segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Os melhores filmes de 2024

Chegamos ao grande momento do ano. A hora de divulgar a lista dos melhores filmes de 2024. Assim como nas séries, este ano mudamos um pouco as regras do prêmio. Não publicaremos mais a lista dos piores filmes, pois decidimos que o que é ruim, não deve ter qualquer publicidade mesmo.

Como a partir de 2024 resolvemos falar apenas de amor, ampliamos em dez filmes a lista do Best Of. Assim, saltamos de 30 para 40, mas este número passará a ser variável a cada ano. Pode vir a ser menos se for um ano ruim, pode vir a atingir um número máximo de 50 se eu estiver num ano virado no Jiraya em que tenha visto uma média de dois filmes por dia. Parece impossível, mas não duvidem da minha capacidade.

As regras para entrarem na lista permanecem as mesmas. Os filmes precisam estrear nos cinemas do Rio de Janeiro ou de Lisboa ou em algum dos principais serviços de streaming entre o primeiro dia do ano e o último fim de semana do ano corrente. Do contrário, não está elegível para ficar entre os melhores do ano.

Sem mais delongas, vamos direto ao top-40 de 2024:

1- “Anatomia de uma queda” (Anatomie d’une chute — FRA) — Diretora: Justine Triet.

2- “Ainda estou aqui” (Ainda estou aqui — BRA, FRA). Diretor: Walter Salles.

3- “Rivais” (Challengers — ITA, EUA). Diretor: Luca Guadagnino.

4- “Vidas passadas” (Past Lives — EUA, COR). Diretora: Celine Song.

5- “Anora” (Anora — EUA). Diretor: Sean Baker.

6- “Zona de Interesse” (The Zone of Interest — ING, POL, EUA). Diretor: Jonathan Glazer.

7- “O monge e a espingarda” (The Monk and the Gun — BT, TW, FRA, EUA, HK). Diretor: Pawo Choyning Dori.

8- “Os indesejáveis” (Bâtiment 5 — FRA, BEL). Diretor: Ladj Ly.

9- “Eu, capitão” (Io Capitano — ITA, BEL, FRA). Diretor: Matteo Garrone.

10- “Babygirl” (Babygirl — NLD, EUA). Diretora: Halina Reijn.

11- “Ficção Americana” (American Fiction — EUA). Diretor: Cord Jefferson.

12- “Duna: parte 2” (Dune: Part Two — EUA, CAN, UAE, HUN; ITA. NZL, JOR, GM). Diretor: Dennis Villeneuve.

13-“Emilia Pérez” (Emilia Pérez — FRA, BEL, MEX). Diretor: Jacques Audiard.

14- “Origin” (Origin). Diretora: Ava DuVernay.

15- “Os rejeitados” (The Holdovers — EUA). Diretor: Alexander Payne.

16- “O quarto ao lado” (The Room Next Door — ESP, EUA). Diretor: Pedro Almodóvar.

17- “O conde de Monte Cristo” (Le Comte de Monte-Cristo — FRA, BEL). Diretores: Alexandre de La Patallière e Mathieu Delaporte.

18- “Tipos de gentileza” (Kinds of Kindness — IRL, ING, EUA, GRE). Diretor: Yorgos Lanthimos.

19- “Pobres Criaturas” (Poor Things — IRL, ING, EUA, HUN). Diretor: Yorgos Lanthimos.

20- “Jurado n 2” (Juror #2 — EUA). Diretor: Clint Eastwood.

21-“O desafio de Marguerite” (Le Théorème de Marguerite — FRA, SUI). Diretora: Anna Novion.

22- “O sabor da vida” (Le passion de Dodin Bouffant — FRA, BEL). Diretor: Ahn Hung Tran.

23- “As três filhas” (His Three Daughters — EUA). Diretor: Azazel Jacobs.

24- “Meu bolo favorito” (Keyke mahboobe man — IR, FRA, SUE, ALE). Diretores: Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha.

25- “Furiosa: Uma saga Mad Max” (Furiosa: A Mad Max Saga — AUS, EUA). Diretor: George Miller.

26- “Todos nós desconhecidos” (All of us strangers — ING, EUA). Diretor: Andrew Haigh

27- “O Aprendiz” (The Apprentice — CAN, DIN, IRL, EUA). Diretor: Ali Abbasi.

28- “O homem dos sonhos” (Dream Scenario — EUA, CAN). Diretor: Kristoffer Borgli.

29- “Longlegs — Vínculo Mortal” (Longlegs — CAN, EUA). Diretor: Osgood Perkins.

30- “Motel Destino” (Motel Destino — BRA, FRA, ALE, ING). Diretor: Karim Ainouz.

31- “Assassino por acaso” (Hit Man — EUA). Diretor Richard Linklater.

