sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Book Review: “E não sobrou nenhum”, de Agatha Christie

“Nenhum de nós vai sair desta ilha. Esse é o plano. A senhorita sabe perfeitamente disso, é claro. O que talvez não posso compreender é o sentimento de alívio!” (Pág. 178)

Interessei-me por ler “E não sobrou nenhum” depois de ouvir um Nerdcast sobre Agatha Christie. Na ocasião um dos participantes do podcast falou tão apaixonadamente do livro e de sua história que a minha curiosidade estava devidamente atiçada e o livro entrou imediatamente no meu radar.

Pois foi uma excelente escolha me iniciar no mundo de Agatha Christie a partir deste livro lançado originalmente pela escritora inglesa em 1939.

“E não sobrou nenhum” é uma história policial que justifica demais a fama de Rainha do Crime de Christie, bem como a sua fama como autora. Tem mistério, suspense, uma constante tensão e constantes questionamentos sobre quem é o assassino em meio ao grupo de dez pessoas que vão parar na Ilha do Soldado a convite de um misterioso homem rico.

Cada morte é construída com requintes de crueldade a partir de um antigo poema infantil. A cada assassinato é possível sentir a tensão entre os personagens que restam. E é fascinante como Christie trabalha com o paradoxo de que a inocência plena só se conquista com o fim da vida. Inocência, claro, da acusação presente de ser o assassino, pois há todo um passado de cada um dos nossos “dez soldadinhos”.

E por fim temos o turning point da história. A descoberta do assassino me pegou de surpresa pela forma como aconteceu. Foi excelente e até certo ponto anticlimático, pois não houve algo como o “discurso do vilão” ou qualquer coisa do gênero. Apenas descobrimos depois de sermos seguidamente ludibriados e apontando sempre para o lado errado.

Talvez sejam posturas como esta que separam Christie de um autor comum dentro do gênero de romance policial. Penso em Jo Nesbo, cujas histórias me divertem, mas não me subvertem. São de um outro estilo, é claro. São de um outro tempo também. Mas nem em “Baratas” (1998), nem em “O Morcego” (1997), os dois livros que li dele, eu percebi a riqueza que se encontra neste livro de Christie. Por outro lado, Nesbo parece um pouquinho mais realista. O autor norueguês nos aproxima mais do cotidiano mundano. Christie, por sua vez é infinitamente mais criativa e sedutora em seus mistérios.

“E não sobrou nenhum” foi para mim uma excelente porta de entrada na obra de Christie. Estou curioso para ler mais livros da escritora inglesa. E não faltam opções. Afinal, a autora escreveu mais de 80 livros ao longo da sua vida.

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