domingo, 10 de janeiro de 2016

A vastidão do oceano

Ninguém conhecia o mar como Billy Duncan. O velho marinheiro tinha o oceano como a sua verdadeira casa. Afinal, passava meses viajando pela vastidão das águas até onde os mapas registravam e muitas vezes além. Toda vez que voltava de suas expedições, Billy tinha muitas histórias a contar. E ele descrevia as aventuras com riqueza de detalhes e provocava um fascínio generalizado. Eram histórias fantásticas. Difíceis de acreditar para os adultos. Mágicas para as crianças. 

Toda vez que Billy desembarcava no porto de Southampton era cercado por crianças.  Elas não se incomodavam com sua aparência asquerosa, a barba espessa e fedendo a uma mistura de sal e peixe podre. Nem reparavam na sua jaqueta azul meio rasgada pelo tempo de uso e as intempéries do mar. 

- Billy! Billy! Quantas baleias você matou? 

- Billy! Você conheceu selvagens? Eles existem mesmo? - gritavam as crianças que se aglomeravam no porto à espera de Billy. 

- Depois, garotos. Deixem-me primeiro tomar o meu conhaque na taverna do velho John, o manco - respondeu o marujo com a voz rascante que o tabaco lhe deu. 

Billy era o capitão do principal baleeiro da região. Por vezes, saia em jornadas longas pela vastidão do oceano a procura destes animais que podiam ser dóceis ou perigosos. Nunca se sabe como uma baleia pode se comportar. Mas elas poderiam ser bem mais agressivas quando sentiam o cheiro do baleeiro Fitzgerald III se aproximando. 

Na Inglaterra do início século XIX, era o óleo de baleia que impedia as cidades de mergulharem na escuridão quando a noite caia. Por isso, os homens desbravavam os mares em busca dos animais. Era uma questão de sobrevivência. E Billy era um dos melhores no seu ofício.

O mar não o desgastava. Era o sol no rosto que o deixava com um aspecto ainda mais envelhecido. Billy tinha 40 anos, mas parecia ter quase 60. Foi casado até os 35, mas a morte de Mary Duncan-Robinson de tuberculose com apenas 30 anos o deixou viúvo muito cedo. Nunca mais teve outra mulher. Casou-se com o mar. 

Logo que entrou na taverna, Billy foi saudado por John, o manco. 

- Ora, vejam se não é o bom e velho Billy Duncan. Eu sabia que você vinha desde que os navios desembarcaram no porto quando senti o fedor de peixe que o cerca. Como vai, Billy? - recebeu-o John, que andava com dificuldades em direção ao capitão do Fitzgerald III. 

- Pior do que ontem. Melhor do que amanhã - respondeu o marinheiro, já sentando em sua tradicional mesa ao fundo do estabelecimento. 

John já se dirigia em direção a Billy pronto para ouvir as suas histórias com a garrafa de conhaque. O dono da taverna mancava, pois fora esfaqueado numa briga há dez anos. O corte atingiu um nervo, enfim algo vital, e John nunca mais andou direito. Billy foi quem salvou a vida do dono da taverna e os dois ficaram amigos desde então. 

- Aparentemente nada mudou desde a minha última vinda nesta espelunca, John. 

- Você está enganado, Billy. Temos um forasteiro na área. Um alemão. Desembarcou há dois dias no trem de 15h23m na estação. 

- E o que um porco teutônico quer aqui em Southampton? - questionou o marinheiro, que não gostava de alemães. 

John, o manco, ajeitou o corpo na cadeira, abriu um sorriso debochado e disse: 

- Falar com você. 

Billy ficou surpreso. Não tinha nada a conversar com aquele alemão. Ou qualquer alemão. Nunca haviam entendido o motivo pelo qual ele não gostava de alemães, mas era no mínimo ousado um deles atravessar a Europa, singrar o Canal da Mancha e tomar um trem de Londres a Southampton só para falar com ele. Resolveu ouvir o que a figura germânica tinha a dizer. 

- Ele está aqui? 

- Sim, é aquele filhote de leite de cabra sentado ali no canto lendo o “Times de Southampton”. 

- Chame-o aqui. Se ele quer falar comigo, que venha até mim. Não moverei um músculo para me dirigir a um alemão. 

John virou-se para o alemão e gritou chamando-o. Disse para ele se sentar na cadeira em que estava, pois voltaria ao trabalho. 

O alemão obedeceu. Sentou-se e olhou para Billy. O marinheiro o encarava sem nada dizer. Foram poucos segundos assim, mas pareceu uma eternidade para o jovem. Ele se comportava como se estivesse diante de uma figura mitológica. 

- Qual é o seu nome, garoto?

- Walter, senhor. 

- Só Walter? Você não tem família? 

- Walter Benjamin, senhor. 

- Regra número 1 para você continuar conversando comigo. Eu não sou um "senhor". Senhor está no céu, um lugar para onde eu não vou, pois sou um assassino.

A palavra assassino deixou o jovem Walter mais branco que o topo das montanhas de Munique. Walter tremia. 

