades com muita imaginação. É um trabalho tocante.

Cartaz de 'Amor Pleno'
5º lugar – “A caça” – Um excelente e perturbador filme dinamarquês dirigido por Thomas Vinterberg. Conta a história de um homem (Mads Mikkelsen) erroneamente acusado de abusar sexualmente de uma menor. Um erro a partir da mentira de uma criança que destruiu a sua vida e marcou profundamente não somente ele e a sua família, como todos os habitantes da cidade que convivem com ele. A ponto de, mesmo depois da verdade ser exposta, as vidas de todos nunca mais serem as mesmas.

4º lugar – “Amor pleno” – Mais um filmaço de Terrence Malick. Um tratado sobre o amor com a sua iconografia conhecida, as imagens que falam conosco e a força da trilha sonora como personagem. Tudo mostrando a escalada de amor e dor de um  casal (Ben Affleck e Olga Kurylenko) com o passar dos anos. Do sublime momento da paixão parisiense ao enfado numa casinha de subúrbio americano. Idas e vindas, traições, a busca por um paraíso que jamais chegará.

Cartaz de 'A grande beleza'
3º lugar – “A hora mais escura” – Na minha opinião, o grande injustiçado do Oscar. Merecia ganhar o prêmio de melhor filme (“Argo” venceu), mas ganhou apenas uma estatueta técnica. O filme é mais um excelente trabalho sobre as recentes guerras americanas da diretoria Kathryn Bigelow. Conta a história real de uma agente da CIA, vivida por Jessica Chastain, que dedicou a vida a encontrar o terrorista Osama Bin Laden. Jessica tem uma interpretação estupenda em um filme excelente.

2º lugar – “A grande beleza” – Temos Michelangelo Antonioni, Federico Fellini e uma pitada de David Lynch neste ótimo trabalho de Paolo Sorrentino. Conta ainda com uma atuação soberba de Toni Servillo como o jornalista Jep Gambardella, que vive no meio das grandes celebridades de Roma convivendo e sendo parte daquela vida vazia e sem muitos propósitos a não ser a diversão como cura de uma melancolia que todos fazem de tudo para esconder. No lugar da frustração, música alta. No lugar da dor, a dança. E assim a vida e os acontecimentos vão se sucedendo na capital italiana.

Cartaz de 'La vie D'Adèle'
1º lugar - “La vie D’Adèle” – Só uma coisa é ridícula no filme escrito e dirigido por Abdellatif Kechiche: o título em português “Azul é a cor mais quente”. Fora isso, temos um filmaço com texto excelente e ótimas atuações das atrizes Léa Seydoux e Adèle Exharchopoulos. O foco nesta história de amor está em Adèle. Em três horas, Kechiche mostra a vida da jovem na escola que não se sente bem em um relacionamento convencional, heterossexual, e só encontra o amor quando conhece Emma, artista mais velha do que ela. O filme acompanha a vida de Adèle até a idade adulta. Passa por todas as descobertas dela, as dores, os prazeres, as angústias, enfim, tudo o que o amor provoca em qualquer ser humano e que a faz amadurecer. Esqueça os preconceitos ou as tão faladas cenas de sexo entre as protagonistas. Só o que importa neste belo filme francês é a força da sua história.

Piores filmes – Como nem tudo foram flores em 2013, aí vão as cinco bombas do ano que se encerra.

5º lugar – “Faroeste Caboclo” – A canção da Legião Urbana é muito boa, mas o filme... é bem triste. Pouca coisa ou nada se salva entre roteiro e atuações. Melhor ficarmos com “Somos tão jovens”, esse mais interessante, sobre a vida de Renato Russo, e aguardamos outro filme sobre o “Faroeste Caboclo”.

4º lugar – “Amorosa Soledad” – Esta foi uma grande picaretagem da publicidade nacional. Foi vendido como um filme com Ricardo Darín (que agrega valor em qualquer camarote do planeta), mas o grande ator argentino participa de um minuto da película. Quase uma ponta. É um raro filme fraco da Argentina que chega ao Brasil. Mas duvido que passasse aqui se não fossem aqueles 60 segundos de Darín na tela.

3º lugar – “Jobs” – Prêmio vergonha alheia master de 2013. Um dos filmes mais constrangedores do ano. Ashton Kutcher não é um ator de calibre necessário para interpretar um homem como Steve Jobs. Junte isso a um trabalho tatibitate, pragmático e bobo e temos uma bomba que não conseguiu representar em nenhum momento o que Jobs foi como mau caráter, mas criador e revolucionário em uma indústria de tecnologia de computação.

2º lugar – “A visitante francesa” – Nem a presença de Isabelle Huppert salva esse filme coreano de ser uma das grandes bombas de 2013. Tudo nele é muito fraco. Fuja sempre que puder.

'João e Maria' - o filme-bomba de 2013
1º lugar – “João e Maria – caçadores de bruxas” – No ano passado, o pior filme tinha sido “Branca de neve e o caçador”, mas Hollywood preferiu insistir no erro e continuar a fazer filmes atualizando contos infantis. Qual é o resultado? Temos mais um filme constrangedor. O mito reescrito é um desperdício do talento de Jeremy Renner (por que ele se sujeitou a isso, meu deus?). Rola até uma diabetes no João, coitado, por ter comido muito doce na infância. Só isso já seria suficiente para mandar o filme para a lata do lixo.

A decepção do ano – Filmes ruins de diretos consagrados – O que está havendo com esse povo? No ano passado, Clint Eastwood nos apresentou dois filmes fracos, “J. Edgar” e “Curvas da vida”. Neste ano, foi a vez de Woody Allen e Pedro Almodóvar pisarem na bola. Allen fez o pior filme que eu vi dele, “Blue Jasmine”, um trabalho que só não é um desastre completo por causa da atuação de Cate Blanchett. Almodóvar seguiu a mesma tendência e resolveu fazer o pior filme que eu vi dele, “Amantes passageiros”, um trabalho muito longe da sua excelência. Esperemos que isso seja uma fase e os diretores voltem com bons trabalhos no futuro.

Gerry Lane (Brad Pitt) protege a família contra zumbis
O herói do ano – Django (Jamie Foxx, em “Django Livre”) daria um ótimo herói. Ou melhor, um anti-herói. Mas não é fácil ser um homem comum e enfrentar uma grande epidemia mundial de zumbis assassinos. Gerry Lane (Brad Pitt) faz isso e ainda salva a família, como todo bom herói deve fazer, em “Guerra Mundial Z”. Ele é o cara de 2013. E fica também como uma homenagem ao filme de Marc Foster, que é muito bom e, a julgar pelo final, parece que terá uma continuação.

O vilão do ano – Loki (Tom Hiddlestone, em “Thor 2 – o mundo sombrio”) é um dos meus vilões favoritos, mas nem o Deus da Trapaça foi capaz de fazer tantas maldades quanto o adolescente Claude (Ernst Umhauer) em “Dentro de casa” e a chefe do tráfico no México Malkina (Cameron Diaz) em "O conselheiro do crime". O jovem é um manipulador nato com talento para a escrita que me fez lembrar a minha escritora-assassina favorita, Catherine Trammell (Sharon Stone), de "Instinto Selvagem". E provoca uma verdadeira devastação no filme. Malkina manipula todos a sua volta com frieza e não tem dó de ninguém. É a única vencedora na história toda. Uma vilã de primeira. Não tive condições de escolher um. Claude e Malkina são os vilões de 2013.

Mélanie Laurent, a nova musa do blog
A musa do ano – Jessica Chastain (“A hora mais escura”) quase ficou com o bicampeonato da minha categoria favorita que já premiou Sharon Stone (2006), Eva Mendes (2007), Penélope Cruz (2008), Kate Winslet (2009), Anna Mouglalis (2010) e Cecile de France (2011).

Mas esse ano o prêmio voltará para a França. Poderia ser com Julie Delpy, a estrela de “Antes da meia-noite”, mas foi outra francesa que conquistou o coração do signatário do blog.

Mélanie Laurent, de 30 anos, já tinha deixado ótima impressão como a Shoshanna de “Bastardos Inglórios” (2009), mas neste ano ela apareceu duplamente encantadora nas telas do cinema. Primeiro como a investigadora Alma Dray em “Truque de mestre”, um filme divertido sobre mágicos que ajudam um homem a preparar uma vingança. Em seguida como a jovem revolucionária Estefânia em uma Portugal que vivia um regime fascista na história de “Trem noturno para Lisboa”. Mélanie é definitivamente a musa de 2013.

O clima esquenta entre Adèle e Emma
A melhor cena de sexo – Este blog é tão óbvio que eu devia extinguir essa categoria. Mas ela dá audiência para o blogueiro. Meus 17 leitores (é o número da modéstia) devem olhar para esta categoria e dizer: "Safadinho, hein". Bom, aqui não tem discussão. É só vocês verem “Azul é a cor mais quente” que entenderão. O que não invalida o que eu disse lá em cima que o mais importante é a história do filme.

A melhor cena de briga – “Django Livre” e “Duro de matar – um bom dia para morrer” têm algumas boas sequências de luta, mas vou ficar com o Superman (Henry Cavill) quebrando o pau em “O homem de aço”. Se tem algo que o filme de Zack Snyder tem de bom são as cenas de ação.

O retorno do ano – Aqui eu vou inverter. Se 2013 marcou o retorno do Superman às telas de cinema, eu vou celebrar mesmo é a volta de John McClane. Por mais que “Duro de matar – um bom dia para morrer” não seja um filme top e seja até bem óbvio, é sempre divertido ver John McClane destruindo tudo por onde passa. Vale a pena ter mais um filme. E quantos mais Bruce Willis aguentar fazer.

Os melhores roteiros – Alguns filmes me chamaram muita atenção por bons diálogos (“O quarteto”) ou histórias muito bem contadas (“Guerra Mundial Z”, “A parte dos anjos”, “O que traz boas novas”, “Flores Raras”, “Rush – no limite da emoção”, “O conselheiro do crime”, “Capitão Phillips” e “Trem noturno para Lisboa”). Gosto também de tudo em “Amor Pleno” e “A hora mais escura”. Mas se eu tivesse que fazer um top-3 eu teria, em ordem decrescente, “A grande beleza”, “La vie D’Adèle” e “Dentro de casa”, este um filme que realmente me deixou boquiaberto conforme os acontecimentos.

Os piores roteiros – “Duro de matar – um bom dia para morrer” é óbvio e só entra aqui por esse caráter de obviedade com sua relação de pais e filhos. “Oz, mágico e poderoso” também é irritantemente simples e bobinho. Vacilo, seu Sam Raimi. E o papinho jovem em busca do amor de “Diana” é igualmente irritante. “Em transe” é um filme confuso e “O homem de aço” pouco inspirado, assim como “Red 2 – aposentados e ainda mais perigosos” e “Blue Jasmine”. Mais sorte na próxima, Woody Allen. “Jobs” é vergonha alheia e “Elysium” uma caricatura que Neil Blomkamp quis fazer de si mesmo ao tentar reproduzir a história de “Distrito 9” em Hollywood. Mas o top-3 do constrangimento fica, em ordem decrescente, com “A visitante francesa”, “Salvo, uma história de amor e máfia” (que filme ruim) e, claro, “João e Maria – caçadores de bruxas”.

O filme francês do ano – Foi um 2013 de muitos bons filmes franceses como “Thèrèse D” e os trabalhos de François Ozon: “Jovem e bela” e “Dentro de casa”. Mas é o ano de “La vie D’Adèle”. Então, não tem o que discutir.

O filme argentino do ano – Não vi espetaculares trabalhos argentinos em 2013, mas gostei muito de “O último Elvis”. O filme de Armando Bo conta a história de um cantor cover do rei do rock que praticamente se acha o próprio Elvis. Por trás de uma vida de shows e estrelato fantasiada por ele, vive um homem muito deprimido e amargurado que sofre pela separação da mulher e da filha.

Cartaz de 'O som ao redor'
O filme brasileiro do ano – “Flores raras” foi um trabalho muito bom, mas 2013 era o ano de “O som ao redor”, um dos melhores do ano. Aqui também não tem discussão e os motivos foram expostos no top-10.

O filme baseado em quadrinhos do ano – Só porque eu criei esta categoria no ano passado, este ano não teve nada muito espetacular. “O homem de aço” e “Thor 2 – o mundo sombrio” não eram exatamente empolgantes. “Wolverine – Imortal” foi bonzinho. Entre todos, fico com “Homem de Ferro 3”. Tony Stark  (Robert Downey Jr.) segura o filme que tem como ponto ruim o que fizeram com o Mandarim.

Os melhores diretores – Ken Loach merece crédito por um filme que eu gostei bastante, “A parte dos anjos”, assim como François Ozon já fartamente elogiado aqui pelo seu “Dentro de casa”. Marc Foster fez o que talvez seja o melhor filme-pipoca do ano (talvez uma ideia de nova categoria para 2014), “Guerra Mundial Z”. Abdellatif Kechiche também tem grandes méritos ao contar a história de Adèle em “La vie D’Adèle” e Thomas Vinterberg fez um trabalho perturbador em “A caça”. Gosto de Bem Zeitlin em “Indomável sonhadora” e acho o trabalho de Paul Greengrass quase sempre excelente, caso de “Capitão Phillips”. Mas se eu tivesse que escolher os três melhores, ficaria com Kathryn Bigelow, pois “A hora mais escura” é daqueles filmes quase todo perfeitos. E fico com dois trabalhos bem autorais entre os melhores: Paolo Sorrentino em “A grande beleza” e Terrence Malick em “Amor Pleno”.

Os piores diretores – Tem alguns filmes que são bem ruins como “Salvo – uma história de amor e máfia”, outros que eu  não consigo engolir, como o jeito carnavalesco em desfile de escola de samba de Baz Lurhmann em “O grande Gatsby”. Sam Raimi é outra decepção em “Oz, mágico e poderoso”, mas o top-3 do mal fica, com a novelinha de Oliver Hirschbiegel em “Diana”, o constrangimento absoluto de Josha Michael Stern em “Jobs” e, claro, o medalha de ouro Tommy Wirkola pelo inacreditável “João e Maria – caçadores de bruxas”.

Toni Servillo brilhou em dois filmes
Melhores atuações masculinas – Está acabando e se você chegou até aqui é porque eu tenho algum prestígio, Ou você está rindo dos meus comentários absurdos e achando que eu não entendo nada disso. Realmente eu não entendo. Só sou apaixonado pelo assunto e dou meus pitacos. Chegou a hora de eleger os atores top de 2013. Antes é preciso dizer alguns nomes que se destacaram na minha modesta opinião. Gente como Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix (“O mestre”), Mads Mikkelsen (“A caça”), Gabriel Byrne (“Eu, Anna”, um belo filme), Daniel Brühl (“Rush – no limite da emoção”), Chris Cooper (“Álbum de família”) e Tom Hanks (“Capitão Phillips”). Além de Tom Hiddlestone pelo seu Loki em “Thor 2 – O mundo sombrio” e Jeremy Irons pelo delicioso “Trem noturno para Lisboa”. Mas o meu to-3, em ordem decrescente, ficou com Matthew McConaughey, uma das melhores coisas em “Obsessão”, Daniel Day-Lewis, praticamente a reencarnação de Abraham Lincoln (bom, pelo menos eu imagino o ex-presidente americano daquele jeito), papel que lhe deu o Oscar de melhor ator em “Lincoln” e Toni Servillio, o ator italiano que brilhou em dose dupla como o político Uliano Befardi em “A bela que dorme” e o jornalista bon vivant Jep Gambardella de “A grande beleza’.