32- “Fúria Primitiva” (Monkey Man — EUA, CAN, SIN, IN). Diretor: Dev Patel.

33-“A sala dos professores” (Das Lehrerzimmer — ALE, EUA). Diretor: Ilker Çatak.

34- “Alien: Romulus” (Alien: Romulus — ING, EUA, HUN, AUS, NZL, CAN). Diretor: Fede Alvarez.

35- “Ainda temos o amanhã” (C’è Ancora Domani — ITA). Diretora: Paolla Cortellesi.

36- “No interior do casulo amarelo” (Bên trong vo kén vàng — VN, SIN, FRA, ESP). Diretor: Thien An Pham.

37- “Pequenas cartas obscenas” (Wicked Little Letters — ING, EUA, FRA). Diretora: Thea Sarrock

38- “Conclave” (Conclave — ING, EUA). Diretor: Edward Berger.

39- “Um homem diferente” (A different man — EUA). Diretor: Aaron Schimberg.

40- “A Substância” (The Substance — ING, FRA, EUA). Diretora: Coralie Fargeat.

Com isso, terminamos mais uma temporada de cinema. Feliz ano novo e até 2025!

domingo, 29 de dezembro de 2024

As melhores séries de 2024

Eis que chegamos ao nosso tradicional Best Of de fim de ano. Tivemos um ano com uma série de produções muito boas na TV e nos streamings. Chegar a uma lista final não foi nada fácil. Só a minha pré-lista tinha 38 títulos diferentes. Contudo, desta vez resolvi roubar um pouco no jogo. Ou melhor, adaptar um pouco mais. A partir deste ano deixarei de publicar a lista das piores séries.

Tenho dois motivos para isso. Primeiro porque eu cansei de ser otário. Embora muito provavelmente eu continuarei indo até o final se eu iniciar uma série ruim para ver onde isso vai parar. Segundo porque preferi deixar as porcarias enterradas no lixo da história sem muita publicidade sobre isso. Não que isso vá fazer muita diferença do ponto de vista macro, afinal eu não tenho tantos leitores assim e nem sou relevante. Mas o meu objetivo a partir de agora será falar apenas das coisas boas e largar o “ódio” de lado porque isso não é relevante.

Com isso, ampliei a lista de melhores séries do ano de 15 para 20. São mais cinco para eu prestar uma homenagem por terem me entretido, me feito pensar ou me regozijado com algum trabalho que tenha sido bem feito.

Dito isto, vamos agora ao top-20 de 2024.

1- Pinguim (The Penguin — EUA — 2024 — HBO Max) — No ano em que o Coringa fracassou no cinema, descobrimos o quanto o Pinguim pode ser tão traiçoeiro quanto o arquirrival do Batman. A série da HBO foi quase impecável. A ideia de ambientar a história da ascensão do Pinguim no crime de Gotham como numa história de máfia ao estilo de “Sopranos” foi muito acertada. Colin Farrell está excelente no papel principal em uma série em que também brilham Cristin Millioti como Sofia Falcone e Deirdre O´Connell como a mãe do Pinguim, Carmen Ejogo como Eve Karlo e Rhenzi Feliz no papel do parceiro e aprendiz de Oswald, Victor Aguilar. Talvez o único senão da série é a ausência do Batman enquanto toda aquela guerra de gangues no submundo acontece. Isso não fica muito claro na história. No entanto, “Pinguim” comprova que o universo idealizado por Matt Reeves é a melhor forma de recomeçar a história do Batman. Segura esse pepino agora, James Gunn!

2- Ripley (Ripley — EUA — 2024 — Netflix/Showtime) — A série baseada no livro “O talentoso Ripley” (1955), de Patricia Highsmith, quase não viu a luz do dia mesmo depois de filmada. Ainda bem que a Netflix resolveu colocar no seu catálogo, pois “Ripley” é simplesmente maravilhosa, tem atuações incríveis e uma fotografia espetacular.

3- Cem anos de solidão (Cien Años de Soledad — COL — 2024 — Netflix) — O livro de Gabriel Garcia Marquez parecia um daqueles do gênero impossível de se adaptar, mas a Netflix provou que não só era possível, como fez um trabalho lindo e impecável ao retratar Macondo e seus habitantes.

4- Xógum: A gloriosa saga do Japão (Shôgun — EUA, 2024-, — FX) — Não fosse o trabalho bem fraco de Cosmo Jarvis, talvez “Xógum” estive ainda mais bem posicionado no ranking de 2024. Mas a série é tão boa e tão bem feita que nem isso atrapalha esta adaptação do livro de James Clavell. Além do roteiro, direção de arte e direção, destaque para os trabalhos de Anna Sawai e Hiroyuki Sanada.

5- Hacks (Hacks — 2021-, EUA — HBO) — A terceira temporada é o ponto mais alto de uma série cheia de pontos altos. Descrita por um crítico que eu li como a “Succession” dos gays, “Hacks” não perdeu a sua dinâmica e nem parece estar se repetindo. Pelo contrário, a cada temporada adiciona novas camadas ao tratar da relação entre a velha comediante vivida por Jean Smart e Ava, a novata que trabalha para ela. O fim da terceira temporada ainda é de cair o queixo.

6- Falando a Real (Shrinking — EUA — 2023-, — Apple TV) — Esta série já havia me chamado a atenção na sua primeira temporada, mas a segunda superou ainda mais as expectativas. Acho que “Falando a Real” foi um dos melhores textos que eu vi em 2024.

7- Cidade de Deus — a luta não para (Cidade de Deus: a luta não para — BRA — 2024-, HBO) — Voltar a mexer no universo de Cidade de Deus era um risco grande, mas a série foi muito bem-sucedida ao mostrar o que aconteceu com seus personagens 20 anos depois do filme de Fernando Meirelles e ao acrescentar novas camadas da realidade atual do crime organizado do Rio de Janeiro.

8- Pachinko (Pachinko — 2022 — EUA, Coreia do Sul, CAN — Apple TV) — A segunda temporada só fez crescer o meu conceito sobre este drama que retrata a dura realidade dos sul-coreanos que imigraram para o Japão durante as guerras que assolaram os países na primeira metade do século XX em busca de construir uma vida melhor.

9- O Urso (The Bear — EUA — 2022-, FX) — Muitos criticaram a terceira temporada da série da FX. De fato, é a temporada mais intimista, mas não deixa de ter alguns episódios absolutamente lindos. O primeiro episódio é puro cinema, o episódio da maternidade é espetacular, assim como o do Marcus aprendendo truques de mágica para fazer suas sobremesas. Sem falar no episódio final com os chefs. “O Urso” só não está mais alto nesta lista porque a concorrência foi muito grande em 2024 e houve outras séries que atingiram um nível de excelência ainda maior.

10- A amiga genial (L´amica geniale — 2018–2024, ITA, EUA, HBO/RAI) — A quarta e última temporada da saga baseada na tetralogia napolitana da escritora Elena Ferrante encerrou maravilhosamente bem uma jornada de seis anos com um final belo e agridoce. Foi uma adaptação muito bonita da obra da escritora italiana.

11- A Diplomata (The Diplomat — ING, EUA — Netflix — 2023-) — A segunda temporada da série estrelada por Keri Russell pode não ter sido tão boa quanto a primeira, mas ainda assim foi impactante em suas reviravoltas e tramas políticas. Talvez tenha pecado por ser tão absurda e mirabolante, mas, quem liga? Diversão garantida para quem gosta de política externa.

12- A casa do dragão (House of the dragon — EUA — 2022 — HBO) — A segunda temporada parece uma daquelas temporadas de meio de uma trilogia. Também terminou de forma anticlimática para muita gente. Porém, gosto muito quando o universo de “Game of Thrones” se dedica mais à política e à fofoca do que especialmente à batalhas. E isso foi o suficiente para deixar a série entre as melhores do ano.

13- X-Men 97 (X-Men´97 — EUA, COR — 2024-, — Disney Plus) — A série criada por Beau DeMayo trouxe finalmente um gostinho dos mutantes no Universo Marvel ao mesmo tempo em que tratou de uma série de temas importantes. Por vezes pareceu muito acelerada, mas alguns episódios foram memoráveis.

14- Entrevista com o vampiro (Interview with the vampire — EUA — 2022- — AMC) — Esta foi mais uma série que eu vi crescer da primeira para a segunda temporada. Muito bem desenvolvida e história ainda mais envolvente. Ela não deve nada ao filme dos anos 1990.

15- Mestres do Ar (Masters of the Air — EUA — APPLE TV — 2024) — Junto com “Band of Brothers” e “The Pacific”, esta é a trilogia definitiva sobre a Segunda Guerra Mundial em séries. Muito bonita mesmo.

16- Erro 404 (Erro 404 — POR — 2024 — RTP) — Essa série portuguesa estrelada por Inês Aires Pereira foi uma bela surpresa de 2024. A história está longe de ser original, mas foi tão bem feita e bem executada dentro das limitações naturais de orçamento, afinal não é uma superprodução hollywoodiana, que merece um lugar no top-20 de 2024.

17Slow Horses (Slow Horses — ING, EUA — 2022- — Apple TV) — A série estrelada por Gary Oldman sobre um grupo de agentes do serviço secreto britânico considerados fracassados já está na quarta temporada e sempre mantém uma boa qualidade. Dá até vontade de ler os livros nos quais ela é baseada.

18Tokyo Vice (Tokyo Vice — EUA — 2022–2024 — HBO) — A segunda temporada que retrata a saga do jornalista Jake Adelstein em sua investigação sobre a Yakuza supera a primeira. Esta é daquelas séries pouco comentadas no meu círculo de amizade, mas que é bem boa.

19- Fallout (Fallout — EUA — 2024-, Prime Video) — A temporada de estreia da adaptação do famoso videogame foi bem promissora. É ficar de olho em como será a segunda temporada.

20- True Detective (True Detective — EUA — HBO — 2014-) — A volta de True Detective agora numa temporada estrelada por Jodie Foster dividiu opiniões. “True Detective” parece que nunca mais será brilhante como a primeira temporada, mas esta Night Country fez o suficiente para conquistar o seu lugarzinho no top-20.

Menções honrosas: Dune: Prophecy (HBO), O Véu (FX/Hulu), Agatha Desde Sempre (Disney Plus), Acima de qualquer suspeita (Apple TV) e A Franquia (HBO Max).

É isso. Amanhã voltamos com os melhores filmes de 2024.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Música: Os melhores álbuns de 2024

Com 2024 chegando ao fim é hora de fazer a lista de melhores álbuns do ano. Foi
um período em que muitos bons discos foram lançados. Portanto, não foi nada fácil chegar aos meus 20 favoritos.

Depois de uma pré-lista de 46 álbuns, assim ficou o meu top-20 de 2024.

1- The Cure — “Songs of a lost world” — Após um hiato de 16 anos, a banda inglesa lançou um dos melhores álbuns da sua carreira. O disco marcado pela melancolia e o luto de Robert Smith pela perda dos pais e do irmão nos últimos anos é sublime. (Crítica do álbum na Rock on Board)

2- Bruce Dickinson — “The Mandrake Project” — Em meio aos shows do Iron Maiden pelo mundo, o cantor britânico ainda encontrou tempo para lançar um excelente álbum conceitual solo. Um projeto ambicioso, multidimensional e que só cresce a cada vez que eu ouço. (Crítica do álbum na Rock on Board)

3- Black Pantera — “Perpétuo” — O quarto álbum da banda mineira foi um dos últimos discos que ouvi no ano e foi logo catapultada para o meu pódio de 2024. O Black Pantera foi a minha descoberta particular do ano e foi impossível passar indiferente para a sua mistura de hard rock e metal com as letras que falam sobre política, racismo, discriminação dentro de uma realidade profundamente brasileira. Disco absolutamente espetacular.

4- Lenny Kravitz — “Blue Eletric Light” — Um discaço do cantor estadunidense com todos os elementos que marcaram a sua carreira de 35 anos. Um álbum que tem rock, soul, R&B, boas letras e Kravitz exercendo seu lado multi-instrumentista. Estou ansioso para ver as canções do álbum ao vivo em 2025. (Crítica do álbum na Rock On Board)

5- Jack White — “No Name” — Assim meio de surpresa e praticamente sem aviso prévio, o cantor de Detroit lançou em julho um ótimo álbum que tem todos os elementos de garage rock e blues rock que White gosta de colocar em seus trabalhos. Isso resultou num dos seus melhores trabalhos solo.

6- Pearl Jam — “Dark Matter” — Décimo segundo álbum da banda de Seattle, “Dark Matter” é outro daqueles discos que foram crescendo a cada vez que eu ouvia. Depois do irregular “Gigaton” (2020), em que banda flertou e apostou em outra sonoridade, em “Dark Matter” o Pearl Jam voltou a apostar na força das guitarras. Uma decisão acertada que gerou um álbum muito bom.

7- Beyoncé — “Cowboy Carter” — Segundo álbum conceitual da planejada trilogia desenvolvido pela cantora estadunidense, “Cowboy Carter” mergulha nas raízes da contribuição dos negros para a história da música americana. Para isso, Beyoncé toma de assalto um gênero hoje muito mais visto como branco dentro dos Estados Unidos: o country. Conceitualmente, o álbum se apresenta como um programa de rádio por onde passam nomes famosos do country como Dolly Parton, Linda Martell e Willie Nelson como DJs enquanto a cantora executa as suas canções. O disco ainda tem uma bonita versão de “Blackbird”, dos Beatles. “Bodyguard” e “Daughter” estão entre as melhores canções do álbum.

8- The Mysterines — “Afraid of Tomorrow” — Até este lançamento, eu não conhecia esta banda britânica de Liverpool liderada pela vocalista e principal compositora Lia Metcalfe. Este é o segundo álbum do grupo que pareceu bem promissor.

9- Nick Cave & The Bad Seeds — “Wild God” — O 18º álbum dos australianos é um discaço. Não tenho muito mais a dizer a não ser pedir para acompanhar a riqueza das melodias e do instrumental ao longo do álbum.

10- Offspring — “Supercharged” — Não sou exatamente um fã de Offspring, mas este álbum ficou bem legal. Punk rock curto, grosso e direto.

11- Jake Bugg — “A modern day distraction” — Este álbum já prometia quando o cantor inglês apresentou algumas canções no Rock in Rio Lisboa (Crítica do show no Rock on Board). O resultado cumpriu o prometido. Boas canções numa mistura de indie e blues rock.

12- The Black Crowes — “Happiness Bastards” — Foram 14 anos sem lançar um disco novo, mas parece que a reunião dos irmãos Robinson e a turnê de celebração do álbum de estreia “Shake your money maker” (1990) nos últimos anos reacendeu a fagulha do grupo de Atlanta. O resultado está em “Happiness Bastards”, um belo disco de clássico rock.

13- Judas Priest — “Invincible Shield” — “Invincible Shield” lembra alguns dos melhores trabalhos do Judas Priest e canções como “Panick Attack” e “Devil is Disguise” não devem nada aos clássicos da banda. Mesmo as 73 anos, Rob Halford mostra que a voz ainda está em forma e consegue entregar um bom álbum. É preciso ver como o disco funciona ao vivo.

14- Robert John & The Wreck — “Red Moon Rising” — Banda californiana que eu não conhecia até ouvir este álbum. Tem uma pegada de blues rock e o álbum valeu cada momento.

15- Father John Misty — “Mahashmashana” — Reconheço que foi uma escolha meio dândi, mas realmente gostei deste álbum e acho que ele merece estar no top-20. O nome do álbum está em sânscrito e significa “grande campo de cremação”.

16- Snow Patrol — “The Forest is the Path” — Oitavo álbum da banda escocesa. Bem legal. Destaco “All”, “Everything is near and nothing is lost” e”Hold me in the fire”.

17- Pixies — “The Night that zombies came” — A banda de Boston nunca foi a minha cena, mas de alguma forma a qualidade deste álbum conquistou um lugar nos melhores de 2024.

18- Black Country Communion — “V” — Quinto álbum desta banda de hard rock de Los Angeles que é formada por alguns nomes conhecidos entre os fãs de rock, como Glen Hughes, o guitarrista Joe Bonamassa e o baterista Jason Bonham, filho do lendário baterista do Led Zeppelin John Bonham.

19- Frank Carter & The Ratlesnakes — “Dark Rainbow” — Quinto álbum desta banda inglesa. Disco de rock tradicional, sem grandes invenções, mas bem legal de ouvir a ponto de ter entrado para o top-20.

20- God is an Astronaut — “Embers” — O disco é o 12º desta banda irlandesa. Todo instrumental. Gosto do clima que a banda cria e da riqueza das músicas.

Amanhã voltamos com as melhores séries de 2024.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Filmes e séries: destaques e decepções de outubro

Destaques:

Alien: Romulus — Eu tinha os dois pés atrás pelo enésimo filme da franquia Alien, mas não é que o trabalho de Fede Alvarez realmente é muito legal? É o Alien de terror com crítica social foda, cm trabalhadores tendo que se virar nos 30 para sobreviver na selva espacial e buscar um lugar ao sol enquanto são explorados pela mão invisível do mercado intergaláctico.

O banho do diabo — Esse filme austríaco é do capeta. Fala sobre depressão e casos reais de pessoas que cometiam crimes para poderem deixar esta vida sem serem condenados pela Igreja por cometerem suicídio. Pesadão.

O desafio de Marguerite — Eu gosto de um filme sobre intelectuais. Aqui uma matemática brilhante tenta descobrir rumos inéditos da sua disciplina, mas ela só consegue mesmo clarear a mente para achar a resposta que precisava depois que tem o primeiro orgasmo da vida. O filme na verdade é mais do que isso, mas sexo vende e você ficou intrigado (a) com o meu resumo.

Lee — Kate Winslet vivendo a história real da correspondente de guerra Lee Miller. Não precisamos de mais nada.

As três filhas — De vez em quando a Netflix acerta. Carrie Coon, Natasha Lyonne e Elizabeth Olsen lavando a roupa suja enquanto o pai delas está com um câncer terminal.

Motel Destino — Karim Ainouz no seu melhor, Fábio Assunção, Iago Xavier e Nataly Rocha maravilhosos e uma das melhores e mais impactantes frases do ano no cinema: “Depois que eu te matar eu vou comer o teu cu!”. Isso é coisa de psicopata.

Pachinko — Segunda temporada simplesmente maravilhosa. Este drama da Apple TV só cresce no meu conceito.

Decepções:

O Casal Perfeito — Nicole Kidman e Susanne Bier precisam escolher melhor os seus projetos. Está ficando difícil defender.

Armadilha — Shyamalan disse que seu filme era uma mistura de show da Taylor Swift com “O Silêncio dos Inocentes”. Isso soa pavoroso como o filme realmente é. Gosto do personagem do Josh Hartnett, mas é difícil defender esse filme que teve até nepotismo.

Guerra e Revolta — Fui enganado pelo trailer de um filme que prometia falar sobre a China do tempo do ronca. O filme ainda é coreano.

sábado, 31 de agosto de 2024

Filmes e séries: destaques e decepções de agosto

 

Destaques:

“O sabor da vida” (La passion de Dodin Bouffant — FRA, BEL — 2023) — Estrelado por Juliette Binoche e dirigido pelo vietnamita Ahn Hung Tran, o filme basicamente é sobre amor e culinária. É bem bonito.

“Ainda temos o amanhã” (C´é ancora domani — ITA- 2023) — Um ensaio lírico sobre a liberdade a partir da attitude de uma dona de casa que planeja se rebelar contra o marido violento ao mesmo tempo em que as mulheres ganham o direito de votar na Itália do pós-guerra.

“Bem-vindos à bordo” (Rien à foutre — FRA, BEL — 2021) — Adèle Exarchopoulos vive uma comissária de bordo em um filme bem interessante sobre a precarização do trabalho na aviação low-cost.

“Faye: Entre luzes e sombras” (Faye — EUA — 2024) –Muito bom documentário sobre a atriz Faye Dunaway. Perpassa a sua rica carreira e seus problemas pessoais, como a bipolaridade.

“O Urso” (The Bear — EUA — 2022-, FX) — A terceira temporada foi a mais intimista, mas com muitos episódios lindos. “O Urso” continua sendo uma das minhas series favoritas da atualidade.

“Batman: Cruzado Encapuzado” (Batman: Caped Crusader — EUA — 2024-, Prime Video) — Para quem gosta do Batman detetive, furtivo, apanhando e enxugando gelo numa Gotham corrupta para todos os lados, esta é a série.

“A casa do dragão” (House of the dragon — EUA — 2022 — HBO) — A segunda temporada deu aquela sensação de coito interrompido para muita gente, mas eu gostei bastante porque eu gosto da política na veia e de como a série alerta nesta temporada sobre os males que são causados pela fofoca. 

Decepções:

“Twisters” (Twisters — EUA — 2024) — Não é que eu esperasse muita coisa de um retorno dos furacões, mas também não precisava ser essa vergonha toda.

“Os Provocadores” (The Instigators — EUA — 2024) — Fraquinho, bobo, história ruim, um desperdício de talentos.

“Those About to die” (Those About to die — EUA, ALE, ITA — 2024-, Peacock) — Fui enganado pelo combo Império Romano + Anthony Hopkins. Mirei em “Roma”, da HBO, e acertei numa novela bíblica da Record.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Filmes e séries: Destaques e decepções de julho

Destaques:

“Tipos de Gentileza” (Kinds of Kindness — EUA, ING, IRL — 2024) — Lançar dois filmes num intervalo tão curto de tempo já é um desafio. Agora, imagina dois filmes insanos? Foi o quw Yorgos Lanthimos fez com a dobradinha “Pobres Criaturas” e “Tipos de Gentileza”. E dá para dizer que a parceria com Emma Stone e Willem Defoe deu certo de novo. Inclusive, gosto mais desse do que do anterior.

“Deadpool & Wolverine” (Deadpool & Wolverine — EUA, CAN, AUS, NZL — 2024) — Nunca pensei que a volta de Hugh Jackman ao papel de Wolverine fosse para filmar o obituário da Fox, que é basicamente o que é este filme. Me diverti e isso já é um elogio perto dos últimos filmes da Marvel.

“A última sessão de Freud” (Freud´s Last Session — IRL, ING, EUA — 2023) — Adoro um filme com intelectuais debatendo ideias. E é sempre um prazer ver Anthony Hopkins trabalhando.

“Um tira da pesada 4: Axel Foley” (Beverly Hills Cop: Axel F. — EUA — 2024) — Nostálgico, divertido, picareta. Era tudo o que eu esperava da volta de Eddie Murphy como Axel Foley.

“Acima de qualquer suspeita” (Presumed Innocent — EUA — Appel TV — 2024) — Série de tribunal com final surpreendente é um Jake Gyllenhall excelente. Gostamos.

“Último Ato” (Manhunt — EUA — Apple TV — 2024) — Série bem interessante sobre a conspiração por trás do assassinato de Abraham Lincoln. Dá para traçar assustadores paralelos com os Estados Unidos da atualidade.

“Entrevista com o vampiro” (Interview with the vampire — EUA — AMC — 2022-) — A segunda temporada da série baseada nos livros de Anne Rice é ainda mais bem desenvolvida e envolvente do que a primeira. Esta série foi uma surpresa para mim desde o início.