- Eu mato baleias. Mas você deve saber disso se veio me procurar. Bom, regra número 2: eu só aceito falar com gente como você com muito álcool na mesa. Logo, pague-me mais uma garrafa de conhaque. 

- Sim, senhor. Quer dizer, sim, é claro - respondeu o alemão, atendendo ao pedido. 

- O que você quer de mim? Se veio de tão longe, não foi para olhar para mim com essa cara de quem viu um fantasma. 

- De fato eu vim em busca de uma inspiração. Conversava com camponeses do interior. Mas quando me aproximei de Southampton conheci a sua história e queria ouvir mais do próprio. 

- Eu não tenho histórias, garoto. Eu só trabalho - interrompeu Billy. 

- Mas suas aventuras ecoam por toda a cidade. Seria incrível conhecer algumas delas. 

- E para que você quer saber o que eu faço no mar? 

- Eu busco inspiração para um romance que estou querendo escrever. 

Billy riu. Gargalhou debochadamente para ser mais preciso. Escritores ou pseudo-escritores não eram bem vistos por ele. Billy costumava dizer que não confia em homens que têm a mão macia. Era um sinal para ele de homens fracos, que não trabalham. Homens afeminados que não mereciam nada além do desprezo ou uma boa surra. 

Walter obviamente tinha mãos macias. Nunca fizera trabalhos forçados. Mas estava determinado a escutar a narrativa de Billy. Sabia que tinha ouro diante dele. Ouro para um romance épico que se passasse no mar. Precisava apenas dobrar o capitão. 

Mas Billy estava reticente. Nunca gostou de alemães. Imagina alemães de mãos macias. Estava quase encerrando a conversa quando Walter lhe ofereceu um pagamento em troca. Três xelins por hora de conversa. E mais a bebida. A melhor da taverna de John. 

Billy não quis conversa. Levantou-se da mesa, pediu desculpas a Walter, mas não contaria nada ao alemão afeminado. 

- Minha história eu já compartilho com o mar. 

Não era verdade. As crianças sabiam disso. Assim com John, o manco. Depois que Billy deixou a taverna, Walter foi conversar com John. Tentar uma ajuda pelo amigo de Billy. Precisava ouvir a história do homem que caçava baleias. 

John tentou fazer com que Walter desistisse de sua empreitada e voltasse para a Alemanha. Billy não falaria. Havia se tornado ainda mais introspectivo desde a morte da esposa. Ele só se abria com as crianças. E Walter não aparentava nem um pouco ser uma delas. 

Walter, então, retornou para a hospedaria onde estava há três dias. Antes de deitar-se acendeu o lampião. Ficou ali, diante da mesa contemplando as suas anotações. Olhou para a chama que queimava graças ao óleo de baleia que Billy trazia sempre que desbravava o mar. 

Nada daria certo. Nada faria sentido nessa história sem o depoimento dele, pensou. E foi dormir com essas palavras ecoando na sua cabeça. 

No dia seguinte, o tempo estava nublado em Southampton. Como de costume, Billy foi até a taverna beber. Eram assim os seus dias entre uma estadia e outra no mar. 

Desta vez, porém, deu atenção as crianças antes de entrar na taverna. De longe, Walter observava um Billy tão simpático com as crianças. Nem parecia o marujo carrancudo e intimidador que conversara com ele. 

O capitão não reparou que estava sendo observado. Estava perdido no seu mundo paralelo, na sua vida que acontece sem muitas emoções longe do barco. 

Depois de dar algumas moedas a um pobre mendigo que estava jogado na rua, Billy entrou na taverna. Cumprimentou John e sentou na mesma mesa que senta há 18 anos. Comeu um pão, pediu o ensopado da casa e degustou mais um copo de conhaque. 

Trinta minutos se passaram até que Walter tomasse coragem de abrir a porta e entrar no local novamente. Ao avistar o jovem alemão desprezível, Billy bufou de enfado. Walter pediu uma garrafa de conhaque e seguiu firme em direção ao marinheiro. Podia ter mãos macias, mas estava disposto a exibir a coragem de alguém da tripulação do Fitzgerald III.

- Eu podia estar bêbado, mas se a minha memória não falha, eu lhe avisei ontem que não conversaria com você – afirmou Billy, ainda irredutível. 

- Eu não me dou por vencido facilmente - retrucou Walter, com firmeza. 

- Há uma linha tênue entre a sabedoria que te impulsiona e a teimosia que te mata - retrucou Billy, colocando a sua faca em cima da mesa. 

Walter não se permitiu ter medo. Sua alma tremia, mas o corpo precisava se manter como uma rocha se ele quisesse sugar aquela experiência. Precisava ouvir para criar. E ninguém naquela cidade fria colada no mar tinha melhores histórias que Billy. 

John só olhava de longe a ousadia do jovem alemão. Era realmente um abusado, pensou. Mas admirava a sua insistência. Muitos teriam saído daquela taverna para nunca mais voltarem. Walter não apenas voltou como encarou Billy mais uma vez. 

- Eu não quero que você divida suas histórias comigo de graça. Estou disposto a pagar o preço que for. 

- Poupe o seu dinheiro, garoto. Eu não o quero. Em três semanas eu volto para o mar. Não preciso perder meus dias aqui com você. 

- Mas eu só preciso de algumas horas. E eu pagarei por isso. 

- Eu não quero dinheiro. Não quero conversar com você. Só quero ficar sozinho.

- Esse isolamento tem a ver com a sua mulher?

A lembrança de Mary era uma aposta arriscada do jovem alemão. Billy poderia ter um acesso de raiva e expulsá-lo a pontapés pelas ruas enlameadas de Southampton. Mas Billy não esboçou nenhuma reação intempestiva. Acendeu um cigarro, fitou seus olhos azuis fixamente no rosto de Walter e com a voz rascante de sempre o mandou embora. 

- Volte para a Alemanha. Volte para o lugar de onde você jamais deveria ter saído. 

Sentindo-se definitivamente derrotado, Walter levantou-se do banco. Vestiu o casaco e a taverna ouviu pela última vez as suas pesadas botas. 

Três semanas se passaram desde a conversa entre os dois. Walter não foi embora. Conversou com camponeses, ouviu donos de estabelecimentos, casais importantes da cidade. Queria uma história. Ou várias histórias para contar. Esteve tão envolto naquela cidade que se esquecia de coisas simples como fazer a barba. 

Quando voltou ao porto para conversar com alguns pescadores, Walter avistou Billy preparando-se para voltar ao mar. O capitão coordenava todos os subordinados. Não podia deixar faltar nada. Dos suprimentos da tripulação aos arpões que ajudariam o Fitzgerald III a trazer o óleo de baleia fundamental para a cidade. 

Walter pensou que não seria uma boa ideia novamente puxar assunto com Billy. Ainda que aquela fosse a sua última chance. Nunca mais se veriam a partir do momento que o Fitzgerald III singrasse o mar. 

Paralisado pelos pensamentos, nem reparou a chegada de Billy para falar com ele. 

- Ainda não foi embora, forasteiro? - perguntou o capitão.

- Estava pensando se você me daria uma última chance de conversarmos - retrucou Walter. 

- Não sabia que alemães tinham tanta fé. É culpa de Lutero?

- Não temos fé. Apenas somos persistentes. 

- Vá para casa, garoto. Tenho certeza que você colheu boas histórias da nossa comunidade nestas semanas. Vá para casa e escreva o seu livro. 

Walter pareceu desanimado com mais uma negativa de Billy, mesmo no momento da relação dos dois em que ele mais se mostrou aberto. Foi quando subitamente uma ideia louca passou pela sua cabeça.

- E se eu fosse com você? E se eu embarcasse com você?

- Um homem que sequer sabe amarrar direito as botas não tem condições de entra no meu navio - disse Billy, dando gargalhadas. 

- Tenho certeza que eu posso ser útil em alguma função do seu barco. Além disso, você perdeu dois tripulantes de última hora que ficaram doentes. Não precisa me dar uma função importante. Mas tenho absoluta certeza que posso ser útil. 

Walter tinha razão. E Billy sabia disso. A maldita tuberculose havia afetado dois dos seus homens, que não poderiam viajar. O jovem alemão poderia limpar o convés, ajudar na comida, além de outras tarefas que não exigissem tanta força ou uma precisão nos nós das cordas. Na pior das hipóteses, poderia virar isca de baleia, pensou maldosamente. 

- Se você não deseja contar a sua história, deixe-me vivê-la para entendê-la - suplicou Walter. 

- Você é abusado, garoto. Sabe que ficaremos até seis meses no mar? Enfrentaremos tempestades, calor, sem falar nas baleias que iremos caçar. Tem certeza que você quer isso mesmo?

Walter parou alguns segundos que foram uma eternidade. Pensou no que deixaria para trás, na aventura que viveria sem a certeza de que voltaria vivo, mas no fim estava determinado. O sim saiu com a firmeza de um homem apaixonado diante do casamento. 

Billy se aproximou dele. Lançou seu olhar ameaçador. Sua barba fedia a peixe, mas Walter não hesitou. Nem reclamou. O capitão pegou um saco de batatas e jogou nos braços de Walter. Aquilo devia pesar uns 30 quilos, mas o jovem alemão aguentou. Ou fingiu muito bem que aguentou. 

- Ei, George! Temos um novo marujo. Coloque-o na cozinha. Dizem que alemães sabem fazer batatas - gritou Billy Duncan. 

- Pode deixar, capitão. 

Assim, Walter embarcou no Fitzgerald III. Quando as âncoras do navio foram levantadas, ele não tinha mais como voltar atrás. Estava preso por pelo menos quatro meses naquele navio e com aquela tripulação. 

Torceu para que tivesse tomado a decisão correta. E pensava sobre isso enquanto observava o seu primeiro pôr do sol do convés do navio. 

- Tenho que admitir que você teve colhões ao entrar neste navio, garoto - surpreendeu-o Billy Duncan. 

- Eu também não acreditei no que eu fiz. Mas era preciso fazê-lo - respondeu o jovem alemão. 

- É bonito, não é? O sol se pondo no mar? - perguntou o capitão tomando uns goles da garrafa de conhaque que levará ao convés. 

