sábado, 2 de maio de 2026

Book Review: “O pássaro de peito vermelho”, Jo Nesbø

“- O que é que a tua intuição diz acerca do homicídio?

- Não sei. Fala com a Kripos.

- Falarei, mas o que é que a tua intuição te diz acerca do homicídio?

- Que foi um profissional. Não foi um crime passional. E apesar de eu ter dito que a morte foi limpa e meticulosa, não me parece que tenha sido cuidadosamente planeada.”

“O pássaro de peito vermelho” é a terceira história do detetive Harry Hole e a minha favorita até aqui. Tenho aos poucos lido o trabalho de Joe Nesbø, um escritor norueguês de histórias policiais e, por mais que gostasse de ler as suas histórias, até então não conseguia compreender o enorme sucesso que Nesbø adquiriu ao longo das últimas décadas.

Este livro, porém, começa o que acredito ser um turning point da minha opinião sobre Nesbø. O livro é de fato intrigante e com mais camadas que as anteriores histórias de Nesbø.

Aqui, o detetive Hole tem como missão vigiar um neonazista que acabou de deixar a prisão por uma tecnicalidade judicial, mas a sua investigação acaba se aprofundando ainda mais e faz Hole mergulhar nas histórias de noruegueses que lutaram pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o detetive luta contra o tempo para evitar que aconteça um homicídio.

“O pássaro de peito vermelho” é um bom exemplo da literatura chamada de Nordic noir que gosto tanto de ver em séries de TV. Sua narrativa fragmentada ajuda a criar um clima de suspense que vai crescendo ao longo do livro enquanto se tenta desvendar o quebra-cabeças no qual Hole está metido.

Ao ligar o crime que acontece na Noruega do presente com fatos ocorridos na Segunda Guerra Mundial, “O pássaro de peito vermelho” constrói uma linha de ação e consequência que nos mostra como eventos ocorridos no passado podem criar eco décadas depois.

Este livro ainda explora como as ideias radicais de extremismo podem sobreviver ao longo do tempo. Algo que estamos vivenciando muito fortemente nos dias de hoje, mas sobre o qual Nesbø já falava em 2000, ano da primeira publicação deste livro.

Em resumo, “O pássaro de peito vermelho” é um passo adiante no estilo literário de Nesbø. Tem uma estrutura mais ambiciosa que “O Morcego” (1997) e “Baratas” (1998), um thriller mais eficaz com mistérios bem construídos e acho que aqui conseguimos mergulhar um pouco melhor na alma de Hole, vendo-o com mais complexidade para além de um mero policial competente com problemas de bebida.

Nenhum comentário: