quinta-feira, 8 de junho de 2017

E agora, Claire?

Frank e Claire, eternos parças, mas sempre desconfiados um do outro

Fim de jogo em "House of Cards". O que dizer?

(ATENÇÃO, O TEXTÃO ABAIXO CONTÉM SPOILERS FEROZES!!!!!!)

(EU AVISEI)

(DEPOIS NÃO RECLAMA)

(CORNETA É VIDA)

1- Definitivamente essa série nunca mais será tão boa quanto nas duas primeiras temporadas. A premissa está se esgotando, agonizando, quase perdendo o sentido. Está tipo "Homeland". 
2- O mundo anda tão estranho, que os roteiristas estão dando pirueta, fazendo duplo twist carpado e canguru perneta para ver se conseguem surpreender na ficção. Contudo, é difícil competir com a vida real. 
3- Mas ainda assim precisamos de uma sexta temporada. Por que, né, agora é a vez DELA brincar. 
4- E a gente também precisa pelo menos ver o que vai acontecer. Precisamos de um final! Ah, mas "Sense8" acabou sem final. Por favor, ninguém via "Sense8". Até "Marco Polo" tinha mais público. 
5- Embora tenha sido uma temporada hiperbólica e fora do tom, "House of Cards" ainda é uma boa série, pois eu gosto das tramoias, das conversas de bastidor, dos tapetes puxados, da trepada em troca de favores e da eterna conspiração entre os políticos e as corporações em Washington. Para mim, tudo aquilo é real porque a política é suja desde a injusta condenação de Sócrates no tribunal de Atenas em 399 A.C.
6- Inclusive, eu não duvidaria se existisse realmente um encontrinho anual na floresta entre poderosos fantasiados de corvo. 
7- No Brasil deve ser a mesma coisa. Só não deve ter a mesma classe. As negociatas devem acontecer num iate cheio de farofa, pagode, prostitutas e cerveja barata no mar de Jurerê Internacional. 
8- Podem falar que é brega, podem falar que é forçado, mas eu gosto quando o Frank Underwood conversa comigo (tecnicamente falando, quando ele rompe a quarta parede). Todavia, nessa temporada foram exageradas e, muitas vezes, longas as intervenções. Gostava mais quando tinha quase um aspecto natural como se você fizesse parte da cena. Nesse ano, ele parecia um apresentador fazendo passagem em documentário do "History Channel". 
9- Mas a Claire finalmente falou comigo. E eu fiquei emocionado. 
10- Por falar em Claire, e essa palhaçada dela se apaixonar? E ainda mais pelo bebê chorão do Tom Yates. A Claire não podia se apaixonar, gente. Onde já se viu isso? Vai virar Meg Ryan logo agora, no auge da carreira e das vilanias? Claire deve ser má, cruel e com aquele olhar glacial. E quando questionada sobre o amor deve dizer: "Um interessante conceito filosófico sobre o qual não partilho do mesmo entusiasmo do resto da humanidade". 
11- Ainda bem que o problema foi resolvido e não ficou para a próxima temporada. 
12- A Zoe Barnes trepava com o Frank para conseguir matéria. Agora tem outra jornalista que transa com um cara da Casa Branca para ficar de espiã a serviço do "Spotlight" do Hammerschmidt. Donde se conclui que, para "House of Cards", jornalista só consegue desencavar histórias na cama. Mas a imagem dos políticos é sempre pior. 
13- Estou bolado demais com o sistema do serviço secreto. Até coloquei uma fita crepe na câmera do meu laptop. 
14- "House of Cards" precisa de uma sacudida, de um cavalo de pau na história. Esse negócio do Frank cair para cima... tudo bem, já vimos isso muitas vezes na vida real, mas fica parecendo que ele sempre vence. Uma arrogância que lhe custou caro, aliás. 
15- Mark Usher, Jane Davis, Sean Jeffries... tudo leva e traz, tudo PMDB com grife. 
16- E o deputado despacito hipster hein? Não deu nem para o cheiro. Bastou o Frank sussurrar no ouvidinho dele feito um velho babão a palavra "Rochelle" que ele arregou. 
17- O resumo de tudo entre democratas e republicanos é: ao pisar em Washington não confie em ninguém. Até sua sombra pode estar conspirando contra você. 
18- Cotação da Corneta: nota 7.

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