quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

De profundis. Or not

Pintura de Edvard Munch
- Afinal, qual é o sentido da vida?

A pergunta caiu como uma bomba na mesa do bar em que os quatro amigos se encontravam todo mês. Há relatos de que até os copos de cerveja transpiravam de tensão. Uma licença poética que ignorava o calor senegalês que fazia no Rio de Janeiro.

- Eu falo sério. O que faz, eu, você ou ele levantarmos diariamente cedo, encararmos engarrafamentos monstruosos para trabalhar feito cornos. Todo dia sempre igual. De segunda a sexta. Sem falar alguns fins de semana e feriados. Para que fazemos isso tudo? Por que fazemos isso tudo? Foi só para isso que aquele macaco lá atrás resolveu começar a andar, desenvolver o raciocínio e botar para funcionar o seu telencéfalo altamente desenvolvido e a porra do polegar opositor?

João Luiz era o filósofo da turma. Formado em História, cineasta frustrado, escritor com bloqueios que o deixavam ansioso, achando que nunca mais conseguiria fazer algo decente diante do computador, era um professor dedicado de uma faculdade particular. Querido pelos alunos e pelos colegas, parecia pronto a mudar o mundo com suas ideias a cada vez que atravessava a rua.

Era um iconoclasta. E se achava um fracassado por mais que tivesse sucesso no trabalho, bons amigos e realizasse os sonhos que ele podia realizar com o salário que ganhava. A ideia de dirigir uma Ferrari ou um Aston Martin nunca esteve nessa lista de sonhos possíveis.

Mas uma frase tão enigmática quando profunda como aquela deixou seus amigos preocupados. Parecia o primeiro passo para um ato final shakespeariano do suicídio.

- O que você tem, bicho? A vida tem todo sentido. Você não está feliz em estar aqui com a gente, tomando uma gelada, nessa night gostosa?

Esse é Roberto. Mais velho da turma, nasceu no mesmo dia que o cantor Roberto Carlos uns 35 anos depois. A coincidência não deixou dúvida para a sua mãe, fã do Rei. Melhor para ele. Do contrário, receberia o nome de um dos avôs numa curiosa disputa de cara ou coroa em plena maternidade. E, convenhamos, ser chamado de Atanagildo ou Florisberto ia, no mínimo, causar sérios problemas para a criança.

O Rei salvou a sua vida, mas deixou sequelas graves. Uma delas é a cada três frases usar o termo “bicho” que nem o Roberto Carlos deve falar mais. Produtor de TV, Roberto já tinha feito uma série de programas sobre a Jovem Guarda. É um fã a serviço do ídolo, mas também um bom amigo. Talvez o melhor de João Luiz.

- Bicho, a vida é amor. Você está aqui interagindo conosco e com a sociedade para ajudar a criar um mundo melhor para os seus filhos. As suas aulas são a sua contribuição para este mundo novo que surge a partir dos teus atos. Bicho, tudo é muito astral... Você não sente isso? Essa energia que nos move?

- Poucas vezes em ouvi tanta bobagem. Só faltou você citar que Deus nos criou a sua imagem e semelhança – rebateu de primeira Rogério.

Rogério é cientista, niilista e ateu. Todo o papo flower power de Roberto o dava azia. É prático, cartesiano e, principalmente, kantiano. O baixinho de Kögnisberg era o seu ídolo, a ponto dele saber citar de cor trechos da “Crítica da Razão Pura” ou da “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”. João Luiz, no entanto, gostava de dizer que Kant estava mais para o seu Deus só para provocá-lo. Rogério é tão kantiano que tem um hábito bizarro. Todo dia, no mesmo horário, caminha pela Lagoa. Até ai, nada demais. O problema é que ele não faz isso por causa do exercício em si, mas porque Kant, quando vivo, lá no século XVIII, fazia o mesmo pelas ruas da sua cidade na antiga Prússia a ponto da população local acertar os seus relógios a partir das passadas do filósofo.

Se o Rio de Janeiro soubesse daquele segredo de Rogério como os três amigos da mesa, também faria o mesmo com o seu relógio.

- Kant dizia: “Eu dormi e sonhei que a vida era beleza. Acordei e notei que a vida era dever”. É isso, meu caro. E não adianta procurar tal explicação para o seu dilema porque você não vai encontrá-la. Talvez o propósito não seja questionar qual é o sentido da vida, mas como você a faz ter sentido. Ou o que você fará para dar a ela algum sentido.

- Eu tenho 30 anos e não fiz nada de relevante. O que o faz crer que nos próximos 30 eu farei algo?

- João, estamos aqui há uma hora e meia. E eu não bebi o suficiente para ter afetada as minhas funções matemáticas. Cinco ex-alunos seus fizeram questão de parar aqui para te cumprimentar. Você de alguma forma marcou a vida destas pessoas e as ajudou a torná-las melhor, mais divertida ou a tê-las mais sapiência. Isso sem contar aquelas duas mulheres que você fez questão de NÃO nós apresentar.

- Bicho, a loura tinha os peitos maiores do que os da Wanderléia!

- E a morena com aquele olhar de Rita Hayworth em “Sangue e Areia”? Divina e pura sensualidade como uma Gilda do século XXI.

Até então Walter José estava quieto. Mas quando se trata de falar de mulher, ele sempre se manifesta. Walter é cineasta e tem prazer em filmar tudo o que diz respeito ao universo feminino. Trata mulheres com lirismo. São poesias vivas e sua única inspiração.

- Você está em crise, João. É a crise dos 30. Ela passa. Vai por mim. Estou com 33 e bebo aqui sem culpa enquanto penso no meu próximo filme e na minha próxima mulher. Não necessariamente nessa ordem.