- Nunca vi nada tão belo na minha vida – respondeu o alemão, verdadeiramente admirado. 

O vento estava bom e o barco navegava em boa velocidade mar adentro. Aquele seria um dia calmo da viagem do Fitzgerald III. 

- Imagino quantas outras coisas belas verei nesta viagem. E horríveis também, é claro. 

- Lá - disse Billy, apontando para a costa que não era mais possível ver. - Você vivia em uma redoma de segurança. Aqui, garoto, você verá a vida. 

Com estas palavras o capitão se despediu. Entregou a garrafa de conhaque para Walter, deu dois tapas em suas costas e voltou para os seus aposentos. Já era noite. Walter tomou um gole da bebida e olhou para a imensidão do mar com o seu silêncio sendo interrompido apenas pela passagem do navio. 

Ficaria assim por uns bons minutos antes de se recolher para dormir. Sua aventura estava apenas começando.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Eu não sei tirar selfie (uma canção)

Meu nome era Maria
Eu comprei um celular 
Todo mundo me dizia
Lá em Iguaba vai arrasar

Logo que paguei 
Fiz um carnêzinho
Vinte vezes nas Casas Bahia
Vou pagar bem direitinho 

O vendedor me disse
O celular é ixxmarte
Tem tela tâtchi 
Vê vídeo até de Marte 

Muito chique eu fiquei
Logo fui mostrar 
Pra minha amiga, abalei
Bangu vai me amar 

Katya Cilene deu um gritinho
Ele é tão pequenininho
Que fofo, e lindinho
Parece o filho do Armandinho

Faz uma foto nossa, 
No Face vamo postar 
Cara de estrela, minha nossa
Até a Grazi vai gostar 

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Fora do fooooooco
Tô desfocada
Fora do fooooooco
Tô desfocada 

Gente, ficou tudo tremido
Parecendo fantasminha
A cara  do Ricardinho
Diante da Claudinha

Maria ficou frustrada
O aparelho não era inteligente?
O celular era uma furada
Vendedor indigente!!

Não é possível, Katya Cilene, 
Tem que ter um segredo
O celular foi inventado
Pelo menino do filme, aquele que dá até medo 

Meu amigo do trabalho,
Me falou que ele era um gênio
"Era um cara do caralho,
Ganhou um monte de prêmio"

Vamo tirar outra foto
Cara de felicidade e sorri feito neném 
O celular pode ter achado 
Que a gente não tava muito bem

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Fora do fooooooco
Tô desfocada
Fora do fooooooco
Tô desfocada 

Não fica triste assim, amiga
O importante é exaltar 
Tá na frente dazinimiga
Até o sertão vai virar mar

Teu celular é inteligente 
Até fala com a gente 
Manda mensagem, 
Vê Twitter
Faz snap diferente 

Mas tudo o que eu queria
Era apimentar a relação
Tava planejando uns nude
Pro Marquinho ficar boladão

Saidinha você, Maria!
Toda trabalhada na sacanagem
agora eu sei de onde vinha
O apelido Rita Cadillac

Tenta tirar mais uma então, 
Mostra um peitinho
Vai que o celular se empolga
E deixa o foco direitinho

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Fora do fooooooco
Tô desfocada
Fora do fooooooco
Tô desfocada 

Quanta frustração 
O celular não gosta de mim
Parece até o cachorro 
Do tio Crispim

Fica calma Maria, 
Você ainda tem muitos amigos
E como diria o Faustão,
Quem sabe faz ao vivo 

Tudo o que eu queria
Era fazer uma foto
Postar no Instagram
Eu andando de moto

Mas... 

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Eu não sei tirar selfie
Fica tudo fora do foco

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Best Of 2015 - Cinema

'Sicário', o melhor filme de 2015
Sim, leitores de Memórias da Alcova, chegamos ao último dia do ano e, junto com ele, temos que listar os melhores e, claro, os piores filmes de 2015. É o momento da famosa premiação “Corneta Awards”. A regra aqui é clara: Todo e qualquer filme que estreou no Brasil entre 1º de janeiro e 30 de dezembro, também conhecido como ontem, está apto a entrar na lista. Os que passaram no crivo vão para o top-10. Os que fracassaram na cotação da corneta, vão para o top-5 do mal. Além disso, temos as premiações individuais com categorias marotas, salientes e malemolentes.

Sem mais delongas, comecemos pelos melhores e piores filmes de 2015. Sempre numa ordem de ranking porque listas e rankings são polêmicas e alimentam discussões de bar e de ceias de réveillon.

OS MELHORES FILMES

Como todo ano, chegar ao top-10 foi um trabalho árduo. Vinte e dois filmes ficaram na pré-lista da corneta. Logo, 12 deles precisaram ser cortados. Ficaram de fora, bons trabalhos como “Acima das nuvens”, “O jogo da imitação”, “Perdido em Marte” ou “Para sempre Alice”. Além de outros muito divertidos como “Kingsman: Serviço secreto”. Também foi com dor no coração que eu cortei da lista final “45 anos”, “Labirinto de mentiras”, o novo do Ken Loach, “Jimmy’s Hall”, e a estreia de Mélanie Laurent na direção com “Respire”, todos excelentes trabalhos. Sem contar “Aliança do crime”, um ótimo filme como Johnny Depp não fazia há muito tempo, o chileno “O clube” e o espanhol “Pecados antigos, longas sombras”. Todos ganham a menção honrosa.