Piores atuações masculinas – Também teve coisa muito ruim ou decepcionante por ai. Casos de Ryan Gosling e Josh Brolin, muito canastrões em “Caça aos gângsters”, Henri Cavill no papel de Superman em “O homem de aço” e Zac Efron em “Obsessão”. Além de Alec Baldwin em “Blue Jasmine”. Mas nada supera o trio James Franco (“Oz – mágico e poderoso”), Aaron Taylor Johnsson (o Alexei Vronsky de “Anna Karenina”) e Ashton Kutcher, o pior Steve Jobs que poderia existir, em “Jobs”.

Cate Blanchett é o que salva em 'Blue Jasmine'
Melhores atuações femininas – “Amor” não foi um filme que me conquistou, mas é preciso destacar a atuação de Emmanuelle Riva no filme. Merece aplausos. Helen Hunt também está muito bem como a terapeuta do sexo Cheryl em “As sessões”. Também é preciso destacar Helen Mirren, o que de melhor “Hitchcock” nos oferece, e Maggie Smith, simplesmente maravilhosa em “O quarteto”. Gosto de Audrey Tautou em “Thèrèse D”. Talvez seja o seu melhor trabalho. E também de Charlotte Rampling em “Eu, Anna”. Oprah Winfrey é surpreendente em “O mordomo da Casa Branca”. Está muito bem. Assim como Barbara Sukowa no papel da filósofa Hanna Arendt no filme alemão de mesmo nome. Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos estão ótimas em “La vie D’Adèle”. E Júlia Roberts tem uma atuação muito boa em “Álbum de família”. Mas o meu pódio será ocupado por Jessica Chastain, a agente da CIA Maya em “A hora mais escura”, Glória Pires, simplesmente incrível em “Flores raras”, e Cate Blanchett, o único ponto positivo, e muito positivo, de “Blue Jasmine”. Talvez seja o único acerto de Woody Allen neste filme.

Piores atuações femininas – Amy Adams talvez seja a minha grande decepção do ano. Sua Louis Lane em “O homem de aço” é insossa. Mas teve gente pior. Falo de Naomie Watts no papel da princesa Diana em “Diana”, de Famke Janssen como a bruxa Muriel em “João e Maria – caçadores de bruxas” e Isis Valverde, meus amigos. Sua Maria Lúcia em “Faroste Caboclo” é beeem fraca. Não convence ninguém. Não teve jeito. Nada deu muito certo neste filme sobre a música da Legião.

E assim termina o Best Of 2013. É claro que no ano que vem eu continuarei cornetando tudo e todos. Um feliz ano novo para os que me aturaram neste ano. Em 2014, tem mais. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Best Of 2013 - Música

Bruce foi o cara em 2013/Reprodução
Fim de ano é sempre a mesma coisa. Todo mundo faz aquele balanço, lista de melhores e piores, e em Memórias da Alcova não poderia ser diferente. Este blog não esteve muito presente neste ano, mas seu signatário não deixou de acompanhar os eventos musicais e cinematográficos por aí.

E agora chegou o momento de apontar os melhores e piores do ano na tradicional cornetada máxima “Best Of”. Hora de prestar homenagens a quem fez bonito e dar aquela esculachada padrão “pá de cal” em quem escorregou em 2013. Comecemos pelos melhores e piores shows do ano.

Foi um ano de vários bons shows. Tanto é que as apresentações do Iron Maiden e do Metallica no Rock in Rio ficaram de fora da minha lista final. Mereciam estar nela, pois as duas bandas mantiveram o nível de excelência mais do que conhecido pelos seus fãs. Memórias da Alcova, no entanto, preferiu premiar o fator surpresa de alguns shows. Algumas bandas pelas quais pouco se esperava e simplesmente fizeram grandes concertos, de qualidade para entrar entre os melhores da temporada. Também privilegiei bandas que vi pela primeira vez.

Assim ficou, portanto, o ranking final dos melhores shows de 2013.

5º lugar – Aerosmith – Steven Tyler, Joe Perry e sua banda vieram ao Rio em outubro para a Global Warming World Tour. Com jeito de tiazonas, poucos acreditariam que a banda, há mais de 40 anos na estrada, faria um show marcante. Há décadas eles não se apresentavam na cidade e Tyler e seus colegas, todos na casa dos 60 anos, se esforçaram para compensar a espera com um showzaço inesquecível. Tocaram músicas novas, não deixaram faltar nenhum clássico (“Dream on”, “Janie’s got a gun”, “Walk this way”, “Cryin” e tantos outros) e entregaram uma apresentação impecável. Tyler parecia um garoto no palco cantando muito bem para um senhor de 65 anos. É uma banda que precisa voltar logo.

O Alice in Chains mandou bem no Rock in Rio/Reprodução
4º lugar – Alice in Chains – O Alice in Chains tinha duas missões complicadas no Rock in Rio em setembro. Fazer um show que chegasse perto do nível do Metallica, que fecharia a noite do dia 19, e tentar fazer com que os seus fãs lembrassem do antigo vocalista Layne Staley, morto em 2002, como uma saudade positiva, abraçando o novo vocalista William Duvall. Duvall cantava pela primeira vez no Rio, mas já estava no seu segundo disco com a banda, “The devil put dinosaurs here”, lançado neste ano. O resultado foi ainda melhor do que o esperado. O Alice in Chains conquistou facilmente a galera com uma apresentação poderosa. A confiança da banda era tanta que eles mandaram “Man in the box”, o grande clássico do grupo, entre as primeiras músicas do show. Duvall saiu do palco colhendo elogios da galera e o Alice in Chains consagrado com um dos shows marcantes do Rock in Rio.

3º lugar – Muse – Os ingleses de Devon fizeram o primeiro grande show do Rock in Rio. Headliners da noite do dia 14 de setembro, o trio formado por Matthew Bellamy (guitarra e vocal), Christopher Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) mostraram para os que olhavam desconfiados porque mereciam fechar uma das noites do festival. Bellamy mostrou todo o seu talento nas guitarras com distorções e solos e o Muse exibiu o melhor dos seus seis discos de estúdio. Com o Muse, o Rock in Rio finalmente começou.

Ozzy e Tony Iommi com o Black Sabbath/Reprodução
2º lugar – Black Sabbath – Depois do último show do Ozzy Osbourne em 2011, durante a turnê do disco “Scream”, confesso que temia pelo pior. Ozzy estava visivelmente cantando pior do que no show de 2008 e com a idade a tendência não é melhorar. Mas o cantor de 65 anos tem pacto com o “Coisa-ruim”. Ozzy chegou na Apoteozzy (sim, ela foi rebatizada) em outubro acompanhado de seus velhos amigos Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) para a reencarnação do Black Sabbath em turnê do novo álbum, “13”. O que vimos foi um Iommi simplesmente bestial na guitarra e um Ozzy de volta à melhor forma que a sua mente sequelada pode produzir. Um grande show e o segundo melhor do ano, sem dúvida.

O melhor do ano – Bruce Springsteen e The E-Street Band – Não foi apenas o melhor show do Rock in Rio. Nem somente o melhor show do ano. Foi simplesmente um dos maiores concertos de rock que o Rio de Janeiro já viu em sua história. Tocando pela primeira vez na cidade, Bruce fez um show que eu poderia chamar de histórico e antológico sem que estas duas palavras pareçam tão desgastadas pelo tempo e excesso de uso para qualquer bundice que acontece por ai. O show de Bruce foi realmente tudo isso. Foi daqueles que serão lembrados para sempre na história do festival e por quem esteve presente naquele dia 21 de setembro. E se alguém foi embora depois da insossa apresentação de John Mayer deveria se arrepender amargamente. Bruce foi o cara em 2013.

O pior show do ano – O ano não foi apenas de alegrias. Algumas bombas passaram por aqui. Gostaria de eleger o Nickelback (ou seria Nickel don’t come back?) como o pior, mas as leis de Memórias da Alcova indicam que é preciso estar presente no evento para eleger os melhores e os piores do ano. Se tivesse um prêmio “vergonha alheia” por aqui, o comportamento de adolescente de 14 anos do Dinho no show do Capital Inicial no Rock in Rio seria o escolhido. E o show em si também foi bem fraco. Do mesmo festival também vieram shows desastrosos como Sebastian Bach, Phillip Phillips e Ghost B.C. Além de John Mayer, cujas canções têm tanto açúcar e “uiuiui” que mais parece filme baseado em livro de Jane Austin. Acho que muita gente saiu diabética de lá se não ficou para o Bruce Springsteen até o fim.

Mas é preciso eleger o pior, a bomba máxima e ai nenhum dos citados acima superou o conjunto da obra do 30 seconds to Mars. A banda do ator Jared Leto não fez apenas um show ruim, foi muito ruim. E como se não bastasse o show muito ruim, Leto foi o campeão das piores presepadas da história do Rock in Rio. Vestiu camisa da seleção brasileira, disse que amava o país, fez aquela média pavorosa com o seu público... E não é só isso. O cantor ainda andou de tirolesa no meio da galera. Olha, muito frufru, pouca música e muita presepada. Parabéns, Jared Leto, você se esforçou e merece receber o troféu abacaxi de 2013 do blog. E se é tão rápido assim para chegar, vocês podiam se mudar de vez para Marte.

Amanhã, os melhores (e os piores) no cinema.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Torcedor de verdade

Torcida do Rangers: 'Nosso clube nunca morrerá'/Reprodução
Há dois anos o Glasgow Rangers não subiu, mas caiu no "tapetão". Dono de mais títulos nacionais do que qualquer clube grande brasileiro - e estaduais também, antes que alguém venha com piadinha desmerecendo a Escócia e o seu campeonato – com 54 conquistas, o time terminou a temporada 2011-12 com vice-campeonato escocês, mas não tinha o que comemorar.

Não porque tinha perdido mais um título para o grande rival Celtic com 20 pontos de diferença, mas porque estava falido, quebrado, tinha perdido tudo por causa de uma administração desastrosa que não pagou os impostos que devia. O Glasgow Rangers estava acabado e um novo clube precisava ser criado. Nascia o Rangers FC.

Era o velho Rangers, com a mesma torcida fanática que lotava o Ibrox Stadium e nutria um ódio pelo Celtic maior do que qualquer Barcelona x Real Madrid ou Manchester United x Liverpool, garantem os seus torcedores, mas com uma nova roupagem. Na letra fria da lei era um novo clube, com novo nome e outra administração tentando limpar tudo o que de deplorável foi feito pelos antigos donos do velho clube.

E como tal, não poderia permanecer na elite. Assim, em julho do ano passado os demais clubes escoceses se reuniram na sede da Liga Escocesa de Futebol (SFL, na sigla em inglês) para decidir para onde o Rangers iria. Seus dirigentes tinham a expectativa de que o time conseguisse uma vaga na segunda divisão. Na pior das hipóteses, a mais sombria de todas, seria condenado a jogar a quarta divisão, a última do país. Os diretores argumentavam que isso poderia ser uma tragédia financeira não apenas para o clube, mas para o futebol escocês, que vive basicamente da rivalidade Rangers x Celtic.

Acabei de ver um pequeno documentário da ESPN Brasil sobre o calvário do Rangers. E um detalhe me chamou a atenção. Antes da votação decisiva sobre o futuro do clube, torcedores do Rangers pediram ao presidente David Somers para fazer uma votação sobre o que desejavam para o time. Um dia antes da reunião decisiva na SFL, a maioria esmagadora, 80% dos detentores dos carnês de ingressos para a temporada, votaram para que o clube fosse para a quarta divisão.

Foi quando um torcedor apareceu na reportagem dizendo que não queria que o Rangers fosse ajudado por ninguém e que a história do clube fosse limpa.

Naquele mesmo instante comecei a refletir sobre as cenas patéticas de torcedores do Fluminense comemorando o não rebaixamento do clube na porta do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio. Celebrando uma volta pela janela usando o argumento de que a lei devia ser cumprida.

Ora, a lei deve sempre ser cumprida, mas também interpretada. E é para isso que existe um julgamento. Fazer um clube perder quatro pontos e ser rebaixado por causa da escalação irregular de um jogador em 13 minutos de uma partida que, mesmo que o time tivesse perdido, estaria garantido na elite do Campeonato Brasileiro, é um pouco demais. A Portuguesa errou sim e por isso merecia ser punida. Mas jamais rebaixada. Porque no campo não mereceu isso e nem o Héverton, o tal atleta irregular, foi decisivo no jogo contra o Grêmio, na última rodada.

Havia uma série de punições a serem aplicadas que não mudariam o que aconteceu no campeonato dentro do campo. Uma delas é a que me parecia a mais correta. É baseada na lei da Fifa que dá uma brecha para que o clube pague a pena no campeonato seguinte. Assim, a Portuguesa seria punida e começaria o próximo Brasileiro com quatro pontos a menos. É uma punição semelhante às que acontecem na Itália. Dura, exemplar, que prejudicaria o desempenho do time no campeonato (poderia condenar ao rebaixamento ou acarretar em perda de vaga na Copa Libertadores), mas manteria o resultado do campo em 2013. Contudo optou-se por mudar drasticamente o resultado do torneio. E o imbróglio agora está só no início.

Mas o que me incomoda mais não é a decisão do tribunal, a troca de acusações, as insinuações de que o Fluminense é sempre beneficiado pelo tapetão, as teorias da conspiração, as bobagens de “pagar a Série B” ou as “trocas de gentilezas” (algumas excessivamente raivosas) entre torcedores que só têm olhos para o seu clube e para o que é bom para o seu clube e nada mais. O que me incomoda mesmo é ver uma parte da torcida do Fluminense (e eu espero que seja pequena) comemorando a vitória no tribunal e a manutenção do clube em um lugar que não é dele de direito. É a personificação da ética maleável brasileira e uma imagem mais forte do que qualquer estouro de champagne de dirigente. O pior é que tenho a certeza que se a mesma coisa tivesse acontecido com qualquer outro clube grande do país, estas cenas lamentáveis teriam se repetido.

Por isso que torcida por torcida eu hoje prefiro a do Rangers. No encontro da SFL, 25 dos 30 clubes que votaram jogaram o Rangers para a quarta divisão, onde o time estreou dias depois. Cogitou-se uma reestruturação do futebol escocês para a temporada seguinte, quase uma virada de mesa no estilo Copa João Havelange. A torcida mais uma vez disse não.

O Rangers venceu a quarta divisão com a torcida ocupando quase que 100% dos 49 mil lugares do Ibrox Stadium em todo jogo. Hoje lidera a terceira divisão com folga, com 13 pontos de vantagem sobre o Dunfermline Athletic. Seguramente estará na segunda divisão na próxima temporada. E em pouco tempo, o “Old Firm”, como é conhecido o velho clássico Rangers x Celtic, voltará a ser realizado na Escócia.

sábado, 12 de outubro de 2013

Manifesto contra o lead

Objetos ultrapassados como o lead/Reprodução

O lead é...