Galã da turma e com nome de astro da Hollywood dos anos 40 – pelo menos é assim que ele gosta de imaginar -, Walter se vê como um Cary Grant ou um Clark Gable melhorado (mas os amigos dizem que ele não passa de um Mazaropi pós-moderno). Boêmio, um tanto fanfarrão, mas divertido, era a face vídeo-intelectual do grupo, sendo capaz de citar diálogos inteiros de cenas de filmes de Fellini, imitando os atores envolvidos, o que era sempre garantia de diversão.

- A vida, meu caro, não tem um sentido único. É você que o constrói a partir do uso que faz destes anos que teve, tem e terá a partir do momento do seu nascimento. Questionar um sentido para ela, me soa como sintoma de depressão. E um passo para o suícido, pois se você questiona um sentido para ela dá margem a questionar todo o resto e ficará paralisado.

- A questão não é - retrucou João - dar cabo da vida porque eu posso estar vendo alguma falta de sentido nela. O que eu questiono é a razão de todos os meus atos. Ou dos nossos atos. Com que objetivo eu levanto, me alimento, trabalho, saio no fim de semana, vejo um filme ou não. Vou a um show ou não. Qual o motivo da minha existência? Por que eu estou aqui?

- Você não deve fazer estas perguntas, porque muitas delas não têm resposta. Você deveria procurar ser feliz, bicho.

- Mas o que é a felicidade, Roberto?

Nesse momento, Roberto vira para Walter e diz:

- Maldito Sócrates! Eu falei que você não devia tê-lo apresentado aos diálogos de Platão.

- Certa vez eu conheci um guia turístico que devia ter a minha idade numa ilha que visitei nas férias. O lugar era paradisíaco com uma água de um azul mais azul que os olhos da Kate Winslet. Ele ficava ali de bermuda e camiseta ensinando a história da ilha para nós turistas num inglês bem aceitável. Tinha uma serenidade que eu não tenho. Ou sequer acho que possa ter tido mesmo num momento em que eu poderia estar mais perto da plena felicidade em que o ser humano pode alcançar. Ele parecia ser feliz e não ter angústias. Era um estado de plenitude. Tudo isso sem toda a I-tecnologia, sem carro, sem nada de extra. Apenas ali, ele de bermuda, chinelo e camiseta e o mar a sua frente. 

Roberto e Walter observam o desabafo de João aparentando não saber mais o que fazer para animar o amigo. Rogério, no entanto, arrasta o copo uns dois palmos na mesa, vira-se para João e, olhando nos seus olhos, diz:

- A felicidade é um ponto fora da curva numa escala de tormentos e provações pelas quais o ser humano passa. É impossível ser feliz. Todavia, você pode estar feliz. Só que buscar isso, paradoxalmente o trará angústia e infelicidade. Kant dizia que “a felicidade não é um ideal da razão, mas sim da imaginação”. Ou seja, o que discutimos aqui é uma abstração difícil de chegar a uma conclusão. Trocando em miúdos, estamos perdendo tempo dando círculos numa versão pasteurizada do eterno retorno nietzschiano.

- Resumindo o que o Rogério disse, deixe a vida te levar, meu caro. Entra no carro e segue pelas curvas da estrada de Santos sem olhar para trás, bicho.

- Mas com que motivação eu entro nessa estrada? Por que pegar o carro para o desconhecido?

- E há algo melhor e mais excitante do que embarcar no desconhecido? Já imaginou se o Frodo tivesse continuado naquela área idílica da Terra Média? Nunca teria conhecido o lado bom e o lado ruim de tudo naquela aventura. Ele sofreu muito, ganhou e perdeu, mas saiu maior do que entrou. Arriscar é preciso. Sempre.

As palavras de Walter não trouxeram conforto nem solução para as questões de João. O cineasta rebateu dizendo que a arte nunca visa o conforto, mas o incômodo.

- Olha, não sei a que conclusão chegaremos aqui, nem se chegaremos a ela. Mas sei de uma coisa. Esse papo meio “Ponto de Mutação” me deixou com fome. Ainda servem aqui aqueles bolinhos de bacalhau divinos?

- Claro que sim, Roberto! Aquilo é praticamente a definição de felicidade e o sentido da vida que o nosso amigo aqui tanto procura.

Enquanto Walter pede os famosos bolinhos da casa, Rogério vira para João e resolve propor um brinde à vida e à sua total falta de sentido.

- Mas ainda assim, é o nosso bem mais valioso.


E todos finalmente concordam com uma coisa. Os bolinhos de bacalhau realmente são divinos.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Best Of 2011 - Cinema

"A árvore da vida", o melhor filme
Finalizando a série de posts retrospectivos, hoje é a vez de cornetar a produção cinematográfica de 2011. Não vi todos os filmes que eu gostaria por problemas que variaram entre questões de saúde, falta de oferta, pouco tempo em cartaz e a famigerada proliferação de filmes dublados nas salas de cinema. Só consigo relacionar o aumento da dublagem a um processo de emburrecimento da sociedade. E não adianta virem com papinho que na Alemanha os filmes também são dublados. É bizarro do mesmo jeito.

Neste ano me debrucei em 45 dos 314 filmes lançados para chegar à listagem dos dez melhores, além dos melhores trabalhos individuais e minhas já conhecidas (pelo menos para os meus sete leitores) categorias alternativas. Assim como em 2010, comecei com uma lista inicial de 17. No corte final, ficaram de fora “Biutiful”, “X-Men: Primeira Classe”, “Um sonho de amor”, “Contágio”, “A árvore do amor”, “Inquietos” e “Um conto chinês”. Estes três últimos foram excluídos com muita dor porque são muito bons, mas acho que o top 10 ficou honesto. Sendo assim, vamos a ele:

10º lugar – “Margin Call – o dia antes do fim” – O filme que ainda está em cartaz conta a história do início da crise econômica de 2008. É um belo trabalho de estreia de J.C. Chandor com grandes atuações de Kevin Spacey e Jeremy Irons.

9º lugar – “Em um mundo melhor”Filmaço dinamarquês dirigido por Susanne Bier sobre a questão do bullying e suas consequências numa escola na Suécia traçando um paralelo com a realidade medieval-tribal num país africano. Ligando os dois mundos equidistantes, um médico honrado e com princípios vivido por Mikael Persbrandt que tem que ensinar aos filhos o caminho das coisas certas da vida ao mesmo tempo em que não tem muito poder para lidar com questões de conflito na área onde atende os necessitados na África.

8º lugar – “Meia-noite em Paris” – A doce fábula de Woody Allen que reflete sobre a questão da nostalgia de tempos não vividos que ao mesmo tempo é uma homenagem à arte e à própria capital francesa. A película conta ainda com uma surpreendente boa atuação de Owen Wilson, perfeito no papel do personagem principal da trama.

Jeff Bridges em "Bravura Indômita"
7º lugar – “Bravura Indômita” – Excelente faroeste dos irmãos Coen. Um dos melhores filmes da dupla em um trabalho que conta ainda com ótimas atuações de Jeff Bridges e Josh Brolin e ainda resgata um duelo inesquecível no final do filme como os bons western faziam no passado.

6º lugar – “Cópia Fiel” – O filme do iraniano Abbas Kiarostami é uma grande discussão sobre a arte e a vida a partir do relacionamento do casal vivido por Juliette Binoche e William Shimell. Como cenário de fundo, as belezas da Toscana.

5º lugar – “O discurso do Rei” – Belíssimos trabalhos de Colin Firth e Geoffrey Rush são a garantia da qualidade deste filme de Tom Hopper sobre o Rei George VI, que precisa curar a sua gagueira para fazer um discurso importante durante a II Guerra Mundial.

Bale e Whalberg em "o Vencedor"
4º lugar – “O Vencedor” – Uma das melhores atuações da vida de Christian Bale. O ator é o ex-boxeador drogado e desajustado Dicky Eklund, que treina o irmão Micky (Mark Whalberg) para tentar o título mundial. Além da belíssima trilha sonora (Led Zeppelin, Whitesnake, Aerosmith), o filme de David O.Russel conta ainda com um elenco que está muito bem em cena. Além de Bale e Whalberg, Melissa Leo, que faz a mãe dos irmãos, Alice, e Amy Adams, que vive Charlene, a namorada de Micky, dão um show.

3º lugar – “A pele que habito” – Três filmes me deixaram de boca aberta neste ano. Um deles é “A pele que habito”. O trabalho de Pedro Almodóvar é simplesmente genial e nem cabe a mim explicar em poucas linhas. Leia a minha crítica, ou melhor, ainda, veja o filme porque é espetacular.

2º lugar – “Cisne Negro” – Espetacular como o trabalho de Darren Aronofsky sobre a bailarina esquizofrênica Nina Sayers (Natalie Portman), que tem que lidar com a pressão de ser a estrela principal de uma montagem de “O Lago dos Cisnes”. Eu sou um fã dos filmes de Aronofsky e este é barbaramente dirigido e escrito. Certamente foi um dos melhores trabalhos de 2011.
1º lugar – “A árvore da vida” – Nunca pensei que um dia eu colocaria no primeiro lugar da minha lista de melhores filmes um trabalho de Terrence Malick. Mas se tem um filme que merece receber a alcunha de genial em 2011, é “A árvore da vida”. É um trabalho difícil, sem dúvida. Não é para os que gostam de roteiros mais lineares. Mas uma obra-prima de Malick que conta ainda com uma atuação soberba de Brad Pitt no papel de um pai de família duro e conservador dos Estados Unidos nos anos 50. A viagem de Malick com ecos de “2001 – Uma odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, é definitivamente para mim o grande filme do ano.

Piores filmes – Abaixo a lista das cinco bombas de 2011

5º lugar – “O Planeta dos Macacos: a origem” – O problema do filme de Rupert Wyatt é que James Franco e Freida Pinto formam o casal mais inexpressivo de 2011. E os dois estão na linha de frente do filme. Assim fica difícil e você acaba torcendo para os macacos exterminarem a humanidade o quanto antes.

4º lugar – “Bruna Surfistinha” – Aqui nós temos o inverso. Deborah Secco se esforça muito e não está mal no filme, mas o restante não deu para engolir. História clichê, batida sobre a prostituta que fazia sucesso e deixa a vida dura para casar com um cliente apaixonado por ela. Mas se você é fã da Deborah, vale a pena ver.

3º lugar - “O amor chega tarde” – Teve quem achasse esse filme de Jan Schütte sobre um escritor octogenário fofinho, mas eu achei uma tremenda malice. Não é divertido, não é engraçado, não é dramático, não é nada. Tinha potencial para ser uma coisa meio David Lynch, mas o resultado e patético, pífio mesmo.

2º lugar – “Rio” – O filme de Carlos Saldanha é uma dispensável coletânea de clichês, óbvio e sem graça. Mas você vai achar fofo o Rio de Janeiro retratado ali, o sambinha e blábláblá. Nada que apague que é um filme muito fraco.

Evans e seu patético Capitão América
1º lugar – “Capitão América – O primeiro Vingador” – Este filme é uma ode à ruindade. Se fosse futebol, eu diria que ele é ruim do goleiro ao ponta-esquerda. Ou melhor, do presidente ao ponta-esquerda. Nada escapa. Do protagonista Chris Evans ao diretor Joe Johnston. É uma grande piada de mau gosto da Marvel, que sabotou um dos seus heróis. Que Evans não consiga estragar o filme dos “Vingadores” que estreia no ano que vem.

A decepção do ano – Lars Von Trier e o seu “Melancolia” – O diretor falou bobagem com aquela piada nazista em Cannes, só que mais decepcionante foi o seu “Melancolia”. Não é que o filme seja ruim, mas é muito abaixo do que se espera do dinamarquês, que fez um filme um tanto óbvio quando eu esperava algo mais metafórico.

