Os filmes e as séries mais interessantes de agosto
Homem-Aranha: um novo dia (Spider-Man: Brand New Day — EUA, CAN, ING, ALE) — Agosto foi um mês cheio de decepções (sim, eu estou falando com vocês mesmos, “O Fim da rua” e “Ponto sem retorno”), mas se teve um filme que entregou mais do que eu esperava foi o quarto Homem-Aranha do menino Tom Holland. “Um novo dia” é um dos filmes mais maduros do personagem. É sobre crescimento, amadurecimento, solidão… e nada extra no filme fez com que ele deixasse de ser sobre o Peter Parker e seu alter-ego. Se menino Tom tivesse me procurado em Lisboa, eu tinha até oferecido um pastel de nata para ele e para a Zendaya em agradecimento.
Natal Amargo (Amarga Navidad — ESP) — Pedro Almodóvar transformou Leonardo Sbaraglia no seu alter-ego em um filme que pode até ser visto como um Almodóvar que está se repetindo, mas e daí? A gente também não se repete constantemente? O importante é que é um Almodóvar no fino fazendo suas reflexões sobre o cinema, sua relação com a mãe, com seus cenários icônicos e seus comentários sobre um artista que de certa forma está em busca de um último suspiro de genialidade.
Rua Málaga (Calle Málaga — MAR, FRA, ESP. ALE, BEL) — Falamos de Almodóvar antes, e neste filme temos uma antiga colaboradora do diretor, a atriz Carmen Maura. Aqui ela faz uma octogenária com uma filha que não vale nada e a quer vender a casa da mãe em Tânger, no Marrocos, onde viveu a vida toda, apenas porque a queridinha não quer mais viver de aluguel em Madri. Imagina se ela alugasse um quarto. Dirigido por Maryam Touzani este é um filme bonito sobre memória, dignidade, resistência, história e sobre a redescoberta do amor no meio do processo. E também sobre como alguns filhos são ingratos.
Pressão (Pressure — ING, FRA, EUA) — É incrível como estadunidense por vezes faz uns filmes interessantes sobre coisas desinteressantes. Baseado em uma peça de teatro, “Pressão” é basicamente uma disputa entre dois meteorologistas para decidir quando seria o dia D, um dos momentos decisivos da Segunda Guerra Mundial. Então tem muita tensão e pressão sobre o Dwight Eisenhower de Brendan Fraser enquanto Andrew Scott e Chris Messina debatem sobre as tempestades e os ventos dos Açores.
O Urso (The Bear — EUA — FX) — Cada segundo desta quinta e última temporada contou muito e foi maravilhosamente degustado enquanto acompanhávamos o fim da jornada de Carmen, Richie, Sydney, Marcus, Tina, Ebraheim e outros tantos personagens queridos. Cada um deles teve um bonito destino. Cada um deles foi preparado para o próximo capítulo das suas vidas. Cada um deles cresceu e amadureceu enquanto tentavam manter aquele restaurante de pé. Sentirei falta, mas acabou num ponto alto e isso é importante. É melhor acabar no auge do que acabar como “Lost”.
A casa do dragão (House of the dragon — EUA — HBO) — Depois de uma segunda temporada que dividiu opiniões, a série voltou cuspindo fogo e mostrando que governar não é fácil. Especialmente num ambiente de fofoca, trairagem e desconfiança. As más línguas dizem que Rhaenyra foi uma espécie de Michel Temer (deu um golpe e fez um governo merda). Eu jamais diria isso. Mas repararam como a Daenerys teve a quem puxar décadas depois?
Sugar (Sugar — EUA — Apple TV) — Cada vez mais eu gosto desta série estrelada por Colin Farrell. É uma série classuda sobre um detetive que gosta de filmes antigos, investiga crimes em Los Angeles enquanto vive permanentemente num hotel. Tem mais coisas do que isso, mas contar pode estragar a história. A segunda temporada foi ainda mais interessante por causa da história, da forma como eu fui enganado e pelas participações de Shea Wigham e Laura Donnelly.
Pela Metade (Half Man — ING — HBO) — Eu não vi “Bebê Rena” (e dificilmente verei), mas já li que Richard Gadd usa suas produções para lidar com seus traumas. Nada como ser pago para fazer terapia, mas, cara, que vida fudida a deste rapaz. “Pela Metade” é sobre violência masculina e uma relação de codependência tóxica entre dois meio-irmãos. Coitado do Jamie Bell, que foi muitas vezes jogado de um lado para o outro na série.
Cabo do Medo (Cape Fear — EUA — Apple TV) — A releitura do filme do Martin Scorsese de 1991 não foi exatamente incrível, mas eu amei cada momento do Max Cady vivido pelo Javier Barden. Ele foi assustador e valeu cada uma das quase dez horas dedicadas a esta série.
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