Feitas estas ressalvas, vamos ao top-10 da corneta.

10º lugar – “O cidadão do ano” – Na ausência de um Tarantino neste ano, o diretor Hans Petter Moland fez a sua história particular de vingança estrelada por Stellan Skarsgard. Apesar do sangue jorrando pela tela, o filme norueguês é divertidíssimo, no melhor estilo do diretor americano que volta aos cinemas na semana que vem com “Os oito odiados”.

O drama turco 'Winter Sleep' entrou na lista
9º lugar – “Winter Sleep” – Sim é um filme turco. Sim, é um filme turco de três horas de duração. Mas é um excelente filme que aborda questões éticas, filosóficas e morais dentro de uma comunidade turca na Anatólia. Dê uma chance. A corneta “agarante”.

8º lugar – “O julgamento de Viviane Amsalem” – O “Corneta Awards” este ano está bem eclético. Este filme é israelense e dirigido por Ronit e Sholomi Elkabetz. É a história de uma mulher que deseja se separar do marido, mas sofre por anos para conseguir isso, pois ele não quer dar o divórcio, ao mesmo tempo em que têm o apoio de uma cultura machista e um rabino que privilegia a visão do homem na questão. Aos poucos, os diretores vão revelando as camadas da complexidade de um casamento falido, ao mesmo tempo em que expõe tudo com muita delicadeza. Ronit também é a atriz que faz Viviane e tem uma atuação excelente.

'Timbuktu: da Mauritânia para o top-10
7º lugar – “Timbuktu” – O filme dirigido por Abderrahmane Sissako foi o indicado da Mauritânia ao Oscar de filme estrangeiro. É um excelente trabalho sobre a atuação de jihadistas em uma comunidade no Mali impondo regras e o terror à população usando a lei islâmica como pretexto.

6º lugar – “Adeus à linguagem” – Ter um Jean-Luc Godard no top-10 é um luxo. E aos 85 anos, o diretor franco-suíço ainda consegue ser completamente diferente e inovador ao filmar pela primeira vez em 3D. Godard não está nesta lista apenas por ser um nome genial da história do cinema. Seu “Adeus à linguagem” é uma experiência sensorial única dentro de uma história filmada ao seu estilo sobre um casal em crise. Godard conseguiu fazer um 3D que vale a pena de ser visto, ao contrário de muita picaretagem que vemos por aí.

É muito amor á bateria
5º lugar – “Whiplash – em busca da perfeição” – Isto é uma obra única, amigos. O trabalho de Damien Chazelle vencedor de três Oscar é um filmaço sobre um rapaz que deseja obsessivamente ser o melhor baterista de jazz dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que lida com um professor que o faz ultrapassar todos os limites possíveis. Grande filme e um excelente trabalho da dupla principal, Miles Teller e J.K. Simmons. Este último merecidamente ganhou um Oscar de ator coadjuvante.

4º lugar – “Birdman” – Em meio a tantos filmes de super-heróis, Alejandro González Iñarritu nos deu um filmaço sobre um ator fracassado que tenta ser levado a sério no teatro anos depois de ficar famoso vivendo um herói dos quadrinhos no cinema. “Birdman” talvez seja a melhor atuação de Michael Keaton na carreira. Além disso, tem uma trilha sonora fantástica só com solos de bateria e um esquema de plano-sequências extremamente interessante. O trabalho venceu quatro Oscar, entre eles os de melhor roteiro, direção e filme.

Max esteve numa enrascada
3º lugar – “Mad Max – Estrada da Fúria” – Num ano de tantos retornos de velhas franquias do passado (Missão Impossível, James Bond, Star Wars, etc...), George Miller voltou quebrando tudo com o seu “Mad Max”. Com Tom Hardy no papel que outrora foi de Mel Gibson, o trabalho de Miller se destaca pelas excelentes cenas de perseguição e pela presença HIPNÓTICA de Charlize Theron no papel de Furiosa, a grande heróina do filme que fala sobre um futuro apocalíptico onde as pessoas brigam por um bem preciosíssimo: água. “Mad Max –Estrada da Fúria” é um filme-pipoca da mais alta qualidade. Tanto que andou vencendo prêmios nos EUA onde filmes de ação não costuma aparecer.

'O ano mais violento': filmaço
2º lugar – “O ano mais violento” – Com apenas 42 anos, o diretor J.C. Chandor já tem bons serviços prestados ao cinema. Fez o excelente “Margin Call”, décimo lugar no Best Of de 2011, e o bom “Até o fim”, sobre um navegador vivido por Robert Redford que têm que sobreviver sozinho às intempéries do Oceano Pacífico. “O ano mais violento” é uma história estrelada por Oscar Isaac e Jessica Chastain. O filme se passa em Nova York na década de 80 e conta a saga de um imigrante vivido por Isaac e sua esposa, que tentam prosperar nos negócios, mas não conseguem escapar da corrupção, decadência e brutalidade que dominam a região em que vivem.

Emily comeu o pão que o diabo amassou
1º lugar – “Sicário – terra de ninguém” – Excelente trabalho de Denis Villeneuve, diretor de “Incêndios”. Estrelado por Benicio Del Toro, Josh Brolin e Emily Blunt, o filme fala sobre a caçada americana para tentar destruir o violento cartel de drogas mexicano, que exporta quilos e mais quilos de cocaína e outras drogas para os Estados Unidos anualmente. É uma história violenta, dura, pessimista, mas cruelmente real ao retratar a brutalidade do cartel mexicano que vive na fronteira e as medidas nada ortodoxas dos americanos para lidar com os bandidos. É daqueles filmes sem mocinhos ou bandidos. Todos têm alguma culpa no cartório. Ótimo filme que merecidamente ganha o prêmio de melhor do ano da Corneta.

PIORES FILMES:

Depois das flores, a hora dos espinhos. Vamos para as cinco maiores bombas de 2015.

5º lugar – “Caminhos da Floresta” – Junte todos os contos de fada, dê uma chacoalhada e transforme num musical. Isso é “Caminhos da Floresta”, um dos filmes mais PAVOROSOS de 2015. Talvez só Anna Kendrick e Meryl Streep se salvam dessa tragédia.

'Quarteto fantástico': vergonha alheia
4º lugar - “Quarteto Fantástico” – Existe uma caveira de burro enterrada nos sets de filmagem de todo filme do Quarteto Fantástico, uma história em quadrinhos tão legal que só gera filme ruim. Esta é a terceira bomba já feita sobre o grupo. Realmente Hollywood não consegue acertar quando se trata de Red Richards, Sue e Johnny Storm e Ben Grimm.

3º lugar – “Cinquenta tons de cinza” – Esta é uma das grandes vergonhas de 2015. Como se não bastasse o roteiro ruim, a história pífia e as atuações constrangedoras, este “Sabrina” com raio gourmetizador ainda iludiu o mundo naquilo que prometia mais. Sim amigos, Dakota Johnson usou um dublê de corpo.

2º lugar – “Olhos da Justiça” – “O secreto dos seus olhos”, o filme argentino de Juan José Campanella, foi eleito pelo “Corneta Awards” o melhor filme de 2010. Era um filmaço. Esta versão americana é PÍFIA e um desperdício absoluto de talentos (Julia Roberts, Nicole Kidman, Chiwetel Ejiofor, etc...). Fica a pergunta: Por que refilmar uma história que já era excelente? Só para ter alguém falando em inglês? Patético.

Defina constrangimento
1º lugar – “Sexo, amor e terapia” – Uma verdadeira afronta ao tradicional cinema francês, “Sexo, amor e terapia” quebrou todos os paradigmas de ruindade em 2015. Uma história horrorosa, personagens toscos, roteiro patético e um desperdício de talentos como Sophie Marceu e Patrick Bruel. O filme é um strike de coisas horríveis. Passe longe. Não veja na TV, não faça download. É o primeiro filme nota zero da história da corneta. Esqueça dele e terás uma vida próspera.

MAIS PRÊMIOS DA CORNETA:

Troféu decepção de 2015 – Era grande a expectativa pelo final de “Jogos Vorazes”, mas a segunda parte do tomo “A esperança” revelou-se um fracasso. No fim, o cinema mudou coisas fundamentais do livro e o transformou num grande conto de fadas. Faltou ousadia e alegria para fazer um verdadeiro clássico.

O herói do ano – Harry Hart (Colin Firth), o herói de “Kingsman” teve seus momentos incríveis, enquanto Ethan  Hunt (Tom Cruise em “Missão Impossível: Nação Secreta”) é sempre um candidato, mas o ano, amigos, é de Bond, James Bond. Num dos melhores filmes da série, “Spectre”, 007 voltou na pele de Daniel Craig para salvar o mundo, tomar martinis e transar com Bond Girls como manda o figurino. Tudo sem amarrotar o terno. É novamente um herói de classe como os fãs gostam.

Blofeld, o arqui-inimigo de Bond
O vilão do ano – Também de “Spectre” sai o vilão de 2015. Ernst Stavro Blofeld (Christoph Waltz) voltou para atazanar a vida de Bond e para a alegria dos fãs da série. Waltz ainda promete aprontar muito na série.

O retorno do ano – Num ano de muitos retornos de séries clássicas (007, Missão Impossível, Mad Max), acho que nada foi mais esperado do que a volta de “Star Wars”. E o novo filme, “O despertar da força” não decepcionou. J.J. Abrams nos entregou um filme de fã para fã e que abre uma série de possibilidades para o futuro. Defintivamente, “Star Wars” ganha o troféu “Comeback of the year”.