Depp como Jack Sparrow
O herói do ano – Se “Piratas do Caribe –Navegando em águas misteriosas” serviu para alguma coisa foi nos dar mais um filme do velho pirata Jack Sparrow para nos divertir. O filme, aliás, é bem divertido, embora o roteiro seja um tanto confuso. Mas o personagem de Johnny Depp é garantia de boas risadas. Ainda mais com a presença de Keith Richards ao seu lado no papel do pai de Sparrow.

O vilão do ano – Ninguém em 2011 foi mais cruel, frio, calculista, maquiavélico e sei lá qual outro adjetivo poderíamos aplicar do que Robert Ledgard (Antonio Banderas). Eu só não posso descrever tudo o que o cirurgião plástico de "A pele que habito" fez porque isso estragaria a história para os que ainda não a viram. Mas eu garanto que é de uma vilania nunca antes vista na história do cinema (pelo menos não por mim). Por isso, Ledgard é o vilão do ano.

A frase do ano – Eu gosto de frases cortantes e a de Benjamin, personagem de Selton Mello em “O Palhaço” é de doer na alma: “Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?”. Um dilema que permaneceu até o fim do filme.

Melhor trilha sonora – Em qualquer lugar que você reúna Led Zeppelin, Aerosmith e Whitesnake só pode sair coisa boa. “O Vencedor” não é apenas um filmaço, é também um trabalho com uma sensacional trilha sonora rock and roll.

Cecile de France, a musa de 2011
A musa do ano – A minha categoria favorita. Aquela que requer uma análise muito bem feita. É claro que Deborah Secco chegou apelando aparecendo nua e fazendo de tudo em “Bruna Surfistinha”, mas se engana quem pensa que ela é a minha musa de 2011. É preciso muito mais do que ser bela e fazer sexo para ser uma musa. É preciso ser linda e ter um certo altruísmo. Nesse ponto, Anne Hathaway ganharia uma certa vantagem por seu personagem em “O amor e outras drogas”. Ou mesmo a bela guerreira Amy Adams, que com sua Charlene defende com unhas e dentes o namorado lutador Micky em “O Vencedor”.

Sem dúvida três belas mulheres que sucederiam com brilhantismo um reinado iniciado por Sharon Stone (2006) e que passou por Eva Mendes (2007), Penelope Cruz (2008), Kate Winslet (2009) e Anna Mouglalis (2010).

Mas eu devo confessar que se você fala francês leva uma certa vantagem na minha eleição. As francesas não são apenas lindas, elas tem classe e são charmosas. E ai, Laetitia Casta, a Brigitte Bardot de “Gainsbourg – o homem que amava as mulheres”, dá um passo a frente. Dois passos a frente, no entanto, surge um velho amor: Juliette Binoche, a bela Elle de “Cópia Fiel”.

Só que este ano o prêmio de musa vai para alguém que fala francês, mas não é da França. Quem me conquistou foi a bela belga Cecile de France, 36 anos, que apareceu linda em “Além da Vida”, de Clint Eastwood, e brilhou em “O garoto da bicicleta”, dos irmãos Dardenne. Além de linda, Cecile ainda gosta de trabalhar com bons diretores. É a musa do ano.

Natalie e Mila se conhecendo melhor
A melhor cena de sexo – Não quero nem saber se ela aconteceu realmente ou foi só na cabeça da Nina Sayers. O que importa é que Darren Aronofsky filmou, colocou em “Cisne Negro” e o encontro carnal louco entre Natalie Portman e Mila Kunis merece todas as homenagens deste signatário. Perto delas, o resto é papai-mamãe.

A melhor cena de briga – Gosto de Amy Adams estapeando as irmãs do namorado em “O Vencedor” e curti muito a melhor cena de “O Planeta dos Macacos: a origem” da tomada da ponte Golden Gate em São Francisco, mas vou me permitir ser nostálgico para eleger como a melhor o duelo final de “Bravura Indômita” envolvendo Jeff Bridges e os vilões do filme. Um grande momento do trabalho dos irmãos Coen.

O retorno do ano – Embora esteja sempre presente em trabalhos como atriz, Jodie Foster não filmava desde 1995, quando lançou “Feriados em família”. Neste ano, a diretora Jodie Foster reapareceu com um bom filme chamado “Um novo despertar”, que mostra a história de um empresário em depressão vivido por Mel Gibson que precisa resolver seus conflitos familiares e ainda apresenta um quadro de esquizofrenia.

Gainsbourg - o homem que amava as mulheres
O filme francês do ano“Minhas tardes com Margueritte” é bem simpático, mas o meu filme francês favorito deste ano foi “Gainsbourg – o homem que amava as mulheres”. Dirigido por Joann Sfar, a película é uma bela e lisérgica cinebiografia do popular músico francês Serge Gainsbourg, pai da atriz Charlotte Gainsbourg.

O filme brasileiro do ano – Mais uma vez Selton Mello aparece com um bom filme. Depois do ótimo “Feliz Natal”, um dos melhores de 2008, “O Palhaço” é uma linda e terna história sobre um palhaço em busca de si mesmo e do seu lugar no mundo. Além de uma bonita homenagem aos artistas de circo.

Melhores roteiros – Gostei neste ano dos trabalhos de David Seidler (“O discurso do Rei”), dos irmãos Coen (“Bravura Indômita”), Abbas Kiarostami (“Cópia Fiel”), Woody Allen (“Meia-noite em Paris”) e Anders Thomas Jensen (“Em um mundo melhor”). Dos filmes que não ficaram no meu top 10 inicial, é preciso ressaltar os trabalhos de Joann Sfar (“Gainsbourg – o homem que amava as mulheres”) e Sebastian Borensztein (“Um conto chinês”). Mas o meu top 3 vai ficar com Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson, por “O Vencedor”, Mark Heyman, Andrés Heinz e John J. McLaughlih pelo trabalho em “Cisne Negro” (eu gosto de filmes loucos) e, para mim o melhor de todos, Pedro Almodóvar e seu “A pele que habito”. Aquilo ali não existe. Só na cabeça do diretor espanhol.