Decepções:

“Bad Boys: até o fim” (Bad Boys: Ride or Die — EUA — 2024) — O terceiro filme já era uma vergonha. Este é ainda mais constrangedor. Talvez esteja na hora de os Bad Boys se aposentarem. Até porque o Will Smith não precisa disso.

“A Acólita” (The Acolyte — EUA — Disney Plus — 2024) — Uma das coisas mais lamentáveis já feitas em Star Wars. Me fez ter saudades de Boba Fett.

“Clipped” (Clipped — EUA — FX — 2024) — Esperava bem mais sobre esta série sobre os escândalos no Los Angeles Clippers. É apenas ok e ainda me deixou com uma dúvida eterna: por que raios o Doc Rivers trocou o Boston Celtics pelos Clippers? Eu só descobri lendo a imprensa da época. Obrigado internet.

domingo, 14 de julho de 2024

“Horizon”, “Um tira da pesada 4” e até onde a nostalgia pode ser boa?

Costner ambiciona um épico como os do passado
“Horizon: uma saga americana — Capítulo 1” é um grande filme. Esta provavelmente teria sido a minha conclusão se o filme tivesse sido lançado em 7 de julho de 1962 e eu fosse um jornalista escrevendo para a Gazeta da Cidade, porque não havia internet nem espaços online para expressar qualquer opinião. Tendo sido lançado mais de 50 anos depois, tenho a sensação de que o trabalho de Kevin Costner já nasceu bastante datado.

A ideia de Costner, que volta a dirigir um filme duas décadas depois de “Pacto de Justiça” (2003), era criar um épico americano como os grandes épicos do passado. “Horizon” tem um que de “E o vento levou…” (1939) e almeja contar uma saga como a que vemos em “Assim caminha a humanidade” (1956). Olhando por esse prisma, Costner enaltece uma inocência que soa muito artificial e falsa no mundo de 2024. Todo aquele jogo de cena de corações palpitantes entre Frances (Sienna Miller) e Trent Gephart (Sam Worthington), essa paixão inocente e cheia de dedos que emerge em meio a tragédia vivida por Frances não encontra muito eco no cinema do século XXI.

Ao criar este mise-en-scène, Costner parece sentir falta destes diálogos quase puros do cinema do século passado. O problema é que a modernidade, entre outras coisas, nos tornou cínicos e práticos. Num mundo em que o Tinder e aplicativos semelhantes são lei e nos exibimos feito carne no açougue em busca da atenção e desejo do outro, a pureza que Costner tenta evocar no filme é quase caricata.

A problemática indígena

“Horizon” almeja contar em quatro partes a saga da colonização do Oeste dos Estados Unidos durante o século XIX. Uma história marcada por massacres, conflitos e sangue como boa parte da história humana.

E aqui temos o maior problema do filme. Parece que Costner tem uma nostalgia de como os indígenas eram retratados nos velhos faroestes de John Wayne e reproduz o mesmo em seu filme. Na visão do diretor, os indígenas são violentos, impulsivos, cruéis matadores de mulheres e crianças que se colocam como um entreposto para o natural avanço da civilização. Não há em “Horizon” uma única linha que dê voz aos indígenas, que estão vendo as suas terras serem arbitrariamente tomadas pelos brancos colonizadores. Para dizer o mínimo, isso é desonesto. Outros poderiam usar palavras menos polidas e não estariam de todo errados.

Em “Horizon” voltamos no tempo ao identificar os indígenas como vilões, ainda que seja a invasão dos brancos que afasta a caça dos povos que já ali estavam. Isso, no entanto, não interessa para Costner. A luta em “Horizon” é a da resistência do homem branco para vencer e conquistar aquela terra inóspita. E os indígenas são apenas o obstáculo.

É uma pena que “Horizon” opte por uma narrativa tão canhestra, pois o filme tem virtudes. A começar pela beleza. Quem gosta de faroeste se fartará com as paisagens de tirar o fôlego, com os signos que acompanham o gênero, com a narrativa lenta e descentralizado do seu filme, que não tem exatamente um protagonista, mas uma série de personagens tentando construir a sua história entre erros e acertos em meio às inóspitas terras do Oeste. É como se o filme fosse quase um “Guerra e Paz” da conquista do Oeste americano.

No entanto, a sua primeira parte mostrou também os velhos preconceitos de um cinema que não cabe mais no século XXI. Vamos ver se a segunda parte corrige um pouco o rumo dessa narrativa que ecoa a um passado do qual sabemos que existe, mas não devemos nos orgulhar.

Os mesmos truques de Axel Foley

Assim como “Horizon” evoca a um cinema do passado que não existe mais, “Um tira da pesada 4”, evoca a um cinema dos anos 80 que também não parece encontrar eco nos nossos cínicos tempos. Aparentemente, o diretor Mark Molloy e a Netflix não tinham nenhum interesse em renovar o público da franquia ao reativá-la.