Limitador da criatividade
Grilhão da sociedade

Seis perguntas que tudo respondem
Numa receita de miojo,
Sem gosto,
Entojo,
Que nojo

Onde está a poesia
Nessa frugal economia?
O lead joga o mistério
Num vasto cemitério

Maior que um hai-kai
Menor que um aforismo
Sem arte, não sai
Padrão clientelismo

Novo jornalismo,
Confundem com pedantismo
É arte, meus queridos
Sorry, inimigos

Escrita pasteurizada
Mecânica desalmada
Fórmula sacralizada
Não caberia mais nada?

E assim o jornalista
Com a pena na mão
Escreve em padrão fordista
Sonhando com uma solução

And all we are is just
another brick in the wall

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A mulher introspectiva

'Muchacha em la ventana', de Salvador Dalí

Sentada na cadeira
A tudo ela observa
Não se expõe,
Informações agrega

Facebook, Instagram
Não tem esse afã
Só um twitter aqui
Sob a sombra de Dali

É a garota de Madri

Prado, Sofia
Ela tudo clica
Seu paradeiro, ninguém desconfia
Enquanto admira o Guernica

Não compartilha, não curte
Não cutuca, nem discute
Foto na praia, já era
Nem a night a exaspera

Jamais teve Orkut
Nunca deu check-in
O nobre silêncio se impute
Muda como Chaplin

Olhos nos olhos
Não me leve a mal
Não tenho antolhos
Só prefiro a vida real

A discrição é sua arma
Com ela não se engana
O tipo fruta não a encarna
São os livros é que ama

É a mulher de Tijuana

Em outra parte do mundo
Mesmo hemisfério
No México profundo
Sem ouvir impropérios

Maia, Azteca
Observando Frida
Incas na biblioteca
Pimenta na comida

As estradas da vida
Ela não quer postar
A liberdade não é dividida
Um anonimato para ostentar

Sem regras ou aderência
Apenas novas perspectivas
Assim é a existência
Da mulher introspectiva

domingo, 14 de julho de 2013

A dimensão entre o épico e o humano

Cavill com o uniforme do Superman/Divulgação
Numa fazenda no Kansas, enquanto conserta o seu carro, Jonathan Kent (Kevin Costner) observa o filho que só ele e a esposa, Martha (Diane Lane), sabem que veio das estrelas brincar com o cachorro da família em meio às roupas penduradas no varal. O sol está se pondo e o jovem Clark parece sonhar com feitos épicos. Capa vermelha nas costas, pose de herói de cinema ou dos quadrinhos, um herói que ele não imagina ter o potencial de ser. A câmera de Zack Snyder passeia com o garoto, passa por um carrinho de brinquedo encravado na grama de um verde intenso. O sol brilha no rosto do garoto ofuscando as suas feições. A fotografia é belíssima e a trilha sonora assinada por Hans Zimmer dá dimensão épica a uma situação prosaica. Todos sabemos quem é Clark. Ou melhor, quem ele será. Mas é impossível não sentir aquela sensação que Jonathan sente de que o filho está destinado a grandes feitos.

Minutos antes, Snyder nos exibe outra cena. Vestígios da fazenda, uma borboleta amarela banhada pelo sol de um fim de tarde. São momentos que não afetam a história de “O homem de aço” na sua essência, mas ao mesmo tempo são duas belas tomadas de um filme com mais pontos altos do que problemas na tentativa de retomada da história do Superman a partir da interpretação do diretor de “300” (2006) e “Watchmen” (2009).

Essas duas cenas têm a assinatura de Snyder, mas me lembraram os filmes de Terrence Malick pela força das imagens, pela ausência de diálogos, por dizerem muito de uma forma minimalista, iconográfica e terem uma intensidade amplificada pela trilha sonora.

“O homem de aço” é a quarta encarnação do Superman no cinema. É a tentativa de Snyder, que é responsável por um dos melhores filmes baseados em quadrinhos já feitos, “Watchmen”, e de Christopher Nolan, o homem que fez a melhor trilogia do Batman e aqui ataca de criador da história e produtor do filme, de fazer o homem de aço ressurgir e transformar Christopher Reeve, o ator que viveu o herói em quatro filmes entre 1978 e 1987, numa doce lembrança dos fãs.

Snyder tem um sucesso parcial na sua empreitada de revigorar o herói praticamente indestrutível e perfeito que veio de Krypton. Certamente “O homem de aço” é melhor do que “Superman returns”, o longa dirigido por Bryan Singer em 2006 e estrelado por um insosso Brandon Routh. O problema é que nem tudo sai exatamente como o planejado e é inevitável bater uma saudade de Reeve em qualquer cena minimamente dramática com a presença de Henry Cavill, ator da vez que agora veste o uniforme do herói, que finalmente aparece sem a cueca vermelha para fora.

Conhecido pelo seu trabalho na série “The Tudors”, Cavill, que viveu o Teseu no dispensável filme “Imortais” (2011), não tem nem carisma e nem demonstra talento para interpretar Clark Kent/Superman. Ok, deve ser realmente difícil interpretar alguém que é quase perfeito, mas Cavill não chega ao mínimo para dar ainda mais veracidade à proposta de Snyder de humanizar esse herói imbatível, de transformá-lo um pouco em gente como a gente com dúvidas, questões, uma busca por um lugar no mundo e a sensação de não pertencimento a um lugar. É o que prejudica um pouco a proposta de Snyder de fazer o homem de aço se expor, tocar o chão e exibir uma alma e um coração que tenham fragilidades enquanto seu corpo é indestrutível pela genética favorável e o sol que o alimenta. O sorriso de propaganda de margarina e a cabeça jogada para o lado esquerdo não ajudam nisso.

Cavill brilha sim nas cenas de ação, as que exigem menos de sua falta de carisma. E só se aproxima do que Snyder planeja quando demonstra sangue nas veias ao ver a mãe ser ameaçada pelo general Zod (um histriônico Michael Shannon, precisando fazer análise e apenas programado para matar).

Se Shannon foi uma escolha equivocada e Cavill é um poste que, por incrível que pareça, eu até vejo potencial para evoluir no segundo filme, Snyder não poderia imaginar que Amy Adams faria a Louis Lane mais sem graça de todas. Quatro vezes indicada ao Oscar, a atriz decepciona com uma atuação no piloto automático que não desperta nem simpatia nem ódio por uma Louis que deixa a sensação de ser apenas desnecessária na história. E isso não poderia acontecer dada a sua importância na vida do Superman.

Apesar dos problemas de elenco, “O homem de aço” tem méritos. Snyder trouxe de “Watchmen” a experiência de dar uma dimensão menos épica aos super-heróis dos quadrinhos. Algo que não é novidade, é claro, e vimos em personagens como o Homem de Ferro de Robert Downey Jr, o Wolverine de Hugh Jackman e até o Hulk de Mark Ruffalo.

Na repaginada do Superman, Clark Kent é um homem tentando entender quem ele é, em busca de suas origens, de alguma origem que ele desconhece e apenas sabe que veio de outro planeta. É alguém que não se ajusta à sociedade em que vive, mas que foi criado com valores muito fortes e demarcados com firmeza pelos Kent. Pegando emprestado uma frase do Tio Ben para Peter Parker, Clark também sabe que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.

Clark ainda não se sente parte de algo, mas o mundo o vê como um alienígena e o teme. O horror ao desconhecido, o temor daquilo que não segue a mesma doutrina, a mesma fé - “O que o seu Deus diz sobre isso?”, pergunta o padre ao jovem que precisa se entregar ao general Zod para tentar salvar a humanidade – é o pano de fundo inserido pelo diretor para debater a coexistência entre povos diferentes.

Por isso Snyder abandonou a tentação óbvia de criar um primeiro filme com Lex Luthor como antagonista do herói. Foi assim na segunda versão de 1978 com Gene Hackman e na terceira com Kevin Spacey. Aqui, a Lex Corp aparece apenas em um rápido momento e só é perceptível por fãs atentos.