Piores roteiros“O retrato de Dorian Gray” (Toby Finlay) é lamentável, “Rio” (Carlos Saldanha) é muito clichê e “O amor chega tarde” (Isaac Bashevis Singer e Jan Schütte) é triste. Mas nada é pior do que a tragédia escrita por Christopher Markus e Stephen McFeeley em “Capitão América – o primeiro vingador”. A bomba do ano.

Melhores diretores – A se destacar os trabalhos de David O. Russel (“O Vencedor”), Tom Hooper (“O discurso do Rei”), dos irmãos Coen (“Bravura Indômita”), Abbas Kiarostami (“Cópia Fiel”) e Woody Allen (“Meia-noite em Paris”). Dos filmes que não ficaram entre os melhores, gostei dos trabalhos de Matthew Vaughn (“X-Men:primeira classe”) e Zhang Yimou (“A árvore do amor”). Mas o meu top 3 ficou assim e em ordem decrescente: Pedro Almodovar por “A pele que habito”, Darren Aronofsky por “Cisne Negro” e o melhor de todos, Terrence Malick por “A árvore da vida”. Grande momento.

Piores diretores – A essa altura você já deve saber de quem estou falando. Oliver Parker foi lamentável em “O retrato de Dorian Gray” e já fiz todas as críticas necessárias a Jan Schütte por “O amor chega tarde”. Mas nada pode ser pior do que Joe Johnston e seu “Capitão América – o primeiro vingador”.

Melhores atuações masculinas – Dois nomes de filmes pouco lembrados aqui, mas bons trabalhos individuais: Javier Bardem por “Biutiful” e John Hawkes por “Inverno da Alma”. Colin Firth como o rei George VI em “O discurso do Rei” também está excelente, assim como Jeff Bridges em “Bravura Indômita”, Ricardo Darín em “Um conto chinês” e Kevin Spacey e Jeremy Irons em “Margin Call – o início do fim”. E Andy Serkis dá um show como o macaco Caesar em “O Planeta dos Macacos: a origem”. Para mim, no entanto, as três melhores atuações do ano foram as de Geoffrey Rush pelo terapeuta Lionel Logue em “O discurso do Rei”, Christian Bale, soberbo no papel do ex-boxeador Dicky Eklund em “o Vencedor” e aquela que foi a melhor de todas: a magistral atuação de Brad Pitt em “A árvore da vida”. Para mim a grande atuação de 2011.

Piores atuações masculinas – Tudo bem que Ben Barnes se esforçou no papel de Dorian Gray em “O retrato de Dorian Gray” e Anthony Hopkins vem manchando a sua história com atuações como a de Odin em “Thor”. Chris Evans também é lamentável como o Capitão América, mas este título não pode deixar de ir para James Franco, o cientista Will Rodman em “Planeta dos Macacos: a origem”. É uma coisa, eu diria, lamentável.

Kirsten Dunst em "Melancolia"
Melhores atuações femininas – O elenco feminino de “O Vencedor” está muito bem. Melissa Leo, que ganhou um Oscar, e Amy Adams dão um show no filme. Juliette Binoche também está muito bem em “Cópia Fiel” assim como Mia Wasikowska em “Inquietos”.  Só que o meu pódio ficará da seguinte maneira: Tilda Swinton com a medalha de bronze pelo ótimo trabalho em “Um sonho de amor”, muito bom filme que ficou de fora do meu top 10. O segundo lugar vai para Natalie Portman e sua atuação visceral em “Cisne Negro”. Não menos brilhante e para mim a melhor de todas vem Kirsten Dunst. Sua atuação é o que “Melancolia” tem de melhor e o que faz pagar o ingresso.

Piores atuações femininas – René Russo paga mico pela esposa de Odin em “Thor”, mas muito pior é a constrangedora atuação de Demi Moore em “Margin Call – o dia antes do fim”. Só que ainda pior é Freida Pinto, a namorada de James Franco em “Planeta dos Macacos: a origem”. Que casal, amigo. Casal tristeza.


E assim termina o Best Of 2011. É claro que no ano que vem eu continuarei cornetando tudo e todos. Um feliz ano novo aos que me aturaram neste ano. Eu desejo que em 2012 continuem me aturando.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Best Of 2011 - Música

O Pearl Jam/Reprodução do site da banda
O ano de 2011 foi bom para shows. Muita gente boa passou por aqui, o que tornou ingrata a minha escolha dos cinco melhores shows da temporada. Na hora de fazer o top 5, gente do naipe de Iron Maiden, que fez um grande show em março, Joss Stone e Eric Clapton ficaram de fora. Assim como o show do Sepultura com o Tambours do Bronx com participação de Mike Patton, outro destaque do Rock in Rio (que mais parecia micareta, mas até teve uma coisa ou outra de rock).

Também ficaram fora da minha lista o U2, que fez um show muito bom em abril, e a Tarja Turunen com uma bela apresentação em março. Além do Ozzy Osbourne, que pode não ter feito um showzaço em abril, mas é o Ozzy né. Sempre empolga.

Feitas então as menções honrosas, vamos ao meu top 5. Sempre seguindo a ideia do blog de gostar mais dos mares revoltos do rock ao banquinho e violão de outras praças, a lista ficou da seguinte maneira em ordem decrescente:

O Slipknot no Rock in Rio/Reprodução da internet
5º lugar - Slipknot – Dentre o pouco de rock que teve no Rock in Rio, a banda americana foi uma das que mais se destacaram. O octeto de Des Moines foi também a banda que mais mostrou ter se divertido no festival. E eles fizeram de tudo para contagiar e levar o público ao delírio. Teve desde integrante da banda se jogando no meio da galera até a imagem antológica da bateria virando de cabeça para baixo com o cidadão ainda tocando ali! Espetacular! Fizeram um grande show e conquistaram um cara como eu que nunca gostou do Slipknot. Mas no palco eles são sensacionais.