Axel Foley, o malandro de Detroit
“Um tira da pesada 4” se passa em 2024 e mostra um Axel Foley vivendo as mesmas aventuras que vimos nos anos 1980 e 1990. Foley está mais velho, tem uma filha adulta com quem precisa se reconciliar (um clássico das franquias restauradas quem tentam voltar à ativa), mas ao mesmo tempo ele precisa resolver um caso escabroso em Beverly Hills que, claro, envolve corrupção policial.

Para dar conta disso, Foley usa os mesmos truques do passado. Se faz passar por personagens inventados por ele, inventa histórias, usa o seu carisma e simpatia e, assim, vai decifrando o enigma da investigação que ajudará a sua filha e os seus velhos amigos de Hollywood.

É delicioso ver Eddie Murphy fazendo as mesmas presepadas dos anos 1980. Eu dei muitas gargalhadas ao longo do filme, mas, lembremos, os tempos atuais são outros, o tenho dúvidas se as falsas narrativas criadas por Foley convencem as novas gerações na era da múltipla informação em que descobrimos a vida inteira de uma pessoa com alguns cliques.

É preciso exercitar muito a suspensão de descrença para acreditar que Foley é bem-sucedido como policial encrenqueiro graças a seu carisma e criatividade. Funciona demais para o público que cresceu com Foley e tem uma nostalgia desse cinema simples e sem muitas preocupações com frases batidas como “desenvolvimento de personagem” e “não consigo me conectar com o personagem”.

Mas será que Foley conseguiu atingir as camadas mais jovens? Sendo um filme da Netflix, é difícil saber pela falta de parâmetros como a bilheteria. Seja como for, “Um tira da pesada 4” é divertido demais ainda que repita ipsis litteris o estilo de 40 anos atrás.

O que me leva a questão: até onde a nostalgia pode ser boa? Entre Costner e Molloy, penso que repetir os erros do passado é um limite minimamente aceitável. “Horizon” é bonito, mas indigente com os povos indígenas e isso é inaceitável. “Um tira da pesada 4” é demasiado inocente, mas gostoso e divertido demais a ponto de podermos ignorar o cinismo do nosso mundo por pelo menos duas horas.

domingo, 30 de junho de 2024

Filmes e séries: Destaques e decepções de junho

Destaques:

“Origin” (Origin — EUA — 2023) — Ava DuVernay pegou o livro de Isabel Wilkerson e fez um filme-tese de doutorado que reflete sobre a relação entre o racismo e o sistema de castas. Um belo e revoltante filme.

“Assassino por acaso” (Hit Man — EUA — 2023) — Deliciosa comédia romântica/filme baseado em fatos reais dirigido por Richard Linklater que conta a história de um professor universitário que se fantasia de assassino de aluguel para ajudar a polícia a prender as pessoas que o contratam.

“Matéria Escura” (Dark Matter — Apple TV — EUA — 2024-) — Série bem interessante sobre um cidadão que viaja pelo multiverso para roubar de uma versão dele mesmo a vida que ele se arrependeu de não ter vivido. Primeira temporada bem interessante e com potencial para crescer.

“O Véu” (The Veil — FX/Hulu — EUA — 2024) — Minissérie de espionagem com Elisabeth Moss e mais eu não digo para não perder a graça.

“Hacks” (Hacks — HBO — EUA — 2021-) — Acho que a terceira temporada foi a melhor desta série que só cresce no meu conceito. Os temas abordados são muito interessantes, é ótimo ver a relação das duas protagonistas é o final da temporada é de cair o cu da bunda.

“As cores do Mal: Vermelho” (Kolory zla Czerwien — POL — 2024) — Filme polonês baseado numa série de livros da escritora Malgorzata Oliwia Sobczak. Clássico filme do gênero: quem matou fulana? Foi divertido.

Decepções:

“Agente X: A última missão” (The Bricklayer — EUA, BUL, GRE — 2023) — Ainda estou tentando entender o que me fez dar play neste filme. Ação e coreografias de luta péssimas, história péssima, atuações terríveis e um final brega com o protagonista-trabalhador olhando para o infinito com a bandeira americana tremulando ao fundo.

“Back to Black” (Back to Black — ING, FRA, EUA — 2024) — O filme sobre a trágica história da cantora Amy Winehouse é tudo o que ela não era: sem graça, básico e insipiente.

“Jardim dos desejos” (Master Gardener — EUA — 2022) — Tinha alguma expectativa por esse filme com Joel Edgerton e Sigourney Weaver, mas ele é só creepy de um jeito ruim.

“Um homem por inteiro” (A Man in Full — Netflix — EUA — 2024) — Uma série política baseada num livro de Tom Wolfe com Jeff Daniels. Eu achava que tinha tudo para ser boa, mas é só mais um produto genérico da Netflix.