Para um herói atormentado por questões existenciais, era necessário buscar a inspiração interplanetária e aprofundar as suas origens. Entender o que é Krypton, quem é Jor-El (Russell Crowe), o seu pai, e a sua mãe, Lara (Ayelet Zurer). Por isso os primeiros 40 minutos são gastos no espaço. A partir daí, o passado aparece em flashbacks e reminiscências do jovem Clark. Isso é Snyder pavimentando a formação do caráter de Clark, a sua educação e reescrevendo levemente a história de uma forma que não deixe os fãs antigos tão melindrados. Foi uma tentativa louvável e que me arrisco a dizer que dá certo com os fãs que não são radicais.

Todo o recomeço é pensado a passos lentos e com a lógica da trilogia que permeia as adaptações de quadrinhos de hoje em dia. E há quem diga até que vai finalmente sair o filme da Liga da Justiça. Por isso que o "Planeta Diário" é coadjuvante na história e Clark ainda nem virou jornalista. Ele primeiro precisa saber quem ele é, de onde veio e qual o seu papel no mundo para aí sim começar a sua nova vida.

E para isso as figuras paternas são fundamentais. Tanto com Russell Crowe num momento espírita difícil de engolir, quanto com Kevin Costner, responsável pelos melhores momentos do filme. São os dois que ajudam Clark a virar um homem nobre.

É uma pena que Snyder não tenha contado com um Henry Cavill mais inspirado. Mas ao mesmo tempo tanto o diretor quanto o ator me deixam curioso e ansioso pelo segundo filme do homem de aço. Acredito num potencial de crescimento no próximo trabalho de um Superman que embarca numa nova fase. Para o alto, e avante.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Best Of 2012 - Cinema

Michael Fassbender em "Shame"
Depois de analisar (cornetar né, vamos ser honestos), os melhores shows do ano, chegou a hora de me debruçar sobre a produção cinematográfica de 2012. Muitos filmes bons foram lançados, alguns muito bons, ótimos eu diria, mas nenhum nota 11, daqueles incríveis. Pelo menos dos que eu vi.

O critério aqui é apenas o de filmes assistidos em uma sala de cinema. Com essa única regra debaixo do braço, observei 69 dos 293 filmes lançados ao longo do ano e cheguei ao top-10 e aos campeões de outras categorias mais sérias e outras pitorescas, pois não seria a lista de Memórias da Alcova se não tivesse algum prêmio “diferenciado”.

Neste ano também temos duas novidades. O prêmio de melhor filme argentino e o prêmio de melhor filme baseado em quadrinhos. O primeiro porque a produção argentina merece ter a mesma deferência dos meus favoritos franceses, pois tem sido sempre muito boa. O segundo porque estava na hora dos caça-níqueis de Hollywood com franquias intermináveis e algumas produções muito boas e outras tétricas terem um prêmio à parte. Afinal, o signatário sempre foi fã de quadrinhos.

Dito isto, vamos começar pelos dez melhores filmes do ano. Mais uma vez foi um desafio hercúleo chegar à lista final. No primeiro corte, tive 22 opções. Era preciso terminar com dez. Logo, ficaram de fora alguns bons filmes como “O homem que mudou o jogo”, “Um método perigoso”, “Na Estrada” e “Na terra do amor e do ódio”.

“A invenção de Hugo Cabret”, a homenagem ao cinema feita por Martin Scorsese, um bom Ken Loach com “Rota Irlandesa” e o vencedor do Oscar, “O Artista”, foram cortes duros. Assim como o divertido “Habemus Papam” e “Sete dias com Marilyn”. Mas Memórias da Alcova é cruel, implacável e precisava chegar ao top-10. Com isso, ele ficou assim:

10º lugar – “A separação” – O filme iraniano de Asghar Fardhadi dividiu meus amigos. Tenho alguns que vão atirar pedras em mim quando lerem isso. Mas eu só tenho elogios a fazer sobre a história de um casal de classe média do Irã que quer se separar porque o pai gostaria de deixar o país. A mãe discorda e a partir daí uma série de conflitos têm início, todos esbarram em convenções e leis locais. É um filmaço com roteiro primoroso. Ok, podem me apedrejar.

9º lugar – “Infância Clandestina” – Um dos melhores filmes argentinos de 2012, "Infância Clandestina" conta a história de uma criança filha de uma família de guerrilheiros na Argentina em meio à ditadura militar. O menino é doutrinado dentro das ideias dos país, mas ao mesmo tempo sofre por não poder ter uma vida normal como a de qualquer criança.

8º lugar – “A negociação” – No ano passado, tivemos “Margin Call – o dia antes do fim”. O filmaço sobre crise econômica deste ano é este “A negociação”. Melhor trabalho com Richard Gere em destaque desde “O Chacal” (1997), conta a história de Robert Miller, um empresário que está vendendo a sua empresa cheia de papéis fraudulentos e precisa acobertar um crime, a morte de sua amante a quem ele recusou socorro, para não ser preso e não ver o negócio desfeito. Gere está excelente no papel. De fazer Michael Douglas, ou melhor, Gordon Gekko, aplaudir de pé as suas tramoias.

7º lugar – “Millenium – Os homens que não amavam as mulheres” – Baseado na obra do escritor Stieg Larsson, o filme dirigido por David Fincher, que retrata o primeiro livro da série, é daqueles que você pode dizer que é melhor do que o original feito pelos suecos. Bom roteiro e boas atuações de Daniel Craig, Rooney Mara, que concorreu ao Oscar, e Stellan Skarsgard garantem ao filme um lugar entre os melhores de 2012.

6º lugar – “O espião que sabia demais” – Aqui temos mais uma obra baseada em um livro. Nesse caso, de John Le Carré. Um dos grandes filmes de espionagem do ano com uma atuação primorosa de Gary Oldman seguida por outras muito boas de Ciaran Hinds e Colin Firth. Filme cheio de reviravoltas e complexidades revelando um mundo de espionagem menos glamoroso que o de 007 e mais sujo e duramente intenso.

5º lugar – “Drive” – Muitas listas esqueceram de "Drive", filme que estreou lá no início deste ano e foi um dos melhores da temporada. É estrelado por Ryan Gosling, mas quem rouba a cena é Albert Brooks como um chefão mafioso. Cru, seco, economiza nos diálogos e foca mais nas expressões e nas imagens para contar a história de um motorista que de dia é mecânico e à noite auxilia bandidos a fugirem dos locais dos crimes.

Affleck e Allan Arkin em "Argo"
4º lugar – “Argo” – A melhor coisa que Ben Affleck já fez se chama “Argo”. O trabalho dirigido pelo ator é um filmaço que conta a história de um agente da CIA que recruta uns colegas de Hollywood para criar um filme falso e conseguir resgatar seis americanos do Irã. Alan Arkin e John Goodman estão impagáveis no filme e Affleck tem a sua melhor atuação na vida aqui.

3º lugar – “As Palavras” – Esse filme recebeu pouca atenção por aqui, está em cartaz em pouquíssimos cinemas, mas é uma pérola a ser assistida. Filme com a literatura como pano de fundo que te deixa refletindo sobre se os acontecimentos descritos foram reais ou não. E ainda tem uma interpretação incrível de Jeremy Irons.

2º lugar – “Cosmópolis” – Eu sou um fã da obra de David Cronenberg. Neste ano, ele veio com dois filmes muito bons. Um não entrou no top 10, caso de “Um método perigoso”, que conta a história da relação entre Freud e Jung a partir do tratamento de Sabine Spielrein, que viria a ser amante de Jung. “Cosmópolis” é ainda melhor. Pessimista, niilista, calcado na crise e com vários subtextos, conta a história de um milionário vivido por Robert Pattinson que faz tudo (tudo mesmo) de dentro da sua limusine e vive uma vida sem sentido, sem prazeres verdadeiros, sem um norte. A partir dele, Cronenberg faz um ensaio niilista sobre o capitalismo e desemboca numa cena final em que brilha intensamente o talento de Paul Giamatti.