4º lugar – Paul McCartney – Dono do melhor show do ano passado na opinião deste signatário, o ex-Beatle voltou ao Brasil desta vez para finalmente se apresentar no Rio de Janeiro. Foram dois shows simplesmente especiais. Na minha lista, no entanto, vai entrar o segundo, realizado no dia 23 de maio no Engenhão. Neste espetáculo, Paul estava mais solto, improvisando mais e teve um set list com poucas mudanças, mas que me agradaram mais e fizeram deste espetáculo melhor que o primeiro.

3º lugar – Metallica – De volta ao Rock in Rio para registrar outro show fantástico. O Metallica fechou o dia do metal dando o melhor de si e mais um pouco numa apresentação que eu diria que foi praticamente perfeita. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo levaram o público presente na Cidade do Rock ao delírio com uma série de clássicos da banda e canções do mais recente disco, “Death Magnetic”. Foi tão bom, mas tão bom, que nem o horroroso disco “Lulu” que a banda lançou depois com Lou Reed não apaga o que eles fizeram no Rock in Rio.

O vocalista do System/Reprodução da internet
2º lugar – System of a Down – No ultimo dia do Rock in Rio, vimos o melhor show do festival. O System of a Down encerrou uma longa espera dos seus fãs brasileiros com um show, deixe-me exagerar um pouco porque eu acho que devo, histórico. No dia, um amigo também presente resumiu em três palavras e com simplicidade o que nós estávamos vendo os americanos de origem armênia e libanesa Daron Malakina, Serj Tankian, Shavo Odadjian e John Dolamayan fazerem. Ele disse: "Que show foda". É isso. Talvez o show do System of a Down tenha sido o melhor do ano. Foi uma apresentação perfeita. O que desempatou aqui na minha lista foi mais uma questão de coração, uma questão pessoal do que propriamente uma diferença de qualidade. Aliás, os cinco selecionados e mais o Iron Maiden tiveram pouquíssimas diferenças entre si. O seu posicionamento na lista foi mais uma questão de gosto pessoal, ineditismo, momento, enfim, valores subjetivos. Só posso dizer que o System of a Down me deixou com vontade de ver novamente um show deles o quanto antes. Foi simplesmente antológico.

O melhor do ano – Pearl Jam – Quando o Pearl Jam veio ao Brasil em 2005 fizeram um show antológico que eu achava que nunca seria superado nem por eles mesmos. Certamente foi o melhor espetáculo daquele ano, mas eu não tinha ainda um blog para dizer isso e deixar registrado. Quando Eddie Vedder, Matt Cameron, Stone Gossard, Mike McCready e Jeff Ament voltaram ao neste ano eu esperava um showzaço, mas não algo melhor do que o de 2005. Pois eles conseguiram me surpreender e se superar fazendo um espetáculo único. Tudo foi perfeito do primeiro acorde de “Unthought Know” ao último de “Yellow Ledbetter”. Por isso que a banda de Seattle que veio aqui para comemorar os seus 20 anos de estrada merece o título de “Memórias da Alcova” de melhor show de 2011.

O pior show do ano – Seria fácil pescar na minha lista um Rockz, um Gloria ou um Coheed and Cambria, mas para ser o pior não basta fazer um show ruim, você tem que decepcionar um público que tem alguma expectativa de você. O Stevie Wonder, por exemplo, fez um show ruim. Que me desculpem os que gostaram dele. Mas neste ponto nada, absolutamente nada, supera o Gun N’Roses. E veja como o mundo da voltas. A banda que fez um dos melhores shows do ano passado, voltou neste ano para fechar o Rock in Rio e pagar aquele mico homérico com o Axl Rose sem voz errando tudo. Eu disse tudo! Até o assobio de “Patience” saiu errado. E para variar, o cantor ainda se atrasou por horas irritando todo mundo. De fãs a jornalistas. Merece o troféu mala de 2011.

No próximo post, os melhores e os piores filmes do ano.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Best Of 2011 - Esportes

O Barça ergue o título europeu/Reprodução da internet

Tão tradicional quanto a corrida de São Silvestre ou o Réveillon de Copacabana é a lista dos melhores (e piores) do ano que está se encerrando feita por este signatário. Como é de praxe, começo pelos esportes. Amanhã falarei sobre os melhores shows e no derradeiro dia do ano sobre os melhores filmes da temporada. Sem mais delongas, vamos à lista.

Dez jogos marcantes de 2011 – Em ordem cronológica, dez partidas que entraram para os anais do esporte.

Espetáculo catalão na casa do rival – No dia 27 de abril, o Barcelona foi até o Santiago Bernabéu para enfrentar o Real Madrid no primeiro jogo das semifinais da Liga dos Campeões da Europa. E Messi acabou com a partida. Em mais um jogo em que o time catalão mostrou toda a sua superioridade sobre o rival, o argentino fez os dois gols, sendo um deles espetacular e ajudou o Barcelona a conseguir uma boa vantagem para a partida de volta no Camp Nou, quando em outra partida muito boa deixou o campo com o empate em 1 a 1 e a classificação para a final. O jogo foi o terceiro de uma série de quatro partidas que os rivais fizeram num intervalo de 18 dias. O Barça levou a melhor na Champions, empatou no Campeonato Espanhol, cujo título conquistaria, e perdeu na Copa do Rey por 1 a 0.

Emoção no rugby – Northampton Saints e Leinster Rugby entraram em campo no dia 21 de maio para decidirem a Heineken Cup, um dos tradicionais torneios do esporte. E o que se seguiu no estádio Millenium, em Cardiff, no País de Gales, foi um dos jogos mais emocionantes do ano. O Leinster começou perdendo, mas conseguiu uma espetacular virada e venceu a partida por 33 a 22. O destaque e personagem do jogo foi Jonathan Sexton, que na final marcou dois tries, três conversões e dois pênaltis, sendo responsável por um total de 28 pontos do Leinster e se tornando o segundo jogador da história em número de pontos em uma única partida da Heineken Cup. Foi uma grande atuação individual do atleta.



