“A depressão provocada por esgotamento não tem como origem o imperativo de estar entregue apenas a si mesmo, mas, sim, a pressão por um maior rendimento” (pág. 21)
“O homem deprimido é o inválido desta guerra interiorizado. A depressão é a doença de uma sociedade que sofre de excesso de positividade e reflete uma humanidade em guerra consigo própria” (pags. 22 é 23)
Byung-Chul Han é considerado uma das vozes filosóficas mais importantes deste século. Em “A sociedade do cansaço”, o filósofo sul-coreano, que vive na Alemanha, onde dá aulas na Universidade das Artes de Berlim, defende a tese de que vivemos uma era de patologias sobretudo neuronais. Na sua visão, depois de superar as patologias bacterianas e virais em séculos anteriores com a evolução da medicina, o desafio do século XXI está em lidar com as perturbações da alma causadas por crises como depressão, hiperatividade, transtornos de personalidade diversos e burn out.
Han resume num livro curto (muito curto, diria eu) muito do que eu penso sobre a sociedade em que vivemos. O excesso de positividade, o desgaste causado pela busca por mais rendimento, o horror do multitasking… num dado momento, entre muitas frases importantes do seu livro temos uma que resume tudo: “O aumento excessivo de produção leva ao enfarte da alma”.
Só faltou mesmo o filósofo inserir o quanto as redes sociais são nocivas nessa lógica perversa de corrosão da alma. Ainda que seja possível identificar as redes sociais dentro da lógica de produção excessiva, positividade em massa, destruição da alma e transtornos psíquicos.
No entanto, o livro foi lançado em 2010. Muita coisa mudou para pior desde então e gostaria de saber o que o filósofo pensa sobre estas transformações.
Gostaria também de vê-lo aprofundando e dissecando um pouco mais as suas ideias neste ensaio que, no fundo, é uma crítica à sociedade do trabalho e à tecnologia e uma reflexão sobre as angústias da vida moderna. Mas talvez o fato de seus livros serem curtos sejam uma própria estratégia do filósofo de difundir as suas ideias num mundo doente, com um terrível déficit de atenção e dificuldade de concentração, que fazem as pessoas se afastarem de grandes (em tamanho) obras. O que me fez também refletir um pouco sobre o que Han fala nos livros acerca da pressão por rendimento e produção. Vivemos num mundo onde há metas até para o lazer. E eu consigo imaginar o quanto isso, em certos aspectos, é doentio.
Tergiverso porque ainda estou a digerir o livro e suas ideias. Foi meu primeiro contato com Han. Outros livros me darão mais substância para entender o filósofo e suas ideias.
“A sociedade do cansaço” é curto, direto e acessível. Até mesmo nos momentos do livro em que Han dialoga com Heidegger, que para mim sempre foi incompreensível. Não é por acaso que Han se tornou um dos filósofos mais lidos da atualidade.

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