Ver Tarja Turunen e Marko Hietala cantando juntos novamente me fez viajar no tempo. Mais precisamente até ao saudoso Canecão, no Rio de Janeiro. Novembro de 2004, show superlotado do Nightwish, turnê do “Once” (2004), que tinha os sucessos “Nemo” e “Wish I had an angel”.
Meses depois daquele show, Tarja seria demitida da banda e engataria numa carreira solo cheia de bons álbuns. Hietala ainda ficaria no grupo de metal sinfônico finlandês até 2021.
O espetáculo “Living the Dream” é sobre nostalgia. Relembrar os bons tempos, afinal, como a própria Tarja diz, “estamos envelhecendo juntos”. Mais ou menos porque eu sou mais novo e estou mais acabado que ela.
Teve de tudo um pouco no charmoso Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que tem um quê de Canecão. Depois de uma insossa banda de abertura que entrou no palco já meio derrotada (Rok Ali &The Addiction. Infelizmente não vi o Serpentyne, que abriu os trabalhos na noite), Marko Hietala recuperou a nossas almas com suas canções sobre mitos e dragões e seu visual de quem parece fazer parte da família Targaryen, de “Game of Thrones”.
Já na primeira música, “Frankenstein´s Wife”, Hietala tomou conta do espaço com desenvoltura, bom humor e uma banda bem azeitada. Foram dez músicas, com destaque ainda para “The Dragon Must Die” e “Impatient Zero”.
Quando Hietala chamou a Tarja para cantarem “Left on Mars”, single que lançaram juntos em 2024 e que meio que selou a reaproximação dos dois músicos, tivemos um breve aperitivo do que seria a noite.
O melhor, no entanto, veio depois, com Tarja comandando o espetáculo. Depois de uma sequência de sete músicas, num set que abriu com “Eye of the Storm” e contou com canções como “500 Letters” e “Crimson Deep”, que ela não cantava desde 2020 e 2012, respectivamente, Tarja veio ao palco com Hietala para um set acústico de quatro músicas.
Na sequência, ambos cantaram três canções em formato elétrico, incluindo duas do Nightwish, “Slaying the Dreamer” e “Wishmaster”, um dos pontos mais altos dos momentos “saudades do que vivi” da noite.
Novamente sozinha no palco, Tarja encerrou a primeira parte do show com a maravilhosa “Walk Alone”, do álbum “My Winter Storm” (2007).
O bis veio com “Dead Promises”, o retorno de Hietala ao palco para a sua última participação em “Wish I had an angel”, e a ótima “Until my last breath”, do álbum “What Lies Beneath” (2010), de Tarja.
Por mais que tivesse tido um clima de nostalgia, o concerto dos dois músicos finlandeses também passou um clima de artistas que estão em paz com o passado e satisfeitos com o presente. Para além de nostalgia, houve uma celebração das conquistas do passado e orgulhosa demonstração do que ambos estão fazendo no presente.