Uma aula de futebol – No dia 28 de maio, o Barcelona entrou em campo para dar mais uma aula de futebol na decisão da Liga dos Campeões da Europa. O time de Pep Guardiola engoliu o Manchester United em Wembley e conseguiu uma vitória por 3 a 1 que não disse o que foi o jogo tamanha a superioridade dos catalães sobre um dos melhores times do mundo. Foi uma partida espetacular coletivamente do Barça e mais uma atuação de gala do trio Messi, que fez um gol, Xavi e Iniesta. Pedro e David Villa marcaram os outros gols do Barcelona, com Wayne Rooney descontando. Para quem só descobriu o Barcelona na final do Mundial Interclubes, esta foi uma grande oportunidade perdida de uma aula de futebol-arte.



Nadal com o troféu/Reprodução da internet
A velha rivalidade no saibro francês – O ano foi de muitas grandes partidas no tênis, principalmente envolvendo os três principais nomes do esporte atualmente: o suíço Roger Federer, o espanhol Rafael Nadal e o número 1 do mundo, o sérvio Novak Djokovic. A final de Roland Garros no dia 5 de junho foi mais um daqueles duelos épicos entre Federer e Nadal. O suíço não fez uma boa temporada, mas vinha de uma vitória heroica sobre Djokovic na semifinal. Na decisão jogou muito, mas mais uma vez sucumbiu ao talento de Nadal, que venceu por 3 sets 1, parciais de 7/5, 7/6, 5/7 e 6/1. Com o título, o espanhol igualou a marca de seis conquistas de Bjorn Borg na lendária quadra francesa.

Basquete de alta qualidade – Dallas Mavericks e Miami Heat fizeram uma série de seis jogos fantásticos na decisão da NBA deste ano. O último deles foi disputado no dia 12 de junho, quando o Mavericks venceu por 105 a 95 e conquistou o primeiro título de sua história. Apesar de o Miami ter três astros (LeBron James, Dwayne Wade e Chris Bosh), quem brilhou muito nos playoffs e conduziu o Dallas ao campeonato foi o alemão Dirk Nowitzki, eleito o MVP das finais.

Mais uma vez na fila – Aqueles que acham que futebol feminino não é esporte deviam ver o VT de Brasil 2 x 2 Estados Unidos pela Copa do Mundo feminina disputada na Alemanha no dia 10 de julho. Brasileiras e americanas podem não ter feito um jogo de grande técnica, mas protagonizaram a partida mais emocionante do torneio. No final, as americanas venceram por 5 a 3 nos pênaltis, com duas cobranças defendidas pela goleira-musa Hope Solo e se classificaram para a semifinal. Na decisão, as americanas acabariam sendo derrotadas pelo Japão também nos pênaltis. As japonesas conquistaram o primeiro título de sua história.

Uruguai novamente protagonista – De volta ao futebol masculino, uma partida emocionante na soporífera Copa América. Argentina e Uruguai entraram em campo em Santa Fé, na Argentina, na disputa por uma das vagas nas semifinais da competição. Jogando em casa e com Messi tendo boa atuação, os argentinos perdem incontáveis gols. O Uruguai joga com a sua conhecida garra e leva a partida para os pênaltis após o empate em 1 a 1. Na decisão, brilha a estrela do goleiro Muslera, que garante a vitória uruguaia por 5 a 4. Mais um jogo emocionante protagonizado pela Celeste, que conquistaria o título da competição após derrotar o Paraguai por 3 a 0 na final.

O jogo do Campeonato Brasileiro – O Brasileirão foi emocionante como sempre, mais técnico do que o anterior e teve muitos bons jogos, embora nada que faça a crítica dizer que o Brasil está no topo do planeta. Por favor. O melhor jogo do torneio deste ano aconteceu na Vila Belmiro, onde o Santos de Neymar recebeu o Flamengo de Ronaldinho. A partida no dia 27 de julho foi um daqueles momentos que sempre serão lembrados no esporte. O Santos abre 3 a 0 com 30 minutos numa grande atuação e dá a impressão de que vai aplicar uma goleada histórica. Borges (2) e Neymar marcam os gols. Mas o Flamengo reage, faz dois gols com Ronaldinho e Thiago Neves e diminui. Um pênalti é marcado para o Santos, mas Elano dá uma cavadinha ridícula e é Felipe quem tira sarro do meia na defesa. Logo depois, Deivid empata para o Flamengo. No segundo tempo, Neymar faz um golaço e coloca o Santos na frente, mas Ronaldinho faz um gol genial e empata. Em seguida, o mesmo Ronaldinho na sua grande atuação do ano vira a partida para o Flamengo. O rubro-negro no fim perderia o fôlego na disputa do título. Já o Santos após essa derrota só fez figuração no Brasileiro, apesar de seguidas boas atuações de Neymar, e acabaria humilhado pelo Barcelona no Mundial no Japão.

Magnano e Marcelinho comemoram a vaga/Reprodução
Vitória emocionante no basquete – No dia 7 de setembro, o basquete brasileiro pareceu ter nascido de novo. Comandada pelo técnico Ruben Magnano, a seleção derrotou a Argentina de forma heroica em Mar del Plata por 73 a 71, triunfo que foi fundamental na campanha do Pré-Olímpico que levou a equipe masculina de volta às Olimpíadas depois de 16 anos. No ano que vem o Brasil estará em Londres. Tudo graças ao argentino Magnano e sua jovem equipe que superou tudo para arrancar uma vaga para Londres-2012.