1º lugar – “Shame” – Foi uma decisão dura de tomar, pois gostava muito de “Cosmópolis”, mas “Shame” também foi arrebatador. Um filme sensacional estrelado por Michael Fassbender sobre um homem viciado em sexo e infeliz que vive uma torrente de prazer e autotortura até mergulhar no fundo do poço. Um homem que tem uma relação conflituosa com a irmã e os dois vão precisar se unir para cuidar um do outro e se reerguer de uma vida de dor e desesperança. “Shame” é só o segundo filme de Steve McQueen, mas uma daquelas obras que marcam quem vê. Portanto, merece o título de Memórias da Alcova de melhor de 2012.

Piores filmes – Como nem tudo foram flores em 2012, ai vai a lista das cinco bombas do ano.

5º lugar – “J.Edgar” – A biografia do ex-diretor do FBI, J. Edgar Hoover prometia. Era dirigida por Clint Eastwood e estrelada por Leonardo di Caprio. Mas a dupla não deu liga e o que se vê na tela é um dos piores filmes de Eastwood e uma das piores atuações de Di Caprio. Padrão “Titanic” de falta de qualidade. Roteiro fraco, direção preguiçosa e um ator principal caricato. Fuja dele nas locadoras.

4º lugar – “L’Apollonide – os amores da casa de tolerância” – Filmezinho francês bem fraco escrito e dirigido por Bertrand Bonello sobre a história de um prostíbulo. Um soft porn lamentável.

3º lugar – “Motoqueiro Fantasma – espírito de vingança” – Ator promissor há algumas décadas, Nicolas Cage hoje erra muito mais do que acerta e tem sido um habitué das listas de piores de qualquer coisa. O primeiro filme do Motoqueiro Fantasma já era horroroso. Aqui, ele conseguiu piorar na sequência em um dos trabalhos mais constrangedores de 2012. É o prêmio vergonha alheia do ano.

2º lugar – “Cavalo de Guerra” – É bom que “Lincoln”, o filme sobre o ex-presidente americano Abraham Lincoln que estreia no ano que vem, seja muito bom para que Steven Spielberg possa compensar o filme lamentável que ele nos apresentou em 2012. Pior filme já feito pelo diretor americano, é um manancial de clichês de fazer inveja às novelas mais lamuriosas. “Cavalo de Guerra” é mais um filme na categoria “fuja dele nas locadoras”.

1º lugar – “Branca de neve e o caçador” – Em 2012 rolou uma ondinha de clássicos infantis revistos. A Branca de Neve teve dois. Um chamado “Espelho, espelho meu” com Julia Roberts que infelizmente (ou será felizmente?) não vi. O outro era este estrelado pela onipresente Kristen Stewart. A mocinha da saga “Crepúsculo” não evoluiu como o namorado, que fez o ótimo “Cosmópolis”, e ainda me faz uma branca de neve com direito a momentos dignos de comerciais de shampoo. De quebra ela ainda contagia Charlize Theron em uma atuação patética e transforma o Thor Chris Hemsworth num caçador daqueles infanto-juvenis. “Branca de neve e o caçador” é definitivamente a bomba do ano.

A decepção do ano – Clint Eastwood – “Prometheus” prometia muito e não deu em nada. “O espetacular Homem-Aranha” foi um passo errado em uma franquia que estava dando certo, mas ninguém foi mais decepcionante em 2012 do que Clint Eastwood. Sou fã do diretor, mas ele pisou na bola com “J.Edgar” e ainda atuou em um filme pra lá de meia-boca chamado “Curvas da vida”. O filme tem até umas boas sacadas, mas o saldo final é lamentável.

Tom Hardy no papel de Forrest Bondurant
O herói do ano – Esqueça 007, os heróis dos Vingadores ou mesmo Sherlock Holmes, Ninguém é páreo para o aparentemente imbatível Forrest Bondurant (Tom Hardy). Irmão mais casca grossa dos Bondurant, ele é esfaqueado, tem a garganta cortada, leva tiro e nunca morre em “Os Infratores”, filme que conta a história real dos irmãos Bondurant, gângsteres que sobreviviam da venda ilegal de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos da lei seca nos anos 20. Forrest é durão, tímido, mas ao mesmo tempo cortês com a mulher que ama. É aparentemente imortal, mas como todo herói tem seu ponto fraco. Sobrevive a tudo e a todos. Menos a uma pneumonia. Acontece. Nada que o impeça de ser o herói de 2012.

O vilão do ano – Se “007 – Operação Skyfall” tem algo de bom (e ele tem várias virtudes) é o de ter um dos melhores vilões que James Bond já enfrentou. Méritos de Javier Bardem, que merecia uma indicação ao Oscar só pela cena homoerótica com Daniel Craig durante o filme. O seu Raoul Silva é sádico, perverso, carente, cruel, freudiano, tem a complexidade dos grandes vilões que amamos odiar.

Jessica Chastain, a musa de 2012
A musa do ano – Minha categoria favorita. É uma grande responsabilidade suceder Cecile de France, a musa do ano passado, e entrar para o seleto grupo composto por Sharon Stone (2006), Eva Mendes (2007), Penelope Cruz (2008), Kate Winslet (2009) e Anna Mouglalis (2010).

Minhas eternas musas, Scarlett Johansson, maravilhosamente ruiva nos “Vingadores”, e Eva Green, absolutamente linda em “Sombras da noite”, estavam mais uma vez na minha pré-lista. Mas elas não mostraram todo o seu potencial nestes filmes. Tem ainda Rooney Mara, a Lisbeth Salander em “Millenium – os homens que não amavam as mulheres”. Como não amar, Rooney Mara? Mas não era a vez dela.

Kate Winslet quase leva o bicampeonato por “Deus da Carnificina” e Audrey Tautou quase leva o prêmio, que estava na Bélgica, de volta para a França. Eu gosto de francesas. E ainda tinha Martina Gusman e Amy Adams.

Mas para mim nenhuma delas foi mais bela que Jessica Chastain. A atriz americana de 35 anos estava em “Histórias Cruzadas”, filme que ganhou um Oscar e concorreu a outros quatro. Mas Jessica me conquistou mesmo pelo seu papel em “Os Infratores”. Ela vive uma ex-prostituta que é acolhida pelos irmãos Bondurant e acaba tendo um papel fundamental salvando a vida de Forrest, o mais durão dos três, com quem se casará no fim. Jessica merece todas as glórias pelo seu trabalho e também por ser incrivelmente linda.

Erika e Lara se conhecendo melhor
A melhor cena de sexo – Eu tenho um modelo padrão. E por mais que Rooney Mara e Daniel Craig tenham esquentado a tela em “Millenium – os homens que não amavam as mulheres”, como ignorar a cena envolvendo Nathalia Dill e Livia de Bueno em “Paraísos Artificiais”? Não tem jeito. O signatário deste blog é um homem e não tem como ficar alheio a isso. A propósito, “Paraísos Artificiais” é um bom filme.

A melhor cena de briga – Se tem uma coisa que “Sherlock Holmes: o jogo das sombras” tem de bom são as cenas de combate envolvendo Holmes (Robert Downey Jr.) e Watson (Jude Law) contra uma série de vilões, capangas, vagabundos e todos os membros possíveis do submundo da Londres do século XIX. Então, o filme inteiro, que é inferior ao primeiro, mas tem seus momentos, fica com o título de melhor cena de briga. Sem esquecer, é claro, a batalha mental de xadrez envolvendo Holmes e o professor Moriarty (Jared Harris).