No filme não vale nada, mas gostamos de você
A musa de 2015 – Esta é das categorias mais importantes do “Corneta Awards”. E pela primeira vez na história teremos uma bicampeã. Vencedora do troféu em 2012, Jessica Chastain leva novamente o prêmio pelo conjunto da obra em dois filmes de 2015: “O ano mais violento”, quando fez uma trambiqueira, maior 171, mas que amamos, e “Perdido em Marte”, quando ela era uma nobre capitã da espaçonave que resgata Matt Damon do planeta vermelho. Impossível resistir a essa ruiva, que agora carrega o seu segundo troféu de musa para casa. E relembrando todas as campeãs até aqui: Sharon Stone (2006), Eva Mendes (2007), Penélope Cruz (2008), Kate Winslet (2009), Anna Mouglalis (2010), Cecile de France (2011), Jessica Chastain (2012), Melanie Laurent (2013) e Eva Green (2014).

A melhor cena de sexo – “Love” é um filme muito ruim, bem ruim, mas o trabalho de Gaspar Noé ficou famosinho por duas coisas: muito sexo e tudo isso feito em 3D. Fiquemos então com um ménage clássico entre os três personagens principais para que este filme não saia de mãos abanando de 2015.

A melhor cena de briga – Nada, absolutamente NADA, supera a cena da igreja protagonizada por Colin Firth em “Kingsman: Serviço Secreto”. Coisa de obra-prima. (VEJA AQUI)

O filme Sessão da Tarde do ano – Divertido como um velho filme de espião dos anos 60, “O agente da U.N.C.L.E” é daqueles filmes tão leves e legais que merecia ter um segundo. De preferência com uma participação maior de Hugh Grant, que esteve impagável no pouco tempo que apareceu.

A cena mais absurda – Bem que Liam Neeson tentou levar esse prêmio ao parar um avião que estava decolando jogando um Porsche contra o trem de pouso da aeronave em “Busca Implacável 3”, mas nada supera a picaretagem de um carro atravessando DE UM PRÉDIO GIGANTESCO PARA O OUTRO em Dubai de “Velozes & Furiosos 7”. É a cena mais absurda de um filme cheio de loucuras. Uma divertida obra picareta. (VEJA AQUI)

Os melhores roteiros – Top-5 de 2015: “Whiplash – em busca da perfeição”, “Birdman”, “O ano mais violento”, “O Clube” e “Sicário”.

Os piores roteiros - O top-5 do mal: “Sexo, amor e terapia”, “Love”, “Quarteto Fantástico”, “Cinquenta tons de cinza” e “Chappie”.

'Adeus à linguagem', filmaço de Godard
O filme francês do ano – “Samba” merece uma menção honrosa, mas pelos motivos expostos no top-10, “Adeus à linguagem” é o filme francês de 2015.

O filme argentino do ano – Pablo Trapero nos deu o bom “O Clã”, que conta a história de uma família que ganhava a vida fazendo sequestros durante a ditadura argentina. Tem um plano-sequência em uma cena do jantar que é maravilhoso.

O filme brasileiro do ano – Talvez seja a grande injustiça do “Corneta Awards – 2015”. Como não consegui ver “Que horas ela volta?”, o filme não poderá ser votado. Mas acho que o documentário “Chico Buarque: artista brasileiro” está bem representando aqui.

O filme de quadrinhos do ano – Nem Marvel, nem DC. O prêmio deste ano ficará com “Kingsman: Serviço secreto”, filme baseado nos quadrinhos de Mark Millar. Foi um dos mais divertidos de 2015.

O filme-pipoca do ano – Perdão “Star Wars”, perdão 007, perdão “Missão Impossível”, mas o grande filme-pipoca de 2015 é “Mad Max – Estrada da Fúria”.

O melhor filme ruim – Você ainda não viu “O sétimo filho”? Não sabes o que está perdendo. Tem Jeff Bridges canastrão, tem Julianne Moore fazendo uma bruxa e tem uma história de amor estilo Romeu e Julieta, com a diferença que os protagonistas não morrem. É tosco, mas é divertido.

Os melhores diretores – Damien Chazelle (“Whiplash – em busca da perfeição”), Alejandro Gonzalez Iñarritu (“Birdman”), Jean-Luc Godard (“Adeus à linguagem”), Denis Villeneuve (“Sicário”) e, claro, George Miller (“Mad Max – Estrada da Fúria”).

Os piores diretores – Billy Ray (“Olhos da Justiça”), Gaspar Noé (“Love”), Sam Taylor-Johnson (“Cinquenta tons de cinza”), Neil Blomkamp (“Chappie”) e Tonie Marshall (“Sexo, amor e terapia”).

Melhores atuações masculinas – Johnny Depp (“Aliança do crime”), J.K. Simmons (“Whiplash”), Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”), Oscar Isaac (“O ano mais violento”) e Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”).

Piores atuações masculinas – Patrick Bruel (“Sexo, amor e terapia”), Hugh Jackman (“Chappie”), Collin Farrel (“Miss Julie”), Chris Pratt (“Jurassic World”) e Miles Teller (“Quarteto Fantástico”).

Marion Cotillard no filme dos Dardenne
Melhores atuações femininas – Charlotte Rampling (“45 anos”), Emily Blunt (“Sicário”), Helen Mirren (“A dama dourada”), Amy Adams (“Grandes Olhos”) e Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite”).