Why Always me? – Fechando a minha lista, uma goleada histórica no dia 23 de outubro. O Manchester United recebeu o rival da cidade Manchester City em Old Trafford. O estádio conhecido como Teatro dos Sonhos foi palco do pesadelo da equipe de Sir Alex Ferguson impiedosamente goleada por 6 a 1, um chocolante que quebrou uma série de tabus: Desde 2008 o United não perdia para o rival no Campeonato Inglês, desde 1996 não tomava seis ou mais gols em casa e a goleada foi a pior derrota do United para o City desde janeiro de 1926. Foi também a pior derrota de Ferguson em 25 anos de Manchester United. “Foi o nosso pior dia na história”, resumiu o treinador escocês. E um dos personagens do chocolate foi o atacante Balotelli, que ao abrir o placar levantou a camisa e mostrou outra com a mensagem: “Why Always me?” (Por que sempre eu?), uma referência à polêmica que ele se envolvera naquela semana, quando colocou fogo na própria casa depois de “brincar” com fogos de artifício. Por que sempre você, Balotelli?

Messi, o craque, o mito/Reprodução da internet
O craque do ano – Tem alguma dúvida de que mais uma vez o prêmio de Memórias da Alcova vai para Lionel Messi? O cara continua decidindo tudo. Foi o craque e artilheiro da Liga dos Campeões, fez gol na final, foi decisivo no Campeonato Espanhol, foi decisivo nos confrontos contra o Real Madrid, foi decisivo no Mundial de Clubes. Messi é o cracaço do ano e tem tudo para conquistar pelo terceiro ano consecutivo a Bola de Ouro de melhor jogador do planeta. Que continue jogando muito por muitos e muitos anos.

O time do ano – Quantas equipes do mundo têm três craques? O Barcelona é uma delas com Messi, Xavi e Iniesta. Quantos times praticam o futebol-arte? O Barcelona é um deles e talvez o único que encante os amantes do futebol do Alaska a Nova Zelândia. Além disso, o Barcelona foi campeão espanhol, europeu, da Supercopa da Espanha, da Supercopa da Europa e no apagar das luzes ganhou só o título mundial com uma goleada acachapante sobre o Santos por 4 a 0. Ou seja, o Barcelona ainda é o time a ser batido e a equipe do ano.

O técnico do ano – Seguindo a mesma lógica culé, se você comanda o time do ano que pratica o futebol mais brilhante e tem os craques, tem como você não ser o treinador da temporada? Pep Guardiola é o cara por comandar uma equipe que está fazendo história.

O herói – Um herói, não, um super-herói. Novak Djokovic talvez tenha sido o esportista do ano. O cara assumiu o primeiro lugar do ranking do tênis, massacrou gente do porte de Rafael Nadal e Roger Federer e ganhou nada menos do que três dos quatro Grand Slams da temporada (Austrália, Wimbledom e Estados Unidos). Foi um monstro em quadra e um dos grandes nomes do esporte em 2011.

O vilão – José Mourinho é um grande treinador. Um dos melhores do mundo, certamente. Mas não se comportou dignamente em 2011. Quando enfrentava o Barcelona, o treinador do Real Madrid parecia um Eurico Miranda nos tempos de Vasco x Flamengo falando bobagens e sem focar no seu time. Pior, deixando o sua equipe pilhada, o que só a fez entrar na roda culé. Mas não foi só isso. Mourinho ainda deu uma dedada no olho do auxiliar de Guardiola. Pegou muito mal para o português. Quem em 2012 ele fique mais calminho.

O mico do ano – Eu poderia citar a derrota do Corinthians para o Tolima e a eliminação na Pré-Libertadores, mas o time paulista depois se recuperou e foi campeão brasileiro. Mico mesmo foi o do Atlético-MG, que poderia ter rebaixado o rival Cruzeiro, mas apanhou de 6 a 1 na última rodada do Brasileirão. Resultado, a Raposa ficou na elite e com a derrota o Galo ficou de fora até da Copa Sul-Americana. Micaço!

O tabu quebrado do ano – O recorde de jardas conquistadas em uma única temporada (5.084) estava há 27 anos nas mãos de Dan Marino. Mas o quarterback do New Orleans Saints, Drew Brees, o pulverizou com uma rodada de antecedência do fim da temporada regular da NFL durante a vitória da sua equipe sobre o Atlanta Falcons por 45 a 16. Agora são 5.087 jardas e ainda falta um jogo. Um grande feito para Brees, que celebrou a marca em grande estilo: com um passe para touchdown que você vê abaixo.



Balotelli e sua camisa/Reprodução da internet
O figuraçaMario Balotelli merece muito essa alcunha em 2011. Ele comemora gol com a camisa “Why Always me?”, ele não comemora gol, tira sarro fazendo gol de ombro, se mete em confusão fora de campo. É o personagem bizarro do ano. Coloca fogo na própria casa quando brinca com fogos de artifício, sai com atriz pornô, é flagrado comprando revistinha erótica. Balotelli, o rei dos tabloides ingleses e figuraça de 2011.

O golaço do ano – O gol de Neymar contra o Flamengo foi espetacular, o de Wayne Rooney contra o Manchester City foi sensacional, mas eu vou ficar com o gol de Messi nos 2 a 0 do Barcelona sobre o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Serve para representar também os outros golaços espetaculares que o craque argentino fez no ano.





A jogada do ano – Não existe prêmio aqui para touchdown, mas não posso deixar de registrar o que Jerome Simpson, do Cincinnatti Bengals, fez no jogo contra o Arizona Cardinals, na NFL. O cara simplesmente deu uma cambalhota para marcar um touchdown. Foi a jogada de 2011. Veja no vídeo abaixo.



A seleção do ano – Minha equipe ideal de 2011 ficou assim: Neuer (Schalke 04), Daniel Alves (Barcelona), Piqué (Barcelona), Vidic (Manchester United) e Marcelo (Real Madrid); David Silva (Manchester City), Xavi (Barcelona) e Iniesta (Barcelona); Van Persie (Arsenal), Messi (Barcelona) e Cristiano Ronaldo (Real Madrid).

Amanhã, os melhores shows do ano.