quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

“Marty Supreme”: o caos sem propósito de um filme que vale por Chalamet

Chalamet é o que o filme tem de melhor
Com nove indicações ao Oscar deste ano, uma série de prêmios em festivais e uma elogiada atuação por parte da crítica de Timothée Chalamet como protagonista, “Marty Supreme” tinha todas as credenciais para despertar a minha atenção. Primeiro filme solo de Josh Safdie desde que ele e o irmão resolveram interromper a parceria que tinham, “Marty Supreme” tem alguma coisa em comum com “Joias Brutas” (2019), o último filme que os irmãos fizeram juntos. Para o bem e para o mal.

De fato, é possível traçar um paralelo entre os dois filmes, especialmente pelo que eu gostei menos no anterior que se repete aqui neste novo trabalho de Josh Safdie. O fato de seu protagonista ser um personagem caótico, com uma urgência caótica que o faz atirar para todos os lados sem conseguir resolver nada. O problema é que tal como o Howard Ratner de Adam Sandler naquele filme, o Marty Mauser de Chalamet é caos, confusão e gritaria sem muito propósito.

Mauser, na verdade, parece uma criança mimada que faz de tudo para conseguir o que quer sem se importar com ninguém que está ao seu redor. Família, amigos, namorada, conhecidos, estrelas de cinema, empresários, todos devem ser a escada para a sua ascensão gloriosa no tênis de mesa. Todos devem se orgulhar por serem pisados pelo grande Mauser, que faz promessas vazias, pois não pode cumpri-las. Simplesmente porque ele acha que quer, ele acha que merece. Simplesmente porque ele acha que é o melhor no que faz.

Neste aspecto, Mauser se afasta de Ratner. O protagonista de “Joias Brutas” não tinha essa autoconfiança irritante. Goste ou não do filme, era possível ter alguma empatia por Ratner. Por Mauser, o desejo é que ele se dê muito mal. Porque não tem uma única pessoa no caminho que ele não tenha decepcionado. Não tem uma única pessoa a quem ele tenha pedido desculpas sinceras. Mauser é um furacão que destrói tudo por onde passa.

E neste momento o questionamento que eu faço é: Qual o propósito deste filme? Não que o cinema necessite ter algum propósito, mas por que eu deveria me engajar nesta história de um desconhecido jogador de tênis de mesa que se acha maior do que realmente é?

Li que o filme foi levemente inspirado em Marty Reisman, jogador estadunidense que ganhou cinco medalhas de bronze em três campeonatos mundiais de tênis de mesa. Mas não é uma biografia fiel aos fatos, e sim mais uma inspiração.

Como história, o roteiro se resume a uma sequência de acontecimentos com o senso de urgência que Mauser impõe em toda a sua vida. Ele está sempre a 300 km por hora no filme. Quem quiser que o acompanhe. Ou ele atropela.

Enfim, ainda reflito sobre a que o filme se propõe, mas horas depois de sair do cinema não cheguei a uma conclusão satisfatória.

O melhor de “Marty Supreme” é a atuação de Chalamet. Se alguém ainda tinha dúvidas do trabalho dele ou implicância com a figura dele, este filme é a prova definitiva que o ator tem talento sim para mostrar e devia se dar valor a Chalamet. Não há trabalho na sua carreira em que ele tenha desaparecido mais em um papel quanto no seu Marty Mauser.

Curiosamente, o irmão de Josh, Benny Safdie conseguiu o mesmo feito com Dwayne Johnson em “Coração de Lutador” (2025). Sendo que o trabalho de Benny foi ainda mais complexo, pois The Rock nunca foi conhecido por ser um grande ator.

No entanto, assim como The Rock teve a melhor atuação da carreira em “Coração de Lutador”, pode-se dizer que Chalamet fez o seu melhor trabalho na carreira em “Marty Supreme”. Ainda que eu goste igualmente dele em “Me chame pelo seu nome” (2017) e “Querido Menino” (2018). Três momentos diferentes da sua carreira, mas atuações que junto com a sua versão do Bob Dylan “Um completo desconhecido” (2024) formam uma coleção de trabalhos que hater nenhum pode contestar.

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