O retorno do ano – O James Bond de Daniel Craig vinha maltratando os fãs, mas o seu retorno ao smoking do agente secreto de sua majestade em “Skyfall” tinha algo de novo: a tradição dos velhos filmes em incontáveis citações durante a película. A volta desse respeito fez de “Skyfall” o melhor filme de Craig no papel de Bond. Esperamos que ele siga nesse ritmo de acertos.

"Os Intocáveis"
O filme francês do ano – “Intocáveis” – Gostei de “A delicadeza do amor”, mas esta é uma categoria que “Intocáveis” é pule de dez. O filme de Olivier Nakache e Eric Toledano é uma belíssima história sobre dois sujeitos – um milionário tetraplégico e um senegalês desajustado e cheio de problemas que vive na periferia de Paris - que desenvolvem uma bonita amizade cuidando um do outro. É uma linda história real.

O filme argentino do ano – Quando criei esta categoria pensei que seria uma espécie de prêmio Ricardo Darín. E ele fez dois bons filmes que passaram aqui: “A dançarina e o ladrão”, embora este seja espanhol, e “Elefante Branco”. Mas o melhor argentino vai mesmo para “Infância Clandestina” por todos os motivos que o colocaram na lista dos dez melhores.

O filme brasileiro do ano – “Paraísos Artificiais” é muito bom, “Xingu” também, mas vou dar um título ao Botafogo (juro que não é provocação). “Heleno” foi um dos melhores filmes que eu já vi sobre futebol. E ainda conta com a ótima atuação de Rodrigo Santoro no papel do ex-jogador Heleno de Freitas, um ídolo dos tempos românticos do bom e velho esporte bretão.

O filme baseado em quadrinhos do ano – “Os Vingadores” é um dos melhores filmes do gênero já feitos no cinema. Entra na mesma categoria de trabalhos como “X-Men”, “Watchmen” e “Batman – O cavaleiro das trevas”. A reunião dos heróis mais famosos da Marvel tem diálogos divertidos, bom humor, sarcasmo, efeitos especiais na medida certa e ótimas atuações de Robert Downey Jr (Homem de Ferro), o grande nome do filme, e Mark Ruffalo, que faz o melhor de todos os Hulks.

Os melhores roteiros – Gosto do trabalho de Asghar Farhadi em “A separação”, Steven Zaillian em “Millenium – os homens que não amavam as mulheres” e Michel Hazanavicius fez um trabalho mágico em “O Artista”. Steve McQueen e Abi Morgan por “Shame” e Hossein Amini por “Drive” também merecem ser citados assim como o divertido roteiro de Nanni Moretti em “Habemus Papam” e o trabalho de Olivier Nakache e Eric Toledano em “Intocáveis”. “Infância Clandestina” e “A negociação” também são muito bons, mas eu gosto de roteiros que me surpreendam e que me envolvam numa teia em que é preciso refletir para sair dela. E esta é uma característica de dois dos meus três favoritos do ano. O terceiro melhor é o de Chris Terrio por “Argo”. E todos os elogios ao filme já foram aqui feitos. O segundo melhor fica para o intrincado “O espião que sabia demais”. Mas nada me deixou mais boquiaberto do que o que eu vi em “As Palavras”. Até hoje não tenho algumas respostas na minha cabeça por conta do trabalho de Brian Klugman e Lee Sternthal.

Os piores roteiros – “Branca de Neve e o caçador” e “Cavalo de Guerra” são filmes de com histórias terrivelmente ruins e mal contadas. Dustin Lance Black também erra tudo em “J.Edgar”, mas eu vou escolher como o pior de 2012 uma boa ideia que não foi bem desenvolvida. Essa foi a impressão que o trabalho de John Spaihts e Damon Lindelof me passaram em “Prometheus”. Não é a toa que um dos roteiristas é criador do seriado “Lost”, que começou muito bem e terminou muito mal. “Prometheus” não tem nem um bom início. É uma ideia boa que não foi bem executada.

Os melhores diretores – Walter Salles merece um crédito, pois o seu “Na Estrada” é uma ótima adaptação do livro de Jack Kerouc. Michel Hazanavicius fez de um filme mudo uma história tocante e David Fincher mostrou toda a sua qualidade em “Millenium – os homens que não amavam as mulheres”. E não posso deixar de citar Simon Curtis por “Sete dias com Marilyn”, Steve McQueen por “Shame” e Tomas Alfredson por “O espião que sabia demais”. Mas os meus três favoritos são, em ordem decrescente, Martin Scorsese por “A invenção de Hugo Cabret”, Ben Affleck (quem diria!) por Argo e David Cronenberg por “Cosmópolis”.

Os piores diretores – Este ano de 2012 foi muito errado. Se Ben Affleck aparece na minha lista de melhores diretores, alguns titãs surgem na lista de piores. É o caso de Clint Eastwood por “J.Edgar”. Mas o top 3 do mal tem em terceiro lugar Mark Neveldine e Brian Taylor pela bomba atômica “Motoqueiro Fantasma – espírito de vingança”, em segundo Steven Spielberg pelo seu patético “Cavalo de Guerra” e o campeão, o filme mais xexelento de 2012, “Branca de Neve e o caçador” e seu diretor Rupert Sanders.

Melhores atuações masculinas – Richard Gere merece todas as homenagens pelo seu trabalho em “A negociação”, mas ele não está no meu top 3. Foi um ano de alguns coadjuvantes que brilharam mais do que os próprios atores principais como Paul Giamatti na sua curta, mas marcante participação em “Cosmópolis”, Albert Brooks em “Drive” e Ernesto Alterio em “Infância Clandestina”. Ricardo Darín também brilhou em “A dançarina e o ladrão” assim como Kenneth Branagh em “Sete dias com Marilyn”. Mas vou ficar com outros três atores. O terceiro melhor é Jeremy Irons e sua participação imprescindível que torna “As Palavras” um filmaço para ser visto e revisto. Um pouco acima, Gary Oldman e sua excelente atuação em “O espião que sabia demais”, além de uma participação marcante em “Os Infratores”. Acima deles, Michael Fassbender. Foi o ano dele. Esteve muito bem como Carl Jung em “Um método perigoso”, foi um dos poucos a se salvar em “Prometheus” e teve aquele que é o papel da sua vida até aqui em “Shame”.

Piores atuações masculinas – O que dizer de Nicolas Cage envergonhando os fãs dele e do Motoqueiro Fantasma em “Motoqueiro Fantasma – espírito de vingança”? Só que ele não foi pior do que Leonardo di Caprio em “J.Edgar”.

Michelle Williams encarnando Marilyn
Melhores atuações femininas – Viola Davis e Octavia Spencer são a razão de ser de “Histórias Cruzadas”. O mesmo vale para Meryl Streep e sua Margaret Tatcher em “A dama de ferro”. Mas foi Michelle Williams a mais impressionante das que eu vi. Ela praticamente encarnou Marilyn Monroe para fazer o filme “Sete dias com Marilyn”. Não é a toa que foi indicada ao Oscar pelo papel.

Piores atuações femininas – Se eu disse que o ano foi positivamente de Michael Fassbender, o ano também foi de Kristen Stewart. Negativamente falando, é claro. E não falo nem pelos filmes “Crepúsculo”, que continuo sem paciência e disposição para ver. Mas Kristen conseguiu ser inferior a um poste em “Na Estrada”. Zero sedução em uma personagem que deveria ter alguma sensualidade. Ainda bem que não comprometeu a qualidade da película. Mas o que dizer dos seus momentos “comercial de shampoo” em "Branca de Neve e o caçador”? Kristen realmente é muito fraca e reina absoluta entre as piores atrizes de 2012. Não tem como tirar esse título dela.

E assim termina o Best Of 2012. É claro que ano que vem eu vou continuar cornetando tudo e todos. Um feliz ano novo aos que me aturaram neste ano. Continuem assim em 2013.