Piores atuações femininas – Dakota Johnson (“Cinquenta tons de cinza”), Bryce Dallas Howard (“Jurassic World”), Sophie Marceu (“Sexo, amor e terapia”), Kate Mara (“Quarteto Fantástico”) e Aomi Muyock (“Love”).

E assim termina o Best Of 2015. É claro que ano que vem continuarei cornetando tudo e todos. Um feliz ano novo para todos os que me aturaram neste ano. Em 2016 tem mais. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Best Of 2015 - Música

Eddie Vedder no Maracanã/Site do PJ
Fim de ano e é chegada a hora de fazer a tradicional lista dos melhores e dos piores nas diversas categorias de música e cinema aqui em Memórias da Alcova. Hoje elegerei os cinco melhores shows do ano e a bomba atômica de 2015.

Foi um ano de recordes. Graças a dois festivais acompanhados in loco e a uma sequência matadora de espetáculos, presenciei um total de 45 shows. Por isso, foi ainda mais difícil encontrar o top-5. Isso fez com que grandes apresentações ficassem de fora da lista. Casos do Rival Sons, que brilhou no Monsters of Rock junto com o Ozzy Osbourne, e de destaques do Rock in Rio como Queen + Adam Lambert, Metallica, Mastodon e Queens of the Stone Age.

Mas a regra é clara. Só cabem cinco shows e estes foram os melhores de 2015.

5º lugar – Caetano Veloso e Gilberto Gil – Junte dois banquinhos, dois violões, um cenário simples e duas lendas da música brasileira. Esta é a receita do sucesso da turnê “Dois amigos,um século de música” que a dupla de septuagenários levou para o Circo Voador no dia 5 de dezembro. Os cariocas vibraram com o show na Lapa e um repertório que cobriu toda a carreira dos mestres do Tropicalismo. Fica como o grande show nacional de 2015. Um ano que teve ainda como menção honrosa o Raimundos, que abriu para o Foo Fighters em janeiro.

O Royal Blood, boa surpresa do RIR
4º lugar – Royal Blood – A banda de Brighton, na Inglaterra, se apresentou no segundo dia do Rock in Rio, em setembro, e foi uma das gratas surpresas do festival em um dia em que o Metallica era a atração principal. A dupla formada pelo baixista e vocalista Mike Kerr e pelo baterista Ben Tatcher tem apenas um disco lançado, não trabalha com guitarras e mesmo assim fez um show FEROZ. Kerr e seu baixo envenenado ganharam o respeito da galera e ganharam deste blogueiro o troféu “Não conhecia e amei”. Menções honrosas nesta categoria para o Mastodon, o Halestorm e o Rival Sons, que também brilharam no Rock in Rio (os dois primeiros) e no Monsters of Rock, respectivamente.

3º lugar – Robert Plant – A eterna voz do Led Zeppelin veio ao Brasil em abril para a turnê do seu novo álbum, “Lullabyand... The ceaseless roar”, lançado no ano passado. Plant mostrou estar mais à vontade na nova fase da carreira, mas sem negar o legado de sua banda original. Alternou novas canções, com músicas do Led e, aliado a uma excelente banda, fez um show inesquecível no Citibank Hall (que depois voltaria a se chamar Metropolitan. Deus, como esse lugar muda de nome).

O System of a Down fez um show hipnótico
2º lugar – System of a Down – A banda dos americanos/armênios já tinha feito um excelente show em 2011, quando foram incluídos no Best Of daquele ano também na segunda posição. Quatro anos depois, eles voltaram ao Rock in Rio para fazerem simplesmente o MELHOR show do festival. Não teve para ninguém, foi o show mais insano, mais intenso, mais hipnotizante. E, por isso, novamente Serj Tankian e sua banda figuram em um top-5 de Memórias da Alcova.

O melhor do ano – Pearl Jam – Já podemos dizer que configura uma rivalidade. Mais uma vez quem desbancou o System of a Down foi a banda de Seattle que lotou o Maracanã em novembro para mais uma vez fazer um show incrível no Rio de Janeiro. Quem viu em 2005 e viu em 2011 não se arrependeu de voltar em 2015 para ver um Pearl Jam brilhar no estádio no show da turnê do novo disco “Lightning Bolt”, lançado em 2013. De “Oceans”, música que abriu os trabalhos, até “Yellow Ledbetter” foi uma apresentação impecável, fazendo com que a banda americana ganhasse merecidamente o troféu de melhor show de 2015.

O pior show do ano – Nem tudo são flores na vida deste blogueiro. Do mesmo jeito que eu vi grandes concertos, também fui obrigado a aturar algumas bombas. No Rock in Rio tivemos várias. Só em um único dia, teve One Republic e The Script, bandas que não deixaram saudades. Em outro, o Mötley Crüe espalhou tanta farofa no palco que mais parecia um despacho do que um show. Mas é do Monsters of Rock que vem a grande furada de 2015. O Black Veil Brides parecia um Mötley Crüe piorado, foi vaiado e seu vocalista ainda foi irônico com a plateia, visto que vinha sendo alvo de ataques. O show foi ruim, houve animosidade de ambas as partes, enfim, não funcionou. Assim, o troféu abacaxi de 2015 vai para o Black Veil Brides.